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domingo, 21 de dezembro de 2025

PEGAS NO FLAGRA!

Tem doido pra td nessa vida,não é pessoas?
Bom,essa aqui copiou dois textos meus e deu uma difarçada:

Cópia dela:

http://luxuriaa.blogspot.com/2009/10/qualquer-dia-dessesquero-que-em-um.html#comments

E meus posts:

http://pensaela.blogspot.com/2009/08/qualquer-dia-dessesquero-que-em-um.html

http://pensaela.blogspot.com/2008/05/um-poema-nada-inpessoal-ela-era-o-dia.html

Não!Detalhe que o blog dela é fechado para CONTEÚDO ADULTO!MEUS TEXTOS AGORA ESTÃO NAS PÁGINAS DE CONTEÚDO ADULTO O.O!


Essa daqui tabém,mas ela vai na maior cara de pau mesmo!Copia td na íntegra:

Cópia dela:

http://simplismentemiih.blogspot.com/2008/11/cebola.html

Texto meu:

http://pensaela.blogspot.com/2009/01/se-algum-por-acaso-se-apaixonar-por.html

Eu pelo menos,morreria de vergonha no lugar desse povo que não tem a competência de escrever um post em seu próprio blog!Copiou,faça logo uma homenagem de uma vez e coloque os créditos!NÃO USE O TEXTO COMO SE FOSSE SEU!TENHA O MÍNIMO DE VERGONHA NA CARA!
Pior é que comentei no blog dessa segunda e ela apagou meu comentário.
E no da primeira,nem dá pra comentar.
Mas é assim mesmo gente,o que fazemos numa situação dessas????
Sem contar uns blogs que vi que copiaram meus textos,mas que estão fora do ar.
Que coisa,não!Tsc tsc tsc.
Só digo uma coisa:Pode copiar!
Pode,copia mesmo,é o máximo que pessoas desse tipo podem fazer!Eu posso escrever um zilhão de posts novos,pois eu CRIO o que escrevo.
Humpf !
Sorry pessoas,foi um desabafo (de nv,rs).
A arte anda comendo o meu cérebro. Não a arte em si, mas todas essas discussões que fazem-se a cerca dela. Eu amo arte, muito, de mais, mas poxa vida... As pessoas esquecem que há outros setores da vida.
Me cansa muito esse endeusamento que ainda fazem quando fala-se sobre arte, como se ela fosse a única responsável por mudança nas pessoas e no mundo, como se “só a arte salva!”.
Claro que a arte é uma forma de voz e expressão, mas não só ela. Penso até mesmo se o que quero é trabalhar com arte a vida toda.
O mal das pessoas que lidam com a arte é que muitas acabam se alienando achando que estão saindo fora da alienação, quando na verdade não estão. Vejo discursos prontos, revoltas na ponta da língua e sonhos quase idênticos. Sem contar na vestimenta e nos cortes de cabelo dos “novos artistas” ou estudantes de arte. Todos iguais pensando que são diferentes. E obviamente, estou incluída nisso.
Detesto pseudo-revolucionários de faculdades de elite. Acho o cúmulo do absurdo essas meninas que pagam não sei quanto por uma bota velha e ficam caçando brechós para se denominarem “cults”. Se bem que estou sendo muito chata.pois isso acontece em várias áreas, toda área tem seu estereótipo e pessoas que se moldam a ele. Eu mesma estou junta e misturada nisso.
E claro que não estou falando de todos! Mas falta um pouco de senso crítico em pessoas que pensam estar cheias dele.
Agora, chega de reclamar e bora ler os textos dobre arte.

Por que sou artista

Eu não tive escolha.
Quando me perguntarem o porquê de eu ter me tornado artista, vou responder simplesmente que nunca foi uma opção, mas uma necessidade, como respirar para poder sobreviver.Foi sempre um respiro.
Eu nunca produzi nada pensando em vendas, galerias, nome  ou reconhecimento. Nunca foi uma profissão almejada, nunca foi um sonho. Sempre foi um ato de desespero, de liberdade,  de manutenção de uma vida caótica.
Eu atuei para não me cortar, para não me jogar de um precipício.
Eu escrevi para não forçar meu vômito.
Eu pintei para elaborar os símbolos do meu inconsciente.
Eu cantei para não gritar.
Eu virei noites em telas, livros, escritas, para não morrer.
A dor vinha e eu aliviava como podia, fosse com remédios, fosse com criações. 
“Artista” foi o nome que me deram, mas não o escolhi, contudo, o reconheço.  
Agradeço a Arte por ter me tomado antes mesmo de eu tê-la escolhido de maneira consciente.











Fotos de Edson Spitaletti e Roberta Perônico.
Pinturas minhas.


Em meio ao caos, Feliz aniversário

Hoje, eu completo 28 anos.

Há poucos dias atrás, um amigo meu se suicidou.

Eu nunca tinha passado por algo parecido, nunca a morte foi um soco tão forte na minha cara. Nunca! Acredito que grande parte das pessoas já pensou, mesmo que “de brincadeira”, em morrer. E mesmo quem acha que pensa a sério, descobre que era apenas de “mentirinha”  quando vê alguém do seu lado partir dessa forma, porque não há nenhuma dor imaginável que faça você compreender como essa pessoa conseguiu forças para isso! É como se a morte pousasse no seu ombro e te observasse de perto. É como uma bala perdida que poderia ter te acertado e você então, se dá conta que seu corpo ainda tem vida. 

É muito diferente de quando perdemos alguém por causas naturais, ou até mesmo brutais,mas que o levou “na hora certa”: “Era a hora dele”, “ele cumpriu sua missão na terra”. É difícil cair a ficha “ele planejou  sair desse plano”. Fica um vazio horrivelmente desconfortável, uma sensação de violência, de raiva, de inconformidade e desamparo.

É sério que ele não vai mais dobrar a esquina perto da estação de trem, abrir seu sorriso e me dar um forte abraço?

Que dor foi essa tomou esse coração? Que espírito foi esse que levou o meu amigo?

Um dia, pensei que soubesse o que era querer partir desse mundo. Hoje eu sei que isso nunca chegou aos pés da perturbação que meu amigo sentiu.

Nesse aniversário, estou sentindo meu corpo presente. Sentindo como se uma nova chance me fosse dada, como se, de verdade, a vida fosse algo precioso que precisa ser zelado. Porque enquanto eu ainda estou aqui, mil e uma coisas podem acontecer. E quando eu me for, o que mais poderá ser feito? Quem garante que há outro lado? E quem garante que, se houver esse outro lado é bom? Que será melhor do que aqui, por pior que aqui possa ser?

Esse não é um texto moralista, eu não julgo ninguém que sentiu um desespero tão imenso a ponto de tomar tal decisão. Esse texto é para perceber que estou viva, que sou resistente e que quero continuar sendo assim.


Feliz 28 anos de resistência nesse mundo caótico, que engole  sempre os melhores, pra mim!

Inferno Astral

- Hoje começa oficialmente meu inferno astral!


-Bobagem! Não existe isso!

Pensei em fazer uma piada sobre como seu inferno astral passou para mim da última vez, mas sabia que você estava sensível e achei melhor apenas te tranquilizar.


De fato, os dias começaram a mudar. Eu sentia uma atmosfera estranha, tudo estava tenso, no trabalho, na saúde, na família. Em mim também.


Um dia cheguei em casa e meu cachorro tinha morrido, já tinha sido enterrado, nem ao menos me despedi. Nos mesmos dias, de forma repentina, tive uma infecção de garganta e fiquei como uma criança, extremamente fragilizada. Tive febre alta, muita dor, precisava de colo. Resolvi até procurar um aleitamento espiritual por sentir que estava tudo sobrecarregado. "Você quer fazer um tratamento espiritual?", "Sim,estou precisando!".


Comecei a notar que objetos ao meu redor estavam se quebrando, caindo, que eu pegava coisas das quais gostava e elas escorregavam de minhas mãos. Meu anel favorito quebrou, meus brincos. E eu não sei porquê, mas a imagem de garrafas se batendo e estilhaçando sempre vinham á minha mente.


Eu não percebi, mas eu tinha algo mais frágil ainda. Eu sabia que estava trincado,mas meu empenho em consertar e cuidar com carinho me fez acreditar que era só uma fase.


Uma nova batida o fez escapar de minhas mãos,sem que eu percebesse. E eu já não podia fazer mais nada. Se partiu em mil pedaços e me partiu em um milhão deles.


Comecei a sonhar que suas fotos sumiam quando eu as buscava. Sonhei que meu quarto estava com roupas acumuladas,jogadas pelo chão, quase na minha altura e hoje eu sei que minha desorganização tem tudo a ver com meu estado mental.


Todos os dias enquanto vou ao trabalho, chego em casa,interajo com as pessoas, é como se só uma parte minha estivesse reagindo ao mundo. A outra quebrou, a outra se partiu.


Eu não sei se existe inferno astral. Eu sei que existem as consequencias de nossas escolhas.E eu não notei a fragilidade das coisas.

Fases

Fazem alguns meses que venho enfrentando percas. Elas acontecem de uma forma que parecem ser de repente, mas que com poucos minutos de reflexão, nota-se que sempre se pronunciaram.


Está passando na TV uma novela que mudou de fase. E a sensação que tenho é que, quem quer que seja que escreve minha história, mudou a fase e não me avisou. Fui obrigada a ver tudo ruir e meu dever é reconstruir. Tenho andado por caminhos cheios de significado e que agora , só mostram lembranças. Vários flashs tem aparecido para me assombrar, ou fazer peito doer de saudade. Novos personagens tem surgido, abrindo novas oportunidades. Mas quem perguntou se eu queria que as coisas mudassem? Quem se importou comigo?


Aliás, a vida se importa se estamos prontos ou não para perder algo que amamos? Ela se importa se estamos preparados para encarar verdades tão doloridas?


Tentar entender tudo o que tem passado é complicado.Ao mesmo tempo que sinto que faltam-me peças e que não sei lidar com o mundo sem elas, é como se o quebra-cabeça por si mesmo,estivesse se completando.


Lembro de outras fases que já passei, lembro de mim com outros olhos.Lembro de mim com orgulho,com convicção. Enfrentar tudo sem desmoronar tem me dado essa convicção.E hoje vejo que não sou mais a mesma, pelo contrário: sou eu mesma.E sempre fui.Mas só descobri agora.

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Um pouco mais de paciência

     Qual a relevância de quem aguenta tudo? O que faz as pessoas pensarem que o fato de você ser alguém que entende que elas sofrem, te torne uma válvula de escape pros seus sofrimentos?

     Hoje eu chorei muito. Chorei porque faz muito tempo que guardo feridas, achando que tenho que ser paciente. A paciência é uma virtude que muitas vezes nos come por dentro e só quem usufrui dela é quem te faz esperar. A paciência de lidar com as dores do mundo, mas não ter quem olhe pras suas. A paciência hoje se esgotou e só o que eu consegui foi chorar por horas por estar cansada de ser vista como um receptáculo de migalhas alheias. Estou cansada de não ser escutada, de não ter alguém que goste de ouvir minhas histórias, que dê validação pro meu mundo interno. Estou cansada de ter que me engolir para ouvir o mundo dos outros. Dói. Dói.

     O companheiro sofre, a família sofre, os alunos sofrem, os pacientes sofrem, o mundo está em luto. E eu sou só mais uma em sofrimento. Mas tá tudo bem. Você está bem? Quer conversar? O que vai jogar em mim hoje para sentir-se melhor? Posso apenas chorar? É só o que eu quero.

segunda-feira, 16 de março de 2020

Vazio


Eu nunca havia sentido "vazio". Sempre fui turbulenta, busquei coisas, tentei me entender e me recriar. Muitas e muitas vezes. Sempre fui excesso. Excesso de dor, de angústia, de amor,de vontade, de morte...de tudo! Mas de uns tempos pra cá, a vida mudou, mas não sei se eu mudei. Ou se eu mudei e a vida continua a mesma. Só sei que nesse descompasso, passei a sentir esse silêncio,imensidão...a espera de um fim que nunca chega.
Não há satisfação em chegar ao topo. Não há topo. Não há nada! Há você e somente você...Foi você em todo caminho e é você agora. E o inferno não eram os outros?
Não que minha voz não ecoasse ,mas ela se misturava e agora eu a ouço bem e não sei o que ela diz. Ela se perdeu entre tantos caminhos. Ela está exausta! Ela ás vezes,não quer continuar. Como entender essa voz tão antiga? Que língua falamos?

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

A estrangeira

A gente vive em um mundo onde a falta de lágrimas no velório da sua mãe se torna uma prova que você é um assassino. Vivemos em um mundo onde você acordar desesperado ao notar que virou uma barata, te torna um problema para a sociedade. Vivemos em um mundo onde instituição nenhuma te protege, nem aquela que deveria. Onde a vítima se torna o algoz.
Quem sofre um assédio, seja ele moral ou sexual e decide denunciar, se sente violentado duas vezes ao ser julgado do "Porque não se preocupou com isso antes?" , "Olhe bem pro que você relata! Não tem parcela de culpa nisso?", "Isso que você diz é muito delicado e envolve várias pessoas. Pode se voltar contra você!".
Vivemos em um mundo onde você se sente culpado por ter sofrido as humilhações que sofreu.
Vivemos em um mundo de bosta que faz você se sentir parte dele.

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Sem retrospectiva

Último dia do ano e estou com uma dor de cabeça horrível. Eu nunca quis tanto que um ano acabasse!
Já vi duas séries, já fiz listas,separei roupas e livros para doar. Fiz até tatuagem pra marcar o fim desse ciclo amargo. " É preciso estar atento e forte!". E ele persiste!
Meu medo é que as dores continuem no ano que vem. Que essa dor de cabeça e na alma não passem, que eu enfrente os mesmos monstros. Não comprei roupa nova pra virada, não pensei em lugar pra passar. Eu só quero que esse ano acabe e que mesmo simbolicamente, essa fase da minha vida se encerre.
Dessa vez não tem retrospectiva.

domingo, 29 de dezembro de 2019

Cansei

A vida é uma montanha que estou sempre subindo, subindo, subindo...Não vejo paisagem nem noto as flores,pois estou ocupada de mais em chegar no topo. Que topo?Será que alguém já chegou nele?
Eu estou cansada de mais!
Cansada de subir e dar a mão para quem sobe e nunca receber um gole d'água quando preciso. Estou cansada de dar o meu melhor e fazer exatamente o que todos deveriam fazer e por causa disso, ter tanta gente me jogando pedras e tentando atrapalhar minha caminhada, isso quando não tentam me empurrar para baixo!
Eu errei em ouvir os teóricos que tanto estudei. Na prática, eles servem apenas para enfeitar livros e ter nomes citados em documentos. No dia-a-dia, não são respeitados, não são nossos norteadores. São só uma foto na sala da coordenação.
Tenho a sensação de que todos os meus títulos são papéis de limpar o traseiro. Estou adoecendo por fazer o que deveria ser feito e sou boicotada pela mesma razão. Bem se diz que o desmonte da educação não é um problema, é um projeto e ele começa com a desmotivação dos que tentam por em prática o que aprenderam em sua formação.
Vale à pena?
"Eu nunca quis ser professoral", é a frase que sempre me vem a cabeça. Então porque eu insisto tanto?

sábado, 21 de setembro de 2019

Crianças alvo



Eu não consigo falar de esperança. Não consigo ignorar o fato de as crianças de pele preta que vejo sorrindo e me abraçando tds os dias são os alvos. Esperança é bom, mas ter armas para lutar é melhor! Até mesmo quando sou lúdica, as intenções são concretas: quero que se armem! Se armem até os dentes!
Zumbi, Dandara, Mãe Menininha, Carolina Maria, Malala, Martin Luther King, Nise da Silveira. Bato na tecla que não é pra acontecer de novo. Bato na tecla que pode acontecer de novo. Bato na tecla que ESTÁ acontecendo!
A educação, quando é omissa, já escolheu seu lado!

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

É a vida

Esse ano eu me dei conta que a vida é assim.
Se eu ganhar mais, a vida é assim.
Se eu trocar o remédio, a vida é assim.
Se eu trocar de emprego, a vida é assim.
Se eu emagrecer,a vida é assim.
Se eu mudar de cidade, a vida é assim.
Se eu tiver um filho.
Se eu casar.
Se eu terminar.
Se eu me pós-graduar.
Se eu me espiritualizar no poder de Cristo, de Krishna ou de Oxalá. Ou de ninguém.
E nada do que eu faça vai mudar o fato de que a vida é essa,tal como ela é.
Porque a vida sou eu.
Sou eu lidando comigo.
Sou eu até o fim.

domingo, 21 de julho de 2019

Espiritualpolítica


Eu não quero uma espiritualidade que me ensina que todo mundo nasceu com lugar marcado,com destino certo e com cabeça fechada. Não quero achar que minha fé é prova de superioridade perante quem não a tem manifestada da mesma forma que eu!

Eu tenho nojo desse povo que se enterra na yoga e não olha pro cenário pra não desalinhar os chacras! Eu desprezo quem fala que somos a pátria do evangelho e vota em quem mataria seu Cristo! Meu asco vai pra bruxa do bem que faz cházinho e vibra amor, mas comemora a morte de criança neta de político!

Eu não quero elevar meu estado vibracional para deixar de ver quem passa frio e fome. Não quero ser benzida por quem acha que indígena é vagabundo e que racismo é coisa que os próprios pretos criaram.

Deus me proteja da espiritualidade que não tem humanidade!Que meu Santo seja mais forte que esses falsos profetas!

Por isso que hoje eu sei que a melhor forma de alcançar a paz interior, é sendo menos escrota no exterior que me cerca!

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Lecionando (?)

“Como eu vim parar aqui?”
Desde que iniciei as aulas na prefeitura me faço essa pergunta.Todos os dias me vejo em um ambiente que exige mais do que posso dar. Olho todas aquelas crianças com certo desespero de “O que estou fazendo aqui?”.
Não falo da minha capacidade de ensinar pedagógico ou do domínio da matéria pela qual entrei no concurso. Falo , de fato, em qual a minha relevância naquele ambiente onde mais do que aprender as cores primárias, lido com seres humanos pré- encarnados que necessitam aprender sobre a vida. Muitas vezes não escuto como deveria.Só tenho 45 minutos para dar atenção à 30 seres que,sei bem, em grande maioria, só tem a imagem do professor para dizer o que sentem ou pensam. Me irrito com o que mais precisa de mim. Não vejo o que parece estar bem,mas não está. Não tenho nem se quer me visto.Ouço todos os dias histórias que sei que, o máximo que posso fazer, é tentar orientar por meio de livros e reflexões. Quem olha por essa criança? Eu olho?
Tem sido difícil, confuso e sacrificante. Vale a pena, mas uma pena só não faz ninguém alçar vôo. E eu sou só uma pena em um sistema que é expert em cortar asas.
Vale a pena?
Quem me escolheu para ser professora?

terça-feira, 26 de março de 2019

Gangorra

A vontade de nada é muito forte. Ela me prende e me cega. Ela vem quando quer, não importa o quanto eu me esforce para que ela nunca mais volte. Ela vai vir quando eu mudar de emprego, vai vir quando eu ganhar um prêmio, vai vir quando eu ter um cachorro. Quando eu tomar os remédios, quando eu pagar terapeuta, quando eu cuidar do espírito. Ela me desmonta e me reduz a um corpo sem escolha, que apenas obedece ao seu comando.
Ela também pode vir como a vontade de tudo. Tudo me interessa, tudo é urgente, tudo é necessário. Mais um enfeite pro quarto, mais um livro pra estante, mais um curso pro currículo. Quero fazer faculdade, mestrado, ir ao cinema, casar, um filho, aula de dança, comer tudo, virar noites, virar o mundo de ponta cabeça. Gasto dinheiro, peso e consciência. Quebro e vem o desejo de nunca ter vivido.
E aí vem a vontade de nada outra vez.
Não é necessário motivo para ser triste e nem para ser feliz. Não sou eu quem comando.
E lá vem ela outra vez...

sábado, 16 de março de 2019

Auto-defesa

Eu não sou uma pessoa naturalmente combativa, eu aprendi a ser.Aprendi que nesse mundo, ninguém fará por mim o que eu mesma tenho que fazer e culpar os outros pelas minhas responsabilidades é algo que não leva ser humano à lugar nenhum!
Sempre tive o básico, coisa que muitos não tiveram. Mas cedo eu entendi, que se quisesse ir além, eu mesma teria que acordar de manhã, enfrentar filas, trens lotados, postos de saúde. Tive muito apoio familiar, muito dinheiro emprestado, muita carona, o que faz com que eu ainda me considere privilegiada. Mas quem venceu as batalhas fui eu! Quem levantou para trabalhar e estudar para manter o próprio tratamento, pagar as próprias dívidas, adquirir mais conhecimento, é essa que vos escreve!
Tive que aprender que não importa se sou compreensiva e prefiro dialogar, tenho que sempre ter o respaldo das leis e formar uma rede de proteção, além de me informar muito bem para ter argumentos fortes os suficiente para me defender. Não interessa se ele/a é alguém que gosto ou difícil de lidar, se é meu chefe, uma empresa, tenho resolver meus conflitos.Se possível, de maneira pacífica. Se não, estar preparada para tal! Engolir sapos e injustiças não prejudica ninguém mais, ninguém menos que eu mesma e eu tenho que cuidar de mim.
Aprendi a ser militante, à reconhecer meu papel de classe e a lutar pelos meus direitos. A não ser dócil e falar até ser ouvida, ou tomar atitudes que condizem comigo mesma sem a opinião dos outros.Aprendi até mesmo que nessa vida, todos estamos sozinhos e com isso, mesmo que eu faça parte de uma ideologia que deve proteger à todos, não contar com a ajuda de ninguém.
Não me tornei raivosa, não me tornei histérica, não me tornei endurecida. Me tornei o que o homem sempre teve liberdade de ser: uma cidadã que tem ciência de sua relevância na sociedade e que com isso, pode se colocar no mundo!
Não me calo! Não me rebaixo! Vou até o fim para defender a única pessoa que pode lutar por mim: eu mesma!

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Um texto amargurado

A morte já foi um desejo, hoje é apenas um medo e uma incógnita. O medo é pelos que não sou, a incógnita é por mim.

Quando mais jovem, já pedi por ela, escreví cartas de despedida e planejei sua chegada por meios mais autorais. Ela porém, caprichosa, só vem quando quer, mesmo que não queiramos ou que a queiramos muito. Com muita análise, aspirina e descarrego, fui aceitando que estar aqui é uma condição nem tão boa e nem tão ruim, quiçá escolhida em um lugar distante. E já que a vida precisa ser preenchida, o melhor que faço é preenchê-la fazendo pelos outros o que ninguém em sã consciência quer fazer. Seria esse uma espécie de karma?Sendo ou não, não quero morrer logo, ainda tenho muito karma pra queimar.

Enquanto os outros vão embora, sinto um misto de saudade carnal com inveja e alívio! Dói pra caralho, mas eu sei que estão bem.

Qualquer lugar é melhor que aqui!

domingo, 4 de novembro de 2018

Eu (não sou um), robô



Eu nunca soube administrar nem tempo, nem dinheiro, muito menos emoções e sentimentos e isso tem ficado cada vez mais evidente.
Dou tudo de mim ao que acho importante. Quando criança, lia livros numa virada de noite, mesmo sabendo que ficaria com sono na escola pela manhã. Quando assisto séries , fico obcecada, vivendo todos os dias com aqueles personagens. Quando gosto de um tipo de música, busco a fundo tudo sobre ela e me esqueço que existem outros.
Eu fui uma garota rebelde até meus 20 anos, quando conheci meu primeiro namorado. Eu literalmente me esqueci. Vivi para ele e por ele, tentando consertar tudo em sua vida, tentando ser tudo o que a mãe, professora, irmã, tia, babá,  Deus, não foi. A devolutiva, obvio, era quase 0.
Aos 24, meu segundo relacionamento. Idem, mas neste a devolutiva era um pouco maior, o que fez até mesmo eu ter um pouco de  tempo para reconhecer-me e prover mudanças em minha vida. Ainda assim, minha dedicação a mim mesma nunca chegou aos pés a dedicação que tive por ele.
 No meu trabalho, esqueço-me de mim cmpletamente . Já atendi mulheres despedaçadas quando eu mesma estava. Já falei sobre a vida quando eu mesma queria morrer. Já subi e desci escadas, planejei ações quando eu achava que não teria condições de estar de pé. Quando chego em casa, só o que quero é dormir. Um cansaço descomunal me pega. Só acordo para novamente trabalhar, novamente me dedicar a ele, novamente ser para todos e não ser para mim.
Apesar de tudo , não sei como, consegui cuidar das minhas obrigações automaticamente. Formei-me, me pós graduei, me formei de novo, fiz inglês, trabalhei, mandei currículo, trabalhei de novo, fui no médico, tomei remédio, troquei remédio, passei em concurso, fiz perícia vou fazer de novo...Mas eu não sinto nada. Para mim, não sobra nada.
O prazer que venho sentindo é a reconexão com a espiritualidade, que quanto mais aflora, mais empoderada e plena me faz , e como é da minha personalidade, absorvo absolutamente tudo sobre todas as crenças, ritos e magias  que estão em meu caminho. E meu único prazer tem sido um problema em minhas relações, pois ele está me fazendo crescer e o outro, se sentir diminuído.
São meus ritos que tem me devolvido a humanidade. Pouco a pouco, volto a prestar atenção nas plantas que cultivo em casa, na lua que me ilumina, no prazer de ser quem eu sou. Escrevo esse texto em lágrimas, mas o que quero dizer é que se reconectar consigo faz você se desconectar do que te machuca e te entristece. Faz você querer ser tratada melhor , com o mesmo carinho e dedicação que você tem aprendido a administrar e dar uma parcela a si mesma. Você aprende a se respeitar, a saber que é uma filha dos deuses e que por isso, não pode permitir que te maltratem, sendo que Deus e a natureza te criaram  com tanto amor.
Você merece amor. Você é humana e não um robô!


segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Falta

Eu quero o direito de poder evoluir sem sentir que tudo não passa de uma “fase". Quero o direito de poder escolher para que lado ir sem ser vista como alguém sem foco por quem não busca caminho algum.
Quero saber que aquele que decidiu ser 2 estará pronto para ouvir minhas dores sem as julgar menores que as do próprio. Quero ter a liberdade de poder ser frágil sem ter medo de provocar um revirar de olhos por minha fragilidade não ser a mesma que  a dele.
Quero ter espaço e saber que minhas necessidades também serão atendidas, que meus interesses também fazem parte do todo ao qual nos propomos construir. Quero não ser obrigada a engolir gostos enquanto não há nenhum interesse em conhecer os meus.
Quero poder surtar e saber que terei colo.
Quero ver olhos brilhando quando sou vista, quero saber que o que me faz feliz está na sua lista de prioridades, assim como as felicidades do outro estão no meu caderninho, mesmo que para mim, elas não façam tanto sentido.
Quero saber que desperto desejo, que não sou parte de um amor só de vidas passadas, mas também quente e profano.
Quero ser todo o berço, o colo, a casa.Mas também quero ter isso sem precisar passar horas explicando o porquê de eu precisar descansar.
Quero não saber que, mesmo sabendo que me magoa,fez.
Já achei que eu não fosse o suficiente. Hoje eu honro minhas conquistas, meu corpo e minha alma.Sobretudo a alma, que passei a olhar com amor, o que despertou amor por todo o resto relacionado a mim.E por isso eu reconheço que não estou me sentindo como deveria me sentir quando o amor é compartilhado a dois.