Mostrando postagens com marcador Existencialismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Existencialismo. Mostrar todas as postagens

domingo, 21 de dezembro de 2025

The Reflecting pool



Vácuo

Me via presa em um lugar, mas não sabia qual era.


Toda minha vida perguntei-me onde eu estava


E porque de não me achar em nenhum canto,


Nenhum rio,


Nenhum mar.


Nada era eu ali.


Com o tempo, fui construindo caminhos,cavando túneis


Cada vez maiores e mais profundos.


Tirei forças de onde não tinha para escalar todas as serras.


Tomei todas as estradas e todo mundo me dizia:


"Você vai sair dessa!".


Até que cheguei ao topo e encontrei não uma pessoa, mas várias


Que me diziam:


"Bem-vinda, você chegou!"


Mas onde cheguei?


"Em lugar nenhum! O mundo é isso aí!"


A caverna é o mundo.


O mundo sou eu.


Não há lugar melhor nem pior.


Como viver sabendo que vou ter que conviver comigo até o fim?

segunda-feira, 16 de março de 2020

Vazio


Eu nunca havia sentido "vazio". Sempre fui turbulenta, busquei coisas, tentei me entender e me recriar. Muitas e muitas vezes. Sempre fui excesso. Excesso de dor, de angústia, de amor,de vontade, de morte...de tudo! Mas de uns tempos pra cá, a vida mudou, mas não sei se eu mudei. Ou se eu mudei e a vida continua a mesma. Só sei que nesse descompasso, passei a sentir esse silêncio,imensidão...a espera de um fim que nunca chega.
Não há satisfação em chegar ao topo. Não há topo. Não há nada! Há você e somente você...Foi você em todo caminho e é você agora. E o inferno não eram os outros?
Não que minha voz não ecoasse ,mas ela se misturava e agora eu a ouço bem e não sei o que ela diz. Ela se perdeu entre tantos caminhos. Ela está exausta! Ela ás vezes,não quer continuar. Como entender essa voz tão antiga? Que língua falamos?

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Um texto amargurado

A morte já foi um desejo, hoje é apenas um medo e uma incógnita. O medo é pelos que não sou, a incógnita é por mim.

Quando mais jovem, já pedi por ela, escreví cartas de despedida e planejei sua chegada por meios mais autorais. Ela porém, caprichosa, só vem quando quer, mesmo que não queiramos ou que a queiramos muito. Com muita análise, aspirina e descarrego, fui aceitando que estar aqui é uma condição nem tão boa e nem tão ruim, quiçá escolhida em um lugar distante. E já que a vida precisa ser preenchida, o melhor que faço é preenchê-la fazendo pelos outros o que ninguém em sã consciência quer fazer. Seria esse uma espécie de karma?Sendo ou não, não quero morrer logo, ainda tenho muito karma pra queimar.

Enquanto os outros vão embora, sinto um misto de saudade carnal com inveja e alívio! Dói pra caralho, mas eu sei que estão bem.

Qualquer lugar é melhor que aqui!

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Texto de shopping

Tinha esquecido a sensação de ser quem realmente sou. E a sensação é essa: nada! Nada de mais, nada de menos. Totalmente perdida!
Isso não é ruim e nem bom, é apenas ser.
Não sou aquela mulher intensa que se joga em tudo de cabeça , até perder o ar. Sou não.
Não sou aquela mulher comedida e discreta, que tem um ar de mistério. Sou bem transparente e besta, mistério nenhum.
Não sou uma mulher fatal, não sou uma mulher elegante, sou isso aí: normal.
Alguns me chamam de excêntrica.Falam do meus gostos e minhas roupas,das escolhas que fiz na vida. O que há de excêntrico numa garota que prefere ficar em casa sábado à noite fazendo a unha e tomando café? O que ela tem pra mostrar que você já não conheça de cor?
Sou uma pessoa simples. Uma pessoa que fica feliz quando meus pais estão em casa, que lê os mesmos livros, que escreve quando está triste. E que fica ainda mais triste escrevendo.Não faço grandes feitiços em meu caldeirão. No máximo acendo uma vela pro anjo da guarda guiar meus caminhos e limpar meu coração das agruras do amor.O amor… nesse eu me benzo todo dia!
O mistério de ser o que sou,então, é só para mim, que ainda não me achei. Mas pra você, eu só sou uma pessoa que gosta de amar, da paixão enlouquecida até as flores amarelas que encontro no caminho do trabalho

domingo, 26 de agosto de 2018

Andar com minha fé eu vou



Quando eu era criança, não usava sapatos. Sentir a areia, a terra, as pedras e até mesmo os cacos de vidro não me incomodava. Era normal sentir a natureza, já que eu também fazia parte dela. O gelado das águas me encantava como se eu voltasse á minha própria origem.

Passei a calçar sapatos quando percebi que estar descalça era mal visto, que minha imagem despertava liberdade e selvageria, tudo o que uma mulher não pode ter. E  logo apareceu um par que apesar de muito desconfortável, tinham uma boa aparência e me dava um status respeitável. O calcei durante longos anos e a medida que fui crescendo, ele apertava, dava calos, prendia meus passos, torturava meus pés e eu não conseguia  mais sentir a natureza da qual faço parte. Como na história original de Cinderela, chegaria um momento em que seria necessário decepar meu dedo ou calcanhar para continuar cabendo no sapatinho de cristal.  Doeu me desprender de algo que me serviu por tanto tempo, mas antes que eu me livrasse de pedaços meus, joguei meus sapatos fora!
Foi estranho sentir novamente os quatro elementos roçando e machucando novamente meus pés, mas percebi que apesar de sensíveis pela época em que passaram abafados, continuavam fortes, ágeis  e desejosos de sentir na pele o mundo.
Muitos dos que ainda usam os sapatos que me apertavam preferiram decepar a si mesmos para continuar os calçando e sendo bem aceitos pelos que tem medo de andar com os pés no chão. A grande maioria deles não caminha mais ao meu lado. Permiti-me até mesmo  calçar sapatos novos, muito mais confortáveis!, aos quais recorro  sempre que meus pés precisam de um alívio pela brutalidade do asfalto , mas não tenho mais a necessidade de proteger-me de todas as experiências que a jornada me proporciona. Decidi voltar á minha natureza ,olhando para trás e tendo o prazer de ver  a marca de minhas próprias pegadas

domingo, 4 de outubro de 2015

Depois da partida- reflexões religiosas

Desenho que fiz pro desafio #Inktober que estou participando. Todo dia tem desenho novo no Instagram, basta seguir ali ao lado <-------

Tento não abordar esse assunto de maneira literal, pois não quero ser tida como influencia para ninguém, nem como boa e nem como má. Acredito que há momentos em nossa vida em que algo se faz necessários e depois deixam de fazer, por muitos motivos. Ter uma religião fez bastante sentido pra mim durante quase 7 anos. Fazia sentido seguir aquela doutrina, crer no que eu ouvia e me sentir parte daquele lugar. Hoje não faz mais.

Com a saída dessa doutrina que frequentei, inúmera coisas mudaram. Por fora todos sabem: Roupas “do mundo”, tatuagem, mudanças no cabelo, liberdade sexual. Mas as mudanças muito mais significativas foram por dentro e é delas que quero falar nesse post:

Minha vida está extremamente mais leve agora que acredito que as coisas vão acontecer conforme o meu merecimento, e ainda assim, é possível que não aconteçam, a vida nem sempre é justa e está tudo bem! As coisas não deram errado por que : pequei; estou sendo castigada ou estou sendo provada. Da mesma forma, as coisas não deram certo porque: Estou sendo recompensada, é uma prova que Deus me ama (logo, se ele não dá, ele não me ama);

Não fico mais esperando eternamente que coisas que provavelmente não irão acontecer, aconteçam, pois sou “uma serva de Deus esforçada e mereço isso”. Não fico mais me martirizando pela vida não cumprir minhas expectativas e colocando isso na conta de Deus. Não fico mais esperando milagres , embora creia que eles existam, mas não acho mais que é obrigação de Deus fazer com que aconteçam ;

Sou muito mais humilde agora. Sei que receberei algo conforme minha necessidade e minhas ações, e não porque “Deus quis”. Agora sou responsável pelas minhas ações e receberei o que delas for seu resultado natural (ou não);

E principalmente: Sou eu mesma, sem medo de estar sendo vigiada o tempo todo por uma força invisível  (seja ela a doutrina da igreja ou o próprio Deus, que sei que não liga para nada disso) que estará pronta a me apontar e julgar caso eu corte o cabelo, dance o faça qualquer coisa considerada por alguém como “mau testemunho” ;


Muitos me perguntam e NÃO, não me tornei ateia e ainda me considero cristã, mas não sinto mais o mínimo desejo de voltar a uma religião que mais me condena que me acolhe, seja ela qual for. 

domingo, 16 de agosto de 2015

O perdão

Pintura inspirada nas ilustrações de Tolkien e em Firebird, de Fantasia, da Disney.


Algo que tem me feito muito bem  é aprender a perdoar. Creio que para me proteger em momentos de imensa fragilidade, fui criando uma casca dura que não deixava nada passar e qualquer crítica a mim, ou falha, era visto como um ataque pessoal. Nunca fui muito passiva, mas fiquei de certa forma até agressiva durante alguns anos e ao ferir alguém, também me feria e , surpresa!, não  sabia perdoar-me, igualmente. Tudo isso ia se tornando uma bola de rancores que me consumiam por dentro.

Do ano passado pra cá, conforme fui me libertando de várias coisas, tomei consciência que me livrar de tanta culpa e rancor era essencial para minha saúde e meu bom convívio com os outros  e fui notando que ao perdoar o outro , automaticamente perdoava a mim e vice e versa, pois reconhecendo que o outro erra,  tiro das minhas costas o peso de ter que ser perfeita sempre, e reconhecendo que eu sempre erro, tiro o mesmo das costas alheias.

A verdade é que erramos, mas nos arrependemos (ou deveríamos). Aceitar que alguém que você ama de vez em quando vai te machucar, porque ele não é perfeito, é aceitar que você também faz isso. Aquela palavra que te disseram que você nunca esqueceu, aquele dia que te esqueceram, aquela pessoa que foi injusta, aquele tapa  (seja no corpo como na alma) . Não estou dizendo de forma nenhuma que devemos nos submeter a alguém que nos pisa e  humilha e muito menos que devemos conviver e levar numa boa, mas podemos sim, nos afastar e entender que o outro, como você, é um ser cheio de traumas, medos, erros e limitações.

Não perdoei tudo, mas queria chegar à isso. Só faz bem, só descarrega energias péssima e dá espaço para coisas melhores na vida. Hoje se me irrito, me magoo, critico e sou criticada, se faço por um momento um inferno na vida do outro como ele pode fazer no minha , já penso mil vezes antes de colocar no meu coração esse fato como incorrigível e essa pessoa como imperdoável.  Pode não ser perfeita, mas só tenho uma família. Podem não ser perfeitos, mas prezo meus amigos. Podem não ser pessoas relevantes, e por isso mesmo ,não vou me encher de sentimentos corrosivos por quem não faz diferença. Posso ser um poço de defeitos, mas sou minha melhor amiga.


Não é ser Buda, não é ser Cristo. É ter a humildade de enfim compreender que somos apenas humanos demasiado humanos.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Voltar

É à noite. Pego a xícara que mais gosto e um cobertor, vou em frente ao computador e coloco meu seriado preferido, ou m filme que eu já assisti muitas vezes, mas sempre é bom rever. Espero todos dormirem para curtir esse momento de estar comigo mesma, desfrutando de minha própria companhia, fazendo exatamente o que queria fazer.

Entro no meu quarto. Vejo todos os livros que amo bagunçados. Vejo minhas caixas de música, ambas tão especiais pra mim, meus bonequinhos do Mário, os novos da Hora da aventura, minhas bonecas, minhas bijuterias e penso “tenho que por ordem em tudo isso, é tudo meu,  e está uma bagunça!”

Estou em uma roda de amigos e começamos a falar sobre infância e adolescência. Começo a relembrar de uma maneira muito gostosa coisas que me marcaram. Passo a cantar a abertura da Sakura Card Captors, do Dragon Ball Z e do Tench Muyo. Relembro todos os personagens do Harry Potter, o  HQ O corvo e como esse também era meu filme favorito na infância. Relembro a casa da minha avó , as sementes de girassóis, meu primo apaixonado ouvindo Linger repetidas vezes (essa música que embala tantas coisas boas em minha vida). Lembrei até de algo lindo que havia esquecido, que era meu irmão e eu deitados na rede, eu apontando as estrelas e ele “ Não aponte as estrelas, que nasce um berruga no seu dedinho!” , “Fabinho, em qual estrela será que a Zula mora? Já pensou começar a cair um monte de bolas azuis aqui no quintal?” e procurávamos juntos em qual estrela a Zula morava.

Nada disso eu sentia há pelo menos 5 anos!

É um prazer que só quem passa ou já passou pela depressão vai entender. É voltar a sentir-se viva, sentir-se presente, sentir-se novamente dona do seu corpo e da sua história. Não que eu não visse mais filmes, não lesse mais livros, não arrumasse minhas coisas ou não lembrasse  do que já vivi. Mas é um recordar com sabor, com som, com  vida. É voltar a sentir-se pulsando, fazendo parte do mundo. É ver o mundo em cores. É reconhecer-se, gostar-se, amar-se. Perdoar-se. É  voltar a ser você mesma. E que saudade, que saudades eu tinha de mim!

Cada dia mais, sinto que estou me libertando de pesos, julgamentos, lembranças e crenças que me faziam estar nesse estado de tristeza permanente e começo a valorizar todas as coisas boas que aprendi durante esse período tão difícil. Nos momentos de recaída, aproveito para me aprofundar no que me faz mal e resolver essas questões em mim mesma, diferente de antes, onde parecia não haver saídas.


Hoje comentei com meu namorado como tenho evoluído em tão pouco tempo e ele me disse “Será que é só a terapia, ou você não está mais madura?”. Acho que sim. E diferente do que escrevi anteriormente, não sou frágil pelo contrário, estou cada dia mais forte.


quinta-feira, 7 de maio de 2015

Frágil


Alguns cacos meus consegui recuperar e ficaram quase como os originais. Outros estão estilhaçados e fico tendo que os colar diversas vezes. Muitos  fui pegando ao longo do caminho, buscando em outras pessoas, o que elas diziam ser bonito ou aceitável e fui colando em mim. Pedaços que eu achava importantes meus, cheguei a tirar, já que disseram  lembrar outros vasos feios.

Mas o que me falta é a estrutura, o equilíbrio e também, assumir meus próprios pedaços, ainda que muitos estejam tão diferentes de como os conheci.

Estou feliz por ter conseguido reerguer a aparência, mas a estrutura ainda está sendo construída. Qualquer vento me balança, qualquer esbarrão me desmonta. Queria que existisse em mim algo onde pudessem ler  “em construção” ou “peça frágil”  para que parassem de me balançar, esbarrar, vociferar, se apoiar e começassem a perceber que preciso de cuidado, de tempo, de paciência. Hoje mesmo, algumas peças tornaram a cair e me senti impotente em juntar os cacos. Mas vou fazer isso, farei isso até o fim. Só gostaria que me ajudassem em vez de acusarem sempre a forma como sou desajeitada  e que outros vasos em meu lugar, seriam mais fortes.


Por favor, eu já consegui reconstruir aqui fora. Mas ainda está difícil reconstruir aqui dentro.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Religião deve ser amor, não prisão


Durante muitos anos de minha vida fui de uma igreja evangélica extremamente tradicional. Aos 18 anos, me batizei nela, declarando assim que aceitava sua doutrina, ao  qual realmente segui a risca por escolha própria. Sempre falei muito sobre Deus e a participação essencial que Ele tem em minha vida aqui no blog e até escrevi textos onde falo sobre problemas que enfrentei sendo evangélica. Apesar de seguir rigorosamente tudo o que a igreja dizia ser certo, sentia-me  deslocada e mal vista pelos meus pensamentos e coisas que arriscava fazer. Enfim, após muito tempo lá dentro, decidi com grande dificuldade me desligar desse lugar e deixar para trás vários conceitos e atitudes que eu reproduzia por imposição doutrinária.

Muitas pessoas que me vêem hoje acham que fiz algo “de errado” e por isso me afastei, ou que me sinto triste e desisti de Deus, ou acham que sou uma coitada, que estou “perdida” , sem saber o que estou fazendo. Erro de todos. Decidi sair da igreja após muita reflexão e cobranças internas. Os discursos já não correspondiam com o que eu acreditava (se é que um dia corresponderam), me sentia hipócrita estando em um âmbito no qual eu não conseguia me identificar e sem ferir nenhum principio pregado lá dentro, resolvi sair. Não sai por culpa, não sai por remorso, não sai por “me sentir suja”, sai porque eu quis, porque eu escolhi sair.  Sempre fui imensamente responsável comigo e leal a minhas escolhas e por isso mesmo, só passei a fazer coisas que não eram aceitas pela doutrina da igreja (como as tatuagens, por exemplo) após já ter me desligado.

Também não me sinto triste, pelo contrário, nunca me senti tão fiel ao que creio como agora, tão completa e em paz comigo mesma. Não estou desiludida, não estou fazendo nada por impulso. Faço tudo porque quero, porque escolho, porque tenho plena consciência de que sou uma mulher adulta que sabe arcar com as próprias decisões. Não sofro pelos “amigos que perdi” e quero que mais pessoas que agem dessa forma se afastem cada vez mais.

Não estou escrevendo o texto como uma resposta aos que falam hoje sobre mim, estou escrevendo para deixar claro aos leitores desse blog: qualquer religião, se te faz uma pessoa melhor, é uma boa religião! Se te faz crescer como pessoa, te ajuda e te faz ser mais empático aos seres humanos, é um lugar maravilhoso que você tem o direito de estar o tempo que quiser! Sofri muito preconceito quando era evangélica pelo simples fato de me declarar como uma e sei desse lado da moeda. Se te faz bem, fique! Enfrente o mundo! Não tenha vergonha de suas escolhas e nem de suas crenças! Se para você é importante ser virgem até o casamento, se vestir de uma maneira mais discreta, ter cabelos compridos, se tudo isso faz sentido para você, te faz bem, faça de todo coração! Ninguém tem o direito de dizer como você deve ser, nem a sociedade que vivemos, nem o lugar religioso que está. Tudo o que fizer, se for por amor, é válido, apenas siga sua verdade, mesmo que zombem de você.

Agora, se por acaso você não se sentir mais identificado com a religião que segue, seja forte e questione-se, permita-se ! Sei que é difícil , já que somos ensinados a não questionarmos os ensinamentos bíblicos, mas isso não tem nada a ver com ir contra o que sua religião acredita, você está apenas pensando, evoluindo, não tenha medo disso! Pense o porque de  estar ali, o que te atrai, o que te afasta, o que te faz crescer e o que te limita, pese tudo e veja o que vale a pena para você!

Deus não está apenas dentro de um templo e Cristo pregou sempre perdão, o amor a quem quer que seja! Muito diferente do que vemos igrejas pregando por aí!


Meu conselho é: Siga seu coração, siga sua verdade, estando dentro de igreja ou fora de uma, se for o que te faz bem, não tenha medo! Seja fiel a você mesmo e não se importe com o que os outros irão dizer!

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Aos que me dizem mais bonita

Com 14 anos, quando me achava horrível!
Muitas pessoas tem abordado a mim e a conhecidos meus para dizer que mudei muito, que estou aparentemente mais feliz e mais bonita. Minha melhora na depressão é notória e isso me deixa muito orgulhosa de mim mesma! Nunca fiz segredo pra ninguém que tenho essa doença chamada depressão, pelo contrário, gosto de falar sobre isso para ajudar e mostrar a outras pessoas que ela não é uma sentença e nem um limitador na sua vida.  Se torna, com o tratamento adequado, apenas mais um nuance que você precisa aprender a lidar.  Já fui diagnosticada com depressão severa e sei muito bem as dificuldades que ainda enfrento no dia-a-dia por conta dela (inclusive comentários maldosos de gente desinformada –que pensa que depressão é corpo mole- e pra quem eu não devo satisfações) , mas nunca deixei de crescer, conseguir ser competente no que faço, de me relacionar, me divertir, estudar, trabalhar. Já cheguei a, em um momento de muita crise, me demitir de um lugar onde o trabalho em si, naquele momento, estava me fazendo muito mal pelas inúmeras exigências e responsabilidades que eu estava arcando (havia sido promovida e com isso, as responsabilidades cresceram muito, mas foi o lugar em que trabalhei onde fui tratada com mais amor e respeito até hoje), e antes que isso começasse a prejudicar a empresa, resolvi ter um tempo para respirar e rever minhas prioridades. E as revi, e isso me fez um bem enorme!

Com uns 20 anos, época da faculdade.
Comecei a escrever sobre isso porque notei que com a melhora da depressão, algo que antigamente me atingia muito, já não atinge mais: o bullying que passei nos tempos de escola e faculdade. Eu tinha um complexo de inferioridade muito grande (que algumas vezes ainda me pega, devo admitir)  e este com certeza foi alimentado por esses momentos da minha vida. Eram lembranças que volta e meia vinham me fazer mal. Na escola, nunca fui agredida fisicamente por conta de bullying, mas era a mesma história de muitas garotas: alta de mais, magra de mais, espinhas de mais, óculos, cabelo considerado “ruim”(não liso) . Beijei bem tarde por conta de tantos complexos, tive muito ódio dessas pessoas que me rebaixavam e diminuíam, alimentava desejos de vingança, etc. Conforme fui crescendo, enquanto essas lembranças ainda me consumiam, eu não conseguia ver como eu era bonita e muito mais que aquilo tudo. Continuei me comparando, me sentindo feia, esquisita, menor e  fiquei com aquela mania de perseguição, achando que onde eu fosse “Não gostam de mim! Não falam comigo! Excluem-me! Menosprezam-me!”, não notando que era eu que me sentia assim  e isso fazia com que as pessoas não se aproximassem mesmo. No caso da faculdade, eu fui meio perseguida por, na época sendo evangélica, não me encaixar na imagem que as pessoas tinham de como deveria ser um evangélico: submisso, preconceituoso, que não pensa, não questiona, que se esconde do mundo. E eu sempre fui totalmente o contrário disso. Piorou muito quando resolvi que meu TCC seria sobre Arte Tumular. Isso criou milhares de fantasias maldosas e fofocas sobre mim. Terminar a faculdade foi uma libertação. Essas coisas todas, tanto da escola quanto da faculdade, me criou uma ferida muito grande e que eu pensava jamais fechar, até porque eu não queria que fechasse! Aquela coisa de “Nunca vou esquecer o que me fizeram,  blá blá blá”.

Mas quer saber? Passou! Passou totalmente! Comecei a notar que essas coisas todas não aconteceram apenas comigo, mas com milhares de pessoas e que nada disso me definia. Todo mundo quando é adolescente se acha feio, é esquisitão, está em fase de crescimento, normal então ser todo torto, magro ou gordo de mais, alto ou baixo de mais, todos são assim! Quando paro pra lembrar das crianças e adolescentes que faziam isso comigo, noto que eles também eram assim! O fato de escolherem alguns alvos para serem os mais humilhados infelizmente acontece e isso gera muita dor em quem sofre. Mas e aí, vou viver com isso pra sempre?  Todos que agiram dessa forma nem se lembram mais, a vida de todos mudou e com certeza a cabeça deles também. Capaz que eu os encontre na rua e eles fiquem felizes em me ver, como se nada tivesse acontecido. Não estou dizendo que quem sofreu  bullying tem obrigação de esquecer ou perdoar, mas que isso aconteceu comigo conforme fui amadurecendo e vendo que as pessoas mudam, a vida muda, a cabeça de um jovem de 13 anos não é a mesma de uma pessoa de 25 e que eu não posso pautar minha vida por coisas que passei aos 12, 13, 14 anos. Hoje sou diferente, eles são diferentes. A mágoa que eu tinha por conta disso se foi, e isso foi muito bom pra mim. Quanto às pessoas da faculdade, tirando os amigos que fiz, ninguém me faz falta e pelo que eu saiba, ninguém evoluiu muito com o pensamentozinho retrogrado que tinham, isso não fez ninguém superior a mim, ninguém cresceu fazendo fofoca e alimentando disputas. Isso é coisa de gente pequena e mesquinha, só o que posso é lamentar por essas pessoas. E em compensação, na pós graduação (sim, me formei! Agora sou uma Arteterapeuta Junguiana <3)  conheci as pessoas mais acolhedoras e maravilhosas da minha vida, a quem devo muito minha evolução!

Por isso mesmo, como iniciei esse post, fico feliz em ver que estou , de verdade, muito melhor e mais bonita, porque “embonitei” por dentro. Evolui muito, amadureci um bocado, perdoei, me libertei de muito peso, rancor e culpa. Nem acho que por fora estou diferente, a única coisa diferente que fiz foram as tatuagens, mas de resto, tirando uma maquiagem aqui, um brinquinho ali, continuo igual, a mesma magrela espinhenta  de sempre! Mas a beleza de fora se deve unicamente a toda a mudança que ocorreu por dentro, e isso sim, é algo realmente valoroso e pelo qual posso me envaidecer!



Eu, agora!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Eu poderia ter sido Elena



ESSE TEXTO FOI PUBLICADO NO BLOG DA PETRA COSTA, SOBRE O FILME ELENA!

Meu namorado diz que gosto de filmes tristes. Prefiro chama-los de Dramas, mas de fato, são tristes, assim como muitas vezes vejo o mundo.
Um filme (documentário) que demorei muito a assistir por não saber sobre o que se tratava exatamente, foi Elena, de Petra Costa, onde ela narra a história de sua irmã, Elena,  atriz, que aos 20 anos decide morrer e como esse acontecimento até hoje impactou a forma de Petra enxergar a vida.
Há uma parte no filme que mexeu muito comigo, onde Petra relata que entra no quarto de Elena com uma amiguinha, ambas com 7 anos (Elena com 20) e a encontram totalmente coberta, apenas com os olhos de fora e estes, vermelhos de tanto choro. Saindo do quarto, a amiguinha de Petra pergunta o que tem Elena, e ela responde “Ela é assim”. Por mais da metade da minha vida, eu achei que eu fosse assim.Tinha aceitado a tristeza , a melancolia, a vida em preto e branco como uma parte da minha alma, do meu destino. Conforme fui tomando consciência de que isso precisava mudar, essa certeza de ser uma pessoa triste tornava-se aterradora, insuportável e eu não via saída, a não ser a morte.
O filme me angustiou muito. Me fez rememorar sensações que já passei ao longo da minha vida e muitas vezes, em menor frequência, ainda passo.  Creio que as doenças da mente são mil vezes piores que a do corpo. Se você está com uma dor no corpo, mas com a mente sadia, você suporta, dá a volta por cima, se refaz. Quando é a sua mente quem está doente, tudo pode parecer perfeito, mas nada importa, tudo parece perdido. Lembrei das várias vezes em que minha vida não tinha sentido algum, das vezes que senti uma dor excruciante que nunca soube de onde vinha e como meu único socorro e consolo era a religião, ao qual eu me agarrava com todas as minhas forças e que , agradeço muito a Deus por tê-la colocado em meu caminhos nesses momentos difíceis, pois foi o medo de perder a vida eterna, os céus, a salvação  e o que diziam naquele lugar , que me mantiveram viva durante muito tempo, durante anos em que nada pra mim fazia sentido, em que , como eu sempre dizia : Viver,era um fardo, uma obrigação.
Mas eu saí disso, nem eu mesma consigo acreditar, mas saí. Saí com terapia, com medicação, com amparo da família, que passou a me entender e me apoiar, reconhecendo meus medos, traumas, experimentando viver, me arriscar e aprendendo que nada é para sempre, nada é eterno. A vida é feita de fases e isso tudo que passei foi só uma fase.
Queria que Elena tivesse tempo de ter notado que tudo isso era uma fase, que todas essas coisas iriam passar. Aos 20 anos eu também queria morrer. Aos 25 , quero amar, casar, trabalhar, ter filhos, dar continuidade aos meus projetos . Viver muito, e muito bem!
Agradeço a Petra por ter feito esse filme, por sua sensibilidade e sua coragem em se expor, coisa que faço nesse blog diariamente, mas não com tanta delicadeza e beleza que ela fez. Relatar nossa história nos alivia da dor e ajuda a quem está passando por ela a sentir-se confortado, acolhido, a notar que não está sozinho, que é o que muitas vezes tento fazer aqui.

Um filme feminino, intenso, forte. Um filme, que gostaria eu, ter sido feito por mim. Uma história, que agradeço, não vivi.

sábado, 6 de dezembro de 2014

Nothing's gonna change my world

Eu sempre achei que a sensação de “É definitivo, não dá para se arrepender” faria com que eu me desesperasse, enlouquecesse, mas não...Esse ano tive muitas atitudes das quais não dá mais para eu me arrepender. Tatuagens no corpo e na alma, que não podem ser mais apagadas. Cruzei fronteiras invisíveis, me arrisquei a pagar o preço do “tudo a perder”.
Não me arrependi e nem me arrependo. A sensação do “Não tem mais volta”, na verdade, é um grande, um imenso alívio! Como se eu deixasse para trás todas as correntes, os medos, as dúvidas. Paguei pra ver, e não sinto que perdi nada, pelo contrário, apenas ganhei.
Se eu soubesse, tudo teria sido diferente,
Se eu soubesse, não teria perdido tanto tempo.
Se eu soubesse, não me permitiria ter passado tantos anos infelizes.
Mas eu não sabia e nem tinha como saber, já que tudo na vida tem seu começo, seu meio e seu fim. Precisei fazer minha viagem Através do universo, precisei cruzar esta ponte do certo pelo duvidoso. Estou no duvidoso, mas garanto que aprendi a andar na corda bamba como ninguém. E sei que não vou cair, pois Ele está sempre por perto.
Jai Guru Deva Om

Notthing’s gonna change my world.

domingo, 19 de outubro de 2014

Morte, legado e vida

Profeta Gentileza

Há alguns dias atrás, me peguei pensando sobre a vida e o que realmente ela representa. Será que de fato estamos vivos apenas o tempo em que permanecemos respirando na terra?E será que muitos que estão respirando, de fato vivem? Perguntei-me o que faz com que até hoje discutamos, defendamos e até mesmo odiamos conceitos criados há séculos atrás , pessoas que  já faleceram há décadas e como trazemos essas mesmas pessoas e seus conceitos em nosso convívio. Afinal, seria o fato de viver, apenas o de sobreviver?
Como não acredito em coincid6encia, mas em sincronicidade, na mesma semana em que fui tomada por tais questionamentos, tive o prazer de ter uma série de palestras com Jorge Larrosa, grande filósofo da educação, na qual ele abordou a história do Profeta Gentileza e como este homem que presenciou a morte de sua família em incêndio num circo do Rio de Janeiro, recria deste fim, um novo início para sua trajetória, trajetória que até os dias de hoje é discutida e divulgada. Até hoje falamos sobre seu jardim, falamos sobre seu livro público, feito nas paredes do Rio de Janeiro, sobre suas palavras de amor e gentileza espalhadas pela cidade e sobre um homem que dedicou a vida aos seus ideais.
O ano de 2014 está cheio de mortes mal explicadas, por pessoas que a nosso ver, ainda não deveriam ter partido. Mas será que elas de fato, partiram? E seu legado, como fica? O cinema é um eternizador de almas. Por ele, ainda há pessoas que estão agora conhecendo Chaplin, Bela Lugosi, Marilyn Monroe e muitos outros. Estas pessoas podem ter morrido fisicamente, mas essencialmente, continuam conosco, mais vivas do que nunca, influenciando gerações, sendo influência para arte, moda, estilo de se pensar e viver. Ainda ouvimos as canções de Janis Joplin, Jim Morrison, Kurt Cobain, Raul Seixas, Bezerra da Silva, Clara Nunes. Ainda estudamos e ficamos confusos com as teorias de Focault, Freud, Marx. Ainda choramos com Shakespeare, Jane Austen, Carlos Drummond. Essas pessoas continuam fazendo revolução, continuam vivas em nosso dia-a-dia e em nosso pensamento. E isso que importa.

Me pergunto agora, se muitos de nós apenas sobrevivem em vez de viverem, se fazemos de nossa existência algo que valha a pena ser lembrado, ou então, algo que valha a pena ser vivido, mesmo sem os holofotes do reconhecimento. Tornarmo-nos  eternos? Acrescentaremos algo ao mundo, ou viemos apenas para continuarmos exercendo nosso limitado papel de seres humanos, presos a dogmas, críticas, regras e pequenezas terrenas? Pego-me a pensar que de fato, a vida é curta, e por tão curta ser é que vale a pena tirarmos dela o máximo de proveito, um proveito que poderá ser apreciado até mesmo por outras gerações.

Texto escrito para o site Ilha Cult

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Transformação

No início desse ano, lembro que escrevi no meu Facebook “Sinto que esse ano vai ser roots!”. Mal sabia eu o quanto seria e o quanto eu iria me transformar!
Acho que a palavra certa para esse processo não é mudança, mas transformação. Eu desabrochei, me redescobri, mesmo sendo a custo de muitas dores, crises e angústias. Até o início desse ano, batia o pé e dizia estar certa sobre tudo, não haver dúvidas, sobretudo em questão religiosa. Mas tudo mudou, tudo! Com os dias fui me questionando cada vez mais e mais sobre minhas escolhas e sobre qual era o papel dessa religião na minha vida. Doeu , fez sofrer, fui pra frente e pra trás, quis largar tudo de uma vez e me feri, ao mesmo tempo, sabia que continuar lá não era mais uma opção devido a inúmeras questões pessoais, espirituais e ideológicas. Mas nunca duvidei do papel soberano que Cristo tem em minha vida, em meu ser, em meu caminho e hoje sinto isso cada vez mais forte! Fui , com um passo após o outro, me permitindo sair desse casulo no qual fiquei tanto tempo aprisionada. Não cuspo no prato que comi, e talvez ainda volte a comer dele. Nem acho que ninguém deva seguir o meu exemplo, eu fiz aquilo que meu coração pediu pra que eu fizesse e continuasse minha vida em paz. Fora isso, outras mudanças em outros setores  aconteceram! Profissionalmente, tenho meu trabalho cada vez mais reconhecido! Intelectualmente, optei por trancar minha segunda graduação, mas sinto que quando voltar, irei aproveitá-la muito mais! Psicologicamente, minha depressão praticamente desapareceu! Amorosamente, encontrei a pessoa certa pra mim, que me completa e está sempre acrescentando, deixando minha vida melhor! Espiritualmente, me sinto mais livre e muito, mas muito mais em paz com Deus do que antes! Em questão de amizade, só amizades de gente que faz bem, que acrescenta, que soma, tudo que era “lixo” foi embora! Enfim, tudo isso se reflete na minha pele, no meu jeito de sorrir, no meu jeito de ser! Parece que quando a gente se aceita, tudo melhora!

Em julho coloquei um piercing no nariz. Dia 11 de Outubro, fiz minhas duas primeiras tatuagens! Coisas que até alguns meses atrás, eram impensáveis pra mim! Fiz uma libélula no ombro esquerdo e a frase “...a  Arte é a exceção.” no braço direito. Outro dia faço um post apenas sobre o significado delas, hoje deixo com  vocês  as fotos delas ainda inchadas e estranhas, mas que significam muito pra mim!



segunda-feira, 14 de julho de 2014

Minha visão pessoal sobre meu filme favorito- Brilho Eterno de uma mente sem lembranças

Acho que nunca comentei sobre isso aqui, mas quem me conhece sabe muito bem que Brilho Eterno de uma mente sem lembranças (Michel Gondry) é meu filme favorito, por inúmeras questões. Tanto por valor estético, como por conteúdo, quanto por memórias afetivas de uma época da minha vida. Foi o filme que me pegou e que  faz parte da minha história pessoal. O vi a primeira vez em 2007 e desde essa época, necessito assisti-lo de tempos em tempos. E choro, me emociono, me questiono todas as vezes que o vejo. A última vez foi no cinema, em uma amostra de filmes no MIS, e novamente, uma sensação inexplicável.
Sempre quis escrever algo sobre a importância desse filme pra mim, mas nunca consegui colocar em palavras. Mas hoje, estava comentando sobre “relacionamentos cagados “ e como acho que não vale a pena tentar ficar remendando um relacionamento que já desgastou, que já chegou ao fim. Ouvi como resposta “Mas você não gosta do Brilho eterno? Ele é o tempo todo sobre isso!”. Na hora eu não pude responder, mas não, eu não vejo que seja sobre isso.


Brilho eterno de uma mente sem lembranças não se trata de insistir em um relacionamento que já afundou, em “fingir” que as mágoas não existem, em que as dores foram perdoadas e seguir com a mesma pessoa, como se tudo estivesse bem. Brilho Eterno, para mim, fala de recomeço, de tentar fazer com que dê certo, em olharmos para nós mesmos e pensarmos “Porque faço essa pessoa que amo tanto sofrer de uma forma tão dolorosa? Porque a maltrato, porque não me importo com o que ela pensa ou sente, porque prefiro estar com a razão do  que estar em paz com aquele que escolhi dividir a vida?”. Quando Clementine (Kate Winslet) e Joel  (Jim Carrey) se reencontram, eles estão com as memórias apagadas um do outro. Eles tem o sentimento puro que os une, eles sabem que se amam, mas estão limpos das mágoas e dos erros do passado. E mesmo após terem contato com a fita em que escutam um insultando o outro, ambos decidem que não farão mais dessa forma,  que  irão superar isso e fazer diferente. Joel precisa reviver suas lembranças, retrogradamente, e chega ao tempo que ele e Clementine se amam sem ego, sem jogos, sem mágoas, para notar o quanto a amava e o quanto apesar de todos os defeitos, ele não queria que ela saísse de sua memória, de sua vida.


Brilho eterno me mostra como afundamos um amor verdadeiro, seja ele uma amizade, um romance, algo de puro e essencial em nossas vidas, por querermos ter sempre razão, por preferirmos ferir alguém, preferirmos trair, magoar, ignorar uma pessoa que está do nosso lado por puro ego e amargura. E se tivéssemos uma segunda chance? E se voltássemos a nos conhecer, mas com a mente livre de julgamentos, com o coração aberto para uma nova tentativa? Porque estragar uma história que hoje você está vivendo  com alguém? Por que não ceder, não relevar, não querer se ajeitar? Porque construir um muro de tristezas, mágoas e rancores, em vez de criar novas e melhores lembranças? Será que você terá uma nova chance, quando essa relação chegar ao fim? Será que será fácil para o outro esquecer e passar por cima de todas as marcas que ficaram? Não existe uma Lacuna.Inc na vida real, onde más lembranças simplesmente serão apagadas e você recomeçará sua história do 0. No mundo real, existe você, no aqui e agora, fazendo valer a pena. Talvez ainda dê tempo de cultivar aquela sementinha quase morta de amor no coração de ambos, talvez ainda tenha como criar lembranças mais amorosas e fortes que as ervas daninhas que se infiltraram. Tudo depende de você e de como você quer que seja a sua vida. E diferente do filme, as coisas que você diz e faz não podem ser apagadas por algum tipo de preço, elas ficam, elas se tornam feridas. Pense bem antes de falar ou fazer algo pra alguém que você diz amar, pois poderá não haver uma segunda chance.



sexta-feira, 27 de junho de 2014

Depressão- A saga


Quando iniciei esse blog (Mais precisamente, o Across the Universe, que depois se tornou Pensaela, que depois se tornou Pedaços dela e por fim, o Etérea Essência), eu estava começando o período mais pesado da depressão, ainda não diagnosticada, por conta de uma experiência traumática que foi só uma acionadora . A verdade é que já era uma criança triste e negativa, fui uma adolescente com longos períodos de angústia e vitimista (sempre me achando a pior, a mais feia, a que sofria mais, etc) e tenho predisposição genética a problemas como depressão, síndrome do pânico e  etc. Meu pai é depressivo e sofreu ataques de pânico e boa parte da minha família paterna seguiu essa mesma sina. E eu também.

Nos primeiros dois anos eu não busquei tratamento para depressão, embora já tivesse feito 6 meses de terapia, que não ajudaram muito. Não busquei tratamento, uma por estar em crise e não ter forças, outra por não ter apoio familiar, que  dizia “não ter dinheiro para gastar com as minhas frescuras”. Frescuras estas que eram basicamente: Não comer e chegar aos 49 kilos (tenho 1,70), não dormir (ou dormir de mais), não querer ficar sozinha, ter tonturas e náuseas constantes, sentir que meu corpo não me pertencia e que eu vivia em um sonho, chorar compulsivamente durante horas, etc. etc. etc.  Com o tempo fui melhorando um pouco. Fiz faculdade, ingressei na igreja, arrumei um namorado. Contudo, tive uma recaída terrível onde minha mente não parava de pensar (apenas coisas ruins e absurdas). Fui  em busca de tratamento e meu primeiro diagnóstico foi TOC, depois ansiedade e por fim, Transtorno depressivo e ansioso. Resumindo o tratamento (que tive de parar por problemas financeiros), foram 2 anos de terapia e 3 anos de medicação (que abandonei, como disse, por não ter condições de pagar consultas ao psiquiatra, que são absurdas de caras).

Escrevi tudo isso, pois relendo trechos do blog, percebo que ele faz parte desse  período específico da minha vida, então muitas coisas que aqui estão escritas são retratos fiéis de uma pessoa deprimida, e não necessariamente, meus verdadeiros pensamentos. Vejo isso hoje, pois tive um pico de melhora muito grande de uns tempos pra cá e muitas coisas do meu comportamento e pensamento mudaram, coisas que até então, eu achava que eram características minhas. Noto o quanto estou melhor por :

-Hoje tenho vontade de fazer as coisas. Desde esse início da fase mais severa da depressão (já fui diagnosticada com grau severo), eu não sentia prazer e nem vontade de fazer nada do que antes me agradava. Eu abandonei tudo o que me satisfazia, como leitura, ver séries, me arrumar, querer sair. Coisas muito simples como levantar e arrumar a cama lavara a louça, fazer um trabalho de faculdade, eram sacrificantes de mais para mim. Ainda não me sinto com energia como antigamente, mas para quem não sentia energia nenhuma, e estando sem medicação, eu realmente melhorei muito!

-Uma coisa que eu dizia sempre para minha psicóloga : “Minha vida precisa de manutenção, eu tenho que me vigiar o tempo todo”. Eu simplesmente não sentia prazer nenhum em viver e não queria estar viva, não entendia o porque de estar viva e me entristecia o fato de estar viva. Eu não acordava e levava o dia, como todo mundo. Nem passava por uma raiva, um perrengue e depois estava rindo, como todo mundo. A raridade era eu rir, era eu ver graça nas coisas, era estar feliz, mesmo conquistando coisas, tendo pessoas que me amavam, sendo reconhecida pelo meu trabalho, elogiada pela minha beleza. Para mim, nada disso era importante, era tudo preto e branco. Hoje a minha vida tem cor, tem graça. Eu brinco rio, me alegro, acordo disposta, vejo a beleza nas pequenas coisas da vida que há muito tempo haviam desaparecido. Fazer um bolo é uma vitória, fazer um desenho outra, dormir e querer acordar no outro dia, a maior de todas.

-Eu não dou mais importância para o que as pessoas pensam de mim, o que elas dizem a meu respeito, a não ser que sejam pessoas muito próximas (e muitas vezes, nem essas) . É como se agora eu tivesse poder sobre mim mesma, eu me conhecesse. Antes, era como se eu fosse aquilo que as pessoas diziam que eu era. Não questionava, eu era aquilo e ponto! Sofria muito com discussões de internet, com pessoas que nunca se quer me viram na vida e por notarem que eu era um alvo fácil, me atingiam e eu me sentia atingida. Agora o que menos  me importa é saber se agrado ou não aos outros. Estou agradando a mim mesma, e isso basta.

-Não sou mais presa ao passado. Algo que me fazia sofrer de mais, e que eu sempre falava na terapia era “Parece que estou presa sempre nos mesmos problemas, que minha vida não se atualiza que são sempre as mesmas dores, que é sempre a mesma coisa, que nada vai mudar nunca!”. Vejo claramente agora que isso me fazia um mal imenso porque não sou, de natureza, uma pessoa nostálgica. Não gosto de remoer coisas, guardar lembrancinhas até mofar, viver de memórias, mesmo que sejam boas. As guardo com carinho, mas não fico as rememorando e querendo que elas sejam o meu presente. Gosto de ver as coisas fluindo, caminhando, se renovando, resignificando, e me sentir presa ao passado me torturava mais do que qualquer outro fator!

-Tive coragem de tomar decisões que mudariam minha vida, como sair de um emprego que me fazia infeliz, terminar um relacionamento que minava minha autoestima, dar um tempo e questionar uma doutrina religiosa na qual sempre abaixei a cabeça e aceitei como certa. Mudei minhas roupas, cortei meu cabelo, comecei a ir para lugares que nunca tinha ido, fazer coisas que nunca tinha feito e quero fazer muito mais ainda. E isso é bom, muito bom! Sinto-me viva!

Claro que ainda sou depressiva e nem sei se um dia deixarei de ser. Apesar de todas essas melhoras, tenho dias de recaída e esses dias são pesados, principalmente na TPM.  Há dias que choro o quanto antes, me sinto um lixo como antes, penso que a vida não vale a pena  como antes, mas esses dias agora são a exceção e não a regra. Além do que, consigo reconhecê-los como “dias em que estou doente” e talvez precise descansar e tomar um chazinho, como uma gripe, e não mais como minha personalidade ou minha realidade.

Eu não tenho vergonha de falar sobre esse assunto, nunca tive, e acho que precisamos falar mais de nossas lutas, nossos problemas e mostrar aos que estão passando por isso que eles não estão sozinhos e assim como hoje melhorei muito, eles também irão melhorar, esse período não é eterno, a vida pode sim mudar, nós podemos mudar!  Não estranhem com as mudanças no blog, não pensem que estou fazendo isso para atrair público e etc. Esse blog nunca teve a intenção de ser popular e nem comercial, então a popularidade dele nunca foi o mais importante para mim. Sempre foi um espaço onde eu pudesse ser quem eu sou. E se estou uma pessoa melhor, pretendo compartilhar conteúdos melhores.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Tempo

O distanciamento causa novas percepções. Não estar mais dentro do conflito pode tanto ser um agente superficial, quanto um otimizador do olhar. O tempo passa agora seguindo um ritmo antes desconhecido, talvez o seu próprio, sem distorções da realidade. Antes, era um tempo deslocado, que trazia do futuro medos que não existiam e do passado dores ainda não curadas.
Não posso dizer que o tempo me pertence, mas que já sei lidar com ele em seu compasso. Aprendi a seguir suas regras e entender que tudo caminha na hora que tem de caminhar. Posso , ao largo disso, me reconstruir por dentro, me apropriar do meu próprio fluxo, meu próprio tempo e deixar que o relógio cumpra sua função sem que minhas mãos tentem o deter.


quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

A quebra

Susy, de Julieta dos espíritos. Fellini.
Tenho me perguntado de onde vem surgindo todas essas novas folhagens, esses novos galhos que por não doerem, não sinto nascer. Estão surgindo como pelos em pele crua: sem alardes, indolores, apenas seguindo sua natureza. É como se o que estava bloqueado começasse a renascer, o que antes emperrado, começasse a romper. Romper barreiras, romper mundos, romper muros, romper medos. O que antes se encolhia agora é endireitado, o que era difícil agora se tornou fácil, o que era errado, agora é certo. Ou pelo menos sem julgamento.
As crises impulsionam e o desejo faz germinar a vontade de me diluir, não mais esconder ou paralisar, mas seguir o curso, mesmo em águas tão tortuosas. 

Os que me veem se perguntam o que terá acontecido, alguns até me censuram, falam que algo se quebrou dentro de mim, algo que me definia, que estou “perdida”. E eu sei exatamente o que foi quebrado e porque estou agora tão solta e sem eixo: O que se quebrou dentro de mim foi minhas correntes.