terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Zen de ZL



Tenho recebido o adjetivo “zen”. As pessoas vem falando que eu passo “uma energia boa”  e que “queriam ter a minha paz”.
De fato, ano passado comecei a procurar lugares onde eu pudesse desenvolver minhas necessidades espirituais. Minha mediunidade é bastante aflorada e não adianta: se eu não me cuido, sucumbo.
A religação com a espiritualidade me trouxe mudanças vistas,mas nenhuma delas veio da paz, mas do caos!
O Caos de atravessar a comunidade para ir para o centro espírita, de levar duas horas para ir e duas para voltar de um curso cheio de preconceitos (pago, diga-se de passagem), mas que me dava um certo respaldo sobre minhas questões. O caos de meditar de madrugada com os sons das balas perdidas, cachorros latindo,guardinha passando e os moleques da rua brigando. O caos de pagar R$70 parcelado nas “trocas de energia”. De ter parado a terapia, que eu já fazia de 15 em 15 dias com preço popular, para poder investir na espiritualidade. O caos de atender por quase 3 anos pessoas em grande sofrimento social,sofrendo ameaças constantes E agora, novo caos de mais 3h00 de transporte público tds os dias para trabalhar com 30 alminhas a cada 45 minutos, que muitas vezes não tem o que comer em casa.
E eu tenho sorte!
Tenho papai que levanta para preparar meu café da manhã. Tenho mamãe que faz o meu almoço, lava e passa minhas roupas. E eu ainda faço cara de nojo quando a janta é frango e atraso a conta de telefone por que eles ainda tem a pachorra de entender que esse mês gastei muito comigo mesma!
Eu sei que tenho privilégios por poder parar e pensar criticamente sobre a minha espiritualidade, por ela não precisar ser minha única alternativa para esquecer uma vida de miséria. E esse privilégio veio não apenas depois que eu percebi dentro de mim mesma que eu precisava me libertar, mas quando eu comecei a circular espaços diferentes, que me mostravam que Deus não estava só dentro da igreja autoritária que condenava a mulher que cortasse o cabelo. Para eu perceber que Deus não me mandaria para o inferno por usar calça ou fazer sexo, eu precisei de oportunidades!
Quem consegue pensar criticamente sobre o espiritual trabalhando 12h? Quem consegue pensar numa alimentação sem carne e livre de agrotóxicos?
Toda vez que eu ouço sobre “O Sagrado feminino somos todas irmãs namastê”, eu penso nas mulheres em situação de rua que atendi que nem sequer podiam escolher entre comprar um absorvente ou uma pedra de crack com os 5 conto que conseguiram se prostituindo.
Eu não sou zen não!Eu tento me equilibrar para conseguir entender esse caos!
Eu quero paz só se ela for provinda da mudança!

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Texto de shopping

Tinha esquecido a sensação de ser quem realmente sou. E a sensação é essa: nada! Nada de mais, nada de menos. Totalmente perdida!
Isso não é ruim e nem bom, é apenas ser.
Não sou aquela mulher intensa que se joga em tudo de cabeça , até perder o ar. Sou não.
Não sou aquela mulher comedida e discreta, que tem um ar de mistério. Sou bem transparente e besta, mistério nenhum.
Não sou uma mulher fatal, não sou uma mulher elegante, sou isso aí: normal.
Alguns me chamam de excêntrica.Falam do meus gostos e minhas roupas,das escolhas que fiz na vida. O que há de excêntrico numa garota que prefere ficar em casa sábado à noite fazendo a unha e tomando café? O que ela tem pra mostrar que você já não conheça de cor?
Sou uma pessoa simples. Uma pessoa que fica feliz quando meus pais estão em casa, que lê os mesmos livros, que escreve quando está triste. E que fica ainda mais triste escrevendo.Não faço grandes feitiços em meu caldeirão. No máximo acendo uma vela pro anjo da guarda guiar meus caminhos e limpar meu coração das agruras do amor.O amor… nesse eu me benzo todo dia!
O mistério de ser o que sou,então, é só para mim, que ainda não me achei. Mas pra você, eu só sou uma pessoa que gosta de amar, da paixão enlouquecida até as flores amarelas que encontro no caminho do trabalho