Mostrando postagens com marcador sexualidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sexualidade. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Falta

Eu quero o direito de poder evoluir sem sentir que tudo não passa de uma “fase". Quero o direito de poder escolher para que lado ir sem ser vista como alguém sem foco por quem não busca caminho algum.
Quero saber que aquele que decidiu ser 2 estará pronto para ouvir minhas dores sem as julgar menores que as do próprio. Quero ter a liberdade de poder ser frágil sem ter medo de provocar um revirar de olhos por minha fragilidade não ser a mesma que  a dele.
Quero ter espaço e saber que minhas necessidades também serão atendidas, que meus interesses também fazem parte do todo ao qual nos propomos construir. Quero não ser obrigada a engolir gostos enquanto não há nenhum interesse em conhecer os meus.
Quero poder surtar e saber que terei colo.
Quero ver olhos brilhando quando sou vista, quero saber que o que me faz feliz está na sua lista de prioridades, assim como as felicidades do outro estão no meu caderninho, mesmo que para mim, elas não façam tanto sentido.
Quero saber que desperto desejo, que não sou parte de um amor só de vidas passadas, mas também quente e profano.
Quero ser todo o berço, o colo, a casa.Mas também quero ter isso sem precisar passar horas explicando o porquê de eu precisar descansar.
Quero não saber que, mesmo sabendo que me magoa,fez.
Já achei que eu não fosse o suficiente. Hoje eu honro minhas conquistas, meu corpo e minha alma.Sobretudo a alma, que passei a olhar com amor, o que despertou amor por todo o resto relacionado a mim.E por isso eu reconheço que não estou me sentindo como deveria me sentir quando o amor é compartilhado a dois.

domingo, 4 de outubro de 2015

Depois da partida- reflexões religiosas

Desenho que fiz pro desafio #Inktober que estou participando. Todo dia tem desenho novo no Instagram, basta seguir ali ao lado <-------

Tento não abordar esse assunto de maneira literal, pois não quero ser tida como influencia para ninguém, nem como boa e nem como má. Acredito que há momentos em nossa vida em que algo se faz necessários e depois deixam de fazer, por muitos motivos. Ter uma religião fez bastante sentido pra mim durante quase 7 anos. Fazia sentido seguir aquela doutrina, crer no que eu ouvia e me sentir parte daquele lugar. Hoje não faz mais.

Com a saída dessa doutrina que frequentei, inúmera coisas mudaram. Por fora todos sabem: Roupas “do mundo”, tatuagem, mudanças no cabelo, liberdade sexual. Mas as mudanças muito mais significativas foram por dentro e é delas que quero falar nesse post:

Minha vida está extremamente mais leve agora que acredito que as coisas vão acontecer conforme o meu merecimento, e ainda assim, é possível que não aconteçam, a vida nem sempre é justa e está tudo bem! As coisas não deram errado por que : pequei; estou sendo castigada ou estou sendo provada. Da mesma forma, as coisas não deram certo porque: Estou sendo recompensada, é uma prova que Deus me ama (logo, se ele não dá, ele não me ama);

Não fico mais esperando eternamente que coisas que provavelmente não irão acontecer, aconteçam, pois sou “uma serva de Deus esforçada e mereço isso”. Não fico mais me martirizando pela vida não cumprir minhas expectativas e colocando isso na conta de Deus. Não fico mais esperando milagres , embora creia que eles existam, mas não acho mais que é obrigação de Deus fazer com que aconteçam ;

Sou muito mais humilde agora. Sei que receberei algo conforme minha necessidade e minhas ações, e não porque “Deus quis”. Agora sou responsável pelas minhas ações e receberei o que delas for seu resultado natural (ou não);

E principalmente: Sou eu mesma, sem medo de estar sendo vigiada o tempo todo por uma força invisível  (seja ela a doutrina da igreja ou o próprio Deus, que sei que não liga para nada disso) que estará pronta a me apontar e julgar caso eu corte o cabelo, dance o faça qualquer coisa considerada por alguém como “mau testemunho” ;


Muitos me perguntam e NÃO, não me tornei ateia e ainda me considero cristã, mas não sinto mais o mínimo desejo de voltar a uma religião que mais me condena que me acolhe, seja ela qual for. 

quinta-feira, 3 de abril de 2014

#EuNãoMereçoSerEstuprada

Como ando muito calada sobre o assunto, resolvi me manifestar: 
Creio que pesquisa foi tendenciosa. Ainda não me desce que 65% das pessoas acreditam que uma mulher merece ser estuprada pela roupa que veste, ainda mais sendo 60% dos entrevistados mulheres. Com certeza a pesquisa foi manipulada, levou a indução ao erro, selecionou uma parcela de pessoas com perfil que acreditam nisso e etc.
Sobre a campanha em si, antes, eu achava que ela não traria de fato um resultado muito amplo. Acho complicadíssimo em um país extremamente machista e que usa o corpo da mulher cm mera objetificação, achar que mostrando o corpo mais uma vez (ainda mais que só vi mulheres brancas, magras, no padrão de beleza imposto pela sociedade) alguém entenderá alguma coisa. Mas aí é que está o ponto: As pessoas não entendem, e ver como essas pessoas ainda não entendem que o corpo da mulher é apenas da mulher é que deve ser mudado! Em pouquíssimos minutos, houve muitas declarações sim, de que as mulheres que estavam aderindo a campanha MERECIAM SER ESTUPRADAS, por que elas estavam mostrando seu próprio corpo. Eu denunciei pelo menos 3 páginas contra a campanha , mas não simplesmente por elas serem contra (já que e certa forma, também não concordo exatamente com a metodologia usada pra conscientização), mas por que as páginas usavam os corpos dessas mulheres para proferirem ódio e misoginia. Vi até uma imagem "Ninguém é estuprada em casa lavando a louça". É sim! A maioria dos estupros acontecem dentro de casa, com mulheres menores de 13 anos, por pais, irmãos, tios. No Irã, a culpa pelo aumento dos estupros foi dada ao fato das mulheres que usam burca, estarem usando RÍMEL!
Não tem como dizer que a minha vergonha é do país, por que infelizmente, o machismo e a misoginia é um problema mundial! Ver esse tipo de campanha onde a mulher mostra o corpo porque quer, e não para agradar um homem, e o quanto ela é atacada por isso, só mostra o quanto estamos até o pescoço dentro de uma sociedade doente! Concordando ou não com o posicionamento da garota que tira foto com os peitos para fora, o corpo é DELA, não deixa de ser DELA e ela não merece o ter invadido e violado por ninguém! Precisamos urgentemente de políticas que ajudem não apenas a proteger a mulher, mas a conscientizar a sociedade dobre liberdade de escolha, autonomia sobre o próprio corpo, respeito e colocar de uma vez por todas na cabeça que o culpado é o estuprador, que estupro é crime, que ninguém leva ninguém a cometer um estupro, a não ser o próprio agente do estupro!Sempre haverá uma desculpa: Mostra muito o corpo, se veste muito fechada alimentando a imaginação, usa muita maquiagem, quer dar uma de santa e eu não resisti. Basta de inverter papéis! Basta de culpar a vítima!Basta de dizer que garotas de 4 ,5 anos estão provocando seus malditos pais pedófilos!Basta!Esse tipo de mentalidade tem que acabar!

segunda-feira, 24 de março de 2014

Sem reservas

Eu não sei amar aos poucos e nem me dedicar pela metade. Eu não entendo pessoas que amam com medo.  Não me abro a qualquer um, sou muito difícil de me entregar, mas quando isso ocorre, é totalmente, sem reserva, sem pudores, sem melindres. É muito difícil pra mim gostar de quem anda pisando em ovos e com medo de se machucar. Eu me jogo, quebro a cara e recomeço,  pronta pra sofrer e ser feliz novamente. Eu dou jeitinhos de se ver na semana, eu deixo compromissos de lado, eu enfrento autoridades, eu me exponho ao ridículo, eu me dispo sem vergonha, eu escancaro e abraço defeitos, eu enalteço e celebro qualidades. Eu quero provar desse banquete, eu quero comer todos os frutos, eu quero beber todos os vinhos, não importa que eu passe mal ou coma algo amargo por engano. Só me sacio quando estou plenamente satisfeita de saber que fiz o meu melhor e aproveitei tudo o que estava  ao meu alcance.

Aí me deparo com pessoas feridas, magoadas, que comeram e passaram mal, que beberam e perderam o controle e que acham que isso é algo definitivo em suas vidas. Eu tento ser paciente , eu tento controlar meu desejo de me atirar mais uma vez do precipício e perguntar “Vem comigo, eu te seguro!” , mas devo entender que cada um tem seu momento, cada pessoa é uma pessoa. Mas como é difícil querer ser inteira com pessoas que só se doam pela metade!

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

A quebra

Susy, de Julieta dos espíritos. Fellini.
Tenho me perguntado de onde vem surgindo todas essas novas folhagens, esses novos galhos que por não doerem, não sinto nascer. Estão surgindo como pelos em pele crua: sem alardes, indolores, apenas seguindo sua natureza. É como se o que estava bloqueado começasse a renascer, o que antes emperrado, começasse a romper. Romper barreiras, romper mundos, romper muros, romper medos. O que antes se encolhia agora é endireitado, o que era difícil agora se tornou fácil, o que era errado, agora é certo. Ou pelo menos sem julgamento.
As crises impulsionam e o desejo faz germinar a vontade de me diluir, não mais esconder ou paralisar, mas seguir o curso, mesmo em águas tão tortuosas. 

Os que me veem se perguntam o que terá acontecido, alguns até me censuram, falam que algo se quebrou dentro de mim, algo que me definia, que estou “perdida”. E eu sei exatamente o que foi quebrado e porque estou agora tão solta e sem eixo: O que se quebrou dentro de mim foi minhas correntes.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

A voz do povo NÃO É a voz de Deus!



Quando houve o caso do vídeo do Silas Malafaia falando sobre a homossexuaLIDADE,  a maioria  dos meus amigos cristãos não se manifestou, talvez por medo de serem julgados  e de fato,iriam ser de toda forma: se tivessem uma opinião em favor do Silas, seriam vistos como ignorantes e homofóbicos. Se tivessem uma opinião oposta, seriam vistos como “falsos cristãos” por outros tantos. Bem, as únicas pessoas que vi emitindo uma opinião foram uma amiga, de outra igreja, e eu. Ela a favor do pastor, eu contra. Fui a favor do vídeos do geneticista e concordo com ele que contra fatos não há argumentos! Malafaia não apresentou fatos, dados válidos, ele fez uma comparação absurda cheia de achismos e estudos que devem ter mais de 50 anos. E outra: A pessoa ser homossexual por genética ou por escolha  faz alguma diferença? Isso comprova que por tal ou tal fato, que ela mereça menos direitos civis, menos  respeito que você?
Eu fico imensamente chateada quando vejo que igrejas fundamentalistas, retrógradas e fanáticas são as que tomam espaço na mídia e são justamente as que tomam acesso a cabeça do povo, em sua grande maioria não esclarecida, com pouco estudo e ávido para terem alguém dizendo o que eles devem fazer para serem salvos. Isso me entristece muito! Entristece-me saber que há mulheres fazendo uma separação de princesa/cachorra, que há um culto feito para chamarem mulheres que simplesmente não tem a mesma linha de pensamento que a sua de cachorra! Foi isso que Jesus ensinou? Que deveríamos nos sentir superiores e julgarmos uns aos outros? Esses dias eu vi um vídeo que dizia o cúmulo de que hoje, em pleno século XXI, era triste que as mulheres fossem criadas para serem independentes, para terem uma carreira, e que as mulheres cristãs deveriam ser criadas para saberem pregar botões, para serem submissas a seus maridos!É isso que as torna tão superiores? Será que Deus está mesmo,lá do alto, contando quantos botões você pregou na camisa do maridão, enquanto estava chamando a vizinha de cachorra?
O que muito me espanta é notar como muitas pessoas que se declaram seguidoras de Cristo estão mais preocupadas em apontar e julgar os outros, do que se preocupando com sua própria conduta cristã no dia-a-dia. Além do que, se querem falar, ESTUDEM sociologia, história,política, teologia e não repitam os discursos vergonhosos de ditadura gay e etc, por favor! E se você está muito preocupado com “eles são pecadores, eles estão errados, eles vão pro inferno”, Se eles são isso mesmo, quem dará conta não são eles?E porque a vida do outro tanto te incomoda?
Você não precisa concordar, mas sua obrigação é RESPEITAR!  Não precisa ser Best-friend dos gays, mas você não tem o direito de os perseguir! Não precisa achar lindo mulheres ultra sexualizadas, mas você não tem o direito de chamá-las de o que quer que seja!
Estou cansada de ser chamada de alienada, ignorante, homofóbica e etc,  por conta de algumas pessoas com essas características que infelizmente, sujam a imagem de todos os cristãos!

domingo, 3 de fevereiro de 2013

A anima e a mulher (cadê nossa identidade?)


Deusa grega Hestia, representa muito a introspecção e o auto-conhecimento feminino.

Acho que 2012 foi o ano mais político desse bloguinho, com vários posts sobre o tema, feministas em sua maioria.
Alguma pessoas dizem que o fato de você ser contra o machismo já te torna feminista. Eu  não gosto muito dessa associação. Pra mim feminismo é uma escolha consciente. O fato de você ter atitudes cristãs não te faz um cristão, você pode ter essas atitudes, como ser misericordioso e tudo o mais, e se considerar ateu ou qualquer outra coisa. Feminismo pra mim é uma postura política consciente, não é um “você não sabe,mas é feminista”. Nada a ver.
Ah,eu já me declarei feminista várias vezes, mas não sei...Não é nesse feminismo midiático que acredito e nem gosto de fazer disso uma bandeira. Também não concordo com vários discursos que vejo como sendo feministas, para mim, alguns deles não são saudáveis. Não gosto muito dessa ideia de desconstruir totalmente o papel do feminino. Não estou aqui falando sobre papeis de gêneros, até porque o feminino deve estar presente na vida dos homens, assim como o masculino também deve estar presente na vida das mulheres. São duas polaridades que devem andar juntas, casarem-se, uma não deve sobressair a outra. O que infelizmente aconteceu é que o patriarcado veio se sobrepondo ao matriarcado, de maneira a desprezar tudo o que parte do feminino e colocar como “irracional”. Há mulheres que desprezam o que esse ciclo feminino representa. Elas desprezam que tenhamos um apelo maternal muito forte, desprezam que não é apenas com a razão que conseguimos vislumbrar as coisas, mas também com as emoções e a intuição, desprezam que sejamos filhas da natureza e elas mesmas ajudam a bater o martelo patriarcal, dizendo que tudo isso é pobre, irracional, juntando-se a estes valores masculinos que colocam apenas o pensamento, o raciocínio, o trabalho industrial e outros valores que eu particularmente, não vejo empedramento nenhum,  como formas de libertação. Eu gosto de ser mulher, eu gosto desse feminino sagrado, dessa sabedoria que foi devastada e colocada como suja pelo poder patriarcal. As mulheres estão perdendo esse contato com elas mesmas, e isso é triste.Eu penso que só conseguiremos nos sentir livres e empoderadas novamente quando entendermos que sempre tivemos um papel forte e conseguirmos não destruir, mas resgatar isso.  Eu vejo muitas mulheres falando e fazendo “eu não preciso disso pra ser mulher”, “não preciso menstruar pra ser mulher”, “não preciso ter filhos pra ser mulher”, “não preciso ser amorosa pra ser mulher”,”não preciso de respeito com meu corpo pra ser mulher”, “não preciso de intuição pra ser mulher”, “ não preciso  de afetividade pra ser mulher”. Realmente, você não precisa de nada disso para ser mulher, no sentido biológico da palavra. Você ,infelizmente, só está se tornando um projeto do patriarcado  sem notar, já que o que esse sistema fez foi chegar massacrando tudo o que fosse ligado ao feminino ,colocando a maternidade como uma obrigação a ser cumprida, o prazer corporal da mulher (porque a mulher é muitos mais ligada a terra, a sensação, ao corpo que o homem) como pecado, a menstruação como nojenta, a intuição como falta de inteligência, os trabalhos domésticos (que devem ser feitos tanto por mulheres como homens, hein!) como baixos, a emotividade como histeria, o choro como fraqueza,  a sensibilidade como misticismo, o enfeitar-se como vulgaridade, o acolhimento como “passar a mão na cabeça”, etc.
Claro que você não é obrigada a gostar de tudo isso e ser dessa maneira para “ser mulher”, somos seres diferentes. Eu mesma não gosto e nem tenho jeito com trabalhos manuais, nem com cozinhar. Já meu namorado tem. Também não sou muito de ficar “mimando” as pessoas, já meu namorado é mais acolhedor que eu nessa parte. Todos nós temos o nosso Animus (energia psíquica masculina, ligada a agressividade, assertividade, vitalidade) e nossa Anima (energia psíquica feminina, ligada a intuição, a introspecção, ao simbólico,  as emoções). Basta pesquisar sobre e vocês verão que muitos antes de falaram-se de machismo, essas duas polaridades tinham essas mesmas distinções de masculino e feminino . Acontece que antigamente, o masculino e o feminino eram vistos como sendo ambos essenciais, todo ser humano precisava dessas duas polaridades e ambas eram respeitadas. Hoje em dia não, apenas o Animus é visto como algo bom, a Anima é vista como fraqueza, e infelizmente, vista assim por muitas mulheres.
Bah, só sei que quero dar um tempo nesses rompantes femininos. Quiçá, feministas.

P.S: Pessoal, pra quem quiser seguir, esse é meu Tumblr com meus desenhos e pinturas. Queria colocar um atalho aqui no blog, alguém sabe como fazer isso? http://aneeterea.tumblr.com/

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Ser livre não é se destruir



O primeiro amor de toda mulher deveria ser o amor próprio.

Há dois temas que gostaria de falar no memento: Um, o livro que acabei de ler e que ainda não digeri muito bem chamado A Casa dos espíritos de Isabell Sllende. Não digeri não pelo fato de ser ruim, muito pelo contário, mas por ainda estar processando em mim todos os personagens, todas as cenas, todas as angústias e paixões que o livro me trouxe. O outro tema que q eu gostaria de falar, mas que ando meio cansada de escrever sobre,  é uma reflexão que fiz andando por uma livraria e ver tantos livros voltados ao público feminino ensinando-as como ser mulher nos dias atuais. Meu pseudo-feminismo muitas vezes me cansa, ás vezes quero parar de ver isso o tempo todo. O que curto em mim, pelo menos, é que sempre olho por uma ótica abrangente e considero tudo: cultura inserida, contexto de época, contexto religioso, vivências pessoais e até que ponto todos nós somos alienados, antes de fazer qualquer julgamento, seja contra um homem ou contra uma mulher. Bem, como ainda não estou madura para escrever sobre A casa dos espíritos, tentarei escrever sobre essas minhas observações na livraria (não só nela).
Eu andei uma época bem “empolgada” com os discursos feministas que ouvia meio deslumbrada, na verdade .Creio que tendo uma postura considerada feminista por muitos desde criança, de repente conhecer toda uma ideologia que reforçava o que  sempre quis dizer, foi um acerto bom e numa época boa, onde eu já estava mais adulta para entender certas coisas sem minha cabeça dar um nó, mas não adulta o suficiente para ter crítica perante o que aprendia. Esse período foi curto e proveitoso, trouxe-me uma série de novos pensamentos, reformulações e entendimento de um todo. O problema é que não podemos ver sempre o TODO, pois esse todo traz vários nuances e detalhes em sua essência que não necessariamente correspondem com a maioria.
Um discurso muito recorrente nesse “neo-feminismo” é a liberdade da mulhe r fazer o que quiser. Sim, concordo que a mulher, sendo adulta, vacinada e consciente, tenha o direito de fazer o que lhe dar na telha, isso é obvio. E ninguém tem nada a ver com isso. Acontece que uma mulher nessas condições citadas é responsável por seus atos e sabe muito bem que ser livre não significa fazer tudo o que tiver vontade, e ela nem tem vontade de fazer qualquer coisa, já que se conhece e se respeita como ser humano. Sabe que suas ações muitas vezes podem refletir no seu futuro e na vida de outras pessoas e sabe que ceder não significa submissão, mas flexibilidade e adaptação. Ou seja: Uma mulher livre deve em primeiro lugar, ter uma mente saudável.
Lembro de uma vez em que em um desses blogs feministas que frequentei e ainda dou uma espiadinha de vez em quando, foi levantada uma questão no sentido “Defendemos que a mulher tem o direito de fazer o que quiser. Se uma mulher decidir ficar com um companheiro violento, que a agrida física ou emocionalmente, vocês a apoiariam?” Grande foi minha surpresa a ouvir da maioria que SIM, que essa mulher seria apoiada, pois esta estaria “exercendo sua liberdade”. Amiga, você não está ajudando mulher alguma fazendo isso! Você não está emponderando  ninguém! Não está ajudando mulher alguma a ser livre! Você está sendo simplesmente conivente com um regime opressor que você mesma diz lutar contra! Pergunto-me se nessa história, a única precisando ser salva é a que escolheu viver com um agressor, ou todas que a apoiaram por achar que isso se chama liberdade. Moças, isso se chama doença, carência, depressão, falta total de autoestima.
Comecei a notar então que a maioria dos discursos não enfatizavam  a autoestima da mulher, a reconstrução do que ela considerava ser mulher para si mesma, mas apenas , de certa forma, uma eterna vitimização. Em histórias onde a mulher era agredida pelo companheiro, não uma ou duas vezes, mas durante vários anos e até mesmo em casos onde esta lutava para fechar os olhos, para se deixar nesse relação doentia acreditando que ele iria mudar, que isso era prova de amor, a única coisa que sempre vi foi o ataque ao agressor, mas nunca a conscientização da mulher que era agredida. Nunca ouvi  “procure ajuda, procure um profissional. Porque você está fazendo isso com você? Porque você acha que não merece algo melhor? Por que está comendo essas migalhas? Porque continua nesta casa com este homem? Nós te ajudamos, venha se reerguer!”. Não: sempre era o homem machista (que obviamente o é, isso não isenta sua culpa) opressor que merecia ser preso, e a mulher vítima de tooooooodo um contexto alheio a sua própria história de vida. Acho que qualquer psicólogo discordaria disso. CLARO que fatores externos e uma pessoa violenta podem muito bem nos fazer diminuir e não ter forças, mas o resgate de nossas forças e autoestima depende somente de nós mesmos! Se você apenas mostrar para essa mulher que ela foi vítima de um violentador, mas não mostrar que ela é uma PRESA desse tipo de homem, ela largará esse cara e se envolverá com outro do mesmo tipo. Ensine também a ter autocrítica, a ter amor próprio! Isso não tem nada a ver com “culpar a vítima”, tem a ver com colocar a responsabilidade de sua própria felicidade nas suas mãos!
Olhando os livros voltados a mulheres , notei mais do que um desejo patriarcal de nos submeter a um sistema de humilhação, engessamento e padrões. Notei outra coisa: Como estamos perdidas! Quantas ideologias antigas do dia para noite foram derrubadas e como outras tão diferentes se posicionam agora: Como a mulher que antes era considerada inteligente, hoje é considerada sonsa. Como a mulher antes considerada vulgar, hoje é considerada empondeirada! Como a mulher que hoje gosta de estar em casa cuidando dos filhos, hoje recebe o título de “prostituta do lar” de maneira pejorativa, claro, sendo que a prostituta do sexo agora é vista como uma mulher dona de sua liberdade. Qual o problema em abraçar aquilo que você acredita? Em ser quem você é? Qual o problema em sentir que você é amorosa, materna, meiga, acolhedora, amiga, e não safada, vadia, super  independente e alheia a qualquer ideal de beleza?
O que é  a liberdade pra você, mulher? O que te faz feliz? Onde você acha que está errando e que pode melhorar? Quais os seus desejos e suas vontades? Quais seus limites? Você está feliz usando burca e sendo casta, esperando seu marido? O SEJA, desde que essa escolha seja consciente e SUA! Você está feliz usando mini saia, fazendo topless em protestos e lutando por uma sexualidade livre? O SEJA, desde que você tenha plena certeza de que faz isso porque quer, e não por que outras dizem que é assim que tem que ser.
Por isso eu digo: Antes de ater-se a qualquer movimento, a qualquer militância, a qualquer ideologia, conheça-se !  Seja saudável! Tete curar suas feridas emocionais, seus complexos  medos. Seja responsável por você! Tenha autoestima! Claro que na maioria dos casos, esses movimentos te mostram alternativas de ser feliz, alternativas de se sentir bem, mas saiba que quem ira´ “se salvar” é você mesma! Ajude-se! E amiga, ajude a outra mulher! Ajude-a também a ver que ela está errada, que sua escolha é incorreta, que seu desejo não deve ser atendido por carência ou desilusão. Liberdade é responsabilidade,  não só prazer. Sejamos livres sim, mas sejamos sábias também!

P.S: A imagem foi mudada, já que algumas pessoas acharam por ela que o assunto do post era aborto ^^!

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Não é porque não concorda que tem o direito de julgar



Imagem lindinha de http://www.artesanum.com/artesania-pack_3_amigas_diferentes-79204.html

Algumas coisas surgiram no meu post passado bem interessantes, tanto nos comentários aqui no blog como conversas que tive fora dele.
Assim como tenho minha religião e quero ser respeitada, como sigo certo padrão de vestimenta e comportamento por ela, eu tenho o dever de respeitar pessoas que não tem esse mesmo comportamento. Isso não significa que eu ache lindas certas coisas, mas aí já é um problema meu. Eu não faria, mas  isso não me dá o direito de julgar quem faz.
Como ando falando muito sobre o comportamento feminino, o usarei como exemplo: Eu, particularmente, não curto o comportamento chamado “piriguete”. Não faria e nem seria assim. Mas isso é algo meu, isso não me dá direito algum de achar que mulheres que gostam de se vestir de maneira mais provocante ou que tem vários parceiros sejam inferiores a mim. Aliás, em que isso me afeta. Afeta minha vida? Porque eu perderia o meu tempo criticando estas mulheres? Eu vejo de outra forma. Ao contrário do que alguns segmentos feministas dizem (por essas e outras eu não me considero feminista, mas com uma postura feminista), não acho isso o ápice da libertação. A maioria das mulheres que tem esse tipo de comportamento, a meu ver, está sendo escrava de um sistema machista e opressor que as coloca como “tenho que ser desejável a todo custo, nem que para isso eu desrespeite a mim e ao que quero”. Digo desrespeitar não no sentido de “mulher tem que se dar ao respeito”, mas no de se autor espeitar, saber seus limites, saber suas necessidades a atende-las. Se a mulher gosta de se vestir assim (como conheço muitas que realmente gostam) beleza, mas a grande maioria o faz para sentir que estão “no mercado”, pior, se sentem mercadorias. ISSO SIM deve ser combatido. Da mesma forma, há mulheres que se cobrem, se comportam de maneira comedida, usam roupas discretas e obedecem a um padrão de “mulher de valor” por medo de serem julgadas. Isso também é uma tremenda falta de respeito consigo mesma. Mas o que quero dizer é: Eu não defendo a mulher que tem vários parceiros, se veste provocante por ser adepta a isso, mas por achar que ela tem direito a isso, é sua vida.
Eu não gosto de protestos como a Marcha das vadias por isso: acho unilateral. Ela não representa todas as mulheres. A mulher que veste mini saia quer ser respeitada, a mulher que escolhe vestir uma burca também. A mulher que quer fazer sexo com vários, sem amor, sem envolvimento, deve ser respeitada. A que quer se manter virgem até o casamento, ou se relacionar sexualmente apenas com um a vida inteira, também.
 No mais, não acho legal esse romantismo que estão fazendo da promiscuidade feminina e nem da banalização que se tem feito do sexo. Acho muito ABSURDO mulheres que defendem a imagem da Valeska Popozuda como sendo um símbolo feminista. Onde que  uma mulher que se moldou totalmente para corresponder ao padrão sexual vigente, que canta letras dizendo “Mulher burra fica pobre/Mas eu vou te dizer/Se for inteligente pode até enriquecer”  está lutando por algo? Pelo menos a mim, só reforça estereótipos midiáticos agressivos e negativos as mulheres, incita a competição feminina e coloca seu corpo como sendo sua única forma de ganhar algo na vida, claro, sendo sustentada por um homem, moeda de troca. Isso pra mim é um desserviço.  CONTUDO, aí é que está: Não é porque eu não aprovo esse comportamento que eu direi que quem os tem é melhor ou pior do que eu, cada um é cada um. Eu não sou da opinião de que você deve achar tudo lindo e normal, acho que isso muitas vezes cega e corta nosso senso crítico. . Eu já mudei vários pensamentos e comportamentos meus que hoje sinto uma baita vergonha alheia de mim mesma.
Não acho que devemos aceitar tudo. Mas respeitar, isso com certeza. Nem que seja para tentar mudar a opinião de alguém de maneira  respeitosa.
A não ser que a pessoa seja uma escrota, aí você pode usar muita ironia e se divertir um pouco =D!