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sexta-feira, 17 de abril de 2020

Nude



Despida. Notei que estou cada vez mais nua. Mas não porque me basto ou me aceito,mas por que , pouco a pouco, fui desfazendo das minhas características por ter vergonha delas parecerem berrantes aos outros.
Sem perceber, fui deixando meus sonhos. Sem perceber, fui ficando muda. Sem perceber, tirei meus cristais do pescoço, meu lápis do olho  e minha cor da boca. Amanheci e adormeci apenas para reproduzir o que todos fazem. Me despi , me descaracterizei. Não ando mais torto, não olho mais nos olhos, não sou mais assertiva e nem me orgulho das minhas peculiaridades, pois fui guradando todas dentro de uma bolsa velha e gasta, a única coisa que carrego: uma bolsa cheia de tralhas. Tralhas que me faziam ser quem eu sou.E assim achei que encontraria paz. Certo, lá fora se calaram. Mas aqui dentro, eu enlouqueci!

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

"Ou foi o tombo do navio ou foi o balanço do mar..."


Duas palavras me definiam: medo e preconceito!
O medo era do desconhecido, ou pior, do conhecido,pois eu sabia desde sempre que muitas coisas iriam mexer comigo. Sonhos já me avisavam há muitos anos! E se eu perdesse o controle? E se algo ruim estivesse ali?
O preconceito,aquele mau e velho, construído na nossa mente assim que pisamos em uma sociedade dita cristã: “lá tem Exú, lá tem demônio, lá tem diabo, lá tem belzebu, lá tem o tinhoso!”. E o preconceito que aprendi no meio acadêmico: "religião hipster, só branco classe média frequenta! Há anos deixou de ser raiz!".
Mas desde que comecei com a magia, o fato de não conseguir me conectar com deuses me incomodava muito! Eu não sigo roda do ano, não faço pedido pra Apolo, não  consigo dialogar com algo que não me toca, que não faz parte da minha cultura! Ainda peço pra Jesus e tenho um grande amor por Nossa Senhora Aparecida. Que bruxona é essa que tá pedindo pra deus cristão?
Tudo isso e outras coisas foram me levando à pensar “Mas aqui no Brasil tem uma religião mágica que cultua os deuses que eu conheço!”. E quando eu menos esperava,essas divindades começaram a se comunicar comigo por diversas maneiras! Surgiu uma necessidade, uma sede tão grande de conhecer cada uma delas que meu preconceito se tornou pequeno diante de tanta grandiosidade! E então, me permiti!
Meu coração acelerou,minha respiração sumiu, meus braços e mãos tremeram e eu senti algo que religião nenhuma havia me proporcionado,que é  sentimento de plenitude, de poder alcançar o divino sendo exatamente quem sou! Um lugar onde eu posso ser magia, ser cristã, ser benzedeira, ser eu mesma,sem me sentir errada!
Agradeço ao plano espiritual que vem me modificando e me ajudou à ultrapassar as barreiras no momento certo para que eu pudesse ter a maturidade de entender o que a umbanda seria na minha vida!
Saravá!

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Plantio

Eu deixei de ser romântica há muito tempo, se é que um dia eu fui. Otimista eu sou, mas a realidade é o terreno que piso e eu vivo no presente! Por isso mesmo, vou plantando exaustivamente para que essa realidade seja melhor daqui há alguns anos. Planto sementes em mim quando cuido da minha mente para ser uma pessoa melhor e planto sementes em quem ensino, para que sejam pessoas melhores. Todas essas sementes são colhidas em anos de crítica, sensibilidade, luta e estudo. É fácil falar nomes de teóricos e decorar trechos de livros. Fácil e necessário, pois são parte das sementes à serem plantadas. Mas sujar a mão de terra, poucos fazem. Colocar a cara à tapa, poucos colocam.
Plantar cansa, mas dá resultado! Se não hoje, talvez daqui 10 anos. Nem tudo vai germinar, mas muita coisa eu sei que vai, pois todo dia eu águo um pouco! Talvez eu mesma não colha, mas valerá a pena para quem colher o que tento deixar como legado!

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

É a vida

Esse ano eu me dei conta que a vida é assim.
Se eu ganhar mais, a vida é assim.
Se eu trocar o remédio, a vida é assim.
Se eu trocar de emprego, a vida é assim.
Se eu emagrecer,a vida é assim.
Se eu mudar de cidade, a vida é assim.
Se eu tiver um filho.
Se eu casar.
Se eu terminar.
Se eu me pós-graduar.
Se eu me espiritualizar no poder de Cristo, de Krishna ou de Oxalá. Ou de ninguém.
E nada do que eu faça vai mudar o fato de que a vida é essa,tal como ela é.
Porque a vida sou eu.
Sou eu lidando comigo.
Sou eu até o fim.

domingo, 21 de julho de 2019

Espiritualpolítica


Eu não quero uma espiritualidade que me ensina que todo mundo nasceu com lugar marcado,com destino certo e com cabeça fechada. Não quero achar que minha fé é prova de superioridade perante quem não a tem manifestada da mesma forma que eu!

Eu tenho nojo desse povo que se enterra na yoga e não olha pro cenário pra não desalinhar os chacras! Eu desprezo quem fala que somos a pátria do evangelho e vota em quem mataria seu Cristo! Meu asco vai pra bruxa do bem que faz cházinho e vibra amor, mas comemora a morte de criança neta de político!

Eu não quero elevar meu estado vibracional para deixar de ver quem passa frio e fome. Não quero ser benzida por quem acha que indígena é vagabundo e que racismo é coisa que os próprios pretos criaram.

Deus me proteja da espiritualidade que não tem humanidade!Que meu Santo seja mais forte que esses falsos profetas!

Por isso que hoje eu sei que a melhor forma de alcançar a paz interior, é sendo menos escrota no exterior que me cerca!

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Só se é, sendo!

Em uma Dança circular,  pediram para oferecer ao centro da roda uma qualidade nossa.E eu ofereci “Coragem”! Em uma entrevista, comecei dizendo que sempre foi minha “falta de noção” que me levou onde eu queria. Talvez o meme “Coragem, porque noção você não tem!” se encaixe em mim de uma maneira um tanto peculiar.
Um amigo me disse que “tudo isso servirá para sua formação, sua forja, para saber o que fazer e principalmente o que não fazer” e foi um baque perceber que a minha formação se dá muito mais na prática do que nos diplomas. Principalmente a parte do que não ser e como não fazer. E igualmente, o que fazer para não ir com a maré. Como olhar para dentro e pensar “agora, tudo que você fala pra eles na sala, você vai provar na sua prática diária”. Entender que aluno não se educa pelo que você fala, mas por quem você é!
Eu só fui entender o que é ser professora quando de fato, me tornei uma! Plenamente! E isso só aconteceu semana passada!
Porque falar qualquer um fala, mas, citando outro amigo: brincar sim, é revolucionário!


segunda-feira, 3 de junho de 2019

Lecionando (?)

“Como eu vim parar aqui?”
Desde que iniciei as aulas na prefeitura me faço essa pergunta.Todos os dias me vejo em um ambiente que exige mais do que posso dar. Olho todas aquelas crianças com certo desespero de “O que estou fazendo aqui?”.
Não falo da minha capacidade de ensinar pedagógico ou do domínio da matéria pela qual entrei no concurso. Falo , de fato, em qual a minha relevância naquele ambiente onde mais do que aprender as cores primárias, lido com seres humanos pré- encarnados que necessitam aprender sobre a vida. Muitas vezes não escuto como deveria.Só tenho 45 minutos para dar atenção à 30 seres que,sei bem, em grande maioria, só tem a imagem do professor para dizer o que sentem ou pensam. Me irrito com o que mais precisa de mim. Não vejo o que parece estar bem,mas não está. Não tenho nem se quer me visto.Ouço todos os dias histórias que sei que, o máximo que posso fazer, é tentar orientar por meio de livros e reflexões. Quem olha por essa criança? Eu olho?
Tem sido difícil, confuso e sacrificante. Vale a pena, mas uma pena só não faz ninguém alçar vôo. E eu sou só uma pena em um sistema que é expert em cortar asas.
Vale a pena?
Quem me escolheu para ser professora?

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Gotas

O universo é fantástico! Ele faz com que eu me depare com quebras rítmicas quando penso que estou cheia de certezas. Certezas essas que já tive muitas outras vezes e que hoje são relatos de minha trajetória.
Quando começo a imergir novamente em um mundo que penso ter me encontrado, abraçando-o com braços e pernas, o conta gotas da racionalidade começa a pingar lentamente sobre os meus olhos e passo a ver o que talvez, meu ego não queria. “De novo? Você já não viu e viveu esse filme?”
Por quantas iniciações terei de passar para acreditar em algo que me transforme em alguém especial? De quantas bocas mestras terei de ouvir que encontrei o caminho?
Glória a Deus nas alturas, que não me privou de bom senso! Salve a Deusa que me dá discernimento! Sagrados são os elementais que me cercam e me quebram as expectativas!
Ou tudo isso não seria apenas aquele meu lado que desconheço?
O consciente me faz crer, mas o inconsciente sempre me salva!

sábado, 16 de março de 2019

Auto-defesa

Eu não sou uma pessoa naturalmente combativa, eu aprendi a ser.Aprendi que nesse mundo, ninguém fará por mim o que eu mesma tenho que fazer e culpar os outros pelas minhas responsabilidades é algo que não leva ser humano à lugar nenhum!
Sempre tive o básico, coisa que muitos não tiveram. Mas cedo eu entendi, que se quisesse ir além, eu mesma teria que acordar de manhã, enfrentar filas, trens lotados, postos de saúde. Tive muito apoio familiar, muito dinheiro emprestado, muita carona, o que faz com que eu ainda me considere privilegiada. Mas quem venceu as batalhas fui eu! Quem levantou para trabalhar e estudar para manter o próprio tratamento, pagar as próprias dívidas, adquirir mais conhecimento, é essa que vos escreve!
Tive que aprender que não importa se sou compreensiva e prefiro dialogar, tenho que sempre ter o respaldo das leis e formar uma rede de proteção, além de me informar muito bem para ter argumentos fortes os suficiente para me defender. Não interessa se ele/a é alguém que gosto ou difícil de lidar, se é meu chefe, uma empresa, tenho resolver meus conflitos.Se possível, de maneira pacífica. Se não, estar preparada para tal! Engolir sapos e injustiças não prejudica ninguém mais, ninguém menos que eu mesma e eu tenho que cuidar de mim.
Aprendi a ser militante, à reconhecer meu papel de classe e a lutar pelos meus direitos. A não ser dócil e falar até ser ouvida, ou tomar atitudes que condizem comigo mesma sem a opinião dos outros.Aprendi até mesmo que nessa vida, todos estamos sozinhos e com isso, mesmo que eu faça parte de uma ideologia que deve proteger à todos, não contar com a ajuda de ninguém.
Não me tornei raivosa, não me tornei histérica, não me tornei endurecida. Me tornei o que o homem sempre teve liberdade de ser: uma cidadã que tem ciência de sua relevância na sociedade e que com isso, pode se colocar no mundo!
Não me calo! Não me rebaixo! Vou até o fim para defender a única pessoa que pode lutar por mim: eu mesma!

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Um texto amargurado

A morte já foi um desejo, hoje é apenas um medo e uma incógnita. O medo é pelos que não sou, a incógnita é por mim.

Quando mais jovem, já pedi por ela, escreví cartas de despedida e planejei sua chegada por meios mais autorais. Ela porém, caprichosa, só vem quando quer, mesmo que não queiramos ou que a queiramos muito. Com muita análise, aspirina e descarrego, fui aceitando que estar aqui é uma condição nem tão boa e nem tão ruim, quiçá escolhida em um lugar distante. E já que a vida precisa ser preenchida, o melhor que faço é preenchê-la fazendo pelos outros o que ninguém em sã consciência quer fazer. Seria esse uma espécie de karma?Sendo ou não, não quero morrer logo, ainda tenho muito karma pra queimar.

Enquanto os outros vão embora, sinto um misto de saudade carnal com inveja e alívio! Dói pra caralho, mas eu sei que estão bem.

Qualquer lugar é melhor que aqui!

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Zen de ZL



Tenho recebido o adjetivo “zen”. As pessoas vem falando que eu passo “uma energia boa”  e que “queriam ter a minha paz”.
De fato, ano passado comecei a procurar lugares onde eu pudesse desenvolver minhas necessidades espirituais. Minha mediunidade é bastante aflorada e não adianta: se eu não me cuido, sucumbo.
A religação com a espiritualidade me trouxe mudanças vistas,mas nenhuma delas veio da paz, mas do caos!
O Caos de atravessar a comunidade para ir para o centro espírita, de levar duas horas para ir e duas para voltar de um curso cheio de preconceitos (pago, diga-se de passagem), mas que me dava um certo respaldo sobre minhas questões. O caos de meditar de madrugada com os sons das balas perdidas, cachorros latindo,guardinha passando e os moleques da rua brigando. O caos de pagar R$70 parcelado nas “trocas de energia”. De ter parado a terapia, que eu já fazia de 15 em 15 dias com preço popular, para poder investir na espiritualidade. O caos de atender por quase 3 anos pessoas em grande sofrimento social,sofrendo ameaças constantes E agora, novo caos de mais 3h00 de transporte público tds os dias para trabalhar com 30 alminhas a cada 45 minutos, que muitas vezes não tem o que comer em casa.
E eu tenho sorte!
Tenho papai que levanta para preparar meu café da manhã. Tenho mamãe que faz o meu almoço, lava e passa minhas roupas. E eu ainda faço cara de nojo quando a janta é frango e atraso a conta de telefone por que eles ainda tem a pachorra de entender que esse mês gastei muito comigo mesma!
Eu sei que tenho privilégios por poder parar e pensar criticamente sobre a minha espiritualidade, por ela não precisar ser minha única alternativa para esquecer uma vida de miséria. E esse privilégio veio não apenas depois que eu percebi dentro de mim mesma que eu precisava me libertar, mas quando eu comecei a circular espaços diferentes, que me mostravam que Deus não estava só dentro da igreja autoritária que condenava a mulher que cortasse o cabelo. Para eu perceber que Deus não me mandaria para o inferno por usar calça ou fazer sexo, eu precisei de oportunidades!
Quem consegue pensar criticamente sobre o espiritual trabalhando 12h? Quem consegue pensar numa alimentação sem carne e livre de agrotóxicos?
Toda vez que eu ouço sobre “O Sagrado feminino somos todas irmãs namastê”, eu penso nas mulheres em situação de rua que atendi que nem sequer podiam escolher entre comprar um absorvente ou uma pedra de crack com os 5 conto que conseguiram se prostituindo.
Eu não sou zen não!Eu tento me equilibrar para conseguir entender esse caos!
Eu quero paz só se ela for provinda da mudança!

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Texto de shopping

Tinha esquecido a sensação de ser quem realmente sou. E a sensação é essa: nada! Nada de mais, nada de menos. Totalmente perdida!
Isso não é ruim e nem bom, é apenas ser.
Não sou aquela mulher intensa que se joga em tudo de cabeça , até perder o ar. Sou não.
Não sou aquela mulher comedida e discreta, que tem um ar de mistério. Sou bem transparente e besta, mistério nenhum.
Não sou uma mulher fatal, não sou uma mulher elegante, sou isso aí: normal.
Alguns me chamam de excêntrica.Falam do meus gostos e minhas roupas,das escolhas que fiz na vida. O que há de excêntrico numa garota que prefere ficar em casa sábado à noite fazendo a unha e tomando café? O que ela tem pra mostrar que você já não conheça de cor?
Sou uma pessoa simples. Uma pessoa que fica feliz quando meus pais estão em casa, que lê os mesmos livros, que escreve quando está triste. E que fica ainda mais triste escrevendo.Não faço grandes feitiços em meu caldeirão. No máximo acendo uma vela pro anjo da guarda guiar meus caminhos e limpar meu coração das agruras do amor.O amor… nesse eu me benzo todo dia!
O mistério de ser o que sou,então, é só para mim, que ainda não me achei. Mas pra você, eu só sou uma pessoa que gosta de amar, da paixão enlouquecida até as flores amarelas que encontro no caminho do trabalho

domingo, 4 de novembro de 2018

Eu (não sou um), robô



Eu nunca soube administrar nem tempo, nem dinheiro, muito menos emoções e sentimentos e isso tem ficado cada vez mais evidente.
Dou tudo de mim ao que acho importante. Quando criança, lia livros numa virada de noite, mesmo sabendo que ficaria com sono na escola pela manhã. Quando assisto séries , fico obcecada, vivendo todos os dias com aqueles personagens. Quando gosto de um tipo de música, busco a fundo tudo sobre ela e me esqueço que existem outros.
Eu fui uma garota rebelde até meus 20 anos, quando conheci meu primeiro namorado. Eu literalmente me esqueci. Vivi para ele e por ele, tentando consertar tudo em sua vida, tentando ser tudo o que a mãe, professora, irmã, tia, babá,  Deus, não foi. A devolutiva, obvio, era quase 0.
Aos 24, meu segundo relacionamento. Idem, mas neste a devolutiva era um pouco maior, o que fez até mesmo eu ter um pouco de  tempo para reconhecer-me e prover mudanças em minha vida. Ainda assim, minha dedicação a mim mesma nunca chegou aos pés a dedicação que tive por ele.
 No meu trabalho, esqueço-me de mim cmpletamente . Já atendi mulheres despedaçadas quando eu mesma estava. Já falei sobre a vida quando eu mesma queria morrer. Já subi e desci escadas, planejei ações quando eu achava que não teria condições de estar de pé. Quando chego em casa, só o que quero é dormir. Um cansaço descomunal me pega. Só acordo para novamente trabalhar, novamente me dedicar a ele, novamente ser para todos e não ser para mim.
Apesar de tudo , não sei como, consegui cuidar das minhas obrigações automaticamente. Formei-me, me pós graduei, me formei de novo, fiz inglês, trabalhei, mandei currículo, trabalhei de novo, fui no médico, tomei remédio, troquei remédio, passei em concurso, fiz perícia vou fazer de novo...Mas eu não sinto nada. Para mim, não sobra nada.
O prazer que venho sentindo é a reconexão com a espiritualidade, que quanto mais aflora, mais empoderada e plena me faz , e como é da minha personalidade, absorvo absolutamente tudo sobre todas as crenças, ritos e magias  que estão em meu caminho. E meu único prazer tem sido um problema em minhas relações, pois ele está me fazendo crescer e o outro, se sentir diminuído.
São meus ritos que tem me devolvido a humanidade. Pouco a pouco, volto a prestar atenção nas plantas que cultivo em casa, na lua que me ilumina, no prazer de ser quem eu sou. Escrevo esse texto em lágrimas, mas o que quero dizer é que se reconectar consigo faz você se desconectar do que te machuca e te entristece. Faz você querer ser tratada melhor , com o mesmo carinho e dedicação que você tem aprendido a administrar e dar uma parcela a si mesma. Você aprende a se respeitar, a saber que é uma filha dos deuses e que por isso, não pode permitir que te maltratem, sendo que Deus e a natureza te criaram  com tanto amor.
Você merece amor. Você é humana e não um robô!


domingo, 2 de setembro de 2018

Quem cuida dos cuidadores?



Como sempre gostei muito de escrever, meu sonho era ser uma jornalista. Imaginava-me em redações falando com as pessoas por meio da escrita, de forma á informa-las e ajuda-las em seu dia-a-dia. Quando entrei no meio da comunicação acadêmica, percebi o quão agressivo era o ambiente e que em nada tinha a ver com o que eu queria, que era ajudar pessoas.

Meio sem querer, caí na área da educação. E mesmo não sendo exatamente o que eu esperava, me inspirei em grandes educadores que passaram por mim e me transformaram para assim, criar um perfil de educador que além de ensinar uma matéria, ensina sobre a vida e suas inúmeras possibilidades. Mas algo ainda me faltava! Eu não queria apenas alcançar o consciente sabendo que o inconsciente tinha muito mais á ser explorado! Foi quando comecei a pesquisar sobre Carl Gustav Jung e Nise da Silveira, percebendo que em toda minha vida, eu sempre quis cuidar de pessoas!

Fiz pedagogia, um ano de psicologia, me formei em arteterapia, me interessei pelo Reiki e há cada dia que passa adentro no universo da transformação do ser humano, vendo-o além de um CID, de um determinante clínico, de uma barreira imposta pela sociedade onde o rotulam como incapaz ou subserviente.

Amo e sou realizada no que faço!

A única questão que eu não me dava conta é que mesmo me preparando em cursos, palestras e estudos paralelos, não seria nada fácil!

Temos um sistema, toda uma estrutura,  que não nos permite avançar para além das clínicas, assistências e muros da escola! Ao cuidador não é oferecido cuidado, mas cobrado demandas. Demandas essas que infelizmente, não temos como abarcar e nos deixam com a sensação de impotência. Com isso, é comum àquele que cuida se tornar o que mais precisa de cuidado, adoecendo e se tornando mais um na fila de espera do SUS ou pagando pelo seu tratamento em clínicas particulares, sempre com medo de ser descoberto! "Como verão o fato de eu precisar de cuidado? Não podem descobrir! Vão achar que não dou conta do meu trabalho!”. Isso não é coisa de uma instituição, é coisa de um sistema que pressiona que seus subordinados sejam de ferro! Que querem robôs e não pessoas de carne e osso! Isso é visto em escolas e seus professores deprimidos, em hospitais e seus profissionais desmotivados, em clínicas, museus, todo lugar! Exatamente em lugares onde tanto lutamos para oferecer um tratamento humanizado à quem cuidamos!

Comigo aconteceu de precisar esconder parte de minha história para adentrar em um concurso público no qual conquistei cargo de educadora .Quando decidi ser honesta com a minha situação, surgiram milhares de empecilhos, justificando que aquele que é apto á educar, não pode conter qualquer questão que necessite de cuidado em saúde mental. Como ter bons educadores quando lhes é negado o direito de cuidar da própria saúde? Depois, já fragilizada, deparar-me com com casos em que agressão, em suas inúmeras formas, está envolvida e sentindo medo, me perguntei: “Porque estou aqui, se não ajudo e nem tenho estrutura para fazer meu trabalho? Será que sirvo pra isso? Será que tenho condições de cuidar de alguém?”.

O fato de perceber que não sou de ferro, que algumas coisas vindas de pacientes/alunos me ferem quando não estou bem amparada, me assustou! Neste momento, estou em crise sobre meu papel dentro de uma instituição que não seja o de julgadora ou dona da verdade. Parece que quando estamos frágeis nosso campo de visão se fecha e começamos a ver tudo partindo de nosso próprio umbigo! A paciência se torna ínfima e o desejo de estar junto desaparece, virando apenas um cumprimento de rotina e tarefas. É esse tipo de professora/terapeuta/cuidadora que eu quero ser? Claro que não!Mas o que fazer?


Tenho buscado formas de me fortalecer e não me deixar sucumbir a um sistema sádico que faz com que os cuidadores lidem com o sofrimento não tendo direito de lidar com o seu próprio! Quero me permitir sofrer, me questionar, me descabelar e começar de novo! Não é por sermos fracos, mas porque somos seres humanos e necessitamos de fortalecimento emocional para ajudar aqueles que necessitam de nossa ajuda! Necessitamos reivindicar o direito de sermos seres humanos, de assumirmos nossa necessidade de apoio e mostrarmos que com respeito, amor e humanização dos setores de trabalho, conseguiremos dar nosso melhor naquilo que mais nos realizamos: cuidar de pessoas!

terça-feira, 3 de julho de 2018

O armário das vassouras não me cabe mais



Passei um tempo de recolhimento involuntário. Sim, involuntário!
“Meu Deus do céu! Porque não consigo mais me colocar no mundo???”
Minha arte sempre foi A forma como melhor existo e por algum tempo, acreditei que estava deixando de existir. Muita angústia me tomou nesses meses, mas não tristeza. Apenas um torpor que não me deixava criar mais nada!
Acontece que nesse tempo longe da minha criação, eu estava voltando aos meus criadores. Eu precisava mais deles do que achava que o mundo precisava de minhas ínfimas contribuições.
Deus? Cristo? Universo?
Há pelo menos três anos eu não me aproximava de minhas fortalezas espirituais, desde que decidi sair de dogmas e instituiçõe que muito ensinaram, mas também me podaram. Bem aos poucos, comecei reconectar-me e uma nova forma de olhar para esse Cristo pelo qual me batizei se iniciou dentro do meu conceito de espiritualidade. Passei ver-me também de uma forma diferente , como um ser infinito, cheio de caminhos anteriores e com muitas coisas à aprender. Uma boa dose de humildade não faz mal à ninguém!
Só que...
Muitos, antes de mim mesma, viam-me como bruxa e na leveza da vida, passei a me  identificar metaforicamente como tal; Ser bruxa é transformar dor em arte? Então eu sou! É ler a vida nas cartas do tarô, trabalhar com a força e a ajuda dos elementos ? Sempre fui então, poxa!  Mesmo quando recebia a linguagem dos anjos na igreja evangélica e tremia  ao sentir a presença de um Ser superior que me tomava os sentidos! Acontece que na hora certa, sinais de que algo a mais em minha jornada pessoal ainda estava para acontecer, começaram a surgir. E de uns tempos para cá, comecei a estudar sobre essa outra arte que me foi destinada em outras vidas: a magia! O poder pessoal que nos torna atuantes com o cosmos e nos deixa mais próxima de Deus, seja ele ou ela como você o reconhece!
De início tudo me pareceu uma brincadeira, mas com o tempo fui me reconhecendo e sentindo : Eu faço isso há anos, décadas, séculos! Estou apenas retomando os conhecimentos que me foram ensinados por mulheres antes de mim!
Não me sinto mal e nem destoante do que aprendi durante tantos anos dentro de um lar cristão. Se transformar água em vinho e curar pessoas com o poder da palavra, sempre cheia de amor e boas intenções não é um tipo máximo de magia, o que seria?  Com o espiritismo, aprendi que não existem milagres, tudo é natural !Nós é que não temos muitas vezes a evolução necessária para lidar com as energias universais. E é por isso mesmo que me identifiquei com esse tipo de magia, que não é religião e que não traz dogmas ou deidades para ser praticada: A Magia Natural!A Bruxaria Natural!
No fundo, mesmo cheios de entidades, nomes, invocações, cores, velas, véus, ritos, formas de ver a evolução espiritual...todos estamos no mesmo barco, indo para o mesmo destino e buscando a mesma sabedoria. Abençoado seja quem com ela transcender!
Que assim seja se for para o bem de todos!
Assim é!

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

O que me bloqueia?

Língua Apunhalada- Lygia Pape


Os anos. A vida que requer horas e planejamentos, nada fora da linha.
A certeza (minha certeza) de que não haverá quem leia ou aprecie. A impressão de que tudo que escrevo soa como algo banal, sem alcance ou relevância.
Os kilos ganhos, os assuntos escassos.  Parece que deixei de sentir, então nada brota,  nem flor  e nem capim seco. Nada cresce ou se desenvolve. Está tudo de baixo da terra.
Bloqueia-me  os assuntos tabus. “Não fale de mim, não fale de nós. Não fale de nada que possa dar a entender que sou eu”. “Não fale desse assunto, esconda ,pois irão te julgar e você irá perder o que lutou para conseguir”.
Não vão entender.
Nem você sabe se fazer entender!
Não fale sobre amor ou dor.
Não fale sobre transtorno mental.
Preserve-se.

 Se engula.

quarta-feira, 23 de março de 2016

É todo mundo reaça?



Meu pai é um homem simples, extremamente bondoso e evangélico fervoroso.

Quando criança, estudou até a quarta série e logo começou a trabalhar. Tanto ele quanto minha mãe foram jovens na  ditadura militar, mas viviam em um bairro pobre, sem televisão, passando fome e  sem conhecimento  das atrocidades que a ditadura cometia. Aliás, nem sabiam, como não sabem bem até hoje, que viviam um período ditatorial. Eles trabalhavam para poderem se casar e formar uma família, essa era a preocupação de ambos. Só depois de muito tempo de casados concluíram o segundo grau com o supletivo e se orgulham muito disso (eu também!).

Mais tarde, meu pai se tornou metalúrgico e no sindicato conheceu o PT. Filiou-se ao sindicado e lá conheceu um representante que era pobre e metalúrgico como ele, o Lula. Ele então, sentindo-se representado, filiou-se ao partido e acreditou em todas as mudanças prometidas.

Como a grande maioria, sofreu muitas decepções com o PT. Hoje em dia é um senhor aposentado que não recebe sua remuneração justa e é revoltado com o Lula por isso. Sendo ele um homem simples e decepcionado com o partido, é a favor de que o Lula e o PT paguem pelas promessas não cumpridas e pela corrupção envolvida. Eu também sou.

O problema é que meu pai, como tantos outros brasileiros com este mesmo perfil, ainda acredita no que noticiam na TV e se norteia pelos grandes escândalos de corrupção escolhidos seletivamente pelo Jornal Nacional e outros. Ele também acredita nas publicações do Facebook em que falam, por exemplo, que o filho do Lula é dono da Friboi.

Pessoas com esse perfil são muitas! São pessoas simples, honestas, gentis, trabalhadoras e que não fariam mal a ninguém, quanto mais a um cachorro de lencinho vermelho ou a um bebê de mijãozinho da mesma cor. Aliás, eles continuam usando vermelho sempre que essa cor está limpa.

Estamos errando e MUITO em dividir a política em duas polaridades e colocar todos os inconformados no mesmo balaio de gatos. A senhora que teve a aposentadoria roubada e se revolta com isso não é a patricinha que tira fotos com o mendigo.  O cara que está desempregado há mais de um ano e acha que é culpa do Dilma não é o cara que vota no Bolsonaro e diz que a culpa é dos nordestinos. Falta-nos compreender que essa polarização política foi incitada pela grande mídia e não somos Petistas contra Tucanos, comunistas contra reacionários.  Há um grande espectro de insatisfações, revoltas, defesas e argumentos que não são ouvidos e nem entendidos por estarmos apenas em dois lados extremos. Há realidades simplesmente ignoradas, pontos esquecidos, verdades absolutas.

O coro do golpe está ganhando força por vozes de pessoas que realmente só querem um país melhor e mais justo, mas estão sendo usadas por uma mídia inescrupulosa e manipuladora.  Cabe a nós não ataques, não xingamentos, não dar as costas, mas dialogar, ouvir e buscar informação junto com essas pessoas, e não julgá-las por terem caído em um jogo tão bem arquitetado, qualquer um de nós pode cair. O que temos que fazer é nos unirmos e lutarmos, saindo juntos dessa rede que tenta nos colocar uns contra os outros e a favor do golpe.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

2015: O ano Detox

Pinturas que fiz em 2015!


O ano de 2015 não foi um bom ano, mas também não foi um ano ruim.

Não aconteceram coisas grandiosas, foi na verdade um ano calmo, sem muitos  altos e baixos. Um ano apático, eu diria.Mas foi um tempo necessário em que com a calmaria, consegui colocar a casa em ordem. A casa sou eu, quero dizer.

Foi o primeiro ano em muitos em que pude respirar e me dar ao luxo de ter TEMPO.  Ano passado foi de inúmeras mudanças, foi praticamente o ano em que me tornei outra pessoa e deixei para trás ,na prática, muito do que me consumia e fazia mal. Foi como se eu tivesse desinstalado  programas pesados do meu software que estava cheio de vírus. Esse ano  de 2015, foi a época de fazer uma limpeza profunda dos resíduos que esses programas deixaram: as pastas vazias que só ocupavam espaço e memória, os spywares e malwares que eu não sabia que ainda estavam ali me atrapalhando o tempo todo, já que para mim, finalmente eu havia removido aquele vírus maligno que quase me fez entrar em pane. Mas os resíduos estavam ali, todos eles. Sai de um relacionamento muito abusivo e isso já foi ótimo, mas as consequências como medo, insegurança, ciúme, desconfiança, baixa auto-estima não saíram de mim. Sai de uma doutrina que me prendia e enchia de pavor, mas a sensação de estar sendo sempre vigiada por uma força invisível, os pesadelos com a possível entrada no inferno, estavam ali. Fora um balde de rancor, raiva, frustração e falta de entendimento que carreguei por toda minha vida.

Foram batalhas comigo mesma, mas com ajuda. Voltei pra terapia, iniciei uma nova mediação e resolvi que merecia por um fim nisso, por mim e pelos que me amavam, que eu também acabava fazendo sofrer. Foi e ainda é um processo duro esse de olhar para mim mesma e reconhecer as falhas, erros e auto sabotagens que cometo todos os dias. Mas posso dizer que pelo menos , 65% desse lixo interno foi eliminado e o restante está em processamento. Deu tão certo que fui liberada da terapia e sou considerada fora do quadro de depressão e essa é minha maior vitória de 2015! 

Consegui tirar muita culpa de minhas costas e das costas de outros, mas também pude enxergar que não tenho que ser sempre servil, posso e devo me impor. Não tenho que dar razão sempre pra quem me julga e não me conhece e nem tenho que dar explicações para quem nada tem a ver com a minha vida. Não tenho que servir e nem agradar à ninguém, posso ser amada sendo apenas quem sou!


Este é um ano em que consigo olhar para mim mesma com orgulho e admiração, em que finalmente sinto que sou minha melhor amiga, que estou do meu lado. Acredito em mim e na minha história pessoal . Superei tantos obstáculos, tantos temores internos e sei muito bem que posso suportar muito mais. Fiz uma revolução na minha mente. Foi difícil e doloroso, mas fiz o que tinha que ser feito. E continuarei fazendo.

domingo, 15 de novembro de 2015

Sobre não se diminuir para ser do tamanho que esperam de você

Última pintura que fiz! Chama-se "Sacerdotisas"

Já tem alguns dias que venho pensando isso, mas graças a uma conversa que tive hoje com meu namorado, deu a coragem de escrever.

Mês passado eu fui demitida do trabalho com crianças especiais. A primeira coisa que senti foi que eu era insuficiente, uma péssima profissional. Me culpei sem ao menos ter recebido um feedback do que tinha acontecido.  Depois de muitas idas e vindas, tive provas o suficiente para perceber que eu estava e um lugar pequeno, com pensamentos pequenos e que o crescimento que construí com os alunos não era o que eles queriam.  

Passei então a refletir sobre momentos em que me senti mal e me considerei errada por não ter o tamanho que as pessoas queriam.

Permaneci em um namoro de 3 anos que minou minha auto-estima de todas a maneiras possíveis. Porque fiquei tanto tempo com uma pessoa tão pequena e que me diminuía a ponto de me deixar menor que ela? Porque no fundo, eu acreditava nisso. Eu acreditava que meu tamanho era inadequado, que não merecia se quer a pessoa que estava comigo.

Por quase 7 anos estive em um lugar que me julgava pelo tamanho da minha roupa, pelo corte do meu cabelo. Que se eu tivesse ideias e as pronunciasse,  era condenada a pedir perdão por ser uma pessoa que ousava pensar de uma maneira diferente da qual eles diziam que era a maneira de Deus. O tamanho de Deus.

Durante anos dei crédito a um familiar que me dizia nojenta, fresca, metida, mal amada, egoísta,  antipática toda vez que eu demonstrava algum amor-próprio ou autoconfiança. Hoje reflito sobre o fato de essa pessoa ter tido uma vida extremamente difícil, na qual foi humilhada e diminuída muitas vezes e que essa é uma maneira dela se sentir um pouco maior. Mas não pensei dessa forma quando adolescente. Eu simplesmente acreditei.

Na faculdade, por eu falar o que pensava e ter um pouco mais de conhecimento que alguns que ali estavam, eu fui alvo de muitas fofocas maldosas e torcidas de nariz por onde eu passava. E eu me sentia mal, me sentia péssima!

Dentre essas situações mais extremas, já passei por muitas outras em que acreditei que para ser aceita e amada, eu deveria sempre ser do tamanho que me idealizavam. Desconstruir isso em mim tem sido uma tarefa de anos e nem sempre eu consigo. Contudo, essa recente experiência foi muito boa para que eu pudesse repensar meu papel dentro de tudo isso e tomar algumas conclusões:

Quantas vezes acreditamos que devemos nos nivelar por baixo! Achamos que merecemos empregos, relacionamentos, amizades medíocres e permanecemos com alguém ou em  algum lugar que nos menospreza, pois no fundo, nós mesmos nos menosprezamos! Somos os primeiros a apontar nossos erros, a nos condenar, a nos julgar. Fomos ensinados que ser humilde é se deixar pisar, é ouvir calado, é se rebaixar e com isso, vamos aceitando tudo e nos sentimos mal se por acaso conseguimos algo melhor, por que aí, não estamos sendo “humildes”. Quantas vezes fui mal vista por declarar que sim, me acho bonita ou inteligente, que gosto do meu trabalho, que gosto de ser como sou? Humildade vem de “húmus”, significa terra. Significa ter o pé no chão, ter noção da realidade! É aprender com os erros e comemorar as conquistas! É conviver com os defeitos e  celebrar as qualidades! É saber impor seus limites e saber se permitir quando for bom para você!

O que pretendo agora é não me manter em uma situação que me humilhe ou diminua por achar que só assim receberei amor, aceitação. Vou passar a, de verdade, acreditar que mereço o melhor! Estou sempre buscando me qualificar profissionalmente, tenho uma ótima experiência, sei do meu potencial, não vou aceitar mais trabalhos que subestimem seus profissionais! Sei das minhas qualidades como ser humano, que não sou nem de longe uma pessoa amargurada e mesquinha, não darei mais ouvidos a quem tenta me diminuir ao seu nível! Não preciso entrar em debates que me fazem mal, lidar com pessoas que me fazem mal, estar em lugares que me fazem mal! Errado está quem (ou o que) é pequeno e tenta encaixotar as pessoas, não quem tenta se expandir!

De hoje em diante, só anda do meu lado quem quiser crescer comigo!


P.S: No amor, já aprendi. É um outro texto que escreverei para vocês em breve.

domingo, 4 de outubro de 2015

Depois da partida- reflexões religiosas

Desenho que fiz pro desafio #Inktober que estou participando. Todo dia tem desenho novo no Instagram, basta seguir ali ao lado <-------

Tento não abordar esse assunto de maneira literal, pois não quero ser tida como influencia para ninguém, nem como boa e nem como má. Acredito que há momentos em nossa vida em que algo se faz necessários e depois deixam de fazer, por muitos motivos. Ter uma religião fez bastante sentido pra mim durante quase 7 anos. Fazia sentido seguir aquela doutrina, crer no que eu ouvia e me sentir parte daquele lugar. Hoje não faz mais.

Com a saída dessa doutrina que frequentei, inúmera coisas mudaram. Por fora todos sabem: Roupas “do mundo”, tatuagem, mudanças no cabelo, liberdade sexual. Mas as mudanças muito mais significativas foram por dentro e é delas que quero falar nesse post:

Minha vida está extremamente mais leve agora que acredito que as coisas vão acontecer conforme o meu merecimento, e ainda assim, é possível que não aconteçam, a vida nem sempre é justa e está tudo bem! As coisas não deram errado por que : pequei; estou sendo castigada ou estou sendo provada. Da mesma forma, as coisas não deram certo porque: Estou sendo recompensada, é uma prova que Deus me ama (logo, se ele não dá, ele não me ama);

Não fico mais esperando eternamente que coisas que provavelmente não irão acontecer, aconteçam, pois sou “uma serva de Deus esforçada e mereço isso”. Não fico mais me martirizando pela vida não cumprir minhas expectativas e colocando isso na conta de Deus. Não fico mais esperando milagres , embora creia que eles existam, mas não acho mais que é obrigação de Deus fazer com que aconteçam ;

Sou muito mais humilde agora. Sei que receberei algo conforme minha necessidade e minhas ações, e não porque “Deus quis”. Agora sou responsável pelas minhas ações e receberei o que delas for seu resultado natural (ou não);

E principalmente: Sou eu mesma, sem medo de estar sendo vigiada o tempo todo por uma força invisível  (seja ela a doutrina da igreja ou o próprio Deus, que sei que não liga para nada disso) que estará pronta a me apontar e julgar caso eu corte o cabelo, dance o faça qualquer coisa considerada por alguém como “mau testemunho” ;


Muitos me perguntam e NÃO, não me tornei ateia e ainda me considero cristã, mas não sinto mais o mínimo desejo de voltar a uma religião que mais me condena que me acolhe, seja ela qual for.