Mostrando postagens com marcador Existencialismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Existencialismo. Mostrar todas as postagens
domingo, 21 de dezembro de 2025
Vácuo
Me via presa em um lugar, mas não sabia qual era.
Toda minha vida perguntei-me onde eu estava
E porque de não me achar em nenhum canto,
Nenhum rio,
Nenhum mar.
Nada era eu ali.
Com o tempo, fui construindo caminhos,cavando túneis
Cada vez maiores e mais profundos.
Tirei forças de onde não tinha para escalar todas as serras.
Tomei todas as estradas e todo mundo me dizia:
"Você vai sair dessa!".
Até que cheguei ao topo e encontrei não uma pessoa, mas várias
Que me diziam:
"Bem-vinda, você chegou!"
Mas onde cheguei?
"Em lugar nenhum! O mundo é isso aí!"
A caverna é o mundo.
O mundo sou eu.
Não há lugar melhor nem pior.
Como viver sabendo que vou ter que conviver comigo até o fim?
segunda-feira, 16 de março de 2020
Vazio
Eu nunca havia sentido "vazio". Sempre fui turbulenta, busquei coisas, tentei me entender e me recriar. Muitas e muitas vezes. Sempre fui excesso. Excesso de dor, de angústia, de amor,de vontade, de morte...de tudo! Mas de uns tempos pra cá, a vida mudou, mas não sei se eu mudei. Ou se eu mudei e a vida continua a mesma. Só sei que nesse descompasso, passei a sentir esse silêncio,imensidão...a espera de um fim que nunca chega.
Não há satisfação em chegar ao topo. Não há topo. Não há nada! Há você e somente você...Foi você em todo caminho e é você agora. E o inferno não eram os outros?
Não que minha voz não ecoasse ,mas ela se misturava e agora eu a ouço bem e não sei o que ela diz. Ela se perdeu entre tantos caminhos. Ela está exausta! Ela ás vezes,não quer continuar. Como entender essa voz tão antiga? Que língua falamos?
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019
Um texto amargurado
A morte já foi um desejo, hoje é apenas um medo e uma incógnita. O medo é pelos que não sou, a incógnita é por mim.
Quando mais jovem, já pedi por ela, escreví cartas de despedida e planejei sua chegada por meios mais autorais. Ela porém, caprichosa, só vem quando quer, mesmo que não queiramos ou que a queiramos muito. Com muita análise, aspirina e descarrego, fui aceitando que estar aqui é uma condição nem tão boa e nem tão ruim, quiçá escolhida em um lugar distante. E já que a vida precisa ser preenchida, o melhor que faço é preenchê-la fazendo pelos outros o que ninguém em sã consciência quer fazer. Seria esse uma espécie de karma?Sendo ou não, não quero morrer logo, ainda tenho muito karma pra queimar.
Enquanto os outros vão embora, sinto um misto de saudade carnal com inveja e alívio! Dói pra caralho, mas eu sei que estão bem.
Qualquer lugar é melhor que aqui!
terça-feira, 13 de novembro de 2018
Texto de shopping
Tinha esquecido a sensação de ser quem realmente sou. E a sensação é essa: nada! Nada de mais, nada de menos. Totalmente perdida!
Isso não é ruim e nem bom, é apenas ser.
Não sou aquela mulher intensa que se joga em tudo de cabeça , até perder o ar. Sou não.
Não sou aquela mulher comedida e discreta, que tem um ar de mistério. Sou bem transparente e besta, mistério nenhum.
Não sou uma mulher fatal, não sou uma mulher elegante, sou isso aí: normal.
Alguns me chamam de excêntrica.Falam do meus gostos e minhas roupas,das escolhas que fiz na vida. O que há de excêntrico numa garota que prefere ficar em casa sábado à noite fazendo a unha e tomando café? O que ela tem pra mostrar que você já não conheça de cor?
Sou uma pessoa simples. Uma pessoa que fica feliz quando meus pais estão em casa, que lê os mesmos livros, que escreve quando está triste. E que fica ainda mais triste escrevendo.Não faço grandes feitiços em meu caldeirão. No máximo acendo uma vela pro anjo da guarda guiar meus caminhos e limpar meu coração das agruras do amor.O amor… nesse eu me benzo todo dia!
O mistério de ser o que sou,então, é só para mim, que ainda não me achei. Mas pra você, eu só sou uma pessoa que gosta de amar, da paixão enlouquecida até as flores amarelas que encontro no caminho do trabalho
domingo, 26 de agosto de 2018
Andar com minha fé eu vou
Passei a calçar sapatos quando percebi que estar descalça
era mal visto, que minha imagem despertava liberdade e selvageria, tudo o que
uma mulher não pode ter. E logo apareceu
um par que apesar de muito desconfortável, tinham uma boa aparência e me dava
um status respeitável. O calcei durante longos anos e a medida que fui
crescendo, ele apertava, dava calos, prendia meus passos, torturava meus pés e
eu não conseguia mais sentir a natureza
da qual faço parte. Como na história original de Cinderela, chegaria um momento
em que seria necessário decepar meu dedo ou calcanhar para continuar cabendo no
sapatinho de cristal. Doeu me desprender
de algo que me serviu por tanto tempo, mas antes que eu me livrasse de pedaços
meus, joguei meus sapatos fora!
Foi estranho sentir novamente os quatro elementos roçando e machucando
novamente meus pés, mas percebi que apesar de sensíveis pela época em que
passaram abafados, continuavam fortes, ágeis e desejosos de sentir na pele o mundo.
Muitos dos que ainda usam os sapatos que me apertavam preferiram
decepar a si mesmos para continuar os calçando e sendo bem aceitos pelos que
tem medo de andar com os pés no chão. A grande maioria deles não caminha mais
ao meu lado. Permiti-me até mesmo calçar
sapatos novos, muito mais confortáveis!, aos quais recorro sempre que meus pés precisam de um alívio
pela brutalidade do asfalto , mas não tenho mais a necessidade de proteger-me
de todas as experiências que a jornada me proporciona. Decidi voltar á minha
natureza ,olhando para trás e tendo o prazer de ver a marca de minhas próprias pegadas
domingo, 4 de outubro de 2015
Depois da partida- reflexões religiosas
![]() |
| Desenho que fiz pro desafio #Inktober que estou participando. Todo dia tem desenho novo no Instagram, basta seguir ali ao lado <------- |
Tento não abordar esse assunto de maneira literal, pois não
quero ser tida como influencia para ninguém, nem como boa e nem como má.
Acredito que há momentos em nossa vida em que algo se faz necessários e depois
deixam de fazer, por muitos motivos. Ter uma religião fez bastante sentido pra
mim durante quase 7 anos. Fazia sentido seguir aquela doutrina, crer no que eu
ouvia e me sentir parte daquele lugar. Hoje não faz mais.
Com a saída dessa doutrina que frequentei, inúmera coisas
mudaram. Por fora todos sabem: Roupas “do mundo”, tatuagem, mudanças no cabelo,
liberdade sexual. Mas as mudanças muito mais significativas foram por dentro e
é delas que quero falar nesse post:
Minha vida está extremamente mais leve agora que acredito
que as coisas vão acontecer conforme o meu merecimento, e ainda assim, é
possível que não aconteçam, a vida nem sempre é justa e está tudo bem! As
coisas não deram errado por que : pequei; estou sendo castigada ou estou sendo
provada. Da mesma forma, as coisas não deram certo porque: Estou sendo
recompensada, é uma prova que Deus me ama (logo, se ele não dá, ele não me
ama);
Não fico mais esperando eternamente que coisas que
provavelmente não irão acontecer, aconteçam, pois sou “uma serva de Deus
esforçada e mereço isso”. Não fico mais me martirizando pela vida não cumprir
minhas expectativas e colocando isso na conta de Deus. Não fico mais esperando
milagres , embora creia que eles existam, mas não acho mais que é obrigação de
Deus fazer com que aconteçam ;
Sou muito mais humilde agora. Sei que receberei algo
conforme minha necessidade e minhas ações, e não porque “Deus quis”. Agora sou
responsável pelas minhas ações e receberei o que delas for seu resultado
natural (ou não);
E principalmente: Sou eu mesma, sem medo de estar sendo
vigiada o tempo todo por uma força invisível
(seja ela a doutrina da igreja ou o próprio Deus, que sei que não liga
para nada disso) que estará pronta a me apontar e julgar caso eu corte o
cabelo, dance o faça qualquer coisa considerada por alguém como “mau
testemunho” ;
Muitos me perguntam e NÃO, não me tornei ateia e ainda me
considero cristã, mas não sinto mais o mínimo desejo de voltar a uma religião
que mais me condena que me acolhe, seja ela qual for.
domingo, 16 de agosto de 2015
O perdão
![]() |
| Pintura inspirada nas ilustrações de Tolkien e em Firebird, de Fantasia, da Disney. |
Algo que tem me feito muito bem é aprender a perdoar. Creio que para me
proteger em momentos de imensa fragilidade, fui criando uma casca dura que não
deixava nada passar e qualquer crítica a mim, ou falha, era visto como um
ataque pessoal. Nunca fui muito passiva, mas fiquei de certa forma até agressiva
durante alguns anos e ao ferir alguém, também me feria e , surpresa!, não sabia perdoar-me, igualmente. Tudo isso ia se
tornando uma bola de rancores que me consumiam por dentro.
Do ano passado pra cá, conforme fui me libertando de várias
coisas, tomei consciência que me livrar de tanta culpa e rancor era essencial
para minha saúde e meu bom convívio com os outros e fui notando que ao perdoar o outro ,
automaticamente perdoava a mim e vice e versa, pois reconhecendo que o outro
erra, tiro das minhas costas o peso de
ter que ser perfeita sempre, e reconhecendo que eu sempre erro, tiro o mesmo
das costas alheias.
A verdade é que erramos, mas nos arrependemos (ou
deveríamos). Aceitar que alguém que você ama de vez em quando vai te machucar,
porque ele não é perfeito, é aceitar que você também faz isso. Aquela palavra
que te disseram que você nunca esqueceu, aquele dia que te esqueceram, aquela
pessoa que foi injusta, aquele tapa (seja
no corpo como na alma) . Não estou dizendo de forma nenhuma que devemos nos
submeter a alguém que nos pisa e humilha
e muito menos que devemos conviver e levar numa boa, mas podemos sim, nos
afastar e entender que o outro, como você, é um ser cheio de traumas, medos,
erros e limitações.
Não perdoei tudo, mas queria chegar à isso. Só faz bem, só
descarrega energias péssima e dá espaço para coisas melhores na vida. Hoje se
me irrito, me magoo, critico e sou criticada, se faço por um momento um inferno
na vida do outro como ele pode fazer no minha , já penso mil vezes antes de
colocar no meu coração esse fato como incorrigível e essa pessoa como
imperdoável. Pode não ser perfeita, mas
só tenho uma família. Podem não ser perfeitos, mas prezo meus amigos. Podem não
ser pessoas relevantes, e por isso mesmo ,não vou me encher de sentimentos
corrosivos por quem não faz diferença. Posso ser um poço de defeitos, mas sou
minha melhor amiga.
Não é ser Buda, não é ser Cristo. É ter a humildade de enfim
compreender que somos apenas humanos demasiado humanos.
terça-feira, 19 de maio de 2015
Voltar
É à noite. Pego a xícara que mais gosto e um cobertor, vou
em frente ao computador e coloco meu seriado preferido, ou m filme que eu já
assisti muitas vezes, mas sempre é bom rever. Espero todos dormirem para curtir
esse momento de estar comigo mesma, desfrutando de minha própria companhia,
fazendo exatamente o que queria fazer.
Entro no meu quarto. Vejo todos os livros que amo bagunçados.
Vejo minhas caixas de música, ambas tão especiais pra mim, meus bonequinhos do
Mário, os novos da Hora da aventura, minhas bonecas, minhas bijuterias e penso “tenho
que por ordem em tudo isso, é tudo meu,
e está uma bagunça!”
Estou em uma roda de amigos e começamos a falar sobre
infância e adolescência. Começo a relembrar de uma maneira muito gostosa coisas
que me marcaram. Passo a cantar a abertura da Sakura Card Captors, do Dragon
Ball Z e do Tench Muyo. Relembro todos os personagens do Harry Potter, o HQ O corvo e como esse também era meu filme
favorito na infância. Relembro a casa da minha avó , as sementes de girassóis,
meu primo apaixonado ouvindo Linger repetidas vezes (essa música que embala
tantas coisas boas em minha vida). Lembrei até de algo lindo que havia
esquecido, que era meu irmão e eu deitados na rede, eu apontando as estrelas e
ele “ Não aponte as estrelas, que nasce um berruga no seu dedinho!” , “Fabinho,
em qual estrela será que a Zula mora? Já pensou começar a cair um monte de
bolas azuis aqui no quintal?” e procurávamos juntos em qual estrela a Zula
morava.
Nada disso eu sentia há pelo menos 5 anos!
É um prazer que só quem passa ou já passou pela depressão vai
entender. É voltar a sentir-se viva, sentir-se presente, sentir-se novamente
dona do seu corpo e da sua história. Não que eu não visse mais filmes, não
lesse mais livros, não arrumasse minhas coisas ou não lembrasse do que já vivi. Mas é um recordar com sabor,
com som, com vida. É voltar a sentir-se
pulsando, fazendo parte do mundo. É ver o mundo em cores. É reconhecer-se,
gostar-se, amar-se. Perdoar-se. É voltar
a ser você mesma. E que saudade, que saudades eu tinha de mim!
Cada dia mais, sinto que estou me libertando de pesos,
julgamentos, lembranças e crenças que me faziam estar nesse estado de tristeza
permanente e começo a valorizar todas as coisas boas que aprendi durante esse
período tão difícil. Nos momentos de recaída, aproveito para me aprofundar no
que me faz mal e resolver essas questões em mim mesma, diferente de antes, onde
parecia não haver saídas.
Hoje comentei com meu namorado como tenho evoluído em tão
pouco tempo e ele me disse “Será que é só a terapia, ou você não está mais
madura?”. Acho que sim. E diferente do que escrevi anteriormente, não sou
frágil pelo contrário, estou cada dia mais forte.
quinta-feira, 7 de maio de 2015
Frágil
Alguns cacos meus consegui recuperar e ficaram quase como os
originais. Outros estão estilhaçados e fico tendo que os colar diversas vezes.
Muitos fui pegando ao longo do caminho,
buscando em outras pessoas, o que elas diziam ser bonito ou aceitável e fui
colando em mim. Pedaços que eu achava importantes meus, cheguei a tirar, já que
disseram lembrar outros vasos feios.
Mas o que me falta é a estrutura, o equilíbrio e também,
assumir meus próprios pedaços, ainda que muitos estejam tão diferentes de como
os conheci.
Estou feliz por ter conseguido reerguer a aparência, mas a
estrutura ainda está sendo construída. Qualquer vento me balança, qualquer
esbarrão me desmonta. Queria que existisse em mim algo onde pudessem ler “em construção” ou “peça frágil” para que parassem de me balançar, esbarrar,
vociferar, se apoiar e começassem a perceber que preciso de cuidado, de tempo,
de paciência. Hoje mesmo, algumas peças tornaram a cair e me senti impotente em
juntar os cacos. Mas vou fazer isso, farei isso até o fim. Só gostaria que me ajudassem
em vez de acusarem sempre a forma como sou desajeitada e que outros vasos em meu lugar, seriam mais
fortes.
Por favor, eu já consegui reconstruir aqui fora. Mas ainda
está difícil reconstruir aqui dentro.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
Religião deve ser amor, não prisão
Durante muitos anos de minha vida fui de uma igreja
evangélica extremamente tradicional. Aos 18 anos, me batizei nela, declarando
assim que aceitava sua doutrina, ao qual
realmente segui a risca por escolha própria. Sempre falei muito sobre Deus e a
participação essencial que Ele tem em minha vida aqui no blog e até escrevi
textos onde falo sobre problemas que enfrentei sendo evangélica. Apesar de
seguir rigorosamente tudo o que a igreja dizia ser certo, sentia-me deslocada e mal vista pelos meus pensamentos e
coisas que arriscava fazer. Enfim, após muito tempo lá dentro, decidi com
grande dificuldade me desligar desse lugar e deixar para trás vários conceitos
e atitudes que eu reproduzia por imposição doutrinária.
Muitas pessoas que me vêem hoje acham que fiz algo “de
errado” e por isso me afastei, ou que me sinto triste e desisti de Deus, ou
acham que sou uma coitada, que estou “perdida” , sem saber o que estou fazendo.
Erro de todos. Decidi sair da igreja após muita reflexão e cobranças internas.
Os discursos já não correspondiam com o que eu acreditava (se é que um dia
corresponderam), me sentia hipócrita estando em um âmbito no qual eu não
conseguia me identificar e sem ferir nenhum principio pregado lá dentro,
resolvi sair. Não sai por culpa, não sai por remorso, não sai por “me sentir
suja”, sai porque eu quis, porque eu escolhi sair. Sempre fui imensamente responsável comigo e
leal a minhas escolhas e por isso mesmo, só passei a fazer coisas que não eram
aceitas pela doutrina da igreja (como as tatuagens, por exemplo) após já ter me
desligado.
Também não me sinto triste, pelo contrário, nunca me senti
tão fiel ao que creio como agora, tão completa e em paz comigo mesma. Não estou
desiludida, não estou fazendo nada por impulso. Faço tudo porque quero, porque
escolho, porque tenho plena consciência de que sou uma mulher adulta que sabe
arcar com as próprias decisões. Não sofro pelos “amigos que perdi” e quero que
mais pessoas que agem dessa forma se afastem cada vez mais.
Não estou escrevendo o texto como uma resposta aos que falam
hoje sobre mim, estou escrevendo para deixar claro aos leitores desse blog:
qualquer religião, se te faz uma pessoa melhor, é uma boa religião! Se te faz
crescer como pessoa, te ajuda e te faz ser mais empático aos seres humanos, é
um lugar maravilhoso que você tem o direito de estar o tempo que quiser! Sofri
muito preconceito quando era evangélica pelo simples fato de me declarar como
uma e sei desse lado da moeda. Se te faz bem, fique! Enfrente o mundo! Não
tenha vergonha de suas escolhas e nem de suas crenças! Se para você é
importante ser virgem até o casamento, se vestir de uma maneira mais discreta,
ter cabelos compridos, se tudo isso faz sentido para você, te faz bem, faça de
todo coração! Ninguém tem o direito de dizer como você deve ser, nem a
sociedade que vivemos, nem o lugar religioso que está. Tudo o que fizer, se for
por amor, é válido, apenas siga sua verdade, mesmo que zombem de você.
Agora, se por acaso você não se sentir mais identificado com
a religião que segue, seja forte e questione-se, permita-se ! Sei que é difícil
, já que somos ensinados a não questionarmos os ensinamentos bíblicos, mas isso
não tem nada a ver com ir contra o que sua religião acredita, você está apenas
pensando, evoluindo, não tenha medo disso! Pense o porque de estar ali, o que te atrai, o que te afasta, o
que te faz crescer e o que te limita, pese tudo e veja o que vale a pena para
você!
Deus não está apenas dentro de um templo e Cristo pregou
sempre perdão, o amor a quem quer que seja! Muito diferente do que vemos
igrejas pregando por aí!
Meu conselho é: Siga seu coração, siga sua verdade, estando
dentro de igreja ou fora de uma, se for o que te faz bem, não tenha medo! Seja
fiel a você mesmo e não se importe com o que os outros irão dizer!
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
Aos que me dizem mais bonita
![]() |
| Com 14 anos, quando me achava horrível! |
![]() |
| Com uns 20 anos, época da faculdade. |
Comecei a escrever sobre isso porque notei que com a melhora da depressão, algo que antigamente me atingia muito, já não atinge mais: o bullying que passei nos tempos de escola e faculdade. Eu tinha um complexo de inferioridade muito grande (que algumas vezes ainda me pega, devo admitir) e este com certeza foi alimentado por esses momentos da minha vida. Eram lembranças que volta e meia vinham me fazer mal. Na escola, nunca fui agredida fisicamente por conta de bullying, mas era a mesma história de muitas garotas: alta de mais, magra de mais, espinhas de mais, óculos, cabelo considerado “ruim”(não liso) . Beijei bem tarde por conta de tantos complexos, tive muito ódio dessas pessoas que me rebaixavam e diminuíam, alimentava desejos de vingança, etc. Conforme fui crescendo, enquanto essas lembranças ainda me consumiam, eu não conseguia ver como eu era bonita e muito mais que aquilo tudo. Continuei me comparando, me sentindo feia, esquisita, menor e fiquei com aquela mania de perseguição, achando que onde eu fosse “Não gostam de mim! Não falam comigo! Excluem-me! Menosprezam-me!”, não notando que era eu que me sentia assim e isso fazia com que as pessoas não se aproximassem mesmo. No caso da faculdade, eu fui meio perseguida por, na época sendo evangélica, não me encaixar na imagem que as pessoas tinham de como deveria ser um evangélico: submisso, preconceituoso, que não pensa, não questiona, que se esconde do mundo. E eu sempre fui totalmente o contrário disso. Piorou muito quando resolvi que meu TCC seria sobre Arte Tumular. Isso criou milhares de fantasias maldosas e fofocas sobre mim. Terminar a faculdade foi uma libertação. Essas coisas todas, tanto da escola quanto da faculdade, me criou uma ferida muito grande e que eu pensava jamais fechar, até porque eu não queria que fechasse! Aquela coisa de “Nunca vou esquecer o que me fizeram, blá blá blá”.
Mas quer saber? Passou! Passou totalmente! Comecei a notar que essas coisas todas não aconteceram apenas comigo, mas com milhares de pessoas e que nada disso me definia. Todo mundo quando é adolescente se acha feio, é esquisitão, está em fase de crescimento, normal então ser todo torto, magro ou gordo de mais, alto ou baixo de mais, todos são assim! Quando paro pra lembrar das crianças e adolescentes que faziam isso comigo, noto que eles também eram assim! O fato de escolherem alguns alvos para serem os mais humilhados infelizmente acontece e isso gera muita dor em quem sofre. Mas e aí, vou viver com isso pra sempre? Todos que agiram dessa forma nem se lembram mais, a vida de todos mudou e com certeza a cabeça deles também. Capaz que eu os encontre na rua e eles fiquem felizes em me ver, como se nada tivesse acontecido. Não estou dizendo que quem sofreu bullying tem obrigação de esquecer ou perdoar, mas que isso aconteceu comigo conforme fui amadurecendo e vendo que as pessoas mudam, a vida muda, a cabeça de um jovem de 13 anos não é a mesma de uma pessoa de 25 e que eu não posso pautar minha vida por coisas que passei aos 12, 13, 14 anos. Hoje sou diferente, eles são diferentes. A mágoa que eu tinha por conta disso se foi, e isso foi muito bom pra mim. Quanto às pessoas da faculdade, tirando os amigos que fiz, ninguém me faz falta e pelo que eu saiba, ninguém evoluiu muito com o pensamentozinho retrogrado que tinham, isso não fez ninguém superior a mim, ninguém cresceu fazendo fofoca e alimentando disputas. Isso é coisa de gente pequena e mesquinha, só o que posso é lamentar por essas pessoas. E em compensação, na pós graduação (sim, me formei! Agora sou uma Arteterapeuta Junguiana <3) conheci as pessoas mais acolhedoras e maravilhosas da minha vida, a quem devo muito minha evolução!
Eu, agora!
|
quinta-feira, 18 de dezembro de 2014
Eu poderia ter sido Elena
ESSE TEXTO FOI PUBLICADO NO BLOG DA PETRA COSTA, SOBRE O FILME ELENA!
Meu namorado diz que gosto de filmes tristes. Prefiro chama-los de Dramas, mas de fato, são tristes, assim como muitas vezes vejo o mundo.
Meu namorado diz que gosto de filmes tristes. Prefiro chama-los de Dramas, mas de fato, são tristes, assim como muitas vezes vejo o mundo.
Um filme (documentário) que demorei muito a assistir por não
saber sobre o que se tratava exatamente, foi Elena, de Petra Costa, onde ela
narra a história de sua irmã, Elena,
atriz, que aos 20 anos decide morrer e como esse acontecimento até hoje impactou
a forma de Petra enxergar a vida.
Há uma parte no filme que mexeu muito comigo, onde Petra
relata que entra no quarto de Elena com uma amiguinha, ambas com 7 anos (Elena
com 20) e a encontram totalmente coberta, apenas com os olhos de fora e estes,
vermelhos de tanto choro. Saindo do quarto, a amiguinha de Petra pergunta o que
tem Elena, e ela responde “Ela é assim”. Por mais da metade da minha vida, eu
achei que eu fosse assim.Tinha aceitado a tristeza , a melancolia, a vida em
preto e branco como uma parte da minha alma, do meu destino. Conforme fui
tomando consciência de que isso precisava mudar, essa certeza de ser uma pessoa
triste tornava-se aterradora, insuportável e eu não via saída, a não ser a
morte.
O filme me angustiou muito. Me fez rememorar sensações que
já passei ao longo da minha vida e muitas vezes, em menor frequência, ainda
passo. Creio que as doenças da mente são
mil vezes piores que a do corpo. Se você está com uma dor no corpo, mas com a
mente sadia, você suporta, dá a volta por cima, se refaz. Quando é a sua mente
quem está doente, tudo pode parecer perfeito, mas nada importa, tudo parece
perdido. Lembrei das várias vezes em que minha vida não tinha sentido algum, das vezes que senti uma dor excruciante que nunca soube de onde vinha e
como meu único socorro e consolo era a religião, ao qual eu me agarrava com
todas as minhas forças e que , agradeço muito a Deus por tê-la colocado em meu
caminhos nesses momentos difíceis, pois foi o medo de perder a vida eterna, os
céus, a salvação e o que diziam naquele
lugar , que me mantiveram viva durante muito tempo, durante anos em que nada
pra mim fazia sentido, em que , como eu sempre dizia : Viver,era um fardo, uma
obrigação.
Mas eu saí disso, nem eu mesma consigo acreditar, mas saí.
Saí com terapia, com medicação, com amparo da família, que passou a me entender
e me apoiar, reconhecendo meus medos, traumas, experimentando viver, me
arriscar e aprendendo que nada é para sempre, nada é eterno. A vida é feita de
fases e isso tudo que passei foi só uma fase.
Queria que Elena tivesse tempo de ter notado que tudo isso
era uma fase, que todas essas coisas iriam passar. Aos 20 anos eu também queria
morrer. Aos 25 , quero amar, casar, trabalhar, ter filhos, dar continuidade aos
meus projetos . Viver muito, e muito bem!
Agradeço a Petra por ter feito esse filme, por sua
sensibilidade e sua coragem em se expor, coisa que faço nesse blog diariamente,
mas não com tanta delicadeza e beleza que ela fez. Relatar nossa história nos
alivia da dor e ajuda a quem está passando por ela a sentir-se confortado,
acolhido, a notar que não está sozinho, que é o que muitas vezes tento fazer
aqui.
Um filme feminino, intenso, forte. Um filme, que gostaria
eu, ter sido feito por mim. Uma história, que agradeço, não vivi.
sábado, 6 de dezembro de 2014
Nothing's gonna change my world
Eu sempre achei que a sensação de “É definitivo, não dá para
se arrepender” faria com que eu me desesperasse, enlouquecesse, mas não...Esse
ano tive muitas atitudes das quais não dá mais para eu me arrepender. Tatuagens
no corpo e na alma, que não podem ser mais apagadas. Cruzei fronteiras
invisíveis, me arrisquei a pagar o preço do “tudo a perder”.
Não me arrependi e nem me arrependo. A sensação do “Não tem
mais volta”, na verdade, é um grande, um imenso alívio! Como se eu deixasse
para trás todas as correntes, os medos, as dúvidas. Paguei pra ver, e não sinto
que perdi nada, pelo contrário, apenas ganhei.
Se eu soubesse, tudo teria sido diferente,
Se eu soubesse, não teria perdido tanto tempo.
Se eu soubesse, não me permitiria ter passado tantos anos
infelizes.
Mas eu não sabia e nem tinha como saber, já que tudo na vida
tem seu começo, seu meio e seu fim. Precisei fazer minha viagem Através do
universo, precisei cruzar esta ponte do certo pelo duvidoso. Estou no duvidoso,
mas garanto que aprendi a andar na corda bamba como ninguém. E sei que não vou
cair, pois Ele está sempre por perto.
Jai Guru Deva Om
Notthing’s gonna change my world.
domingo, 19 de outubro de 2014
Morte, legado e vida
![]() |
| Profeta Gentileza |
Há alguns dias atrás, me
peguei pensando sobre a vida e o que realmente ela representa. Será que de fato
estamos vivos apenas o tempo em que permanecemos respirando na terra?E será que
muitos que estão respirando, de fato vivem? Perguntei-me o que faz com que até
hoje discutamos, defendamos e até mesmo odiamos conceitos criados há séculos
atrás , pessoas que já faleceram há
décadas e como trazemos essas mesmas pessoas e seus conceitos em nosso
convívio. Afinal, seria o fato de viver, apenas o de sobreviver?
Como não acredito em
coincid6encia, mas em sincronicidade, na mesma semana em que fui tomada por
tais questionamentos, tive o prazer de ter uma série de palestras com Jorge Larrosa,
grande filósofo da educação, na qual ele abordou a história do Profeta
Gentileza e como este homem que presenciou a morte de sua família em incêndio
num circo do Rio de Janeiro, recria deste fim, um novo início para sua
trajetória, trajetória que até os dias de hoje é discutida e divulgada. Até
hoje falamos sobre seu jardim, falamos sobre seu livro público, feito nas
paredes do Rio de Janeiro, sobre suas palavras de amor e gentileza espalhadas
pela cidade e sobre um homem que dedicou a vida aos seus ideais.
O ano de 2014 está cheio
de mortes mal explicadas, por pessoas que a nosso ver, ainda não deveriam ter
partido. Mas será que elas de fato, partiram? E seu legado, como fica? O cinema
é um eternizador de almas. Por ele, ainda há pessoas que estão agora conhecendo
Chaplin, Bela Lugosi, Marilyn Monroe e muitos outros. Estas pessoas podem ter
morrido fisicamente, mas essencialmente, continuam conosco, mais vivas do que
nunca, influenciando gerações, sendo influência para arte, moda, estilo de se
pensar e viver. Ainda ouvimos as canções de Janis Joplin, Jim Morrison, Kurt
Cobain, Raul Seixas, Bezerra da Silva, Clara Nunes. Ainda estudamos e ficamos
confusos com as teorias de Focault, Freud, Marx. Ainda choramos com
Shakespeare, Jane Austen, Carlos Drummond. Essas pessoas continuam fazendo
revolução, continuam vivas em nosso dia-a-dia e em nosso pensamento. E isso que
importa.
Me pergunto agora, se
muitos de nós apenas sobrevivem em vez de viverem, se fazemos de nossa
existência algo que valha a pena ser lembrado, ou então, algo que valha a pena
ser vivido, mesmo sem os holofotes do reconhecimento. Tornarmo-nos eternos? Acrescentaremos algo ao mundo, ou
viemos apenas para continuarmos exercendo nosso limitado papel de seres
humanos, presos a dogmas, críticas, regras e pequenezas terrenas? Pego-me a
pensar que de fato, a vida é curta, e por tão curta ser é que vale a pena
tirarmos dela o máximo de proveito, um proveito que poderá ser apreciado até
mesmo por outras gerações.
Texto escrito para o site Ilha Cult
segunda-feira, 13 de outubro de 2014
Transformação
No início desse ano, lembro que escrevi no meu Facebook “Sinto
que esse ano vai ser roots!”. Mal sabia eu o quanto seria e o quanto eu iria me
transformar!
Acho que a palavra certa para esse processo não é mudança,
mas transformação. Eu desabrochei, me redescobri, mesmo sendo a custo de muitas
dores, crises e angústias. Até o início desse ano, batia o pé e dizia estar
certa sobre tudo, não haver dúvidas, sobretudo em questão religiosa. Mas tudo
mudou, tudo! Com os dias fui me questionando cada vez mais e mais sobre minhas
escolhas e sobre qual era o papel dessa religião na minha vida. Doeu , fez
sofrer, fui pra frente e pra trás, quis largar tudo de uma vez e me feri, ao
mesmo tempo, sabia que continuar lá não era mais uma opção devido a inúmeras
questões pessoais, espirituais e ideológicas. Mas nunca duvidei do papel
soberano que Cristo tem em minha vida, em meu ser, em meu caminho e hoje sinto
isso cada vez mais forte! Fui , com um passo após o outro, me permitindo sair
desse casulo no qual fiquei tanto tempo aprisionada. Não cuspo no prato que
comi, e talvez ainda volte a comer dele. Nem acho que ninguém deva seguir o meu
exemplo, eu fiz aquilo que meu coração pediu pra que eu fizesse e continuasse
minha vida em paz. Fora isso, outras mudanças em outros setores aconteceram! Profissionalmente, tenho meu
trabalho cada vez mais reconhecido! Intelectualmente, optei por trancar minha
segunda graduação, mas sinto que quando voltar, irei aproveitá-la muito mais!
Psicologicamente, minha depressão praticamente desapareceu! Amorosamente,
encontrei a pessoa certa pra mim, que me completa e está sempre acrescentando,
deixando minha vida melhor! Espiritualmente, me sinto mais livre e muito, mas
muito mais em paz com Deus do que antes! Em questão de amizade, só amizades de
gente que faz bem, que acrescenta, que soma, tudo que era “lixo” foi embora! Enfim,
tudo isso se reflete na minha pele, no meu jeito de sorrir, no meu jeito de
ser! Parece que quando a gente se aceita, tudo melhora!
Em julho coloquei um piercing no nariz. Dia 11 de Outubro,
fiz minhas duas primeiras tatuagens! Coisas que até alguns meses atrás, eram
impensáveis pra mim! Fiz uma libélula no ombro esquerdo e a frase “...a Arte é a exceção.” no braço direito. Outro
dia faço um post apenas sobre o significado delas, hoje deixo com vocês as fotos delas ainda inchadas e estranhas, mas
que significam muito pra mim!
segunda-feira, 14 de julho de 2014
Minha visão pessoal sobre meu filme favorito- Brilho Eterno de uma mente sem lembranças
Acho que nunca comentei sobre isso aqui, mas quem me conhece
sabe muito bem que Brilho Eterno de uma mente sem lembranças (Michel Gondry) é meu filme
favorito, por inúmeras questões. Tanto por valor estético, como por conteúdo,
quanto por memórias afetivas de uma época da minha vida. Foi o filme que me
pegou e que faz parte da minha história
pessoal. O vi a primeira vez em 2007 e desde essa época, necessito assisti-lo
de tempos em tempos. E choro, me emociono, me questiono todas as vezes que o
vejo. A última vez foi no cinema, em uma amostra de filmes no MIS, e novamente,
uma sensação inexplicável.
Sempre quis escrever algo sobre a importância desse filme
pra mim, mas nunca consegui colocar em palavras. Mas hoje, estava comentando
sobre “relacionamentos cagados “ e como acho que não vale a pena tentar ficar
remendando um relacionamento que já desgastou, que já chegou ao fim. Ouvi como
resposta “Mas você não gosta do Brilho eterno? Ele é o tempo todo sobre isso!”.
Na hora eu não pude responder, mas não, eu não vejo que seja sobre isso.
Brilho eterno de uma mente sem lembranças não se trata de
insistir em um relacionamento que já afundou, em “fingir” que as mágoas não
existem, em que as dores foram perdoadas e seguir com a mesma pessoa, como se
tudo estivesse bem. Brilho Eterno, para mim, fala de recomeço, de tentar fazer
com que dê certo, em olharmos para nós mesmos e pensarmos “Porque faço essa
pessoa que amo tanto sofrer de uma forma tão dolorosa? Porque a maltrato,
porque não me importo com o que ela pensa ou sente, porque prefiro estar com a
razão do que estar em paz com aquele que
escolhi dividir a vida?”. Quando Clementine (Kate Winslet) e Joel (Jim Carrey) se reencontram, eles estão com
as memórias apagadas um do outro. Eles tem o sentimento puro que os une, eles
sabem que se amam, mas estão limpos das mágoas e dos erros do passado. E mesmo
após terem contato com a fita em que escutam um insultando o outro, ambos
decidem que não farão mais dessa forma, que irão superar isso e fazer diferente. Joel precisa reviver suas
lembranças, retrogradamente, e chega ao tempo que ele e Clementine se amam sem
ego, sem jogos, sem mágoas, para notar o quanto a amava e o quanto apesar
de todos os defeitos, ele não queria que ela saísse de sua memória, de sua
vida.
Brilho eterno me mostra como afundamos um amor verdadeiro,
seja ele uma amizade, um romance, algo de puro e essencial em nossas vidas, por
querermos ter sempre razão, por preferirmos ferir alguém, preferirmos trair,
magoar, ignorar uma pessoa que está do nosso lado por puro ego e amargura. E se tivéssemos
uma segunda chance? E se voltássemos a nos conhecer, mas com a mente livre de
julgamentos, com o coração aberto para uma nova tentativa? Porque estragar uma
história que hoje você está vivendo com alguém?
Por que não ceder, não relevar, não querer se ajeitar? Porque construir um muro
de tristezas, mágoas e rancores, em vez de criar novas e melhores lembranças? Será
que você terá uma nova chance, quando essa relação chegar ao fim? Será que será
fácil para o outro esquecer e passar por cima de todas as marcas que ficaram? Não
existe uma Lacuna.Inc na vida real, onde más lembranças simplesmente serão
apagadas e você recomeçará sua história do 0. No mundo real, existe você, no
aqui e agora, fazendo valer a pena. Talvez ainda dê tempo de cultivar aquela
sementinha quase morta de amor no coração de ambos, talvez ainda tenha como
criar lembranças mais amorosas e fortes que as ervas daninhas que se
infiltraram. Tudo depende de você e de como você quer que seja a sua vida. E
diferente do filme, as coisas que você diz e faz não podem ser apagadas por
algum tipo de preço, elas ficam, elas se tornam feridas. Pense bem antes de
falar ou fazer algo pra alguém que você diz amar, pois poderá não haver uma
segunda chance.
sexta-feira, 27 de junho de 2014
Depressão- A saga
Quando iniciei esse blog (Mais precisamente, o Across the
Universe, que depois se tornou Pensaela, que depois se tornou Pedaços dela e
por fim, o Etérea Essência), eu estava começando o período mais pesado da
depressão, ainda não diagnosticada, por conta de uma experiência traumática que
foi só uma acionadora . A verdade é que já era uma criança triste e negativa,
fui uma adolescente com longos períodos de angústia e vitimista (sempre me
achando a pior, a mais feia, a que sofria mais, etc) e tenho predisposição genética
a problemas como depressão, síndrome do pânico e etc. Meu pai é depressivo e sofreu ataques de
pânico e boa parte da minha família paterna seguiu essa mesma sina. E eu
também.
Nos primeiros dois anos eu não busquei tratamento para
depressão, embora já tivesse feito 6 meses de terapia, que não ajudaram muito.
Não busquei tratamento, uma por estar em crise e não ter forças, outra por não
ter apoio familiar, que dizia “não ter
dinheiro para gastar com as minhas frescuras”. Frescuras estas que eram
basicamente: Não comer e chegar aos 49 kilos (tenho 1,70), não dormir (ou
dormir de mais), não querer ficar sozinha, ter tonturas e náuseas constantes,
sentir que meu corpo não me pertencia e que eu vivia em um sonho, chorar
compulsivamente durante horas, etc. etc. etc. Com o tempo fui melhorando um pouco. Fiz
faculdade, ingressei na igreja, arrumei um namorado. Contudo, tive uma recaída
terrível onde minha mente não parava de pensar (apenas coisas ruins e
absurdas). Fui em busca de tratamento e
meu primeiro diagnóstico foi TOC, depois ansiedade e por fim, Transtorno
depressivo e ansioso. Resumindo o tratamento (que tive de parar por problemas
financeiros), foram 2 anos de terapia e 3 anos de medicação (que abandonei,
como disse, por não ter condições de pagar consultas ao psiquiatra, que são
absurdas de caras).
Escrevi tudo isso, pois relendo trechos do blog, percebo que
ele faz parte desse período específico da
minha vida, então muitas coisas que aqui estão escritas são retratos fiéis de
uma pessoa deprimida, e não necessariamente, meus verdadeiros pensamentos. Vejo
isso hoje, pois tive um pico de melhora muito grande de uns tempos pra cá e muitas
coisas do meu comportamento e pensamento mudaram, coisas que até então, eu
achava que eram características minhas. Noto o quanto estou melhor por :
-Hoje tenho vontade de fazer as coisas. Desde esse início da
fase mais severa da depressão (já fui diagnosticada com grau severo), eu não
sentia prazer e nem vontade de fazer nada do que antes me agradava. Eu
abandonei tudo o que me satisfazia, como leitura, ver séries, me arrumar,
querer sair. Coisas muito simples como levantar e arrumar a cama lavara a
louça, fazer um trabalho de faculdade, eram sacrificantes de mais para mim.
Ainda não me sinto com energia como antigamente, mas para quem não sentia
energia nenhuma, e estando sem medicação, eu realmente melhorei muito!
-Uma coisa que eu dizia sempre para minha psicóloga : “Minha
vida precisa de manutenção, eu tenho que me vigiar o tempo todo”. Eu simplesmente
não sentia prazer nenhum em viver e não queria estar viva, não entendia o
porque de estar viva e me entristecia o fato de estar viva. Eu não acordava e
levava o dia, como todo mundo. Nem passava por uma raiva, um perrengue e depois
estava rindo, como todo mundo. A raridade era eu rir, era eu ver graça nas
coisas, era estar feliz, mesmo conquistando coisas, tendo pessoas que me
amavam, sendo reconhecida pelo meu trabalho, elogiada pela minha beleza. Para
mim, nada disso era importante, era tudo preto e branco. Hoje a minha vida tem
cor, tem graça. Eu brinco rio, me alegro, acordo disposta, vejo a beleza nas
pequenas coisas da vida que há muito tempo haviam desaparecido. Fazer um bolo é
uma vitória, fazer um desenho outra, dormir e querer acordar no outro dia, a
maior de todas.
-Eu não dou mais importância para o que as pessoas pensam de
mim, o que elas dizem a meu respeito, a não ser que sejam pessoas muito próximas
(e muitas vezes, nem essas) . É como se agora eu tivesse poder sobre mim mesma,
eu me conhecesse. Antes, era como se eu fosse aquilo que as pessoas diziam que
eu era. Não questionava, eu era aquilo e ponto! Sofria muito com discussões de
internet, com pessoas que nunca se quer me viram na vida e por notarem que eu
era um alvo fácil, me atingiam e eu me sentia atingida. Agora o que menos me importa é saber se agrado ou não aos
outros. Estou agradando a mim mesma, e isso basta.
-Não sou mais presa ao passado. Algo que me fazia sofrer de
mais, e que eu sempre falava na terapia era “Parece que estou presa sempre nos
mesmos problemas, que minha vida não se atualiza que são sempre as mesmas
dores, que é sempre a mesma coisa, que nada vai mudar nunca!”. Vejo claramente
agora que isso me fazia um mal imenso porque não sou, de natureza, uma pessoa nostálgica.
Não gosto de remoer coisas, guardar lembrancinhas até mofar, viver de memórias,
mesmo que sejam boas. As guardo com carinho, mas não fico as rememorando e
querendo que elas sejam o meu presente. Gosto de ver as coisas fluindo,
caminhando, se renovando, resignificando, e me sentir presa ao passado me
torturava mais do que qualquer outro fator!
-Tive coragem de tomar decisões que mudariam minha vida,
como sair de um emprego que me fazia infeliz, terminar um relacionamento que
minava minha autoestima, dar um tempo e questionar uma doutrina religiosa na
qual sempre abaixei a cabeça e aceitei como certa. Mudei minhas roupas, cortei
meu cabelo, comecei a ir para lugares que nunca tinha ido, fazer coisas que
nunca tinha feito e quero fazer muito mais ainda. E isso é bom, muito bom! Sinto-me
viva!
Claro que ainda sou depressiva e nem sei se um dia deixarei
de ser. Apesar de todas essas melhoras, tenho dias de recaída e esses dias são
pesados, principalmente na TPM. Há dias
que choro o quanto antes, me sinto um lixo como antes, penso que a vida não
vale a pena como antes, mas esses dias
agora são a exceção e não a regra. Além do que, consigo reconhecê-los como “dias
em que estou doente” e talvez precise descansar e tomar um chazinho, como uma
gripe, e não mais como minha personalidade ou minha realidade.
Eu não tenho vergonha de falar sobre esse assunto, nunca
tive, e acho que precisamos falar mais de nossas lutas, nossos problemas e
mostrar aos que estão passando por isso que eles não estão sozinhos e assim
como hoje melhorei muito, eles também irão melhorar, esse período não é eterno,
a vida pode sim mudar, nós podemos mudar! Não estranhem com as mudanças no blog, não
pensem que estou fazendo isso para atrair público e etc. Esse blog nunca teve a
intenção de ser popular e nem comercial, então a popularidade dele nunca foi o
mais importante para mim. Sempre foi um espaço onde eu pudesse ser quem eu sou.
E se estou uma pessoa melhor, pretendo compartilhar conteúdos melhores.
quinta-feira, 15 de maio de 2014
Tempo
O distanciamento causa novas percepções. Não estar mais
dentro do conflito pode tanto ser um agente superficial, quanto um otimizador
do olhar. O tempo passa agora seguindo um ritmo antes desconhecido, talvez o
seu próprio, sem distorções da realidade. Antes, era um tempo deslocado, que
trazia do futuro medos que não existiam e do passado dores ainda não curadas.
Não posso dizer que o tempo me pertence, mas que já sei
lidar com ele em seu compasso. Aprendi a seguir suas regras e entender que tudo
caminha na hora que tem de caminhar. Posso , ao largo disso, me reconstruir por
dentro, me apropriar do meu próprio fluxo, meu próprio tempo e deixar que o
relógio cumpra sua função sem que minhas mãos tentem o deter.
quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
A quebra
![]() |
| Susy, de Julieta dos espíritos. Fellini. |
Tenho me perguntado de onde vem surgindo todas essas novas
folhagens, esses novos galhos que por não doerem, não sinto nascer. Estão
surgindo como pelos em pele crua: sem alardes, indolores, apenas seguindo sua
natureza. É como se o que estava bloqueado começasse a renascer, o que antes
emperrado, começasse a romper. Romper barreiras, romper mundos, romper muros,
romper medos. O que antes se encolhia agora é endireitado, o que era difícil
agora se tornou fácil, o que era errado, agora é certo. Ou pelo menos sem
julgamento.
As crises impulsionam e o desejo faz germinar a vontade de
me diluir, não mais esconder ou paralisar, mas seguir o curso, mesmo em águas
tão tortuosas.
Os que me veem se perguntam o que terá acontecido, alguns
até me censuram, falam que algo se quebrou dentro de mim, algo que me definia,
que estou “perdida”. E eu sei exatamente o que foi quebrado e porque estou
agora tão solta e sem eixo: O que se quebrou dentro de mim foi minhas
correntes.
Assinar:
Postagens (Atom)




















