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domingo, 29 de dezembro de 2019

Cansei

A vida é uma montanha que estou sempre subindo, subindo, subindo...Não vejo paisagem nem noto as flores,pois estou ocupada de mais em chegar no topo. Que topo?Será que alguém já chegou nele?
Eu estou cansada de mais!
Cansada de subir e dar a mão para quem sobe e nunca receber um gole d'água quando preciso. Estou cansada de dar o meu melhor e fazer exatamente o que todos deveriam fazer e por causa disso, ter tanta gente me jogando pedras e tentando atrapalhar minha caminhada, isso quando não tentam me empurrar para baixo!
Eu errei em ouvir os teóricos que tanto estudei. Na prática, eles servem apenas para enfeitar livros e ter nomes citados em documentos. No dia-a-dia, não são respeitados, não são nossos norteadores. São só uma foto na sala da coordenação.
Tenho a sensação de que todos os meus títulos são papéis de limpar o traseiro. Estou adoecendo por fazer o que deveria ser feito e sou boicotada pela mesma razão. Bem se diz que o desmonte da educação não é um problema, é um projeto e ele começa com a desmotivação dos que tentam por em prática o que aprenderam em sua formação.
Vale à pena?
"Eu nunca quis ser professoral", é a frase que sempre me vem a cabeça. Então porque eu insisto tanto?

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Plantio

Eu deixei de ser romântica há muito tempo, se é que um dia eu fui. Otimista eu sou, mas a realidade é o terreno que piso e eu vivo no presente! Por isso mesmo, vou plantando exaustivamente para que essa realidade seja melhor daqui há alguns anos. Planto sementes em mim quando cuido da minha mente para ser uma pessoa melhor e planto sementes em quem ensino, para que sejam pessoas melhores. Todas essas sementes são colhidas em anos de crítica, sensibilidade, luta e estudo. É fácil falar nomes de teóricos e decorar trechos de livros. Fácil e necessário, pois são parte das sementes à serem plantadas. Mas sujar a mão de terra, poucos fazem. Colocar a cara à tapa, poucos colocam.
Plantar cansa, mas dá resultado! Se não hoje, talvez daqui 10 anos. Nem tudo vai germinar, mas muita coisa eu sei que vai, pois todo dia eu águo um pouco! Talvez eu mesma não colha, mas valerá a pena para quem colher o que tento deixar como legado!

sábado, 21 de setembro de 2019

Crianças alvo



Eu não consigo falar de esperança. Não consigo ignorar o fato de as crianças de pele preta que vejo sorrindo e me abraçando tds os dias são os alvos. Esperança é bom, mas ter armas para lutar é melhor! Até mesmo quando sou lúdica, as intenções são concretas: quero que se armem! Se armem até os dentes!
Zumbi, Dandara, Mãe Menininha, Carolina Maria, Malala, Martin Luther King, Nise da Silveira. Bato na tecla que não é pra acontecer de novo. Bato na tecla que pode acontecer de novo. Bato na tecla que ESTÁ acontecendo!
A educação, quando é omissa, já escolheu seu lado!

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Só se é, sendo!

Em uma Dança circular,  pediram para oferecer ao centro da roda uma qualidade nossa.E eu ofereci “Coragem”! Em uma entrevista, comecei dizendo que sempre foi minha “falta de noção” que me levou onde eu queria. Talvez o meme “Coragem, porque noção você não tem!” se encaixe em mim de uma maneira um tanto peculiar.
Um amigo me disse que “tudo isso servirá para sua formação, sua forja, para saber o que fazer e principalmente o que não fazer” e foi um baque perceber que a minha formação se dá muito mais na prática do que nos diplomas. Principalmente a parte do que não ser e como não fazer. E igualmente, o que fazer para não ir com a maré. Como olhar para dentro e pensar “agora, tudo que você fala pra eles na sala, você vai provar na sua prática diária”. Entender que aluno não se educa pelo que você fala, mas por quem você é!
Eu só fui entender o que é ser professora quando de fato, me tornei uma! Plenamente! E isso só aconteceu semana passada!
Porque falar qualquer um fala, mas, citando outro amigo: brincar sim, é revolucionário!


segunda-feira, 3 de junho de 2019

Lecionando (?)

“Como eu vim parar aqui?”
Desde que iniciei as aulas na prefeitura me faço essa pergunta.Todos os dias me vejo em um ambiente que exige mais do que posso dar. Olho todas aquelas crianças com certo desespero de “O que estou fazendo aqui?”.
Não falo da minha capacidade de ensinar pedagógico ou do domínio da matéria pela qual entrei no concurso. Falo , de fato, em qual a minha relevância naquele ambiente onde mais do que aprender as cores primárias, lido com seres humanos pré- encarnados que necessitam aprender sobre a vida. Muitas vezes não escuto como deveria.Só tenho 45 minutos para dar atenção à 30 seres que,sei bem, em grande maioria, só tem a imagem do professor para dizer o que sentem ou pensam. Me irrito com o que mais precisa de mim. Não vejo o que parece estar bem,mas não está. Não tenho nem se quer me visto.Ouço todos os dias histórias que sei que, o máximo que posso fazer, é tentar orientar por meio de livros e reflexões. Quem olha por essa criança? Eu olho?
Tem sido difícil, confuso e sacrificante. Vale a pena, mas uma pena só não faz ninguém alçar vôo. E eu sou só uma pena em um sistema que é expert em cortar asas.
Vale a pena?
Quem me escolheu para ser professora?