 |
| O primeiro amor de toda mulher deveria ser o amor próprio. |
Há dois temas que gostaria de falar no memento: Um, o livro
que acabei de ler e que ainda não digeri muito bem chamado A Casa dos espíritos
de Isabell Sllende. Não digeri não pelo fato de ser ruim, muito pelo contário,
mas por ainda estar processando em mim todos os personagens, todas as cenas,
todas as angústias e paixões que o livro me trouxe. O outro tema que q eu
gostaria de falar, mas que ando meio cansada de escrever sobre, é uma reflexão que fiz andando por uma
livraria e ver tantos livros voltados ao público feminino ensinando-as como ser
mulher nos dias atuais. Meu pseudo-feminismo muitas vezes me cansa, ás vezes
quero parar de ver isso o tempo todo. O que curto em mim, pelo menos, é que
sempre olho por uma ótica abrangente e considero tudo: cultura inserida,
contexto de época, contexto religioso, vivências pessoais e até que ponto todos
nós somos alienados, antes de fazer qualquer julgamento, seja contra um homem
ou contra uma mulher. Bem, como ainda não estou madura para escrever sobre A
casa dos espíritos, tentarei escrever sobre essas minhas observações na
livraria (não só nela).
Eu andei uma época bem “empolgada” com os discursos
feministas que ouvia meio deslumbrada, na verdade .Creio que tendo uma postura
considerada feminista por muitos desde criança, de repente conhecer toda uma
ideologia que reforçava o que sempre
quis dizer, foi um acerto bom e numa época boa, onde eu já estava mais adulta
para entender certas coisas sem minha cabeça dar um nó, mas não adulta o
suficiente para ter crítica perante o que aprendia. Esse período foi curto e proveitoso,
trouxe-me uma série de novos pensamentos, reformulações e entendimento de um
todo. O problema é que não podemos ver sempre o TODO, pois esse todo traz vários
nuances e detalhes em sua essência que não necessariamente correspondem com a
maioria.
Um discurso muito recorrente nesse “neo-feminismo” é a
liberdade da mulhe r fazer o que quiser. Sim, concordo que a mulher, sendo
adulta, vacinada e consciente, tenha o direito de fazer o que lhe dar na telha,
isso é obvio. E ninguém tem nada a ver com isso. Acontece que uma mulher nessas
condições citadas é responsável por seus atos e sabe muito bem que ser livre
não significa fazer tudo o que tiver vontade, e ela nem tem vontade de fazer
qualquer coisa, já que se conhece e se respeita como ser humano. Sabe que suas
ações muitas vezes podem refletir no seu futuro e na vida de outras pessoas e
sabe que ceder não significa submissão, mas flexibilidade e adaptação. Ou seja:
Uma mulher livre deve em primeiro lugar, ter uma mente saudável.
Lembro de uma vez em que em um desses blogs feministas que
frequentei e ainda dou uma espiadinha de vez em quando, foi levantada uma
questão no sentido “Defendemos que a mulher tem o direito de fazer o que
quiser. Se uma mulher decidir ficar com um companheiro violento, que a agrida
física ou emocionalmente, vocês a apoiariam?” Grande foi minha surpresa a ouvir
da maioria que SIM, que essa mulher seria apoiada, pois esta estaria “exercendo
sua liberdade”. Amiga, você não está ajudando mulher alguma fazendo isso! Você
não está emponderando ninguém! Não está
ajudando mulher alguma a ser livre! Você está sendo simplesmente conivente com
um regime opressor que você mesma diz lutar contra! Pergunto-me se nessa
história, a única precisando ser salva é a que escolheu viver com um agressor,
ou todas que a apoiaram por achar que isso se chama liberdade. Moças, isso se
chama doença, carência, depressão, falta total de autoestima.
Comecei a notar então que a maioria dos discursos não
enfatizavam a autoestima da mulher, a
reconstrução do que ela considerava ser mulher para si mesma, mas apenas , de
certa forma, uma eterna vitimização. Em histórias onde a mulher era agredida
pelo companheiro, não uma ou duas vezes, mas durante vários anos e até mesmo em
casos onde esta lutava para fechar os olhos, para se deixar nesse relação
doentia acreditando que ele iria mudar, que isso era prova de amor, a única
coisa que sempre vi foi o ataque ao agressor, mas nunca a conscientização da
mulher que era agredida. Nunca ouvi “procure
ajuda, procure um profissional. Porque você está fazendo isso com você? Porque você
acha que não merece algo melhor? Por que está comendo essas migalhas? Porque
continua nesta casa com este homem? Nós te ajudamos, venha se reerguer!”. Não:
sempre era o homem machista (que obviamente o é, isso não isenta sua culpa)
opressor que merecia ser preso, e a mulher vítima de tooooooodo um contexto
alheio a sua própria história de vida. Acho que qualquer psicólogo discordaria
disso. CLARO que fatores externos e uma pessoa violenta podem muito bem nos
fazer diminuir e não ter forças, mas o resgate de nossas forças e autoestima
depende somente de nós mesmos! Se você apenas mostrar para essa mulher que ela foi
vítima de um violentador, mas não mostrar que ela é uma PRESA desse tipo de homem,
ela largará esse cara e se envolverá com outro do mesmo tipo. Ensine também a
ter autocrítica, a ter amor próprio! Isso não tem nada a ver com “culpar a
vítima”, tem a ver com colocar a responsabilidade de sua própria felicidade nas
suas mãos!
Olhando os livros voltados a mulheres , notei mais do que um
desejo patriarcal de nos submeter a um sistema de humilhação, engessamento e
padrões. Notei outra coisa: Como estamos perdidas! Quantas ideologias antigas
do dia para noite foram derrubadas e como outras tão diferentes se posicionam
agora: Como a mulher que antes era considerada inteligente, hoje é considerada
sonsa. Como a mulher antes considerada vulgar, hoje é considerada empondeirada!
Como a mulher que hoje gosta de estar em casa cuidando dos filhos, hoje recebe
o título de “prostituta do lar” de maneira pejorativa, claro, sendo que a
prostituta do sexo agora é vista como uma mulher dona de sua liberdade. Qual o
problema em abraçar aquilo que você acredita? Em ser quem você é? Qual o
problema em sentir que você é amorosa, materna, meiga, acolhedora, amiga, e não
safada, vadia, super independente e
alheia a qualquer ideal de beleza?
O que é a liberdade pra
você, mulher? O que te faz feliz? Onde você acha que está errando e que pode
melhorar? Quais os seus desejos e suas vontades? Quais seus limites? Você está
feliz usando burca e sendo casta, esperando seu marido? O SEJA, desde que essa
escolha seja consciente e SUA! Você está feliz usando mini saia, fazendo
topless em protestos e lutando por uma sexualidade livre? O SEJA, desde que
você tenha plena certeza de que faz isso porque quer, e não por que outras
dizem que é assim que tem que ser.
Por isso eu digo: Antes de ater-se a qualquer movimento, a
qualquer militância, a qualquer ideologia, conheça-se ! Seja saudável! Tete curar suas feridas
emocionais, seus complexos medos. Seja
responsável por você! Tenha autoestima! Claro que na maioria dos casos, esses
movimentos te mostram alternativas de ser feliz, alternativas de se sentir bem,
mas saiba que quem ira´ “se salvar” é você mesma! Ajude-se! E amiga, ajude a
outra mulher! Ajude-a também a ver que ela está errada, que sua escolha é
incorreta, que seu desejo não deve ser atendido por carência ou desilusão. Liberdade
é responsabilidade, não só prazer. Sejamos
livres sim, mas sejamos sábias também!
P.S: A imagem foi mudada, já que algumas pessoas acharam por ela que o assunto do post era aborto ^^!