PEGAS NO FLAGRA!
Tem doido pra td nessa vida,não é pessoas?
Bom,essa aqui copiou dois textos meus e deu uma difarçada:
Cópia dela:
http://luxuriaa.blogspot.com/2009/10/qualquer-dia-dessesquero-que-em-um.html#comments
E meus posts:
http://pensaela.blogspot.com/2009/08/qualquer-dia-dessesquero-que-em-um.html
http://pensaela.blogspot.com/2008/05/um-poema-nada-inpessoal-ela-era-o-dia.html
Não!Detalhe que o blog dela é fechado para CONTEÚDO ADULTO!MEUS TEXTOS AGORA ESTÃO NAS PÁGINAS DE CONTEÚDO ADULTO O.O!
Essa daqui tabém,mas ela vai na maior cara de pau mesmo!Copia td na íntegra:
Cópia dela:
http://simplismentemiih.blogspot.com/2008/11/cebola.html
Texto meu:
http://pensaela.blogspot.com/2009/01/se-algum-por-acaso-se-apaixonar-por.html
Eu pelo menos,morreria de vergonha no lugar desse povo que não tem a competência de escrever um post em seu próprio blog!Copiou,faça logo uma homenagem de uma vez e coloque os créditos!NÃO USE O TEXTO COMO SE FOSSE SEU!TENHA O MÍNIMO DE VERGONHA NA CARA!
Pior é que comentei no blog dessa segunda e ela apagou meu comentário.
E no da primeira,nem dá pra comentar.
Mas é assim mesmo gente,o que fazemos numa situação dessas????
Sem contar uns blogs que vi que copiaram meus textos,mas que estão fora do ar.
Que coisa,não!Tsc tsc tsc.
Só digo uma coisa:Pode copiar!
Pode,copia mesmo,é o máximo que pessoas desse tipo podem fazer!Eu posso escrever um zilhão de posts novos,pois eu CRIO o que escrevo.
Humpf !
Sorry pessoas,foi um desabafo (de nv,rs).
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domingo, 21 de dezembro de 2025
A arte anda comendo o meu cérebro. Não a arte em si, mas todas essas discussões que fazem-se a cerca dela. Eu amo arte, muito, de mais, mas poxa vida... As pessoas esquecem que há outros setores da vida.
Me cansa muito esse endeusamento que ainda fazem quando fala-se sobre arte, como se ela fosse a única responsável por mudança nas pessoas e no mundo, como se “só a arte salva!”.
Claro que a arte é uma forma de voz e expressão, mas não só ela. Penso até mesmo se o que quero é trabalhar com arte a vida toda.
O mal das pessoas que lidam com a arte é que muitas acabam se alienando achando que estão saindo fora da alienação, quando na verdade não estão. Vejo discursos prontos, revoltas na ponta da língua e sonhos quase idênticos. Sem contar na vestimenta e nos cortes de cabelo dos “novos artistas” ou estudantes de arte. Todos iguais pensando que são diferentes. E obviamente, estou incluída nisso.
Detesto pseudo-revolucionários de faculdades de elite. Acho o cúmulo do absurdo essas meninas que pagam não sei quanto por uma bota velha e ficam caçando brechós para se denominarem “cults”. Se bem que estou sendo muito chata.pois isso acontece em várias áreas, toda área tem seu estereótipo e pessoas que se moldam a ele. Eu mesma estou junta e misturada nisso.
E claro que não estou falando de todos! Mas falta um pouco de senso crítico em pessoas que pensam estar cheias dele.
Agora, chega de reclamar e bora ler os textos dobre arte.
Me cansa muito esse endeusamento que ainda fazem quando fala-se sobre arte, como se ela fosse a única responsável por mudança nas pessoas e no mundo, como se “só a arte salva!”.
Claro que a arte é uma forma de voz e expressão, mas não só ela. Penso até mesmo se o que quero é trabalhar com arte a vida toda.
O mal das pessoas que lidam com a arte é que muitas acabam se alienando achando que estão saindo fora da alienação, quando na verdade não estão. Vejo discursos prontos, revoltas na ponta da língua e sonhos quase idênticos. Sem contar na vestimenta e nos cortes de cabelo dos “novos artistas” ou estudantes de arte. Todos iguais pensando que são diferentes. E obviamente, estou incluída nisso.
Detesto pseudo-revolucionários de faculdades de elite. Acho o cúmulo do absurdo essas meninas que pagam não sei quanto por uma bota velha e ficam caçando brechós para se denominarem “cults”. Se bem que estou sendo muito chata.pois isso acontece em várias áreas, toda área tem seu estereótipo e pessoas que se moldam a ele. Eu mesma estou junta e misturada nisso.
E claro que não estou falando de todos! Mas falta um pouco de senso crítico em pessoas que pensam estar cheias dele.
Agora, chega de reclamar e bora ler os textos dobre arte.
sexta-feira, 28 de dezembro de 2018
Caminhos da magia
Um belo dia, esse ano, me dei conta que sou uma bruxa “de verdade”. Isso aconteceu quando eu descobri que para praticar magia eu não precisava seguir uma religião ou deus.
Falando rapidamente sobre a minha trajetória e o porquê de eu ter apenas me descoberto bruxa, e não me tornado, como acredito:
Eu sempre tive questões fortes ligadas à espiritualidade e facilidade para algumas coisas “sobrenaturais” ou “esotéricas” . Desde muito criança eu tinha projeções astrais e “amigos imaginários”. Gostava de brincar sozinha com pedras,plantas e minha próprias teorias sobre a vida, o universo e tudo mais. Também tinha sonhos premonitórios e uma intuição muito forte sobre pessoas e situações. Ou seja: o mundo invisível sempre foi muito comum para mim! O que me fez parecer uma criança que “não amadureceu”, já que fadas, duendes, seres do astral para mim não eram fantasia, eram reais!
Quando adolescente, tive uma experiência com ayhauasca que me traumatizou muito e me fez correr para a igreja evangélica, me batizando. Mas mesmo lá dentro, minha conexão com o astral era muito forte! Não demorou nada para minha mediunidade começar a ser trabalhada e eu “falar a língua dos anjos”, que hoje vejo como o processo da incorporação. Rebelde, aprendi a ler tarô sozinha ainda dentro da igreja e lia para muitas pessoas.
Quando saí do meio evangélico, não quis me envolver com nenhuma religião, até que após 3 anos sem frequentar nenhum lugar, comecei a conhecer o espiritismo kardecista e lá estou.
Porém, algumas coisas ficavam meio no ar: eu sentia uma necessidade que o espiritismo não tem, de me ligar ritualísticamente à Deus,cosmos e etc! E foi aí que eu descobri a Bruxaria Natural, onde eu poderia me ligar à magia de fato, sem precisar abandonar td minha história de vida com o cristianismo e outras questões cuturais. Comecei um curso de bruxaria natural que não gostei por achar muito superficial e iniciei meus estudos como solitária, que foi onde de fato me desenvolvi magisticamente. Hoje faço um outro curso de magia e continuo estudando muito sozinha. Fui descobrindo inúmeras vertentes na magia, com muitas escolas e nomes diferentes. Considero-me então uma bruxa ainda procurando meu lugar, já que o termo “bruxaria natural” me parece hoje em dia, um tanto vago da forma como ele é abordado na internet,principalmente. Além disso, também me descobri benzedeira e me tornei Reikiana.
Por isso mesmo, mudei muito a minha visão pessoal sobre a bruxaria, sobretudo quando falamos de mulheres.
Não acredito mais no conceito de que “toda mulher é uma bruxa só por ser mulher”. Não é bem assim! Uma, que a bruxaria sempre foi amplamente praticada por homens e mulheres. Gardner, Alex Sanders, Crowley, Cunningan são alguns nomes de grandes magos que fundaram e difundiram tradições mágicas na modernidade. O engano que ocorre quando se fala que “toda mulher é bruxa” é justamente pelo fato de que, tudo o que não fosse considerado cristão ou ameaçasse o poder político da igreja, era considerado bruxaria. E uma coisa que a igreja não queria de maneira alguma eram mulheres no poder! Então, todas as mulheres foram consideradas pejorativamente “bruxas”. Não porque elas praticavam a antiga religião, não porque elas praticavam ritos mágicos, mas por serem mulheres. Muitos homens que de fato praticavam magia eram absolvidos, mas mulheres, muito dificilmente, mesmo que as mesmas não fossem bruxas realmente.
Outra coisa: saber sobre o poder medicinal das ervas, fases da lua,etc, não necessariamente é magia! Pode sim, ser usada dessa forma, mas quase nunca é! Na agricultura trabalha-se muito com as fases da lua para colheitas e ninguém chama isso de bruxaria, por exemplo. Realizar partos,igualmente. O que acontece é que,novamente: tanto a igreja quanto a ciência na epoca não queriam competições! Então, se você soubesse se curar com ervas, se fosse parteira, você seria chamada de bruxa e julgada pela Santa Inquisição.
Mas e o resgate do Sagrado Feminino? Não é um resgate da bruxaria? Não precisa ser! Não precisa ser nem feminista também! Você pode ser uma mulher de direita e trabalhar o sagrado feminino! Buscar a sacralidade em si não necessariamente é um atestado de “estou fazendo uma feitiçariazinha aqui com a minhas irmãs bruxas”. Esse conceito é muito raso e coloca de novo, tudo o que não é considerado cristão num balaio de gatos chamado “bruxaria” e sempre de uma maneira muito equivocada.
O que hoje eu considero bruxaria é de fato, a busca pelo conhecimento e prática da magia! Sendo ela natural, wicanna, alexandrina, do caos, thelema, de vidas passadas ou vida recente. Há pessoas, como eu, que sempre tiveram uma predisposição para a bruxaria mesmo quando não tinham consciência disso. Há bruxas dentro de igrejas, há bruxas atéias, há bruxas em toda parte! Mas a bruxa estuda, pratica, se dedica à sua arte! Todos nós fazemos magia o tempo inteiro, todos nós podemos ser bruxos,mas só alguns desenvolvem o estudo e o estilo de vida ligado ao ocultismo. Você pular 7 ondas no Ano Novo, gostar de acender incensos e ter vários cristais não te torna uma bruxa, mas te torna uma pessoa que pode desenvolver esse lado se assim desejar!
Vamos?
quinta-feira, 21 de abril de 2016
Vão querer te por no seu lugar
![]() |
| A de garrafa, que é a mais gostosa! |
Tem um episódio na minha vida que nunca esqueço quando se
trata de lembrar que eu, apesar de ter uma graduação, estar na segunda, ter uma
pós e ter trabalhado em diversos lugares cheio de pessoas privilegiadas socialmente,
continuo não passando de uma favelada.
Certa vez, em um desses lugares que trabalhei cheio de gente
embasada teoricamente que respeitam seu lugar de fala e que choram com a
desigualdade social, houve um piquenique, como sempre havia. Mas esse era
diferente! Foi combinado que seria um piquenique “Queijos e vinhos”, ou seja,
só com coisa fina! No grupo do Facebook, ao ser questionada sobre o que eu iria
levar, pensei que talvez nem todos bebessem bebida alcóolica. Pensando nessas
pessoas, respondi que levaria uma Coca-Cola. Quando declarei isso, uma dessas
pessoas engajadas e esclarecidas escreveu no grupo que eu era “De categoria”,
que era “Queijos e vinhos e não salgadinho e refrigerante” e que “tudo bem eu
levar Coca, mas que eu fosse com a fome condizente ao que eu levaria”. Na hora
eu fiquei extremamente em dúvida se essa pessoa estava brincando ou falando
sério. Senti-me constrangida, não pertencente ao grupo e tive grande vontade de
não comparecer ao piquenique no outro dia.
Quem é da periferia sabe o quanto aqui, certos artigos são
luxo. Não interessa se você acha um horror o capitalismo selvagem que a
Coca-Cola produz e que ela destrói seu organismo. Não interessa se você acha
uma atrocidade à matança dos animais e quer que o mundo seja vegano. Não
interessa que existam vinhos do mesmo preço de uma Coca-Cola ou se dá pra comer
bem sem comer carne: o que interessa é o valor simbólico embutido nesses
alimentos! A exemplo disso, uma tia de alguém que conheço , em uma conversa
disse : “ Hoje eu sou rica! Não reclamo de nada! Eu nunca pensei que teria
carne, frango, linguiça todo dia na minha geladeira!”.
Pro pobre, certas
coisas tem uma grande simbologia de riqueza e poder, de sucesso. Porque
simbolizam fartura, simbolizam que você mais do que QUIS comer, PÔDE COMPRAR!
Muitas vezes, eu que sou hoje uma mulher acadêmica e que nos
meus trabalhos sempre convivi com pessoas que viajam pra Europa todo ano, que
ouço de olhos brilhantes eles descreverem como é o Museu do Louvre, me esqueço
de que para grande maioria, eu estar ali, vir de onde vim, ser quem eu sou,
causa um grande e indigesto incômodo!
Dão palestras e seminários sobre interseccionalidade, falam
do índio, falam do negro, falam da mulher negra e periférica, falam dos mlk
piranha dando rolêzinho no shopping, mas de uma forma assistencialista, de uma
forma de “vamos dar espaço pra eles, mas não o nosso”.
Quantas vezes eu tive que pegar 3 conduções, sair do extremo
leste, pra ir pro Parque do Ibirapuera discutir sobre “Inclusão social” ? Não é
irônico?
Ás vezes eu canso, eu penso em me por no meu lugar. Olho a
minha volta e me pergunto porque escolhi esse caminho, porque não fui fazer administraçãoo, trabalhar no banco?
Porque insisto em dar murro em ponta de faca em lugares que não me querem ali?
Mas é aí que cai a ficha: Exatamente por não me quererem, é
ali que eu tenho que estar!
Porque sou educadora.
Porque sou politizada.
Porque sou da periferia.
E porque quero abrir uma ferida bem grande no meio de vocês,
para dar passagem para mais pessoas como eu ocuparem o lugar que vocês pensam
serem exclusivos SEUS!
quarta-feira, 23 de março de 2016
É todo mundo reaça?
Meu pai é um homem simples, extremamente bondoso e
evangélico fervoroso.
Quando criança, estudou até a quarta série e logo começou a
trabalhar. Tanto ele quanto minha mãe foram jovens na ditadura militar, mas viviam em um bairro
pobre, sem televisão, passando fome e
sem conhecimento das atrocidades
que a ditadura cometia. Aliás, nem sabiam, como não sabem bem até hoje,
que viviam um período ditatorial. Eles trabalhavam para poderem se casar e
formar uma família, essa era a preocupação de ambos. Só depois de muito tempo
de casados concluíram o segundo grau com o supletivo e se orgulham muito disso
(eu também!).
Mais tarde, meu pai se tornou metalúrgico e no sindicato conheceu
o PT. Filiou-se ao sindicado e lá conheceu um representante que era pobre e
metalúrgico como ele, o Lula. Ele então, sentindo-se representado, filiou-se ao
partido e acreditou em todas as mudanças prometidas.
Como a grande maioria, sofreu muitas decepções com o PT.
Hoje em dia é um senhor aposentado que não recebe sua remuneração justa e é
revoltado com o Lula por isso. Sendo ele um homem simples e decepcionado com o
partido, é a favor de que o Lula e o PT paguem pelas promessas não cumpridas e
pela corrupção envolvida. Eu também sou.
O problema é que meu pai, como tantos outros brasileiros com
este mesmo perfil, ainda acredita no que noticiam na TV e se norteia pelos
grandes escândalos de corrupção escolhidos seletivamente pelo Jornal Nacional e
outros. Ele também acredita nas publicações do Facebook em que falam, por
exemplo, que o filho do Lula é dono da Friboi.
Pessoas com esse perfil são muitas! São pessoas simples,
honestas, gentis, trabalhadoras e que não fariam mal a ninguém, quanto mais a
um cachorro de lencinho vermelho ou a um bebê de mijãozinho da mesma cor. Aliás,
eles continuam usando vermelho sempre que essa cor está limpa.
Estamos errando e MUITO em dividir a política em duas polaridades
e colocar todos os inconformados no mesmo balaio de gatos. A senhora que teve a
aposentadoria roubada e se revolta com isso não é a patricinha que tira fotos
com o mendigo. O cara que está
desempregado há mais de um ano e acha que é culpa do Dilma não é o cara que
vota no Bolsonaro e diz que a culpa é dos nordestinos. Falta-nos compreender
que essa polarização política foi incitada pela grande mídia e não somos
Petistas contra Tucanos, comunistas contra reacionários. Há um grande espectro de insatisfações,
revoltas, defesas e argumentos que não são ouvidos e nem entendidos por
estarmos apenas em dois lados extremos. Há realidades simplesmente ignoradas,
pontos esquecidos, verdades absolutas.
domingo, 25 de outubro de 2015
Texto de uma feminista de periferia
![]() |
| Simonão |
Como feminista, sou dura em criticar questões que considero
mal elaboradas dentro do próprio feminismo
e por isso já fui considerada “não feminista”, o que na verdade, me
importa muito pouco. Acredito que é por estar dentro de uma ideologia e querer
ver o mundo transformado por ela que preciso olhá-la com um olhar realista e
pouco romântico.
O que mais vejo são mulheres , em sua maioria jovens e tendo
um contato recente com o feminismo, tomando a ideologia quase como uma doutrina
religiosa, sem questionamentos e a achando acima do bem e do mal. Se você
começa a mudar sua forma de se vestir, se comportar e falar não porque tomou
consciência de que aquilo não era certo
ou bom para você, mas porque é o que o grupo diz ser o correto, você não está
sendo revolucionário, você está apenas sendo moldado. Não adianta ler Simone de Beauvoir e outros escritos se você acha que está lendo
uma Bíblia e que tudo que está escrito ali, é inquestionável. Tenho ressalvas com todas as correntes teóricas
que conheço. Sei que cada linha teórica acrescenta e muito, e todas elas trazem
benefícios, mas nem por isso irei rezá-las como cartilhas.
Contudo, o que mais
tem me irritado é o novo “Feminismo classe média”. Esse feminismo “Vai ter não
sei o que sim e se reclamar vai ter dois”, “ Miga, apaga que tá feio, seje menas,
sou lua em câncer” , “Bazar da sororiedade das mina” (porque vir na favela
DOAR as roupas de grife ninguém quer, né?). Além do elitismo rolar solto, a subestimação
de inteligência com quem é pobre é impressionante. Digo isso como mulher
periférica, advinda de escola pública e que alcançou o status de classe média
graças a oportunidade de cursar uma universidade pelo PROUNI. Cansa ver pessoas achando que você é alguém
que precisa que tem peguem pela mãozinha e te mostrem a luz porque você é da
periferia. Cansa ver branca querendo
falar por negra, achando que elas não
sabem se defender. Cansa ver feminista FFLCH se achando Madre Teresa , querendo
explicar pras mulheres periféricas o que é abuso. Não que todo mundo não
precise ser esclarecido, não que todo mundo não precise ler escritos
feministas, não que todo mundo não precise ter estudo de qualidade, mas
subestimar a inteligência de quem vive na prática, quem vê a mãe apanhando todo
dia, quem sofre na pele o que é desigualdade social, quem passa racismo á torto e á direita e achar que
essas pessoas não tem condições de pensar sobre temas como violência contra a
mulher, racismo e luta de classes porque não teve acesso a um ensino elitizado
ou não teve alguém “mais privilegiado” pra explicar é elitista e arrogante á
beça!
Saiam das suas bolhas!
Esqueçam sua prepotência mascarada de assistencialismo!
Feminismo não é aprendido só na teoria, mas também na
prática! A garota que tem que passar pelo caminho do riozinho, cheio de homens
escrotos que assediam todo dia, para chegar na escola no meio da favela pode
saber muito mais sobre misoginia do que você, que sabe de cor e salteado todas
as correntes teóricas feministas da atualidade. E vou te contar um segredo:
Talvez ela também SAIBA! Existe internet, existe biblioteca, existe uma
coisinha chamada INTERESSE que não é privilégio só de quem nasceu em boas
condições financeiras.
Talvez esse texto me faça mais odiada? Que faça! Mas não
dava mais pra engolir o que estava engasgado faz tempo! Parem de achar que
sabem mais sobre nós da periferia do que nós mesmos!
P.S: Texto escrito após ler críticas ao tema da redação do ENEM e ao fato do mesmo conter Marx e Simone de Beauvoir, já que "quem teve ensino público não conseguiria entender".
domingo, 4 de outubro de 2015
Depois da partida- reflexões religiosas
![]() |
| Desenho que fiz pro desafio #Inktober que estou participando. Todo dia tem desenho novo no Instagram, basta seguir ali ao lado <------- |
Tento não abordar esse assunto de maneira literal, pois não
quero ser tida como influencia para ninguém, nem como boa e nem como má.
Acredito que há momentos em nossa vida em que algo se faz necessários e depois
deixam de fazer, por muitos motivos. Ter uma religião fez bastante sentido pra
mim durante quase 7 anos. Fazia sentido seguir aquela doutrina, crer no que eu
ouvia e me sentir parte daquele lugar. Hoje não faz mais.
Com a saída dessa doutrina que frequentei, inúmera coisas
mudaram. Por fora todos sabem: Roupas “do mundo”, tatuagem, mudanças no cabelo,
liberdade sexual. Mas as mudanças muito mais significativas foram por dentro e
é delas que quero falar nesse post:
Minha vida está extremamente mais leve agora que acredito
que as coisas vão acontecer conforme o meu merecimento, e ainda assim, é
possível que não aconteçam, a vida nem sempre é justa e está tudo bem! As
coisas não deram errado por que : pequei; estou sendo castigada ou estou sendo
provada. Da mesma forma, as coisas não deram certo porque: Estou sendo
recompensada, é uma prova que Deus me ama (logo, se ele não dá, ele não me
ama);
Não fico mais esperando eternamente que coisas que
provavelmente não irão acontecer, aconteçam, pois sou “uma serva de Deus
esforçada e mereço isso”. Não fico mais me martirizando pela vida não cumprir
minhas expectativas e colocando isso na conta de Deus. Não fico mais esperando
milagres , embora creia que eles existam, mas não acho mais que é obrigação de
Deus fazer com que aconteçam ;
Sou muito mais humilde agora. Sei que receberei algo
conforme minha necessidade e minhas ações, e não porque “Deus quis”. Agora sou
responsável pelas minhas ações e receberei o que delas for seu resultado
natural (ou não);
E principalmente: Sou eu mesma, sem medo de estar sendo
vigiada o tempo todo por uma força invisível
(seja ela a doutrina da igreja ou o próprio Deus, que sei que não liga
para nada disso) que estará pronta a me apontar e julgar caso eu corte o
cabelo, dance o faça qualquer coisa considerada por alguém como “mau
testemunho” ;
Muitos me perguntam e NÃO, não me tornei ateia e ainda me
considero cristã, mas não sinto mais o mínimo desejo de voltar a uma religião
que mais me condena que me acolhe, seja ela qual for.
quarta-feira, 9 de setembro de 2015
Nota de esclarecimento: Prazeres que se tornam obrigações
“… eu só escrevo quando eu quero, eu sou uma amadora e faço
questão de continuar a ser amadora. Profissional é aquele que tem uma obrigação
consigo mesmo de escrever, ou então em relação ao outro. Agora, eu faço questão
de não ser profissional, para manter minha liberdade.”
Direto eu prometo á vocês e á mim mesma que manterei esse
blog atualizado. Esses dias, estipulei que o atualizaria todo domingo e
quarta-feira. Mas como sabem, isso não acontece.
Me cobro também o fato de não pintar sempre, de não fazer
disso uma rotina, de não ter trocentos quadros e desenhos para mostrar. Só pinto quando sinto necessidade de
pintar, parece que vem da alma.
Já pensei em fazer um vlog, um blog literário, em deletar
esse e iniciar outro em que postarei sobre vários assuntos mais específicos,
mas sei que não tenho a disciplina de ter um dia certo,um horário certo para
upar vídeo, postar texto e etc. Até dois dias atrás eu me condenava por isso,
me achava preguiçosa e desrespeitosa com
as pessoas que gostam do que faço. Mas refleti bastante e agora, NÃO!
Poxa! A vida já cobra tantas coisas certinhas e quadradas da
gente! Tem que ter horários no trabalho, cronograma de aula, notas, faltas,
lições de casa. Antes eu tinha relatórios, números sempre exatos, datas
apertadas e surpresas, virava noites trabalhando. Tem vezes que tenho que estar
sorrindo, em pé por 6 horas ou mais, recebendo as pessoas mesmo com dor de
cabeça, cólica e etc, tendo que puxar assuntos.
Tanto o blog, como a pintura, como a leitura são atividades
prazerosas pra mim, que faço por satisfação, pura e simples! Estava entrando
também na auto-corança de ler mais e mais, uns 8 livros por mês! Comecei a
fazer leitura dinâmica pra ler mais rápido, mas perdia toda a degustação da
leitura em si. Aí parei e pensei: Porque estou fazendo do meu prazer uma
obrigação? Porque acho que devo “resultados” do meu prazer á alguém, além de
mim mesma? Sei que há muitas pessoas que conseguem fazer de seus prazeres
diários uma forma de ganhar dinheiro, como os bloggers e vloggers famosos e eu
os admiro muito e gostaria de ser como eles, mas talvez eu não tenha esse perfil.
Meu trabalho como educadora em artes já me causa muito prazer diário (apesar
das cobranças relatadas acima), então, porque tornar meus “hobbies” uma folha
de ponto?
Desculpem se não posto sempre, se aqui não é tão organizado
ou profissional como deveria, se os assuntos são misturas e se tem épocas que
apareço mais e outras sumo. Sei que já perdi inúmeros leitores por conta desse
meu descompromisso, mas isso tem um porque: Eu amo esse lugar! Eu amo ver
através dele como evoluo a cada ano, mês, dia! Já apaguei muitos posts dele por
acha-los bobos ou confessionais ao extremo, mas é um erro que sempre acabo
fazendo de novo, pois aqui sou quem sou, escrevo o que sinto e penso naquele
momento, escrevo o que PRECISO escrever! Mesmo que depois de duas horas ou dois
anos eu mude de ideia e me arrependa (o que já aconteceu muito durante esses 7
anos) e arquive o que foi escrito. Mas a coisa mais chata para mim é ficar
pensando “e agora? Sobre o que eu vou escrever? Tenho que postar amanhã, falo
sobre o que?”.
Meus leitores podem ser poucos, mas sei que são fieis, assim
como meus amigos e os que admiram minha arte, pois até aqui, tenho sido eu mesma! Espero que me perdoem por isso.
domingo, 16 de agosto de 2015
O perdão
![]() |
| Pintura inspirada nas ilustrações de Tolkien e em Firebird, de Fantasia, da Disney. |
Algo que tem me feito muito bem é aprender a perdoar. Creio que para me
proteger em momentos de imensa fragilidade, fui criando uma casca dura que não
deixava nada passar e qualquer crítica a mim, ou falha, era visto como um
ataque pessoal. Nunca fui muito passiva, mas fiquei de certa forma até agressiva
durante alguns anos e ao ferir alguém, também me feria e , surpresa!, não sabia perdoar-me, igualmente. Tudo isso ia se
tornando uma bola de rancores que me consumiam por dentro.
Do ano passado pra cá, conforme fui me libertando de várias
coisas, tomei consciência que me livrar de tanta culpa e rancor era essencial
para minha saúde e meu bom convívio com os outros e fui notando que ao perdoar o outro ,
automaticamente perdoava a mim e vice e versa, pois reconhecendo que o outro
erra, tiro das minhas costas o peso de
ter que ser perfeita sempre, e reconhecendo que eu sempre erro, tiro o mesmo
das costas alheias.
A verdade é que erramos, mas nos arrependemos (ou
deveríamos). Aceitar que alguém que você ama de vez em quando vai te machucar,
porque ele não é perfeito, é aceitar que você também faz isso. Aquela palavra
que te disseram que você nunca esqueceu, aquele dia que te esqueceram, aquela
pessoa que foi injusta, aquele tapa (seja
no corpo como na alma) . Não estou dizendo de forma nenhuma que devemos nos
submeter a alguém que nos pisa e humilha
e muito menos que devemos conviver e levar numa boa, mas podemos sim, nos
afastar e entender que o outro, como você, é um ser cheio de traumas, medos,
erros e limitações.
Não perdoei tudo, mas queria chegar à isso. Só faz bem, só
descarrega energias péssima e dá espaço para coisas melhores na vida. Hoje se
me irrito, me magoo, critico e sou criticada, se faço por um momento um inferno
na vida do outro como ele pode fazer no minha , já penso mil vezes antes de
colocar no meu coração esse fato como incorrigível e essa pessoa como
imperdoável. Pode não ser perfeita, mas
só tenho uma família. Podem não ser perfeitos, mas prezo meus amigos. Podem não
ser pessoas relevantes, e por isso mesmo ,não vou me encher de sentimentos
corrosivos por quem não faz diferença. Posso ser um poço de defeitos, mas sou
minha melhor amiga.
Não é ser Buda, não é ser Cristo. É ter a humildade de enfim
compreender que somos apenas humanos demasiado humanos.
sábado, 20 de junho de 2015
Ah, as aparências!
Muitos que acompanham o blog sabem que passei por
grandes mudanças de uns dois anos pra cá. Acontece que , apesar dessas
mudanças, que não foram fáceis e lutei muito para que ocorressem, por dentro eu
continuava me sentindo paralisada.E foi por isso que trabalhei muito em me
retirar do papel de vítima e passei a me colocar em reflexões mais ativas.
Passei então a refletir sobre o fato de, mesmo
tendo superado situações difíceis, ainda me portar como se estivesse dentro
delas, como se eu estivesse condicionada. Mesmo depois de ter refletido muito
sobre os porquês de não precisar mais me sentir mal, eu ainda me sentia mal e
isso estava prejudicando não apenas a mim, mas as pessoas que amo, já que eu
parecia sempre infeliz pelos mesmos motivos.
Foi quando comecei a notar o mundo de fantasia em
que eu havia criado para mim mesma: remoendo problemas irreais ou
superados e acreditando que as pessoas tinham uma vida perfeita! Principalmente
pela internet, me comparei várias vezes com pessoas que, a meus olhos, tinham
uma vida desejável, enquanto me diminuía! Então notei que para
todas as outras pessoas, talvez seja essa a impressão que eu também passo!
De que estou sempre bem, sempre bonita, sempre fazendo coisas novas, etc.
Já aconteceu algumas vezes de eu ver o perfil de alguém e
imaginar algo totalmente diferente do que ela é na realidade, achar que é uma
pessoa incrível e quando a conheço pessoalmente, é mesmo uma pessoa ótima, mas
é comum, como todos nós. E aí, aquela pessoa que parecia super bem resolvida se
mostra cheia de defeitos e inseguranças . Acontece também de conhecer uma
pessoa maravilhosa e achar que ela é assim porque teve muita sorte na vida, e
depois descubro que não, que ela passou por tantos ou mais problemas que eu,
mas se mantém firme, soube lidar com as adversidades.
Foi muito difícil, exigiu muita auto
análise, mas parei então de me comparar com os outros e passei a acreditar mais
em mim, reconhecer que tenho coisas boas a oferecer e que meus defeitos não me
desmerecem. E que mesmo tendo passado por coisas que me magoaram e me deixaram
abalada, dá pra se reerguer e aprender com isso, não preciso tomar
esses momentos como decisivos em minha vida. É assim com todo mundo, essa é a
vida para todos nós!
Estou cada vez menos pesada! Já reconheço metas de
coisas que precisam ser corrigidas em mim e hoje trabalho para alcança-las! Só
posso dizer que depois que comecei a me movimentar internamente para que as
coisas se modificassem, em vez de esperar que a vida mude, tudo ficou bem mais
fluído!
terça-feira, 19 de maio de 2015
Voltar
É à noite. Pego a xícara que mais gosto e um cobertor, vou
em frente ao computador e coloco meu seriado preferido, ou m filme que eu já
assisti muitas vezes, mas sempre é bom rever. Espero todos dormirem para curtir
esse momento de estar comigo mesma, desfrutando de minha própria companhia,
fazendo exatamente o que queria fazer.
Entro no meu quarto. Vejo todos os livros que amo bagunçados.
Vejo minhas caixas de música, ambas tão especiais pra mim, meus bonequinhos do
Mário, os novos da Hora da aventura, minhas bonecas, minhas bijuterias e penso “tenho
que por ordem em tudo isso, é tudo meu,
e está uma bagunça!”
Estou em uma roda de amigos e começamos a falar sobre
infância e adolescência. Começo a relembrar de uma maneira muito gostosa coisas
que me marcaram. Passo a cantar a abertura da Sakura Card Captors, do Dragon
Ball Z e do Tench Muyo. Relembro todos os personagens do Harry Potter, o HQ O corvo e como esse também era meu filme
favorito na infância. Relembro a casa da minha avó , as sementes de girassóis,
meu primo apaixonado ouvindo Linger repetidas vezes (essa música que embala
tantas coisas boas em minha vida). Lembrei até de algo lindo que havia
esquecido, que era meu irmão e eu deitados na rede, eu apontando as estrelas e
ele “ Não aponte as estrelas, que nasce um berruga no seu dedinho!” , “Fabinho,
em qual estrela será que a Zula mora? Já pensou começar a cair um monte de
bolas azuis aqui no quintal?” e procurávamos juntos em qual estrela a Zula
morava.
Nada disso eu sentia há pelo menos 5 anos!
É um prazer que só quem passa ou já passou pela depressão vai
entender. É voltar a sentir-se viva, sentir-se presente, sentir-se novamente
dona do seu corpo e da sua história. Não que eu não visse mais filmes, não
lesse mais livros, não arrumasse minhas coisas ou não lembrasse do que já vivi. Mas é um recordar com sabor,
com som, com vida. É voltar a sentir-se
pulsando, fazendo parte do mundo. É ver o mundo em cores. É reconhecer-se,
gostar-se, amar-se. Perdoar-se. É voltar
a ser você mesma. E que saudade, que saudades eu tinha de mim!
Cada dia mais, sinto que estou me libertando de pesos,
julgamentos, lembranças e crenças que me faziam estar nesse estado de tristeza
permanente e começo a valorizar todas as coisas boas que aprendi durante esse
período tão difícil. Nos momentos de recaída, aproveito para me aprofundar no
que me faz mal e resolver essas questões em mim mesma, diferente de antes, onde
parecia não haver saídas.
Hoje comentei com meu namorado como tenho evoluído em tão
pouco tempo e ele me disse “Será que é só a terapia, ou você não está mais
madura?”. Acho que sim. E diferente do que escrevi anteriormente, não sou
frágil pelo contrário, estou cada dia mais forte.
domingo, 15 de março de 2015
Porque serei a véia dos gatos
A exigência comigo mesma e com as pessoas com quem me
importo é uma constante na minha vida. Creio que com a idade, essa minha
característica tenha ao mesmo tempo se acentuado e se tornado mais flexível.
Acentuado porque procuro cada vez mais fontes fidedignas para meus estudos e
relações; flexibilizado pelo fato de me permitir relaxar mais e saber que é
impossível alcançar a perfeição. Tudo isso serviu para que eu sempre
buscasse o melhor para mim: Não basta dizer “que gosto de ler” e ler coisas
superficiais que em nada me acrescentam, por exemplo. Quando mais nova, até
conseguia, mas está cada vez mais impossível me concentrar em uma leitura que
apenas repita clichês e nada me ensine.
Acho perda de tempo gastar minutos preciosos do meu dia lendo repetições
de historinhas que deram certo, até por essa questão ando mais voltada a literatura
acadêmica, mas continuo amando a literatura quando esta não é só um enlatado
cultural disfarçado de “cult”. Também não basta ver um filme, tem que conter
reflexões e tramas que me façam sentar e
querer ver o que está passando (e olha que amo cinema!). Do mesmo jeito, não basta ouvir uma música,
não basta ter um namoro, não basta ter um trabalho etc, etc, etc. Gostaria de
ser uma pessoa mais “leve”, que se permite ver um filme mais pipoca ou ler uma história
mais floreada e sem rodeios, mas enfim, não faz parte de mim. Sofri, mas
aceitei minha chatice que muitas vezes, me leva a uma sensação de solidão.
Mas acho que o lado mais ambíguo desse meu defeito/qualidade
é o de exigir boas argumentações e brincar de “jogo dos sete erros” em
discursos repetidos por aí. Não me deixo convencer por um bom marketing
pessoal, sempre tento ler o que há por trás das intenções da mídia, das
ideologias e principalmente das pessoas e assim como não sou de me dar colher de chá, não passo a mão na
cabeça de ninguém.
O bom disso é que (como disse minha psicóloga), sou uma
pessoa extremamente difícil de ser manipulada, o que não quer dizer que não possa acontecer,
como já aconteceu, mas até mesmo essas vezes em que sofri uma manipulação me
serviram para refletir ainda mais sobre
todos estes aspectos. O lado ruim é que é fácil se sentir excluída da
rodinha de cerveja, dos clubinhos feministas, dos grupinhos onde todo mundo
pensa igual, pois geralmente, ou dou minha opinião sobre determinado assunto e
todo mundo me olha com cara de bunda, ou fico calada, apenas acenando e
sorrindo. Embates em relacionamentos é o que mais tem também! Homens são ensinados
por nossa cultura patriarcal que mulheres gostam de agradar e que a razão lhes
pertence e quando se deparam com a mulher
pensando e lhes provocando intelectualmente, voltam ao seu estado de meninos birrentos
quando são contrariados.
Ao longo do meu amadurecimento, tenho aprendido a guardar
minhas opiniões e concordar para não discutir. Ninguém é obrigado a pensar como
eu, e muito menos eu sou obrigada a pensar como os outros. Cada um lê, vê, se
porta e acredita no que quiser. Se houver espaço para um diálogo, fico feliz e
disposta, mas não curto “debates” onde o
objetivo é obrigar o outro a concordar com suas ideias e prezo muito gente que
consiga ouvir um “não concordo com você” ou "você está errado" sem achar que está sendo
ofendido. Enquanto muitos não aprenderem que “é a minha opinião” não é
argumento e nem te dá o direito de falar qualquer bobagem que lhe venha a
cabeça, prefiro me manter acenando e sorrindo e preservando minha paz mental.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
Religião deve ser amor, não prisão
Durante muitos anos de minha vida fui de uma igreja
evangélica extremamente tradicional. Aos 18 anos, me batizei nela, declarando
assim que aceitava sua doutrina, ao qual
realmente segui a risca por escolha própria. Sempre falei muito sobre Deus e a
participação essencial que Ele tem em minha vida aqui no blog e até escrevi
textos onde falo sobre problemas que enfrentei sendo evangélica. Apesar de
seguir rigorosamente tudo o que a igreja dizia ser certo, sentia-me deslocada e mal vista pelos meus pensamentos e
coisas que arriscava fazer. Enfim, após muito tempo lá dentro, decidi com
grande dificuldade me desligar desse lugar e deixar para trás vários conceitos
e atitudes que eu reproduzia por imposição doutrinária.
Muitas pessoas que me vêem hoje acham que fiz algo “de
errado” e por isso me afastei, ou que me sinto triste e desisti de Deus, ou
acham que sou uma coitada, que estou “perdida” , sem saber o que estou fazendo.
Erro de todos. Decidi sair da igreja após muita reflexão e cobranças internas.
Os discursos já não correspondiam com o que eu acreditava (se é que um dia
corresponderam), me sentia hipócrita estando em um âmbito no qual eu não
conseguia me identificar e sem ferir nenhum principio pregado lá dentro,
resolvi sair. Não sai por culpa, não sai por remorso, não sai por “me sentir
suja”, sai porque eu quis, porque eu escolhi sair. Sempre fui imensamente responsável comigo e
leal a minhas escolhas e por isso mesmo, só passei a fazer coisas que não eram
aceitas pela doutrina da igreja (como as tatuagens, por exemplo) após já ter me
desligado.
Também não me sinto triste, pelo contrário, nunca me senti
tão fiel ao que creio como agora, tão completa e em paz comigo mesma. Não estou
desiludida, não estou fazendo nada por impulso. Faço tudo porque quero, porque
escolho, porque tenho plena consciência de que sou uma mulher adulta que sabe
arcar com as próprias decisões. Não sofro pelos “amigos que perdi” e quero que
mais pessoas que agem dessa forma se afastem cada vez mais.
Não estou escrevendo o texto como uma resposta aos que falam
hoje sobre mim, estou escrevendo para deixar claro aos leitores desse blog:
qualquer religião, se te faz uma pessoa melhor, é uma boa religião! Se te faz
crescer como pessoa, te ajuda e te faz ser mais empático aos seres humanos, é
um lugar maravilhoso que você tem o direito de estar o tempo que quiser! Sofri
muito preconceito quando era evangélica pelo simples fato de me declarar como
uma e sei desse lado da moeda. Se te faz bem, fique! Enfrente o mundo! Não
tenha vergonha de suas escolhas e nem de suas crenças! Se para você é
importante ser virgem até o casamento, se vestir de uma maneira mais discreta,
ter cabelos compridos, se tudo isso faz sentido para você, te faz bem, faça de
todo coração! Ninguém tem o direito de dizer como você deve ser, nem a
sociedade que vivemos, nem o lugar religioso que está. Tudo o que fizer, se for
por amor, é válido, apenas siga sua verdade, mesmo que zombem de você.
Agora, se por acaso você não se sentir mais identificado com
a religião que segue, seja forte e questione-se, permita-se ! Sei que é difícil
, já que somos ensinados a não questionarmos os ensinamentos bíblicos, mas isso
não tem nada a ver com ir contra o que sua religião acredita, você está apenas
pensando, evoluindo, não tenha medo disso! Pense o porque de estar ali, o que te atrai, o que te afasta, o
que te faz crescer e o que te limita, pese tudo e veja o que vale a pena para
você!
Deus não está apenas dentro de um templo e Cristo pregou
sempre perdão, o amor a quem quer que seja! Muito diferente do que vemos
igrejas pregando por aí!
Meu conselho é: Siga seu coração, siga sua verdade, estando
dentro de igreja ou fora de uma, se for o que te faz bem, não tenha medo! Seja
fiel a você mesmo e não se importe com o que os outros irão dizer!
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
Internet e as pessoas
Tenho blog desde os meus 14 anos e os iniciei com desejo de partilhar o que eu pensava e sentia com relação ao mundo. Além do
fato de escrever e expressar minhas emoções, outra coisa muito benéfica foi começar a ter contato com pessoas que
passaram pelo mesmo que eu, pensavam da mesma forma ou até mesmo diferente, mas
entravam em contato e comentavam sobre o que eu havia escrito. Então, eu ia até
o blog deles , lia o que escreviam e fazia a mesma coisa. Com isso, fomos formando
uma grande rede de apoio e amigos virtuais que me ajudaram muito em momentos
que precisei.
Porém, nunca fui de fazer amizade com facilidade. Sou
receptiva e amigável, mas dificilmente consigo me abrir com pessoas que mal
conheço e até mesmo com as que conheço. Esse foi um dos fatores que me levou a depressão,
já que eu não tinha com quem dividir o que me afligia. Era muito fechada e pensava
que não iriam me entender. Quando entrei no Facebook, comecei a interagir mais
por meio de grupos fechados sobre assuntos específicos, no caso o MBTI,
um assunto pelo qual me interessava muito na época. Nesses grupos conheci
pessoas fantásticas, com as quais passei a me relacionar e conviver fora da
internet e que até hoje, considero como melhores amigas. Eram grupos com
pessoas com tantos problemas parecidos, tantas angústias, medos, expectativas,
que acabei passando, sem saber, por uma terapia coletiva. Muitos dos meus
traumas, medos, dúvidas foram tratadas ali e vi o amadurecimento de vários que
também participavam.
Conheci pessoas sem caráter, aproveitadoras, caluniadoras e
etc? Conheci sim! Cheguei, inclusive, a criar “inimigos”. O problema da
internet é o mesmo que o da vida real, de existirem pessoas que não gostam do
seu jeito, da forma como você é e se expressa, da sua personalidade ou até
mesmo de atitudes que você tem. Em qualquer lugar, sempre haverá quem não gosta
de você. Mas na internet as pessoas podem falar
o que quiserem, então fica muito mais fácil ser mal educado, grosso,
rude e até mesmo cruel por aqui. Acompanho alguns vlogs e vejo a quantidade de
comentários depreciativos que os vlogueiros recebem por estarem ali, ora
falando de assuntos genéricos, e ora falando de suas vidas, opiniões. É muito
mais fácil apontar o dedo e ser “hater” quando não se está frente a frente com
alguém. Hoje sou muito mais cuidadosa com o que e quem eu exponho, mesmo
involuntariamente, pois já passei dessabores por isso e também porque não é
nada legal você se expor de mais para quem não está ali para te ajudar, mas
para julgar você, muito menos expor pessoas que estão a sua volta. Mas ainda
gosto de usar essas redes todas para conhecer pessoas e falar sobre ideias, e porque não?, sentimentos!
Claro que pela internet devemos tomar um maior cuidado com o que escrevemos e
com quem partilhamos isso, pois essas mensagens ficam gravadas, não são apenas
palavras que depois passam.
Eu considero esses amigos que fiz tão amigos quanto todos os
outros, mesmo alguns deles ainda não conhecendo pessoalmente. Acredito que não
se conhece alguém só porque o viu cara a cara, isso não é garantia de nada!
Posso crer piamente que aquele colega de faculdade que senta do meu lado todos
os dias é meu amigo e ele se mostrar um grande de um pilantra, assim como posso
conhecer essa pessoa pela internet e idem. Quem garante que aquele cara que
conheci num barzinho, aparentemente bonito e bem cuidado, está me dando seu
nome real, sua visa real e revelando suas reais intenções?
Hoje sou uma pessoa que em vez de ficar calada, preciso
conversar com alguém para me sentir melhor e menos aflita, mas já tenho pessoas
com as quais sei que é mais seguro confiar. Contudo, não me arrependo das épocas
em que precisei dos grupos para me sentir mais acolhida nessa vida. Agora uso
os grupos mais para discussões politicas e artísticas, e continuo achando que
essas trocas de ideia valem a pena!
sábado, 24 de janeiro de 2015
Liberdade, liberdade! (Feminismo)
Quando
comecei a me interessar por feminismo, aos 21 anos, em 2011, ainda não existia
tanta divulgação sobre o assunto na internet e na mídia.
Eu entendia
tudo errado e era muito sensível. Se entrasse em debates onde outras mulheres
eram incisivas comigo, eu começava a chorar. Com o tempo fui entendendo melhor
o ponto de vista delas e aprendendo que ser incisivo é muito diferente de ser
agressivo. Já fui agressiva também, mas não como forma de tentar fazer o outro engolir
meu ponto de vista, fui por outros fatores.
Tive várias
crises com alguns discursos feministas ao longo desses 5 anos. Não entendia
que “O feminismo” é na verdade “os feminismos”, e que existem
várias leituras sobre ele, mas todas tem o
mesmo objetivo, que é o de lutar contra o machismo. Por conta disso, já me
disse não feminista várias vezes, por confundir todo um movimento com algumas
falas que eu não me identificava. Eu ainda erro muito, falo muita besteira,
depois reflito e vejo a bobagem que disse. Ainda vocifero xingamentos misóginos
quando menos espero, ainda julgo mulheres pelo seu comportamento sexual quando
menos espero, ainda reproduzo o machismo quando menos espero, e ás vezes até
esperando, pois não se muda do dia pra noite. Estou há 5 anos tentando me
desconstruir, tentando me reeducar e acho que levarei uma vida toda para tal.
Contudo,
algumas coisas tem me feito cada vez mais repensar qual o feminismo que
defendo. Pra mim, a causa maior sempre foi liberdade: Você ser livre para ser
quem é, você ter a liberdade para viver sua vida da maneira que achar melhor e
ser respeitado por isso. Sempre acreditei na igualdade entre os sexos, no diálogo,
na desconstrução de ideias e até de gêneros, no embate, no estar aberto a ouvir e pronto a se
colocar. Na empatia, na convivência.
O que tenho
visto muito hoje em grupos e discursos feministas é uma postura fechada, muitas vezes retrograda, onde ódio, a raiva não
é mais um agente de mudança, mas uma forma de cada vez mais segregar pessoas.
Abrem-se grupos secretos, onde são aceitas apenas quem tem a mesma linha de
pensamento. Fala-se sobre desconsiderar falas pelo gênero e não há mais argumento nas discussões, mas
agressões e zombarias. Não entendem que há pessoas ainda iniciando, como eu já
iniciei , e que estas pessoas repetem o discurso opressor na tentativa de
entenderem o porque de estarem erradas. (Obviamente que há uma enorme parcela dos que vão
discordar apenas para tumultuar e também os que faltam com respeito, os chamados
“Trolls”e estes não devem ser considerados ). Já ouvi que “o
oprimido não deve se relacionar com o opressor”, defendendo que negros não
devem se relacionar com brancos e mulheres não devem se relacionar com homens.
Já ouvi que pra ser mulher, tem que ter útero, e que um transexual é um
privilegiado por sua condição física masculina e que portanto, não deve ser considerado
pelo feminismo. Já ouvi que ser mãe é se render a sua posição de oprimida. Já
ouvi sobre a roupa que você deve usar, a música que deve ouvir, o que você pode
falar e principalmente, a forma como você tem obrigação de pensar.

Respeito,
claro, todas essas vertentes. Mas continuo acreditando na liberdade, na convivência
entre as diferenças, no debate como forma de expandir visões e em um movimento
aberto onde qualquer pessoa que queira, de maneira genuína, aprender com ele, possa. A meu ver, o mundo não vai mudar com discussões em grupos secretos, com escolhas de
quem é mais ou menos feminista e de quem deve ter o sofrimento mais ou menos considerado. O fato de “eu empoderar duas mulheres’não
me impede de dialogar com 30 homens. O fato de haver milhares de mulheres que
sofrem , muito infelizmente, por passarem fome e violência não diminui e nem desmerece
a dor pessoal de uma garota que não fala com o pai que lhe dá todas as condições
para viver bem, mas não lhe dá amor.
Esse texto é
,como tudo aqui no blog, uma leitura pessoal de algo que vivencio, não é uma
doutrinação e posso mudar de pensamento com o passar do tempo. Mas por hora, é
assim que vejo as coisas.
domingo, 11 de janeiro de 2015
Minha leitura tardia de O Senhor dos anéis
![]() |
| Em muitas cenas, O Senhor dos anéis me fez lembrar bastante de As Brumas de Avalon, de Marion Zimmer Bradley, que com certeza se inspirou no universo de Tolkien. |
Pasmem: Eu
nunca havia assistido O Senhor dos anéis! Houve várias tentativas, mas em todas
eu fiquei com sono. E não pelo fato de “ter assistido fora da época”, que seria
na adolescência, pois foi nessa época que as tentativas ocorreram, mas porque
nunca gostei mesmo de Fantasia (que muitos erroneamente confundem com “realismo
fantástico”, que não tem absolutamente nada a ver e é um dos meus gêneros
favoritos), coisas épicas e achava a história de Tolkien bem...boba. Contudo,
conheço tantas pessoas no meu círculo de amizades que idolatram, choram, brigam por causa dessa história, que
mais uma vez, tentei revê-la sem meus inúmeros preconceitos. E me surpreendi.
Assisti os 3
filmes de uma vez ( A sociedade do anel, As duas torres e O retorno do Rei, de
longe o meu favorito) e consegui ver alguns aspectos muito interessantes sendo
levantados ao longo da triologia. Deixando claro que é uma visão pessoal minha,
de acordo com meu repertório e com a forma pela qual fui tocada pelos filmes:
Uma coisa
que é sempre retratada em várias outras histórias, mas que O senhor dos anéis
retrata de uma forma alegórica e não explícita, nem didática , é como o bem e o
mal estão sempre juntos e presentes dentro de todos! O anel não apenas continha o mal, como
despertava o mal que havia nas pessoas. Ele deixava em evidência as ambições, o
egoísmo, a sede de poder, a falta de escrúpulos que todos nós temos. Nenhum
personagem que esteve em contato direto com ele sai ileso , todos acabam
sucumbindo de alguma forma. Um personagem que gostei muito e que retrata isso
muito bem é o Gollon, que é praticamente uma entidade a parte ,onde o bem e o
mal coexistem dentro do mesmo ser de maneira explicita, já que ele sofre de uma
espécie de esquizofrenia, dupla personalidade, sempre com seu lado bom e seu
lado mau brigando entre si. Contudo, acredito que o anel não obriga ninguém a
ser mal, ele desperta aquilo que já habita em você, portanto, a maldade será
diferente em cada ser tocado por ele. No caso do Gollon, sua única ambição era
ter o anel para si. Não era dominar povos, ser rei, rico, era apenas e então
somente ser o único portador do anel e isso diz muito sobre sua estrutura de
personagem. Diferente dele, outros que nem se quer tiveram um contato direto
com o anel, mas conheciam seu poder, arquitetavam planos e exércitos para tê-lo
para si, o que mostra qual lado já era aflorado. Muitos que estiveram em
contato com o anel e sentiram seu poder lutaram contra sua força, e muitos nem
precisaram estar presente dele para deixa-se dominar.
Achei
interessante também (mais uma vez, um tema repetido em muitas histórias, mas
bem abordado em O senhor dos anéis) a forma como cai por terra a ideia de que o
herói é alguém forte e poderoso, dotado
de dons e poderes mágicos. De todos os povos , foram os Hobbits os escolhidos
para a saga e o portador do anel foi justamente Frodo, o Hobbit mais frágil ,
tanto fisicamente quanto mentalmente. Além disso, Frodo não conseguiu nada
sozinho, ele teve muita ajuda de seus amigos, em especial de Sam, que mesmo
presenciando os momentos de fraqueza e confusão causados pelo anel em seu
amigo, o compreende, protege e nunca o abandona.
Eu estava
até o segundo filme bem decepcionada pela não representação forte feminina. Arwen
e Galadriel tem um papel pouco representativo nos filmes (não sei se isso
ocorre nos livros). Elas aparecem apenas como o papel de Anima. Bem
compreensível levando em conta que Tolkien era um estudioso da mitologia e
vê-se que O Senhor dos anéis é baseado na Jornada do herói, na qual a Anima é
apenas coadjuvante em relação ao Animus (Anima é a polaridade feminina na
psicologia Junguiana, ligada a contemplação, a intuição, aquela que mostra e
guia o caminho. Animus é a polaridade masculina, a força, a batalha, a
agilidade, aquele que toma as atitudes práticas. A jornada do herói é uma linha
estrutural na qual escritores, cineastas e contadores de histórias costumam se
guiar para elaborar seus enredos). Fiquei um pouco mais satisfeita ao ver Éowyn.saindo
da condição que mulher apaixonada, que espera seu amado, para guerreira e como
ela não toma Arwen como sua rival. Não sei se isso é representado no livro, mas
gostei imensamente quando ela diz “Mas eu não sou um homem”, e salva o rei,
lutando.
Enfim, todos
os personagens demonstram fraquezas, medos, traumas, defeitos e não é de se
admirar que tantos adultos se sintam identificados com a história e os
personagens. O Senhor dos anéis toca em muitos arquétipos presentes no nosso
dia-a-dia e a batalha interna do bem contra o mal é sempre presente em nossas
vidas. É confortante pensar que qualquer pode cair, mas que todos temos força
para lutar.
Continua não
sendo meu gênero favorito e nem a história mais original que já vi, mas é fato
que foi muito bem ambientada e que Tolkien era extremamente criterioso e
comprometido. Acredito que a leitura dos livros não seja nada fácil. Por isso
mesmo, O Hobbit está na minha lista de leitura para 2015.
quinta-feira, 20 de novembro de 2014
Porque precisamos de um dia de consciência negra?
Quando eu era adolescente, assim como muitos adolescentes,
sofri bastante bullying na escola. Tinha
todo tipo de motivo bobo pra isso, mas um dos motivos pelo qual eu mais sofria,
era por ter cabelo crespo e armado. Eu ouvia coisas como: branca do cabelo
ruim, cabelo de Barbie estragada,
vassoura, etc. Como minha mãe é cabeleireira, eram inúmeros os “Mas
porque sua mãe não cuida do seu cabelo?”, “Porque você não alisa seu cabelo?”, “Você
não tem vergonha de ter esse cabelo?”, “Porque você não usa chapinha?”, “Você
tem preguiça de fazer uma escova?”. Tudo isso entrou bastante na minha cabeça,
desenvolvi por um período Tricotilomania ( doença ligada ao TOC onde a pessoa
arranca os fios de cabelo ou pelos do corpo, podendo os engolir ou não), mas na
tentativa que ao arrancar os fios, eles nascessem “melhores”, lisos. Depois,
passei a fazer progressiva, relaxamento e várias químicas que destruíram meu
cabelo. Resumidamente, cresci, me aceitei e hoje acho meu cabelo cheio,
encrespado, sarará , a coisa mais linda que tem em mim.
O fato de eu ter sofrido esse tipo de preconceito por ter o
cabelo mais ligado ao afro que ao europeu já mostra como nossa sociedade
discrimina o que vem do negro: Meus caros, eu sou branca! Mas bastou eu ter um
traço ligado a matriz africana para que eu sofresse toda essa pressão. Não é
porque meu cabelo era feio, mal cuidado, sujo, mas simplesmente porque ele era
crespo, e cabelo crespo é cabelo “ruim”.
Jamais direi que sofri racismo, se se o disser, foi unicamente pelo fato
de algo em mim denunciar minha ascendência africana.
Todos os dias em meu trabalho, me deparo com expressões de
crianças e adolescentes, por vezes até adultos, que menosprezam as religiões
que erroneamente chamam de “macumba”. Todos os dias tento dialogar sobre como
essas religiões foram massacradas e marginalizadas por serem de um povo que
veio de uma terra cheia de magia, grandiosidade e uma grande variedade de
deuses e que nenhum deles faz mal para ninguém. Todos os dias tento mostrar
como tudo que é ligado ao povo negro é visto como mal, sujo, impuro.
É extremamente recorrente eu tentar mostrar por exemplos
simples a eles como o negro não tem representatividade em nossa sociedade: Vendo
as novelas da televisão, quantas protagonistas negras você já viu? Quantos
negros bancários, professores, donos de mansões, você já viu? E quando o negro
aparece, onde ele está? Qual a cor da pele dos empregados, dos favelados, dos
ladrões que são representados pela mídia? . Quantas recepcionistas negras, com
cabelos naturais e soltos, você vê em portas de grandes empresas? E quantas
faxineiras brancas você encontra no seu dia-a-dia? Você cresceu ouvindo que seu
cabelo é ruim, que ele precisa ser “domado”, como se você fosse um animal? Você
cresceu ouvindo que seu nariz é largo, é feio, é “de preto”? . Já te negaram
emprego pela cor da sua pele? Já questionaram sua honestidade pela cor da sua
pele? Já te ensinaram a odiar a cor da sua pele? Já te disseram que você é um
branco de alma negra? Que tudo bem você ser branco, porque Deus olha o coração?
Que você é uma “branca muito linda”? A polícia te para na rua pelo fato de você
ser branco? Na farmácia existem muitos produtos para cachear e encrespar os
cabelos? Ensinam formas da maquiagem engrossar o nariz? Existem cremes para
escurecer a pele?
Quando dizem para mim que existe meritocracia e que hoje em
dia, brancos e negros tem as mesmas oportunidades, questiono-os: Quantos
professores negros você tem? Os que já estão na universidade, quantos alunos
negros há em sua sala de aula? Isso
demonstra que negros não tem competência para os estudos? Ou será que não temos
as mesmas oportunidades?
Acho que nem precisaríamos entrar nessas questões ainda tão
atuais, se simplesmente pensássemos sobre o óbvio: Escravizaram seu povo
durante séculos? Te obrigaram a sair de sua terra e te venderam como bois? Estupraram
as mulheres da sua tribo? Te negaram o direito ao estudo, ao salário, a uma
vida humana? Venderam seus filhos para serem escravizados?
Quando dizem que não precisamos de um dia pra consciência
negra, mas para a consciência humana, me pergunto se estas pessoas tiveram
alguma aula de história ao longo de suas vidas. Em toda a nossa história,
humanos escravizaram humanos, humilharam humanos, estupraram humanos,
torturaram humanos, mas os humanos feitores desses atos acham muito fácil
esquecer o que já passou e que repercute até os dias atuais e querem um dia “para
todos, pois todos somos iguais”. É fácil dizer que é igual porque tem uma amiga
negra, um parente negro, difícil é quando
você fecha a porta do seu carro ou troca de rua quando vê um negro se
aproximar, quando diz que a meritocracia é a lei do mais forte sabendo que
negros tem um percentual baixíssimo em grandes postos de trabalho e acadêmicos.
É fácil achar que somos todos iguais quando você já nasceu com todos os
privilégios que te são garantidos pela
sociedade pelo simples fato de você ter nascido branco!
O Dia da consciência negra é muito mais que um dia para
colocarmos turbantes, sambarmos e falarmos que as mulatas são maravilhosas. Ele
é feito para um povo que foi massacrado fisicamente, religiosamente e
culturalmente durante séculos e que pouco a pouco, tenta se recuperar de anos
de danos vividos. A meu ver, apenas um
dia para isso é pouco, muito pouco. Milhares de medidas deveriam ser tomadas
para inserirmos cada vez mais na sociedade uma cultura que é tão marginalizada
pela mesma.
E não são os outros que vêem racismo em tudo, é você que
está tão inserido dentro dele, que passou a acha-lo normal. Mas ainda há tempo
para refletir , e o dia 20 de novembro é uma ótima data para isso.
domingo, 19 de outubro de 2014
Morte, legado e vida
![]() |
| Profeta Gentileza |
Há alguns dias atrás, me
peguei pensando sobre a vida e o que realmente ela representa. Será que de fato
estamos vivos apenas o tempo em que permanecemos respirando na terra?E será que
muitos que estão respirando, de fato vivem? Perguntei-me o que faz com que até
hoje discutamos, defendamos e até mesmo odiamos conceitos criados há séculos
atrás , pessoas que já faleceram há
décadas e como trazemos essas mesmas pessoas e seus conceitos em nosso
convívio. Afinal, seria o fato de viver, apenas o de sobreviver?
Como não acredito em
coincid6encia, mas em sincronicidade, na mesma semana em que fui tomada por
tais questionamentos, tive o prazer de ter uma série de palestras com Jorge Larrosa,
grande filósofo da educação, na qual ele abordou a história do Profeta
Gentileza e como este homem que presenciou a morte de sua família em incêndio
num circo do Rio de Janeiro, recria deste fim, um novo início para sua
trajetória, trajetória que até os dias de hoje é discutida e divulgada. Até
hoje falamos sobre seu jardim, falamos sobre seu livro público, feito nas
paredes do Rio de Janeiro, sobre suas palavras de amor e gentileza espalhadas
pela cidade e sobre um homem que dedicou a vida aos seus ideais.
O ano de 2014 está cheio
de mortes mal explicadas, por pessoas que a nosso ver, ainda não deveriam ter
partido. Mas será que elas de fato, partiram? E seu legado, como fica? O cinema
é um eternizador de almas. Por ele, ainda há pessoas que estão agora conhecendo
Chaplin, Bela Lugosi, Marilyn Monroe e muitos outros. Estas pessoas podem ter
morrido fisicamente, mas essencialmente, continuam conosco, mais vivas do que
nunca, influenciando gerações, sendo influência para arte, moda, estilo de se
pensar e viver. Ainda ouvimos as canções de Janis Joplin, Jim Morrison, Kurt
Cobain, Raul Seixas, Bezerra da Silva, Clara Nunes. Ainda estudamos e ficamos
confusos com as teorias de Focault, Freud, Marx. Ainda choramos com
Shakespeare, Jane Austen, Carlos Drummond. Essas pessoas continuam fazendo
revolução, continuam vivas em nosso dia-a-dia e em nosso pensamento. E isso que
importa.
Me pergunto agora, se
muitos de nós apenas sobrevivem em vez de viverem, se fazemos de nossa
existência algo que valha a pena ser lembrado, ou então, algo que valha a pena
ser vivido, mesmo sem os holofotes do reconhecimento. Tornarmo-nos eternos? Acrescentaremos algo ao mundo, ou
viemos apenas para continuarmos exercendo nosso limitado papel de seres
humanos, presos a dogmas, críticas, regras e pequenezas terrenas? Pego-me a
pensar que de fato, a vida é curta, e por tão curta ser é que vale a pena
tirarmos dela o máximo de proveito, um proveito que poderá ser apreciado até
mesmo por outras gerações.
Texto escrito para o site Ilha Cult
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
Qual tipo de vida os "pró vida" defendem?
Tenho tido o privilégio de trabalhar como educadora na 31Bienal de Artes de São Paulo (já fui
educadora também na 29). Há uma obra emblemática dessa exposição chamada Espaço
para abortar, do grupo feminista boliviano Mujeres Creando. Não descreverei a obra , pois creio que minha visão pode variar da visão de muitos, e também para que se
agucem a curiosidade e que a obra seja visitada.
Em minha vida, sempre pensei nunca ter tido um contato real
com mulheres que provocaram aborto. Sempre vi esse fato como algo isolado, que pouquíssimas
mulheres recorriam e estas, apenas em momentos de grande desespero. Erro
meu. Em poucos dias estando em contato
com esta obra e abordando-a de maneira educativa com diversos públicos, dentre
eles crianças, adolescentes, homens e mulheres, ouvi centenas de depoimentos e opiniões
diferentes e descobri que o aborto é uma prática muito mais comum do que
imaginava, tendo os mais diversos tipos de motivos para acontecer, desde um
estupro, até o simples fato da gravidez não ter sido desejada. Percebi então
que muitas mulheres do meu círculo social já haviam praticado um aborto, mas
que esse assunto é um tabu, um assunto a não ser comentado, e como é o tema da
própria Bienal, é um tipo de “Como falar de coisas que não existem”.
Parei então para refletir sobre o assunto e me veio uma
enxurrada de problemas que essa omissão governamental sobre a questão do aborto
acarreta em nossa sociedade. Aqui a questão não é sua posição pessoal, se você
é contra ou a favor , se sua religião condena ou não tal prática. A questão
aqui além de saúde pública, é social. O aborto é criminalizado no Brasil ,
portanto, a mulher que o comete é vista como uma assassina. Não existem métodos
seguros para que o aborto seja realizado, a não ser em clínicas clandestinas,
que além de ilegais, são extremamente caras. Apenas mulheres com um alto poder
aquisitivo podem fazer um aborto com o mínimo e segurança. Contudo, a imensa
maioria da população não tem esse recurso, recorrendo aos métodos mais
agressivos e arriscados, colocando sempre a vida da mulher em jogo. E quem são
essas mulheres que recorrem a esses métodos? Em sua maioria pobres, negras,
periféricas, moradoras de comunidades. Mulheres que escondem uma gravidez do
parceiro, da família, da igreja, que não tem apoio nenhum. Mulheres que muitas
vezes já estão esperando o terceiro, o quarto filho, que moram em barracos, não
tem se quer condições de alimenta-los. A mulher é demonizada sempre por ter
feito essa coisa tão vergonhosa e odiosa, que é o ato sexual, e ter “se deixado
engravidar”. Nunca se fala que para uma gravidez ocorrer, é necessário a
participação do esperma masculino, que o óvulo não se fecunda sozinho, e que a
mulher que foi culpada por não tomar a pílula, foi penetrada por um homem que
não se preocupou em usar camisinha.
Nunca se fala também do aborto masculino, que ao saber que a companheira
está grávida, simplesmente nega a
paternidade da criança ou quando “assume”, é colocando seu nome em um registro e
pagando uma pensão por mês, sem participar da criação, da troca de fraldas, sem
ter seu corpo completamente modificado, sem sofrer as dores do parto, sem
carregar nas costas o peso de ser responsável por uma outra vida.
Existem com certeza métodos anticoncepcionais e existem
aquelas que mesmo tendo a opção segura de ter um aborto, optarão por não
faze-lo, seja por motivos pessoais ou religiosos. Mas isso não muda a questão
de que os abortos clandestinos estão acontecendo o tempo inteiro e mulheres
estão morrendo dia a pós dias por esses abortos. Que sociedade é essa que se
diz pró vida, mas prefere ver a morte de uma mulher por infecção, hemorragia e
tantos outros males, em vez do expelimento
de um feto, que nem se quer formação ainda tem? Muito me assusta também os chamados pró vidas que acreditam que lutar
pela vida, é apenas deixar nascer. Ninguém se responsabiliza pela formação,
educação, criação, impacto psicológico ou contexto social que esse ser , que em
gravidez foi indesejado, terá. É preferível vivo, mas jogado as traças,
passando fome, abuso, humilhação. É o que vemos com tantas e tantas crianças de
rua, crianças abandonadas em orfanatos, crianças criadas em meio ao tráfico
,etc. Ninguém se preocupa em como será a qualidade de vida desses seres, mas
querem lutar para que este nasça, seja ele in desejado, com alguma doença congênita
ou até mesmo, não portador de um cérebro. É jogada nessas mulheres a
responsabilidade pela vida de outro, e retirado o direito de serem responsáveis pelas próprias
escolhas, a própria vida.
Com a despenalização do aborto, mulher alguma será obrigada
a abortar, mesmo aquela que sofreu uma violência sexual ou traz um feto
defeituoso, se quiser levar a gravidez adiante, terá todo o apoio da sociedade.
A despenalização apenas dará a mulheres que não podem ou não querem uma
gravidez cheia de riscos, traumas e culpas, terem o direito de interromperem
essa gestação sem o risco de saírem mortas e sem serem julgadas como
criminosas. É um interesse social e público que o aborto seja legalizado.
Religião ou posicionamento social não pode e não deve interferir na vida de
milhares de pessoas. Nosso país é laico, e como tal, tem o dever de garantir a
saúde e a integridade física e mental de todos os cidadãos, independente de
suas escolhas pessoais ou religiosas.
P.S: Eu, a autora do texto, não provocaria um aborto e nem
estimularia alguém a cometer, tenho meu posicionamento PESSOAL quanto a isso,
mas sou totalmente a favor de que o aborto no Brasil deixe de ser um crime.
segunda-feira, 14 de julho de 2014
Minha visão pessoal sobre meu filme favorito- Brilho Eterno de uma mente sem lembranças
Acho que nunca comentei sobre isso aqui, mas quem me conhece
sabe muito bem que Brilho Eterno de uma mente sem lembranças (Michel Gondry) é meu filme
favorito, por inúmeras questões. Tanto por valor estético, como por conteúdo,
quanto por memórias afetivas de uma época da minha vida. Foi o filme que me
pegou e que faz parte da minha história
pessoal. O vi a primeira vez em 2007 e desde essa época, necessito assisti-lo
de tempos em tempos. E choro, me emociono, me questiono todas as vezes que o
vejo. A última vez foi no cinema, em uma amostra de filmes no MIS, e novamente,
uma sensação inexplicável.
Sempre quis escrever algo sobre a importância desse filme
pra mim, mas nunca consegui colocar em palavras. Mas hoje, estava comentando
sobre “relacionamentos cagados “ e como acho que não vale a pena tentar ficar
remendando um relacionamento que já desgastou, que já chegou ao fim. Ouvi como
resposta “Mas você não gosta do Brilho eterno? Ele é o tempo todo sobre isso!”.
Na hora eu não pude responder, mas não, eu não vejo que seja sobre isso.
Brilho eterno de uma mente sem lembranças não se trata de
insistir em um relacionamento que já afundou, em “fingir” que as mágoas não
existem, em que as dores foram perdoadas e seguir com a mesma pessoa, como se
tudo estivesse bem. Brilho Eterno, para mim, fala de recomeço, de tentar fazer
com que dê certo, em olharmos para nós mesmos e pensarmos “Porque faço essa
pessoa que amo tanto sofrer de uma forma tão dolorosa? Porque a maltrato,
porque não me importo com o que ela pensa ou sente, porque prefiro estar com a
razão do que estar em paz com aquele que
escolhi dividir a vida?”. Quando Clementine (Kate Winslet) e Joel (Jim Carrey) se reencontram, eles estão com
as memórias apagadas um do outro. Eles tem o sentimento puro que os une, eles
sabem que se amam, mas estão limpos das mágoas e dos erros do passado. E mesmo
após terem contato com a fita em que escutam um insultando o outro, ambos
decidem que não farão mais dessa forma, que irão superar isso e fazer diferente. Joel precisa reviver suas
lembranças, retrogradamente, e chega ao tempo que ele e Clementine se amam sem
ego, sem jogos, sem mágoas, para notar o quanto a amava e o quanto apesar
de todos os defeitos, ele não queria que ela saísse de sua memória, de sua
vida.
Brilho eterno me mostra como afundamos um amor verdadeiro,
seja ele uma amizade, um romance, algo de puro e essencial em nossas vidas, por
querermos ter sempre razão, por preferirmos ferir alguém, preferirmos trair,
magoar, ignorar uma pessoa que está do nosso lado por puro ego e amargura. E se tivéssemos
uma segunda chance? E se voltássemos a nos conhecer, mas com a mente livre de
julgamentos, com o coração aberto para uma nova tentativa? Porque estragar uma
história que hoje você está vivendo com alguém?
Por que não ceder, não relevar, não querer se ajeitar? Porque construir um muro
de tristezas, mágoas e rancores, em vez de criar novas e melhores lembranças? Será
que você terá uma nova chance, quando essa relação chegar ao fim? Será que será
fácil para o outro esquecer e passar por cima de todas as marcas que ficaram? Não
existe uma Lacuna.Inc na vida real, onde más lembranças simplesmente serão
apagadas e você recomeçará sua história do 0. No mundo real, existe você, no
aqui e agora, fazendo valer a pena. Talvez ainda dê tempo de cultivar aquela
sementinha quase morta de amor no coração de ambos, talvez ainda tenha como
criar lembranças mais amorosas e fortes que as ervas daninhas que se
infiltraram. Tudo depende de você e de como você quer que seja a sua vida. E
diferente do filme, as coisas que você diz e faz não podem ser apagadas por
algum tipo de preço, elas ficam, elas se tornam feridas. Pense bem antes de
falar ou fazer algo pra alguém que você diz amar, pois poderá não haver uma
segunda chance.
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