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quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Meta de leitura - Sagas (Fantasia e ficção-científica)


Não sei exatamente o porquê, mas desde a adolescência, quando começou a febre de literatura fantástica, eu sempre tive bastante preconceito com  O Senhor dos anéis. Tentava ver os filmes, mas eles me davam sono e os livros nunca me interessaram. Em compensação, devorava em um dia os livros do Harry Potter. Os filmes, porém, nunca me apeteceram.

Esse ano tentei mudar isso. Assisti a triologia de O Senhor dos anéis em uma noite e uma madrugada, direto, quase 10 horas de filme. Fiz até uma resenha aqui no blog. Após a maratona, tive curiosidade de ler O Hobbit de Tolkien. Li e apesar de não amar, gostei, e isso me deu vontade de finalmente encarar a triologia do anel. Indo nesse embalo de literatura fantástica, decidi traçar uma meta de terminar algumas sagas inacabadas por mim e iniciar algumas que estava delegando. Vamos conhecer quais são?

(Peço desculpas pelas imagens em baixa qualidade, são de celular).

Harry Potter- J.K. Rowling



Quando eu era adolescente, era alucinada por Harry Potter!
O que mais me faz admirar a saga é que J.K. não inventou o que escreveu, ela pesquisou a exaustão e trouxe referências de inúmeras mitologias para seu público! Cada criatura citada no livro existe em alguma cultura! Claro que isso também aconteceu pela facilidade na criação de J.K! Não apenas ela, mas todos os escritores de sagas seguem religiosamente A jornada do herói e isso, mais o uso de criaturas já criadas por outros povos, facilitou muito a história de Harry. Contudo, não vejo isso como algo ruim pelo contrário! Isso que faz ,para mim, a história ser mais próxima e realista aos que a leem!

No meu caso, falta ler O enigma do Príncipe e As relíquias da morte. Ganhei de aniversário a saga completa <3!


As Brumas de Avalon- Marion Zimmer Bradley



Fui uma adolescente mística, que gostava de bruxaria, incensos, cristais e saias indianas. E adivinhem? Ainda sou! Hahahaha!

Vi As Brumas de Avalon bem novinha, mas eu nem sabia que existiam os livros de forma tão acessível, achava que era difícil encontra-los. Em 2012 comprei a saga completa em um sebo, mas não sei porque, eu fiquei travada com esses livros até agora! Tentava lê-los, mas algo me impedia, começava e parava. Esse ano eu finalmente li A senhora da magia e meu Deus! Fiquei totalmente absorvida pela história! Ela é extremamente rica em detalhes, é como se eu vivesse cada momento contado! Sem falar  na incrível construção das personagens femininas! Todas tão reais que você sente como se elas estivessem do seu lado, contando toda sua história, como se fossem suas velhas amigas! Como disse, já li o primeiro livro da saga e estou no segundo, A grande rainha!


As fronteiras do universo - Philip Pullman


Ainda bem que eu era muito mais mente aberta com literatura quando tinha 15 anos do que sou agora, se não, eu não teria pego A Bússola dourada (sim, era assim que se chamava meu antigo livro que emprestei e nunca mais  recebi) na prateleira de um sebo qualquer! Lembro bem desse dia! Li a descrição do livro, achei interessante e o comprei! A partir daí entrei em uma viagem alucinante sobre universos paralelos e realidades alternativas! Eu sabia que havia continuação da saga, mas como aconteceu com As Brumas de Avalon, achava que nunca acharia essa continuação sem ser o preço do meu rim! Mas não! Esse ano comprei a triologia baratinha!  Fiquei chateada em notar que , como li há muito tempo o primeiro livro da saga, fiquei bem perdida ao tentar ler A Faca sutil! Vou então reler A Bússola de Ouro antes de ler os outros dois e sim, estou bem ansiosa! Talvez eu não goste tanto quanto gostei quando era adolescente, mas  quero muito ler!


O Mochileiro das Galáxias- Douglas Adams



Eu fui conhecer na verdade essa saga em 2012, mas só fui ler o primeiro livro em 2014. Achei divertidíssimo, mas como estava com outras coisas para ler na fila, não dei continuidade. Fiz um troca com uma garota super  fofa,  onde troquei alguns livros pela saga completa e um livro de poesias de Pablo Neruda! Vou ler a saga completa, desde o primeiro livro!


O Senhor dos anéis-  J.R.R. Tolkein



E TCHARAN! Vendi meu ruim pela triologia de O senhor dos anéis esse ano, o que me dá MUITA RAIVA já que me lembro de ter encontrado essa triologia completa por QUINZE REAIS  há 4 anos atrás em um sebo e não me interessei! Mas enfim, queria ter comprado os 3 livros separadamente, mas não encontrei no dia.

Como disse, vi os filmes apenas esse ano e embora não tenha amado, me interessei bem mais por ler coisas do Tolkien, pois finalmente eu compreendi a importância que esse cara teve não apenas para a literatura fantástica, mas para toda a ambientação em fantasia que veio depois dele, tanto em filmes, como em livros, quanto em jogos. Ele criou as línguas, os mapas, os personagens, tudo! Maravilhoso! E sim, li O Hobbit e achei bem legal! Comecei a ler A sociedade do anel e também estou gostando! Pena que terei de ler esse livro só em casa, já que ele é um tanto pesado para levar por aí!

Aqui fiz marcações separando os 3 livros!

Enfim pessoal, essa é minha meta de leitura! Tentarei  ler um ou outro livro no meio que não seja saga ou fantasia, mas estou focada em terminar essas sagas! Será que consigo? Façam suas apostas!

Meu cantinho para sagas da estante! Meu Os Miseráveis lindo e o Morte súbita também podem ser vistos!




domingo, 11 de janeiro de 2015

Minha leitura tardia de O Senhor dos anéis

Em muitas cenas, O Senhor dos anéis me fez lembrar bastante de As Brumas de Avalon, de Marion Zimmer Bradley, que com certeza se inspirou no universo de Tolkien.
Pasmem: Eu nunca havia assistido O Senhor dos anéis! Houve várias tentativas, mas em todas eu fiquei com sono. E não pelo fato de “ter assistido fora da época”, que seria na adolescência, pois foi nessa época que as tentativas ocorreram, mas porque nunca gostei mesmo de Fantasia (que muitos erroneamente confundem com “realismo fantástico”, que não tem absolutamente nada a ver e é um dos meus gêneros favoritos), coisas épicas e achava a história de Tolkien bem...boba. Contudo, conheço tantas pessoas no meu círculo de amizades que idolatram,  choram, brigam por causa dessa história, que mais uma vez, tentei revê-la sem meus inúmeros preconceitos. E me surpreendi.

Assisti os 3 filmes de uma vez ( A sociedade do anel, As duas torres e O retorno do Rei, de longe o meu favorito) e consegui ver alguns aspectos muito interessantes sendo levantados ao longo da triologia. Deixando claro que é uma visão pessoal minha, de acordo com meu repertório e com a forma pela qual fui tocada pelos filmes:
Uma coisa que é sempre retratada em várias outras histórias, mas que O senhor dos anéis retrata de uma forma alegórica e não explícita, nem didática , é como o bem e o mal estão sempre juntos e presentes dentro de  todos!  O anel não apenas continha o mal, como despertava o mal que havia nas pessoas. Ele deixava em evidência as ambições, o egoísmo, a sede de poder, a falta de escrúpulos que todos nós temos. Nenhum personagem que esteve em contato direto com ele sai ileso , todos acabam sucumbindo de alguma forma. Um personagem que gostei muito e que retrata isso muito bem é o Gollon, que é praticamente uma entidade a parte ,onde o bem e o mal coexistem dentro do mesmo ser de maneira explicita, já que ele sofre de uma espécie de esquizofrenia, dupla personalidade, sempre com seu lado bom e seu lado mau brigando entre si. Contudo, acredito que o anel não obriga ninguém a ser mal, ele desperta aquilo que já habita em você, portanto, a maldade será diferente em cada ser tocado por ele. No caso do Gollon, sua única ambição era ter o anel para si. Não era dominar povos, ser rei, rico, era apenas e então somente ser o único portador do anel e isso diz muito sobre sua estrutura de personagem. Diferente dele, outros que nem se quer tiveram um contato direto com o anel, mas conheciam seu poder, arquitetavam planos e exércitos para tê-lo para si, o que mostra qual lado já era aflorado. Muitos que estiveram em contato com o anel e sentiram seu poder lutaram contra sua força, e muitos nem precisaram estar presente dele para deixa-se dominar.

Achei interessante também (mais uma vez, um tema repetido em muitas histórias, mas bem abordado em O senhor dos anéis) a forma como cai por terra a ideia de que o herói é alguém  forte e poderoso, dotado de dons e poderes mágicos. De todos os povos , foram os Hobbits os escolhidos para a saga e o portador do anel foi justamente Frodo, o Hobbit mais frágil , tanto fisicamente quanto mentalmente. Além disso, Frodo não conseguiu nada sozinho, ele teve muita ajuda de seus amigos, em especial de Sam, que mesmo presenciando os momentos de fraqueza e confusão causados pelo anel em seu amigo, o compreende, protege e nunca o abandona.

Eu estava até o segundo filme bem decepcionada pela não representação forte feminina. Arwen e Galadriel tem um papel pouco representativo nos filmes (não sei se isso ocorre nos livros). Elas aparecem apenas como o papel de Anima. Bem compreensível levando em conta que Tolkien era um estudioso da mitologia e vê-se que O Senhor dos anéis é baseado na Jornada do herói, na qual a Anima é apenas coadjuvante em relação ao Animus (Anima é a polaridade feminina na psicologia Junguiana, ligada a contemplação, a intuição, aquela que mostra e guia o caminho. Animus é a polaridade masculina, a força, a batalha, a agilidade, aquele que toma as atitudes práticas. A jornada do herói é uma linha estrutural na qual escritores, cineastas e contadores de histórias costumam se guiar para elaborar seus enredos). Fiquei um pouco mais satisfeita ao ver Éowyn.saindo da condição que mulher apaixonada, que espera seu amado, para guerreira e como ela não toma Arwen como sua rival. Não sei se isso é representado no livro, mas gostei imensamente quando ela diz “Mas eu não sou um homem”, e salva o rei, lutando.

Enfim, todos os personagens demonstram fraquezas, medos, traumas, defeitos e não é de se admirar que tantos adultos se sintam identificados com a história e os personagens. O Senhor dos anéis toca em muitos arquétipos presentes no nosso dia-a-dia e a batalha interna do bem contra o mal é sempre presente em nossas vidas. É confortante pensar que qualquer pode cair, mas que todos temos força para lutar.

Continua não sendo meu gênero favorito e nem a história mais original que já vi, mas é fato que foi muito bem ambientada e que Tolkien era extremamente criterioso e comprometido. Acredito que a leitura dos livros não seja nada fácil. Por isso mesmo, O Hobbit está na minha lista de leitura para 2015.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Tempo

O distanciamento causa novas percepções. Não estar mais dentro do conflito pode tanto ser um agente superficial, quanto um otimizador do olhar. O tempo passa agora seguindo um ritmo antes desconhecido, talvez o seu próprio, sem distorções da realidade. Antes, era um tempo deslocado, que trazia do futuro medos que não existiam e do passado dores ainda não curadas.
Não posso dizer que o tempo me pertence, mas que já sei lidar com ele em seu compasso. Aprendi a seguir suas regras e entender que tudo caminha na hora que tem de caminhar. Posso , ao largo disso, me reconstruir por dentro, me apropriar do meu próprio fluxo, meu próprio tempo e deixar que o relógio cumpra sua função sem que minhas mãos tentem o deter.


sábado, 19 de abril de 2014

Blogagem coletiva- 5 discos e 5 personagens




Faço parte do grupo Rotaroots  no Facebook e todo mês eles criam uma blogagem coletiva =). Eu já respondi um meme parecido esses dias  (10 discos que marcaram sua vida), mas esse pedia para que marcássemos os primeiros discos que viessem a sua mente. Dessa vez, farei os daqui com mais reflexão.

5 álbuns que marcaram minha vida


1-No need to argue- The Cramberries


The Cramberries é uma banda que marcou fortemente minha nfância e pré adolescência. Lembro-me que quando criança, ouvia Linger repetidas vezes na casa da minha avó parterna. Essa lembrança me traz uma nostalgia imensa daquela época, em especial do meu primo Thiago, que foi uma grande influência na minha adolescência. Ele era o único que acreditava em mim, me incentivava a desenhar, a ler e até tentou me ensinar a andar de skate. A melancolia dele era muito parecida com a que eu já sentia, mais ainda com a aque viria a sentir nos próximos anos. A música que marcou muito meus 12/13 anos e  minha sétima série foi Ode to my Family. Esse álbum me faz pensar muito sobre mim mesma, minhas origens, minha identidade.

 2-   Magic Mystery Tour/ Revolver / Let it be – The Beatles






Não adianta! Beatles é a banda da minha vida e sempre será! Em especial da minha adolescência, mais em especial ainda da época que sai da escola e comecei a de certa forma, conhecer o mundo.  Beatles me acompanhou nas minhas primeiras descobertas sobre como eu poderia ser mais do que imaginava e nos meus primeiros pânicos pelo mesmo motivo, nas minhas viagens meditativas no quarto tentando me entender, nos meus ouvidos enquanto eu caminhava pelo centro indo a alguma entrevista de emprego ou  na feirinha hippie da Praça da República. Na minha única experiência propositalmente fora de consciência ,em vez de ouvir a música que tocava no ambiente, eu ouvia Lovely Rita! A única música que me fez chorar na Virada Cultural foi Something e a única musiquinha em inglês que eu tentava cantar quando era criança é Love me do.  Claro que ter Beatles como banda favorita e “da vida” não é a coisa mais original do mundo, mas faz parte de mim, então...
P.S: Impossível escolher um álbum só deles, tive que compilar =P.


 3-OK. Computer- Radiohead


Álbum imprescindível!  De novo, mais uma banda que fala muito sobre mim  e de certa forma, como minha mente funciona. Radiohead é como se fosse um pedaço do meu coração entregue ao mundo.


4-Unleash Memories- Lacuna Coil


Tanto este álbum como o Comalies marcaram muito minha vida de 2008 a 2012, aproximadamente. Foi a época que fiquei mais Metal, por assim dizer, e como não poderia deixar de ser, influenciada também pelo meu antigo namoro, embora eu já ouvisse Lacuna Coil desde meus 14 anos. Lacuna tem uma coisa que gosto muito: Uma vocalista forte! Cristina Scabbia sempre foi uma inspiração pra mim, tanto musicalmente como em personalidade, além de acha-la uma das mulheres mais sexys do universo!

Cristina Scabbia, quero estar assim aos 41 aninhos


5-A tempestade-Legião Urbana


Eu gostaria de colocar Los Hermanos, Mutantes , Novos Baianos, Ludov, uma série enorme de bandas e discos que me marcaram, mas infelizmente, tenho que escolher apenas 5 (ao menos 5 bandas). Bem, A tempestade foi o álbum que acompanhou minha fase mais pesada da depressão, então tirá-lo dessa lista, apesar de de ser um pouco ser doloroso, seria muito hipócrita. Nada mais a acrescentar, a não ser que fala da dor que eu senti de forma magistral.


5 personagens que eu gostaria de ser

1-      Sabina- A  insustentável leveza do ser- Milan Kundera



Sabina é bem isso: a parte que eu gostaria de ser. Em muitas coisas nos identificamos, como sermos artistas plásticas, politizadas e lidarmos bem com nossa sexualidade, cada uma da maneira que escolheu, claro. Mas Sabina tem um desprendimento, um certo egoísmo que eu gostaria de ter. Ela não se prende a ninguém, nem a lugar nem a sentimentos, segue apenas ela mesma e seus anseios. Se for para me identificar sentimentalmente, certamente me pareço mais com  Tereza, apegada, romântica e dependente.

2-      Sakura Card Captors



O mundo de fantasia e particular em que Sakura vive lembra muito minha própria personalidade em alguns momentos da vida, a forma como sou apegada a valores intensos mesmo a frente a ceticismo e prefiro mantê-los apenas para mim, fazendo quase um mundo só meu.  Também me identifico com a coragem e nobreza de Sakura, junto a teimosia e imaturidade, claro.

 3-      Lorelei- Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres- Clarice Lispector


Quando li esse livro, senti-me deflorada por Clarice! Lorelei sou eu!Apenas sou eu!Explico mais aqui.


4-Amélie- O Fabuloso Destino de Amélie Poulain



Eu não tenho a timidez exacerbada de Amélie, nem tanto seu medo de enfrentar grandes desafios da vida, mas a forma como nos dedicamos a fazer “pequenas bondades” e valorizamos nossos “pequenos prazeres” no dia –a – dia faz com que eu me sinta especialmente ligada a ela. Muitas vezes, tenho raiva dela como tenho de mim mesma.

5-Sara – Labirinto, a magia do tempo



Só queria muito viver uma aventura como ela viveu! O coração nobre de Sara, mais sua imprudência e perseverança, junto com sua ingenuidade e falta de noção faz com que nos identifiquemos muito,rs.

Gostaria de colocar 100 álbuns e 100 personagens, mas é isso por enquanto.


quarta-feira, 10 de abril de 2013

Olhar para onde olha o Olho de Deus



 Aprendi que a melhor forma é não se desesperar e acreditar, mesmo que muitas vezes seja difícil, que tudo vem ao seu tempo.
Depois de anos e anos, estou vendo que de fato, as coisas acontecem de uma forma porque é assim que devem acontecer. Pode parecer um tanto comodista essa afirmação, mas ela não é. Aceitando que as coisas foram como tinham de ser, você aprende a não se conformar com a forma que elas SÃO. Você nota que pode mudar aquilo que estiver ao seu alcance, mas graças a Deus, você não tem controle sobre tudo. Esse Ser superior sabe muito mais do que você, te conhece muito , muito melhor do que você mesmo e Ele sabe o que  lá na frente te fará feliz, então toma caminhos ,muitas vezes tão dolorosos, para que você aprenda, se molde, entenda qual a sua verdadeira importância aqui.
Não vou me desesperar mais, nem me lamentar. O que passou tem seu sentido, o que passo tem seu sentido, o que passarei terá seu sentido.  Não estamos jogados como bonecos aqui nesse mundo, somos protagonistas, cada qual, de uma história.

Olho de Deus, feito por mim

Olho de Deus, feito por mim

Olhos de Deus feitos por mim, pendurados em meu quarto

Olho de Deus que fiz e eu ^^

Mandala feita com a técnica do Olho de Deus, feita por mim

O outro lado da Mandala, rs.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

A anima e a mulher (cadê nossa identidade?)


Deusa grega Hestia, representa muito a introspecção e o auto-conhecimento feminino.

Acho que 2012 foi o ano mais político desse bloguinho, com vários posts sobre o tema, feministas em sua maioria.
Alguma pessoas dizem que o fato de você ser contra o machismo já te torna feminista. Eu  não gosto muito dessa associação. Pra mim feminismo é uma escolha consciente. O fato de você ter atitudes cristãs não te faz um cristão, você pode ter essas atitudes, como ser misericordioso e tudo o mais, e se considerar ateu ou qualquer outra coisa. Feminismo pra mim é uma postura política consciente, não é um “você não sabe,mas é feminista”. Nada a ver.
Ah,eu já me declarei feminista várias vezes, mas não sei...Não é nesse feminismo midiático que acredito e nem gosto de fazer disso uma bandeira. Também não concordo com vários discursos que vejo como sendo feministas, para mim, alguns deles não são saudáveis. Não gosto muito dessa ideia de desconstruir totalmente o papel do feminino. Não estou aqui falando sobre papeis de gêneros, até porque o feminino deve estar presente na vida dos homens, assim como o masculino também deve estar presente na vida das mulheres. São duas polaridades que devem andar juntas, casarem-se, uma não deve sobressair a outra. O que infelizmente aconteceu é que o patriarcado veio se sobrepondo ao matriarcado, de maneira a desprezar tudo o que parte do feminino e colocar como “irracional”. Há mulheres que desprezam o que esse ciclo feminino representa. Elas desprezam que tenhamos um apelo maternal muito forte, desprezam que não é apenas com a razão que conseguimos vislumbrar as coisas, mas também com as emoções e a intuição, desprezam que sejamos filhas da natureza e elas mesmas ajudam a bater o martelo patriarcal, dizendo que tudo isso é pobre, irracional, juntando-se a estes valores masculinos que colocam apenas o pensamento, o raciocínio, o trabalho industrial e outros valores que eu particularmente, não vejo empedramento nenhum,  como formas de libertação. Eu gosto de ser mulher, eu gosto desse feminino sagrado, dessa sabedoria que foi devastada e colocada como suja pelo poder patriarcal. As mulheres estão perdendo esse contato com elas mesmas, e isso é triste.Eu penso que só conseguiremos nos sentir livres e empoderadas novamente quando entendermos que sempre tivemos um papel forte e conseguirmos não destruir, mas resgatar isso.  Eu vejo muitas mulheres falando e fazendo “eu não preciso disso pra ser mulher”, “não preciso menstruar pra ser mulher”, “não preciso ter filhos pra ser mulher”, “não preciso ser amorosa pra ser mulher”,”não preciso de respeito com meu corpo pra ser mulher”, “não preciso de intuição pra ser mulher”, “ não preciso  de afetividade pra ser mulher”. Realmente, você não precisa de nada disso para ser mulher, no sentido biológico da palavra. Você ,infelizmente, só está se tornando um projeto do patriarcado  sem notar, já que o que esse sistema fez foi chegar massacrando tudo o que fosse ligado ao feminino ,colocando a maternidade como uma obrigação a ser cumprida, o prazer corporal da mulher (porque a mulher é muitos mais ligada a terra, a sensação, ao corpo que o homem) como pecado, a menstruação como nojenta, a intuição como falta de inteligência, os trabalhos domésticos (que devem ser feitos tanto por mulheres como homens, hein!) como baixos, a emotividade como histeria, o choro como fraqueza,  a sensibilidade como misticismo, o enfeitar-se como vulgaridade, o acolhimento como “passar a mão na cabeça”, etc.
Claro que você não é obrigada a gostar de tudo isso e ser dessa maneira para “ser mulher”, somos seres diferentes. Eu mesma não gosto e nem tenho jeito com trabalhos manuais, nem com cozinhar. Já meu namorado tem. Também não sou muito de ficar “mimando” as pessoas, já meu namorado é mais acolhedor que eu nessa parte. Todos nós temos o nosso Animus (energia psíquica masculina, ligada a agressividade, assertividade, vitalidade) e nossa Anima (energia psíquica feminina, ligada a intuição, a introspecção, ao simbólico,  as emoções). Basta pesquisar sobre e vocês verão que muitos antes de falaram-se de machismo, essas duas polaridades tinham essas mesmas distinções de masculino e feminino . Acontece que antigamente, o masculino e o feminino eram vistos como sendo ambos essenciais, todo ser humano precisava dessas duas polaridades e ambas eram respeitadas. Hoje em dia não, apenas o Animus é visto como algo bom, a Anima é vista como fraqueza, e infelizmente, vista assim por muitas mulheres.
Bah, só sei que quero dar um tempo nesses rompantes femininos. Quiçá, feministas.

P.S: Pessoal, pra quem quiser seguir, esse é meu Tumblr com meus desenhos e pinturas. Queria colocar um atalho aqui no blog, alguém sabe como fazer isso? http://aneeterea.tumblr.com/

domingo, 20 de janeiro de 2013

As tranças não representam toda Rapunzel



Antes eu tinha uma angústia, uma busca de tentar ser alguém longe de quem sou. Tudo o que eu fazia, destruía. Meus diários foram todos queimados, meus brinquedos doados, minhas roupas desfeitas. Queria ser algo, qualquer coisa que não me trouxesse aquela aflição, aquela ferida aberta que doía todos os dias.Parecia que apagando meus registros, estava apagando da minha memória meus erros, minhas dores.Apagando quem me fez sofrer, apagando quem disse que eu não seria nada. Mas não adiantou, tudo continuou aqui, aqui...mais sombra se tornou,mais forte ficou, e enfim, eu sucumbi.
Hoje eu quero registrar tudo, cada momento!É por isso que eu tenho esse blog, para de tempos em tempos eu voltar aqui e ver que eu fiz o que pude, que eu não fui de todo errada. Guardo cadernos, guardo diários, bilhetes e cartinhas. É tudo meu, não quero que joguem fora. Cansei de perder-me de mim.
Muitas pessoas acham que pelo fato de escrever bastante, de ter algo público ou de me comunicar abertamente em salas, congressos, sou alguém bem resolvida ou extrovertida. O que não sabem é que sou aquilo só naquele momento, é que extravaso de uma vez só para depois recolher-me na mais alta masmorra. O que eles veem é só a pequena ponta do iceberg, dentro de mim tem muito, muito mais. Se me acham intensa pelo pouco que mostro externamente, não queiram me conhecer por inteira. Vocês não irão suportar, nem eu mesma suporto.
Exponho-me para respirar, sair da minha torre. Dentro de mim, há horas e horas, anos e anos, séculos, milênios de solidão. Eu fujo das festas, dos bate papos diários, dos encontros furtivos, do tempo perdido interagindo com quem não me entende. E não tente me convencer que é só questão de me deixar levar, porque eu não quero ir. Vou ficar aqui parada, sozinha, quero minha solidão.
Fico pensando:  se acham que me conhecem pelo pouco que exponho, e muitos pensam que me exponho de mais, qual será a profundidade geral das pessoas, por acharem que esse fragmento que veem é o que me representa?Todos terão o tamanho dessa pequena ponta de iceberg?