Mostrando postagens com marcador relacionamento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador relacionamento. Mostrar todas as postagens

domingo, 4 de novembro de 2018

Eu (não sou um), robô



Eu nunca soube administrar nem tempo, nem dinheiro, muito menos emoções e sentimentos e isso tem ficado cada vez mais evidente.
Dou tudo de mim ao que acho importante. Quando criança, lia livros numa virada de noite, mesmo sabendo que ficaria com sono na escola pela manhã. Quando assisto séries , fico obcecada, vivendo todos os dias com aqueles personagens. Quando gosto de um tipo de música, busco a fundo tudo sobre ela e me esqueço que existem outros.
Eu fui uma garota rebelde até meus 20 anos, quando conheci meu primeiro namorado. Eu literalmente me esqueci. Vivi para ele e por ele, tentando consertar tudo em sua vida, tentando ser tudo o que a mãe, professora, irmã, tia, babá,  Deus, não foi. A devolutiva, obvio, era quase 0.
Aos 24, meu segundo relacionamento. Idem, mas neste a devolutiva era um pouco maior, o que fez até mesmo eu ter um pouco de  tempo para reconhecer-me e prover mudanças em minha vida. Ainda assim, minha dedicação a mim mesma nunca chegou aos pés a dedicação que tive por ele.
 No meu trabalho, esqueço-me de mim cmpletamente . Já atendi mulheres despedaçadas quando eu mesma estava. Já falei sobre a vida quando eu mesma queria morrer. Já subi e desci escadas, planejei ações quando eu achava que não teria condições de estar de pé. Quando chego em casa, só o que quero é dormir. Um cansaço descomunal me pega. Só acordo para novamente trabalhar, novamente me dedicar a ele, novamente ser para todos e não ser para mim.
Apesar de tudo , não sei como, consegui cuidar das minhas obrigações automaticamente. Formei-me, me pós graduei, me formei de novo, fiz inglês, trabalhei, mandei currículo, trabalhei de novo, fui no médico, tomei remédio, troquei remédio, passei em concurso, fiz perícia vou fazer de novo...Mas eu não sinto nada. Para mim, não sobra nada.
O prazer que venho sentindo é a reconexão com a espiritualidade, que quanto mais aflora, mais empoderada e plena me faz , e como é da minha personalidade, absorvo absolutamente tudo sobre todas as crenças, ritos e magias  que estão em meu caminho. E meu único prazer tem sido um problema em minhas relações, pois ele está me fazendo crescer e o outro, se sentir diminuído.
São meus ritos que tem me devolvido a humanidade. Pouco a pouco, volto a prestar atenção nas plantas que cultivo em casa, na lua que me ilumina, no prazer de ser quem eu sou. Escrevo esse texto em lágrimas, mas o que quero dizer é que se reconectar consigo faz você se desconectar do que te machuca e te entristece. Faz você querer ser tratada melhor , com o mesmo carinho e dedicação que você tem aprendido a administrar e dar uma parcela a si mesma. Você aprende a se respeitar, a saber que é uma filha dos deuses e que por isso, não pode permitir que te maltratem, sendo que Deus e a natureza te criaram  com tanto amor.
Você merece amor. Você é humana e não um robô!


segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Falta

Eu quero o direito de poder evoluir sem sentir que tudo não passa de uma “fase". Quero o direito de poder escolher para que lado ir sem ser vista como alguém sem foco por quem não busca caminho algum.
Quero saber que aquele que decidiu ser 2 estará pronto para ouvir minhas dores sem as julgar menores que as do próprio. Quero ter a liberdade de poder ser frágil sem ter medo de provocar um revirar de olhos por minha fragilidade não ser a mesma que  a dele.
Quero ter espaço e saber que minhas necessidades também serão atendidas, que meus interesses também fazem parte do todo ao qual nos propomos construir. Quero não ser obrigada a engolir gostos enquanto não há nenhum interesse em conhecer os meus.
Quero poder surtar e saber que terei colo.
Quero ver olhos brilhando quando sou vista, quero saber que o que me faz feliz está na sua lista de prioridades, assim como as felicidades do outro estão no meu caderninho, mesmo que para mim, elas não façam tanto sentido.
Quero saber que desperto desejo, que não sou parte de um amor só de vidas passadas, mas também quente e profano.
Quero ser todo o berço, o colo, a casa.Mas também quero ter isso sem precisar passar horas explicando o porquê de eu precisar descansar.
Quero não saber que, mesmo sabendo que me magoa,fez.
Já achei que eu não fosse o suficiente. Hoje eu honro minhas conquistas, meu corpo e minha alma.Sobretudo a alma, que passei a olhar com amor, o que despertou amor por todo o resto relacionado a mim.E por isso eu reconheço que não estou me sentindo como deveria me sentir quando o amor é compartilhado a dois.

sábado, 4 de abril de 2015

Ontem

Hoje é um dos dias em que me vejo dando as mesmas voltas sobre as mesmas coisas e notando que apesar de ter vencido muitas batalhas, carrego comigo as feridas que essa guerra me deixou, e elas ainda precisam ser curadas.

Mas ontem, pelos mesmos motivos, olhei pra mim mesma e não acreditei que venci tanta coisa! Que passei pela opressão de uma religião que fazia eu acreditar que meus erros me levariam a perdição eterna, por uma  doença que tirou toda minha vontade de viver e por um relacionamento que me reduziu a pó.

Ontem chorei. Chorei em me ver aqui de pé, viva, pondo todo meu coração no que faço todos os dias. Chorei por ver minhas 3 tatuagens, a forma como escolho com vaidade minhas roupas, minha monografia entregue, os 5 livros que li esse ano. Chorei por mesmo tendo sido, de fato, mal amada e mal cuidada, estou aqui amando de novo, me preocupando em ser uma boa companheira de novo, me empenhando em ter o bom relacionamento que ambos merecemos.

Eu não desisti do amor, da vida, da fé, apesar de ainda sentir dor e ver as feridas sangrarem. Mas eu vou cuidar delas, eu vou me curar dessas feridas de guerra.


Me dei conta que aos 25 anos, sou a melhor heroína que um romance poderia ter.

A menina da Mandala- Desenho meu



domingo, 15 de março de 2015

Porque serei a véia dos gatos

A exigência comigo mesma e com as pessoas com quem me importo é uma constante na minha vida. Creio que com a idade, essa minha característica tenha ao mesmo tempo se acentuado e se tornado mais flexível. Acentuado porque procuro cada vez mais fontes fidedignas para meus estudos e relações; flexibilizado pelo fato de me permitir relaxar mais e saber que é impossível alcançar a perfeição. Tudo isso  serviu para que eu sempre buscasse o melhor para mim: Não basta dizer “que gosto de ler” e ler coisas superficiais que em nada me acrescentam, por exemplo. Quando mais nova, até conseguia, mas está cada vez mais impossível me concentrar em uma leitura que apenas repita clichês e nada me ensine.  Acho perda de tempo gastar minutos preciosos do meu dia lendo repetições de historinhas que deram certo, até por essa questão ando mais voltada a literatura acadêmica, mas continuo amando a literatura quando esta não é só um enlatado cultural disfarçado de “cult”. Também não basta ver um filme, tem que conter reflexões  e tramas que me façam sentar e querer ver o que está passando (e olha que amo cinema!).  Do mesmo jeito, não basta ouvir uma música, não basta ter um namoro, não basta ter um trabalho etc, etc, etc. Gostaria de ser uma pessoa mais “leve”, que se permite  ver um filme mais pipoca ou ler uma história mais floreada e sem rodeios, mas enfim, não faz parte de mim. Sofri, mas aceitei minha chatice que muitas vezes, me leva a uma sensação de solidão.

Mas acho que o lado mais ambíguo desse meu defeito/qualidade é o de exigir boas argumentações e brincar de “jogo dos sete erros” em discursos repetidos por aí. Não me deixo convencer por um bom marketing pessoal, sempre tento ler o que há por trás das intenções da mídia, das ideologias e principalmente das pessoas e assim como não sou de  me dar colher de chá, não passo a mão na cabeça de ninguém.

O bom disso é que (como disse minha psicóloga), sou uma pessoa extremamente difícil de ser manipulada,  o que não quer dizer que não possa acontecer, como já aconteceu, mas até mesmo essas vezes em que sofri uma manipulação me serviram para refletir ainda mais sobre  todos estes aspectos. O lado ruim é que é fácil se sentir excluída da rodinha de cerveja, dos clubinhos feministas, dos grupinhos onde todo mundo pensa igual, pois geralmente, ou dou minha opinião sobre determinado assunto e todo mundo me olha com cara de bunda, ou fico calada, apenas acenando e sorrindo. Embates em relacionamentos é o que mais tem também! Homens são ensinados por nossa cultura patriarcal que mulheres gostam de agradar e que a razão lhes pertence  e quando se deparam com a mulher pensando e lhes provocando intelectualmente, voltam ao seu estado de meninos birrentos quando são contrariados.


Ao longo do meu amadurecimento, tenho aprendido a guardar minhas opiniões e concordar para não discutir. Ninguém é obrigado a pensar como eu, e muito menos eu sou obrigada a pensar como os outros. Cada um lê, vê, se porta e acredita no que quiser. Se houver espaço para um diálogo, fico feliz e disposta, mas não curto  “debates” onde o objetivo é obrigar o outro a concordar com suas ideias e prezo muito gente que consiga ouvir um “não concordo com  você”  ou "você está errado" sem achar que está sendo ofendido. Enquanto muitos não aprenderem que “é a minha opinião” não é argumento e nem te dá o direito de falar qualquer bobagem que lhe venha a cabeça, prefiro me manter acenando e sorrindo e preservando minha paz mental.

domingo, 9 de novembro de 2014

Violência psicológica

Há pouco tempo, escrevi um texto aqui sobre Violência Emocional e o deletei. Fiz isso pois, o texto foi escrito em um momento de emoção que estava reprimida, sobre um assunto que há muito tempo  eu queria falar, mas não tinha coragem. Escrevi  e me arrependi por inúmeros fatores, mas agora com a cabeça fria estou disposta a reescrever sobre o assunto.  

Tive um relacionamento de três anos que me destruiu por dentro, tamanhas eram as violências sutis que eu passava todos os dias. Dentre as formas de violência sofridas, estavam: provocar ciúmes de maneiras explícitas e depois me convencer que eu era louca, via coisa onde não tinhar; sumir por dias sem deixar contato, depois aparecer como e nada tivesse acontecido;ignorar meus apelos para ser ouvida e vista, ficar em silêncio sepulcral enquanto eu me debulhava em lágrimas ou rir da situação; provocar em mim ataques de fúria e raiva, fazendo com que eu não me reconhecesse, falasse coisas horríveis e depois chorasse achando que a culpa era minha; ignorar meus problemas pessoais e insinuar que eu tinha uma vida perfeita perto da dele; me ignorar perto de amigos, como se eu não estivesse ali; me comparar direta e indiretamente a outras mulheres do passado ou presente, flertar com outras na minha presença; etc, etc, etc.

Nem preciso dizer o quanto eu me sentia um lixo, não é mesmo? É claro que por eu ter ficado com essa pessoa 3 anos, existiam qualidades e bons momentos, pelos quais eu me prontifiquei a lutar. Mas demorei a notar que apenas gostar de alguém, e essa pessoa jurar de pés juntos que gosta de você, não é o suficiente para continuar em um relacionamento doentio, onde o outro em vez de querer te erguer e te ver progredir junto com ele, mina sua autoestima, rebaixa suas conquistas e disputa com você, quase em um movimento de inveja e competição, para ver “quem é melhor”.

O perfil do agressor para as pessoas de fora é sempre de alguém bonzinho, amável, gente fina. Quando você tenta contar para alguma pessoa o que você está passando, ninguém acredita em você, todos o defendem por ser “um anjo” e tentam te convencer que é você quem está vendo coisas, é você que está sendo incompreensiva. Ainda mais quando vêem você sendo presenteada com ursinhos, flores, cartas, pedidos de perdão  e todos ficam abismados em como você “reclama com a barriga cheia, queria eu ter um marido romântico assim”. Isso se agrava quando a pessoa em questão teve uma vida difícil e tudo é justificado pela família desestruturada, pelo emprego exaustivo, pelo passado triste. Tudo se vira contra você, e você se sente culpada por ter tido uma família estruturada, uma condição de vida que te permitiu estudar sem se preocupar com trabalho até quando pode, por ter tido o privilégio de nunca ter passado fome. Toda a agressão do agressor, passa a ser justificada, e você, tem que entender o lado dele, já que o mesmo teve uma vida sofrida. É um pesadelo, é uma prisão. Você, vítima, se torna a vilã.

Falando da pessoa com quem convivi, sei que a grande maioria das atitudes agressivas foram inconscientes, sem a intenção real de me ferir propositalmente, eram reproduções do que já havia vivido. Mas nunca se deve usar isso como uma forma de se autoconvencer que a pessoa irá mudar com o tempo, porque ela não vai! O que se pode fazer nesse caso é propor um tratamento ao agressor e esperar que este tome consciência de seus próprios fantasmas, mas jamais se submeter a um relacionamento doente acreditando que este irá mudar.

Consegui sair dessa e não desejo mal algum a ninguém, muito pelo contrário, quero mais é que se reerga e consiga levar sua vida em frente sem magoar nem a outra mulher e nem a si mesmo. Ainda vejo em mim muitas marcas desses traumas quando sem querer, acabo refletindo alguns medos e inseguranças no meu novo relacionamento, mas posso dizer que estou muito melhor. A ajuda psicológica que eu já tinha em terapia me ajudou muito a superar, e meu novo relacionamento também.

Tudo é passageiro, basta querer seguir em frente.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Minha visão pessoal sobre meu filme favorito- Brilho Eterno de uma mente sem lembranças

Acho que nunca comentei sobre isso aqui, mas quem me conhece sabe muito bem que Brilho Eterno de uma mente sem lembranças (Michel Gondry) é meu filme favorito, por inúmeras questões. Tanto por valor estético, como por conteúdo, quanto por memórias afetivas de uma época da minha vida. Foi o filme que me pegou e que  faz parte da minha história pessoal. O vi a primeira vez em 2007 e desde essa época, necessito assisti-lo de tempos em tempos. E choro, me emociono, me questiono todas as vezes que o vejo. A última vez foi no cinema, em uma amostra de filmes no MIS, e novamente, uma sensação inexplicável.
Sempre quis escrever algo sobre a importância desse filme pra mim, mas nunca consegui colocar em palavras. Mas hoje, estava comentando sobre “relacionamentos cagados “ e como acho que não vale a pena tentar ficar remendando um relacionamento que já desgastou, que já chegou ao fim. Ouvi como resposta “Mas você não gosta do Brilho eterno? Ele é o tempo todo sobre isso!”. Na hora eu não pude responder, mas não, eu não vejo que seja sobre isso.


Brilho eterno de uma mente sem lembranças não se trata de insistir em um relacionamento que já afundou, em “fingir” que as mágoas não existem, em que as dores foram perdoadas e seguir com a mesma pessoa, como se tudo estivesse bem. Brilho Eterno, para mim, fala de recomeço, de tentar fazer com que dê certo, em olharmos para nós mesmos e pensarmos “Porque faço essa pessoa que amo tanto sofrer de uma forma tão dolorosa? Porque a maltrato, porque não me importo com o que ela pensa ou sente, porque prefiro estar com a razão do  que estar em paz com aquele que escolhi dividir a vida?”. Quando Clementine (Kate Winslet) e Joel  (Jim Carrey) se reencontram, eles estão com as memórias apagadas um do outro. Eles tem o sentimento puro que os une, eles sabem que se amam, mas estão limpos das mágoas e dos erros do passado. E mesmo após terem contato com a fita em que escutam um insultando o outro, ambos decidem que não farão mais dessa forma,  que  irão superar isso e fazer diferente. Joel precisa reviver suas lembranças, retrogradamente, e chega ao tempo que ele e Clementine se amam sem ego, sem jogos, sem mágoas, para notar o quanto a amava e o quanto apesar de todos os defeitos, ele não queria que ela saísse de sua memória, de sua vida.


Brilho eterno me mostra como afundamos um amor verdadeiro, seja ele uma amizade, um romance, algo de puro e essencial em nossas vidas, por querermos ter sempre razão, por preferirmos ferir alguém, preferirmos trair, magoar, ignorar uma pessoa que está do nosso lado por puro ego e amargura. E se tivéssemos uma segunda chance? E se voltássemos a nos conhecer, mas com a mente livre de julgamentos, com o coração aberto para uma nova tentativa? Porque estragar uma história que hoje você está vivendo  com alguém? Por que não ceder, não relevar, não querer se ajeitar? Porque construir um muro de tristezas, mágoas e rancores, em vez de criar novas e melhores lembranças? Será que você terá uma nova chance, quando essa relação chegar ao fim? Será que será fácil para o outro esquecer e passar por cima de todas as marcas que ficaram? Não existe uma Lacuna.Inc na vida real, onde más lembranças simplesmente serão apagadas e você recomeçará sua história do 0. No mundo real, existe você, no aqui e agora, fazendo valer a pena. Talvez ainda dê tempo de cultivar aquela sementinha quase morta de amor no coração de ambos, talvez ainda tenha como criar lembranças mais amorosas e fortes que as ervas daninhas que se infiltraram. Tudo depende de você e de como você quer que seja a sua vida. E diferente do filme, as coisas que você diz e faz não podem ser apagadas por algum tipo de preço, elas ficam, elas se tornam feridas. Pense bem antes de falar ou fazer algo pra alguém que você diz amar, pois poderá não haver uma segunda chance.



segunda-feira, 19 de maio de 2014

Ela

Ela foi aprendendo a se proteger aos poucos, a não esperar de ninguém aquilo que faria por amor. Foi se cansando de  ter paciência e tentar compreender as dores alheias, que nunca se curavam e caiam sobre ela, que  estava sempre disposta a ajudar. Cansou de achar que o problema fosse seu e que talvez, ela que não fosse o suficiente para essas pessoas que tem receio de se doar.
Começou então a se colocar em primeiro lugar, a não cobrar atenção e nem amor de quem não está pronto a dar. Faz o que sente vontade, mesmo que a vontade real fosse estar com alguém. Passou a se arrumar para si mesma, a sair para lugares que lhe importam, a fingir que não se importa. Notou que assim, parece que a valorizavam mais, a queriam mais, lhe davam aquilo que quando estava de coração aberto lhe negavam. Mas esse tipo de amor, pra que lhe serve? Um amor chantageado, um amor egoísta, que nada mais é do que medo de perder.

Ela cansou de fingir, cansou de se fazer forte ou auto suficiente. Mas aprendeu que é assim que deve ser. Então, assim que será...

segunda-feira, 24 de março de 2014

Sem reservas

Eu não sei amar aos poucos e nem me dedicar pela metade. Eu não entendo pessoas que amam com medo.  Não me abro a qualquer um, sou muito difícil de me entregar, mas quando isso ocorre, é totalmente, sem reserva, sem pudores, sem melindres. É muito difícil pra mim gostar de quem anda pisando em ovos e com medo de se machucar. Eu me jogo, quebro a cara e recomeço,  pronta pra sofrer e ser feliz novamente. Eu dou jeitinhos de se ver na semana, eu deixo compromissos de lado, eu enfrento autoridades, eu me exponho ao ridículo, eu me dispo sem vergonha, eu escancaro e abraço defeitos, eu enalteço e celebro qualidades. Eu quero provar desse banquete, eu quero comer todos os frutos, eu quero beber todos os vinhos, não importa que eu passe mal ou coma algo amargo por engano. Só me sacio quando estou plenamente satisfeita de saber que fiz o meu melhor e aproveitei tudo o que estava  ao meu alcance.

Aí me deparo com pessoas feridas, magoadas, que comeram e passaram mal, que beberam e perderam o controle e que acham que isso é algo definitivo em suas vidas. Eu tento ser paciente , eu tento controlar meu desejo de me atirar mais uma vez do precipício e perguntar “Vem comigo, eu te seguro!” , mas devo entender que cada um tem seu momento, cada pessoa é uma pessoa. Mas como é difícil querer ser inteira com pessoas que só se doam pela metade!

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Imagem de Rebbeca Dautremer,uma das melhores ilustradoras infantis!


Existe um coração que é fácil de partir e difícil de quebrar.Se quebrasse seria bom:seria o fim e pronto!Como ele é imquebrável,abusam disso,fazendo com ele o que bem entendem,pois sabem que qualquer coisa,pode-se costurá-lo à linha crua e agulha afiada.Não importa que sangre ou sofra,nem que ame se machucando cada vez mais.Ele suporta,ele é forte,ele não quebra.Só ficará com marcas eternas e dores miúdas.Só será sacrificado cada vez que tentar respirar novamente.Será apenas um coração partido que ninguém mais irá querer.Só isso.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Um poema nada (in)pessoal
Ela era o dia.Ele,a noite.

Ela leonina.Ele escorpião.

Ela era do fogo.Ele era da água.

Ela era constante.Ele era disperso.

Ela enfrentava a vida.Ele fingia estar tudo bem.

Ela de humanas.Ele,exatas.

Ela era das artes.Ele era dos números.

Ela gostava de proximadade.Ele parecia um tanto distante.

Ela era loira.Ele moreno.

Ela era idealista.Ele racional.

Ela incendiava.Ele era frio.

Ela demonstrava.Ele fingia não ver.

Ela buscava respostas.Ele se enchia de dúvidas.

Ela só sonhava.Ele só vivia.

Ela era da alma.Ele era da mente.

Ela criava.Ele entendia.

Ela explodia.Ele era só controle.

Ela aparecia.Ele se camuflava.

Mas no fim

Eles eram iguais

Exatamente iguais

Queriam as mesmas coisas

Falavam a mesma língua

Ouviam a mesma música

Liam os mesmos livros

Viam os mesmos filmes

Um entendia o que o outro dizia

Um era o que outro não tinha

Um completava o que no outro faltava.

Parecia um conforme de encaixes

Pareciam duas peças de um jogo

Parecia que um havia nascido pro outro

Não fosse por um certo detalhe:

Ela o queria.Ele,não.

domingo, 24 de fevereiro de 2008



Escutava sua respiração profunda,não sabia distinguir se de satisfação ou preocupação.Era uma respiração pausada,leve,mas minhas neuroses a faziam ter um certo peso.Tentei descobrir se ele sonhava.Observei minuciosamente seu jeito de dormir,assim,espalhado,relaxado,mas com os braços comprimindo o próprio corpo,como se todo o seu ímpeto fosse contido por um medo de se entregar.Notei um leve sorriso em seus lábios entreabertos.Acho que sonhava,mas que tipo de sonho?E com quem?Aonde será que seus devaneios inconscientes o estavam levando?Tentei acordá-lo suavemente.Cheguei bem perto e sussurrei algo em seu ouvido.Ele se mexeu de um jeito engraçado,como se não soubesse que estivesse dormindo.Tem sonhos que são tão reais que quando acordamos,ficamos um tempo sem saber se o que acabamos de sonhar foi real ou não.Ele se mexia como se estivesse tendo um sonhos desses.Um sonho tão real,que nem parece sonho...Um sonho que vc demora para descobrir que está sonhando...E quando vê,acaba abrindo os olhos e se deparando só,em seu quarto,com a mesma vida,os mesmos problemas,os mesmos medos,na mesma realidade da qual vc tentou fugir em seu horário de descanso.Foi assim que despertei,olhei ao redor e me dei conta que tudo não passava de um desses sonhos. E de que ele nem se quer existe.