Um amigo e eu estávamos postando no facebook desenhos de quando eramos crianças. E ele postou esse desenho LINDO que eu não me lembrava mais!A histórinha é muito linda, gente!Tive que compartilhar com vcs!
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domingo, 21 de dezembro de 2025
domingo, 26 de agosto de 2018
Andar com minha fé eu vou
Passei a calçar sapatos quando percebi que estar descalça
era mal visto, que minha imagem despertava liberdade e selvageria, tudo o que
uma mulher não pode ter. E logo apareceu
um par que apesar de muito desconfortável, tinham uma boa aparência e me dava
um status respeitável. O calcei durante longos anos e a medida que fui
crescendo, ele apertava, dava calos, prendia meus passos, torturava meus pés e
eu não conseguia mais sentir a natureza
da qual faço parte. Como na história original de Cinderela, chegaria um momento
em que seria necessário decepar meu dedo ou calcanhar para continuar cabendo no
sapatinho de cristal. Doeu me desprender
de algo que me serviu por tanto tempo, mas antes que eu me livrasse de pedaços
meus, joguei meus sapatos fora!
Foi estranho sentir novamente os quatro elementos roçando e machucando
novamente meus pés, mas percebi que apesar de sensíveis pela época em que
passaram abafados, continuavam fortes, ágeis e desejosos de sentir na pele o mundo.
Muitos dos que ainda usam os sapatos que me apertavam preferiram
decepar a si mesmos para continuar os calçando e sendo bem aceitos pelos que
tem medo de andar com os pés no chão. A grande maioria deles não caminha mais
ao meu lado. Permiti-me até mesmo calçar
sapatos novos, muito mais confortáveis!, aos quais recorro sempre que meus pés precisam de um alívio
pela brutalidade do asfalto , mas não tenho mais a necessidade de proteger-me
de todas as experiências que a jornada me proporciona. Decidi voltar á minha
natureza ,olhando para trás e tendo o prazer de ver a marca de minhas próprias pegadas
domingo, 30 de outubro de 2016
É complicado ter um blog de 8 anos
É complicado ter um blog que começou aos seus 18 .
Você pensa e repensa se ainda vale a pena mantê-lo ou se
você deveria fazer outro, mais a sua cara atual.
É meio estranho saber que existem vários textos nele que são
de uma Dayane super diferente do que é
agora e que não refletem mais sua realidade.
É meio esquisito você perceber que sua visão, até sobre você
mesma, mudou muito.
Isso tudo te trava e te deixa meio “E agora, o que vou
escrever? Será que ainda escrevo?”.
A religião passou, a depressão passou, a decepção passou.
Você se formou, se pós-graduou, estudou, trancou e está
prestes á se formar de novo.
Você cresceu, amadureceu, cortou o cabelo, deixou ele
crescer...
E como escrever sobre uma Dayane que ainda não elaborei?
Como concretizar algo que está em construção?
Estou me redescobrindo, me reconhecendo.
E é por isso esse meu silêncio.
quinta-feira, 21 de abril de 2016
Vão querer te por no seu lugar
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| A de garrafa, que é a mais gostosa! |
Tem um episódio na minha vida que nunca esqueço quando se
trata de lembrar que eu, apesar de ter uma graduação, estar na segunda, ter uma
pós e ter trabalhado em diversos lugares cheio de pessoas privilegiadas socialmente,
continuo não passando de uma favelada.
Certa vez, em um desses lugares que trabalhei cheio de gente
embasada teoricamente que respeitam seu lugar de fala e que choram com a
desigualdade social, houve um piquenique, como sempre havia. Mas esse era
diferente! Foi combinado que seria um piquenique “Queijos e vinhos”, ou seja,
só com coisa fina! No grupo do Facebook, ao ser questionada sobre o que eu iria
levar, pensei que talvez nem todos bebessem bebida alcóolica. Pensando nessas
pessoas, respondi que levaria uma Coca-Cola. Quando declarei isso, uma dessas
pessoas engajadas e esclarecidas escreveu no grupo que eu era “De categoria”,
que era “Queijos e vinhos e não salgadinho e refrigerante” e que “tudo bem eu
levar Coca, mas que eu fosse com a fome condizente ao que eu levaria”. Na hora
eu fiquei extremamente em dúvida se essa pessoa estava brincando ou falando
sério. Senti-me constrangida, não pertencente ao grupo e tive grande vontade de
não comparecer ao piquenique no outro dia.
Quem é da periferia sabe o quanto aqui, certos artigos são
luxo. Não interessa se você acha um horror o capitalismo selvagem que a
Coca-Cola produz e que ela destrói seu organismo. Não interessa se você acha
uma atrocidade à matança dos animais e quer que o mundo seja vegano. Não
interessa que existam vinhos do mesmo preço de uma Coca-Cola ou se dá pra comer
bem sem comer carne: o que interessa é o valor simbólico embutido nesses
alimentos! A exemplo disso, uma tia de alguém que conheço , em uma conversa
disse : “ Hoje eu sou rica! Não reclamo de nada! Eu nunca pensei que teria
carne, frango, linguiça todo dia na minha geladeira!”.
Pro pobre, certas
coisas tem uma grande simbologia de riqueza e poder, de sucesso. Porque
simbolizam fartura, simbolizam que você mais do que QUIS comer, PÔDE COMPRAR!
Muitas vezes, eu que sou hoje uma mulher acadêmica e que nos
meus trabalhos sempre convivi com pessoas que viajam pra Europa todo ano, que
ouço de olhos brilhantes eles descreverem como é o Museu do Louvre, me esqueço
de que para grande maioria, eu estar ali, vir de onde vim, ser quem eu sou,
causa um grande e indigesto incômodo!
Dão palestras e seminários sobre interseccionalidade, falam
do índio, falam do negro, falam da mulher negra e periférica, falam dos mlk
piranha dando rolêzinho no shopping, mas de uma forma assistencialista, de uma
forma de “vamos dar espaço pra eles, mas não o nosso”.
Quantas vezes eu tive que pegar 3 conduções, sair do extremo
leste, pra ir pro Parque do Ibirapuera discutir sobre “Inclusão social” ? Não é
irônico?
Ás vezes eu canso, eu penso em me por no meu lugar. Olho a
minha volta e me pergunto porque escolhi esse caminho, porque não fui fazer administraçãoo, trabalhar no banco?
Porque insisto em dar murro em ponta de faca em lugares que não me querem ali?
Mas é aí que cai a ficha: Exatamente por não me quererem, é
ali que eu tenho que estar!
Porque sou educadora.
Porque sou politizada.
Porque sou da periferia.
E porque quero abrir uma ferida bem grande no meio de vocês,
para dar passagem para mais pessoas como eu ocuparem o lugar que vocês pensam
serem exclusivos SEUS!
domingo, 15 de novembro de 2015
Sobre não se diminuir para ser do tamanho que esperam de você
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| Última pintura que fiz! Chama-se "Sacerdotisas" |
Já tem alguns dias que venho pensando isso, mas graças a uma
conversa que tive hoje com meu namorado, deu a coragem de escrever.
Mês passado eu fui demitida do trabalho com crianças
especiais. A primeira coisa que senti foi que eu era insuficiente, uma péssima
profissional. Me culpei sem ao menos ter recebido um feedback do que tinha
acontecido. Depois de muitas idas e
vindas, tive provas o suficiente para perceber que eu estava e um lugar
pequeno, com pensamentos pequenos e que o crescimento que construí com os
alunos não era o que eles queriam.
Passei então a refletir sobre momentos em que me senti mal e me considerei errada por não ter o tamanho que as pessoas
queriam.
Permaneci em um namoro de 3 anos que minou minha auto-estima
de todas a maneiras possíveis. Porque fiquei tanto tempo com uma pessoa tão
pequena e que me diminuía a ponto de me deixar menor que ela? Porque no fundo,
eu acreditava nisso. Eu acreditava que meu tamanho era inadequado, que não
merecia se quer a pessoa que estava comigo.
Por quase 7 anos estive em um lugar que me julgava pelo
tamanho da minha roupa, pelo corte do meu cabelo. Que se eu tivesse ideias e as pronunciasse, era condenada a pedir
perdão por ser uma pessoa que ousava pensar de uma maneira diferente da qual
eles diziam que era a maneira de Deus. O tamanho de Deus.
Durante anos dei crédito a um familiar que me dizia nojenta,
fresca, metida, mal amada, egoísta,
antipática toda vez que eu demonstrava algum amor-próprio ou autoconfiança.
Hoje reflito sobre o fato de essa pessoa ter tido uma vida extremamente
difícil, na qual foi humilhada e diminuída muitas vezes e que essa é uma
maneira dela se sentir um pouco maior. Mas não pensei dessa forma quando
adolescente. Eu simplesmente acreditei.
Na faculdade, por eu falar o que pensava e ter um pouco mais
de conhecimento que alguns que ali estavam, eu fui alvo de muitas fofocas
maldosas e torcidas de nariz por onde eu passava. E eu me sentia mal, me sentia
péssima!
Dentre essas situações mais extremas, já passei por muitas
outras em que acreditei que para ser aceita e amada, eu deveria sempre ser do tamanho
que me idealizavam. Desconstruir isso em mim tem sido uma tarefa de anos e nem
sempre eu consigo. Contudo, essa recente experiência foi muito boa para que eu
pudesse repensar meu papel dentro de tudo isso e tomar algumas conclusões:
Quantas vezes acreditamos que devemos nos nivelar por baixo!
Achamos que merecemos empregos, relacionamentos, amizades medíocres e
permanecemos com alguém ou em algum lugar
que nos menospreza, pois no fundo, nós mesmos nos menosprezamos! Somos os
primeiros a apontar nossos erros, a nos condenar, a nos julgar. Fomos ensinados
que ser humilde é se deixar pisar, é ouvir calado, é se rebaixar e com isso,
vamos aceitando tudo e nos sentimos mal se por acaso conseguimos algo melhor,
por que aí, não estamos sendo “humildes”. Quantas vezes fui mal vista por declarar que sim, me
acho bonita ou inteligente, que gosto do meu trabalho, que gosto de ser como
sou? Humildade vem de “húmus”, significa terra. Significa ter o pé no chão, ter
noção da realidade! É aprender com os erros e comemorar as conquistas! É conviver
com os defeitos e celebrar as
qualidades! É saber impor seus limites e saber se permitir quando for bom para
você!
O que pretendo agora é não me manter em uma situação que me
humilhe ou diminua por achar que só assim receberei amor, aceitação. Vou passar
a, de verdade, acreditar que mereço o melhor! Estou sempre buscando me
qualificar profissionalmente, tenho uma ótima experiência, sei do meu potencial,
não vou aceitar mais trabalhos que subestimem seus profissionais! Sei das
minhas qualidades como ser humano, que não sou nem de longe uma pessoa
amargurada e mesquinha, não darei mais ouvidos a quem tenta me diminuir ao seu
nível! Não preciso entrar em debates que me fazem mal, lidar com pessoas que me
fazem mal, estar em lugares que me fazem mal! Errado está quem (ou o que) é
pequeno e tenta encaixotar as pessoas, não quem tenta se expandir!
De hoje em diante, só anda do meu lado quem quiser crescer
comigo!
P.S: No amor, já aprendi. É um outro texto que escreverei
para vocês em breve.
quarta-feira, 19 de agosto de 2015
Meta de leitura - Sagas (Fantasia e ficção-científica)
Não sei exatamente o porquê, mas desde a adolescência,
quando começou a febre de literatura fantástica, eu sempre tive bastante preconceito
com O Senhor dos anéis. Tentava ver os
filmes, mas eles me davam sono e os livros nunca me interessaram. Em
compensação, devorava em um dia os livros do Harry Potter. Os filmes, porém,
nunca me apeteceram.
Esse ano tentei mudar isso. Assisti a triologia de O Senhor
dos anéis em uma noite e uma madrugada, direto, quase 10 horas de filme. Fiz
até uma resenha aqui no blog. Após a maratona, tive curiosidade de ler O
Hobbit de Tolkien. Li e apesar de não amar, gostei, e isso me deu vontade de
finalmente encarar a triologia do anel. Indo nesse embalo de literatura
fantástica, decidi traçar uma meta de terminar algumas sagas inacabadas por mim
e iniciar algumas que estava delegando. Vamos conhecer quais são?
(Peço desculpas pelas imagens em baixa qualidade, são de
celular).
Harry Potter-
J.K. Rowling
Quando eu era adolescente, era alucinada por Harry Potter!
O que mais me faz admirar a saga é que J.K. não inventou o
que escreveu, ela pesquisou a exaustão e trouxe referências de inúmeras
mitologias para seu público! Cada criatura citada no livro existe em alguma
cultura! Claro que isso também aconteceu pela facilidade na criação de J.K! Não
apenas ela, mas todos os escritores de sagas seguem religiosamente A jornada do
herói e isso, mais o uso de criaturas já criadas por outros povos, facilitou
muito a história de Harry. Contudo, não vejo isso como algo ruim pelo
contrário! Isso que faz ,para mim, a história ser mais próxima e realista aos
que a leem!
No meu caso, falta ler O enigma do Príncipe e As relíquias
da morte. Ganhei de aniversário a saga completa <3!
As Brumas de Avalon- Marion Zimmer Bradley
Fui uma adolescente mística, que gostava de bruxaria,
incensos, cristais e saias indianas. E adivinhem? Ainda sou! Hahahaha!
Vi As Brumas de Avalon bem novinha, mas eu nem sabia que
existiam os livros de forma tão acessível, achava que era difícil encontra-los.
Em 2012 comprei a saga completa em um sebo, mas não sei porque, eu fiquei travada
com esses livros até agora! Tentava lê-los, mas algo me impedia, começava e
parava. Esse ano eu finalmente li A senhora da magia e meu Deus! Fiquei
totalmente absorvida pela história! Ela é extremamente rica em detalhes, é como
se eu vivesse cada momento contado! Sem falar na incrível construção das personagens
femininas! Todas tão reais que você sente como se elas estivessem do seu lado,
contando toda sua história, como se fossem suas velhas amigas! Como disse, já
li o primeiro livro da saga e estou no segundo, A grande rainha!
As fronteiras do universo - Philip Pullman
Ainda bem que eu era muito mais mente aberta com literatura
quando tinha 15 anos do que sou agora, se não, eu não teria pego A Bússola
dourada (sim, era assim que se chamava meu antigo livro que emprestei e nunca
mais recebi) na prateleira de um sebo
qualquer! Lembro bem desse dia! Li a descrição do livro, achei interessante e o
comprei! A partir daí entrei em uma viagem alucinante sobre universos paralelos
e realidades alternativas! Eu sabia que havia continuação da saga, mas como
aconteceu com As Brumas de Avalon, achava que nunca acharia essa continuação
sem ser o preço do meu rim! Mas não! Esse ano comprei a triologia
baratinha! Fiquei chateada em notar que
, como li há muito tempo o primeiro livro da saga, fiquei bem perdida ao tentar
ler A Faca sutil! Vou então reler A Bússola de Ouro antes de ler os outros dois
e sim, estou bem ansiosa! Talvez eu não goste tanto quanto gostei quando era
adolescente, mas quero muito ler!
O Mochileiro das Galáxias- Douglas Adams
Eu fui conhecer na verdade essa saga em 2012, mas só fui ler
o primeiro livro em 2014. Achei divertidíssimo, mas como estava com outras
coisas para ler na fila, não dei continuidade. Fiz um troca com uma garota super
fofa, onde troquei alguns livros pela saga completa
e um livro de poesias de Pablo Neruda! Vou ler a saga completa, desde o
primeiro livro!
O Senhor dos anéis-
J.R.R. Tolkein
E TCHARAN! Vendi meu ruim pela triologia de O senhor dos
anéis esse ano, o que me dá MUITA RAIVA já que me lembro de ter encontrado essa
triologia completa por QUINZE REAIS há 4
anos atrás em um sebo e não me interessei! Mas enfim, queria ter comprado os 3
livros separadamente, mas não encontrei no dia.
Como disse, vi os filmes apenas esse ano e embora não tenha
amado, me interessei bem mais por ler coisas do Tolkien, pois finalmente eu
compreendi a importância que esse cara teve não apenas para a literatura
fantástica, mas para toda a ambientação em fantasia que veio depois dele, tanto
em filmes, como em livros, quanto em jogos. Ele criou as línguas, os mapas, os
personagens, tudo! Maravilhoso! E sim, li O Hobbit e achei bem legal! Comecei a
ler A sociedade do anel e também estou gostando! Pena que terei de ler esse
livro só em casa, já que ele é um tanto pesado para levar por aí!
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| Aqui fiz marcações separando os 3 livros! |
Enfim pessoal, essa é minha meta de leitura! Tentarei ler um ou outro livro no meio que não seja
saga ou fantasia, mas estou focada em terminar essas sagas! Será que consigo?
Façam suas apostas!
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| Meu cantinho para sagas da estante! Meu Os Miseráveis lindo e o Morte súbita também podem ser vistos! |
domingo, 16 de agosto de 2015
O perdão
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| Pintura inspirada nas ilustrações de Tolkien e em Firebird, de Fantasia, da Disney. |
Algo que tem me feito muito bem é aprender a perdoar. Creio que para me
proteger em momentos de imensa fragilidade, fui criando uma casca dura que não
deixava nada passar e qualquer crítica a mim, ou falha, era visto como um
ataque pessoal. Nunca fui muito passiva, mas fiquei de certa forma até agressiva
durante alguns anos e ao ferir alguém, também me feria e , surpresa!, não sabia perdoar-me, igualmente. Tudo isso ia se
tornando uma bola de rancores que me consumiam por dentro.
Do ano passado pra cá, conforme fui me libertando de várias
coisas, tomei consciência que me livrar de tanta culpa e rancor era essencial
para minha saúde e meu bom convívio com os outros e fui notando que ao perdoar o outro ,
automaticamente perdoava a mim e vice e versa, pois reconhecendo que o outro
erra, tiro das minhas costas o peso de
ter que ser perfeita sempre, e reconhecendo que eu sempre erro, tiro o mesmo
das costas alheias.
A verdade é que erramos, mas nos arrependemos (ou
deveríamos). Aceitar que alguém que você ama de vez em quando vai te machucar,
porque ele não é perfeito, é aceitar que você também faz isso. Aquela palavra
que te disseram que você nunca esqueceu, aquele dia que te esqueceram, aquela
pessoa que foi injusta, aquele tapa (seja
no corpo como na alma) . Não estou dizendo de forma nenhuma que devemos nos
submeter a alguém que nos pisa e humilha
e muito menos que devemos conviver e levar numa boa, mas podemos sim, nos
afastar e entender que o outro, como você, é um ser cheio de traumas, medos,
erros e limitações.
Não perdoei tudo, mas queria chegar à isso. Só faz bem, só
descarrega energias péssima e dá espaço para coisas melhores na vida. Hoje se
me irrito, me magoo, critico e sou criticada, se faço por um momento um inferno
na vida do outro como ele pode fazer no minha , já penso mil vezes antes de
colocar no meu coração esse fato como incorrigível e essa pessoa como
imperdoável. Pode não ser perfeita, mas
só tenho uma família. Podem não ser perfeitos, mas prezo meus amigos. Podem não
ser pessoas relevantes, e por isso mesmo ,não vou me encher de sentimentos
corrosivos por quem não faz diferença. Posso ser um poço de defeitos, mas sou
minha melhor amiga.
Não é ser Buda, não é ser Cristo. É ter a humildade de enfim
compreender que somos apenas humanos demasiado humanos.
terça-feira, 19 de maio de 2015
Voltar
É à noite. Pego a xícara que mais gosto e um cobertor, vou
em frente ao computador e coloco meu seriado preferido, ou m filme que eu já
assisti muitas vezes, mas sempre é bom rever. Espero todos dormirem para curtir
esse momento de estar comigo mesma, desfrutando de minha própria companhia,
fazendo exatamente o que queria fazer.
Entro no meu quarto. Vejo todos os livros que amo bagunçados.
Vejo minhas caixas de música, ambas tão especiais pra mim, meus bonequinhos do
Mário, os novos da Hora da aventura, minhas bonecas, minhas bijuterias e penso “tenho
que por ordem em tudo isso, é tudo meu,
e está uma bagunça!”
Estou em uma roda de amigos e começamos a falar sobre
infância e adolescência. Começo a relembrar de uma maneira muito gostosa coisas
que me marcaram. Passo a cantar a abertura da Sakura Card Captors, do Dragon
Ball Z e do Tench Muyo. Relembro todos os personagens do Harry Potter, o HQ O corvo e como esse também era meu filme
favorito na infância. Relembro a casa da minha avó , as sementes de girassóis,
meu primo apaixonado ouvindo Linger repetidas vezes (essa música que embala
tantas coisas boas em minha vida). Lembrei até de algo lindo que havia
esquecido, que era meu irmão e eu deitados na rede, eu apontando as estrelas e
ele “ Não aponte as estrelas, que nasce um berruga no seu dedinho!” , “Fabinho,
em qual estrela será que a Zula mora? Já pensou começar a cair um monte de
bolas azuis aqui no quintal?” e procurávamos juntos em qual estrela a Zula
morava.
Nada disso eu sentia há pelo menos 5 anos!
É um prazer que só quem passa ou já passou pela depressão vai
entender. É voltar a sentir-se viva, sentir-se presente, sentir-se novamente
dona do seu corpo e da sua história. Não que eu não visse mais filmes, não
lesse mais livros, não arrumasse minhas coisas ou não lembrasse do que já vivi. Mas é um recordar com sabor,
com som, com vida. É voltar a sentir-se
pulsando, fazendo parte do mundo. É ver o mundo em cores. É reconhecer-se,
gostar-se, amar-se. Perdoar-se. É voltar
a ser você mesma. E que saudade, que saudades eu tinha de mim!
Cada dia mais, sinto que estou me libertando de pesos,
julgamentos, lembranças e crenças que me faziam estar nesse estado de tristeza
permanente e começo a valorizar todas as coisas boas que aprendi durante esse
período tão difícil. Nos momentos de recaída, aproveito para me aprofundar no
que me faz mal e resolver essas questões em mim mesma, diferente de antes, onde
parecia não haver saídas.
Hoje comentei com meu namorado como tenho evoluído em tão
pouco tempo e ele me disse “Será que é só a terapia, ou você não está mais
madura?”. Acho que sim. E diferente do que escrevi anteriormente, não sou
frágil pelo contrário, estou cada dia mais forte.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
Internet e as pessoas
Tenho blog desde os meus 14 anos e os iniciei com desejo de partilhar o que eu pensava e sentia com relação ao mundo. Além do
fato de escrever e expressar minhas emoções, outra coisa muito benéfica foi começar a ter contato com pessoas que
passaram pelo mesmo que eu, pensavam da mesma forma ou até mesmo diferente, mas
entravam em contato e comentavam sobre o que eu havia escrito. Então, eu ia até
o blog deles , lia o que escreviam e fazia a mesma coisa. Com isso, fomos formando
uma grande rede de apoio e amigos virtuais que me ajudaram muito em momentos
que precisei.
Porém, nunca fui de fazer amizade com facilidade. Sou
receptiva e amigável, mas dificilmente consigo me abrir com pessoas que mal
conheço e até mesmo com as que conheço. Esse foi um dos fatores que me levou a depressão,
já que eu não tinha com quem dividir o que me afligia. Era muito fechada e pensava
que não iriam me entender. Quando entrei no Facebook, comecei a interagir mais
por meio de grupos fechados sobre assuntos específicos, no caso o MBTI,
um assunto pelo qual me interessava muito na época. Nesses grupos conheci
pessoas fantásticas, com as quais passei a me relacionar e conviver fora da
internet e que até hoje, considero como melhores amigas. Eram grupos com
pessoas com tantos problemas parecidos, tantas angústias, medos, expectativas,
que acabei passando, sem saber, por uma terapia coletiva. Muitos dos meus
traumas, medos, dúvidas foram tratadas ali e vi o amadurecimento de vários que
também participavam.
Conheci pessoas sem caráter, aproveitadoras, caluniadoras e
etc? Conheci sim! Cheguei, inclusive, a criar “inimigos”. O problema da
internet é o mesmo que o da vida real, de existirem pessoas que não gostam do
seu jeito, da forma como você é e se expressa, da sua personalidade ou até
mesmo de atitudes que você tem. Em qualquer lugar, sempre haverá quem não gosta
de você. Mas na internet as pessoas podem falar
o que quiserem, então fica muito mais fácil ser mal educado, grosso,
rude e até mesmo cruel por aqui. Acompanho alguns vlogs e vejo a quantidade de
comentários depreciativos que os vlogueiros recebem por estarem ali, ora
falando de assuntos genéricos, e ora falando de suas vidas, opiniões. É muito
mais fácil apontar o dedo e ser “hater” quando não se está frente a frente com
alguém. Hoje sou muito mais cuidadosa com o que e quem eu exponho, mesmo
involuntariamente, pois já passei dessabores por isso e também porque não é
nada legal você se expor de mais para quem não está ali para te ajudar, mas
para julgar você, muito menos expor pessoas que estão a sua volta. Mas ainda
gosto de usar essas redes todas para conhecer pessoas e falar sobre ideias, e porque não?, sentimentos!
Claro que pela internet devemos tomar um maior cuidado com o que escrevemos e
com quem partilhamos isso, pois essas mensagens ficam gravadas, não são apenas
palavras que depois passam.
Eu considero esses amigos que fiz tão amigos quanto todos os
outros, mesmo alguns deles ainda não conhecendo pessoalmente. Acredito que não
se conhece alguém só porque o viu cara a cara, isso não é garantia de nada!
Posso crer piamente que aquele colega de faculdade que senta do meu lado todos
os dias é meu amigo e ele se mostrar um grande de um pilantra, assim como posso
conhecer essa pessoa pela internet e idem. Quem garante que aquele cara que
conheci num barzinho, aparentemente bonito e bem cuidado, está me dando seu
nome real, sua visa real e revelando suas reais intenções?
Hoje sou uma pessoa que em vez de ficar calada, preciso
conversar com alguém para me sentir melhor e menos aflita, mas já tenho pessoas
com as quais sei que é mais seguro confiar. Contudo, não me arrependo das épocas
em que precisei dos grupos para me sentir mais acolhida nessa vida. Agora uso
os grupos mais para discussões politicas e artísticas, e continuo achando que
essas trocas de ideia valem a pena!
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
Aos que me dizem mais bonita
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| Com 14 anos, quando me achava horrível! |
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| Com uns 20 anos, época da faculdade. |
Comecei a escrever sobre isso porque notei que com a melhora da depressão, algo que antigamente me atingia muito, já não atinge mais: o bullying que passei nos tempos de escola e faculdade. Eu tinha um complexo de inferioridade muito grande (que algumas vezes ainda me pega, devo admitir) e este com certeza foi alimentado por esses momentos da minha vida. Eram lembranças que volta e meia vinham me fazer mal. Na escola, nunca fui agredida fisicamente por conta de bullying, mas era a mesma história de muitas garotas: alta de mais, magra de mais, espinhas de mais, óculos, cabelo considerado “ruim”(não liso) . Beijei bem tarde por conta de tantos complexos, tive muito ódio dessas pessoas que me rebaixavam e diminuíam, alimentava desejos de vingança, etc. Conforme fui crescendo, enquanto essas lembranças ainda me consumiam, eu não conseguia ver como eu era bonita e muito mais que aquilo tudo. Continuei me comparando, me sentindo feia, esquisita, menor e fiquei com aquela mania de perseguição, achando que onde eu fosse “Não gostam de mim! Não falam comigo! Excluem-me! Menosprezam-me!”, não notando que era eu que me sentia assim e isso fazia com que as pessoas não se aproximassem mesmo. No caso da faculdade, eu fui meio perseguida por, na época sendo evangélica, não me encaixar na imagem que as pessoas tinham de como deveria ser um evangélico: submisso, preconceituoso, que não pensa, não questiona, que se esconde do mundo. E eu sempre fui totalmente o contrário disso. Piorou muito quando resolvi que meu TCC seria sobre Arte Tumular. Isso criou milhares de fantasias maldosas e fofocas sobre mim. Terminar a faculdade foi uma libertação. Essas coisas todas, tanto da escola quanto da faculdade, me criou uma ferida muito grande e que eu pensava jamais fechar, até porque eu não queria que fechasse! Aquela coisa de “Nunca vou esquecer o que me fizeram, blá blá blá”.
Mas quer saber? Passou! Passou totalmente! Comecei a notar que essas coisas todas não aconteceram apenas comigo, mas com milhares de pessoas e que nada disso me definia. Todo mundo quando é adolescente se acha feio, é esquisitão, está em fase de crescimento, normal então ser todo torto, magro ou gordo de mais, alto ou baixo de mais, todos são assim! Quando paro pra lembrar das crianças e adolescentes que faziam isso comigo, noto que eles também eram assim! O fato de escolherem alguns alvos para serem os mais humilhados infelizmente acontece e isso gera muita dor em quem sofre. Mas e aí, vou viver com isso pra sempre? Todos que agiram dessa forma nem se lembram mais, a vida de todos mudou e com certeza a cabeça deles também. Capaz que eu os encontre na rua e eles fiquem felizes em me ver, como se nada tivesse acontecido. Não estou dizendo que quem sofreu bullying tem obrigação de esquecer ou perdoar, mas que isso aconteceu comigo conforme fui amadurecendo e vendo que as pessoas mudam, a vida muda, a cabeça de um jovem de 13 anos não é a mesma de uma pessoa de 25 e que eu não posso pautar minha vida por coisas que passei aos 12, 13, 14 anos. Hoje sou diferente, eles são diferentes. A mágoa que eu tinha por conta disso se foi, e isso foi muito bom pra mim. Quanto às pessoas da faculdade, tirando os amigos que fiz, ninguém me faz falta e pelo que eu saiba, ninguém evoluiu muito com o pensamentozinho retrogrado que tinham, isso não fez ninguém superior a mim, ninguém cresceu fazendo fofoca e alimentando disputas. Isso é coisa de gente pequena e mesquinha, só o que posso é lamentar por essas pessoas. E em compensação, na pós graduação (sim, me formei! Agora sou uma Arteterapeuta Junguiana <3) conheci as pessoas mais acolhedoras e maravilhosas da minha vida, a quem devo muito minha evolução!
Eu, agora!
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domingo, 9 de novembro de 2014
Violência psicológica
Há pouco tempo, escrevi um texto aqui sobre Violência Emocional
e o deletei. Fiz isso pois, o texto foi escrito em um momento de emoção que
estava reprimida, sobre um assunto que há muito tempo eu queria falar, mas não tinha coragem. Escrevi e me arrependi por inúmeros fatores, mas agora com a cabeça fria estou disposta
a reescrever sobre o assunto.
Tive um relacionamento de três anos que me destruiu por
dentro, tamanhas eram as violências sutis que eu passava todos os dias. Dentre
as formas de violência sofridas, estavam: provocar ciúmes de maneiras
explícitas e depois me convencer que eu era louca, via coisa onde não tinhar;
sumir por dias sem deixar contato, depois aparecer como e nada tivesse
acontecido;ignorar meus apelos para ser ouvida e vista, ficar em silêncio
sepulcral enquanto eu me debulhava em lágrimas ou rir da situação; provocar em
mim ataques de fúria e raiva, fazendo com que eu não me reconhecesse, falasse
coisas horríveis e depois chorasse achando que a culpa era minha; ignorar meus
problemas pessoais e insinuar que eu tinha uma vida perfeita perto da dele; me
ignorar perto de amigos, como se eu não estivesse ali; me comparar direta e
indiretamente a outras mulheres do passado ou presente, flertar com outras na
minha presença; etc, etc, etc.
Nem preciso dizer o quanto eu me sentia um lixo, não é
mesmo? É claro que por eu ter ficado com essa pessoa 3 anos, existiam
qualidades e bons momentos, pelos quais eu me prontifiquei a lutar. Mas demorei
a notar que apenas gostar de alguém, e essa pessoa jurar de pés juntos que
gosta de você, não é o suficiente para continuar em um relacionamento doentio,
onde o outro em vez de querer te erguer e te ver progredir junto com ele, mina
sua autoestima, rebaixa suas conquistas e disputa com você, quase em um
movimento de inveja e competição, para ver “quem é melhor”.
O perfil do agressor para as pessoas de fora é sempre de
alguém bonzinho, amável, gente fina. Quando você tenta contar para alguma
pessoa o que você está passando, ninguém acredita em você, todos o defendem por
ser “um anjo” e tentam te convencer que é você quem está vendo coisas, é você
que está sendo incompreensiva. Ainda mais quando vêem você sendo presenteada
com ursinhos, flores, cartas, pedidos de perdão e todos ficam abismados em como você “reclama
com a barriga cheia, queria eu ter um marido romântico assim”. Isso se agrava
quando a pessoa em questão teve uma vida difícil e tudo é justificado pela
família desestruturada, pelo emprego exaustivo, pelo passado triste. Tudo se
vira contra você, e você se sente culpada por ter tido uma família estruturada,
uma condição de vida que te permitiu estudar sem se preocupar com trabalho até
quando pode, por ter tido o privilégio de nunca ter passado fome. Toda a
agressão do agressor, passa a ser justificada, e você, tem que entender o lado
dele, já que o mesmo teve uma vida sofrida. É um pesadelo, é uma prisão. Você,
vítima, se torna a vilã.
Falando da pessoa com quem convivi, sei que a grande maioria
das atitudes agressivas foram inconscientes, sem a intenção real de me ferir
propositalmente, eram reproduções do que já havia vivido. Mas nunca se deve
usar isso como uma forma de se autoconvencer que a pessoa irá mudar com o
tempo, porque ela não vai! O que se pode fazer nesse caso é propor um
tratamento ao agressor e esperar que este tome consciência de seus próprios
fantasmas, mas jamais se submeter a um relacionamento doente acreditando que
este irá mudar.
Consegui sair dessa e não desejo mal algum a ninguém, muito
pelo contrário, quero mais é que se reerga e consiga levar sua vida em frente sem
magoar nem a outra mulher e nem a si mesmo. Ainda vejo em mim muitas marcas
desses traumas quando sem querer, acabo refletindo alguns medos e inseguranças
no meu novo relacionamento, mas posso dizer que estou muito melhor. A ajuda
psicológica que eu já tinha em terapia me ajudou muito a superar, e meu novo
relacionamento também.
Tudo é passageiro, basta querer seguir em frente.
sexta-feira, 27 de junho de 2014
Depressão- A saga
Quando iniciei esse blog (Mais precisamente, o Across the
Universe, que depois se tornou Pensaela, que depois se tornou Pedaços dela e
por fim, o Etérea Essência), eu estava começando o período mais pesado da
depressão, ainda não diagnosticada, por conta de uma experiência traumática que
foi só uma acionadora . A verdade é que já era uma criança triste e negativa,
fui uma adolescente com longos períodos de angústia e vitimista (sempre me
achando a pior, a mais feia, a que sofria mais, etc) e tenho predisposição genética
a problemas como depressão, síndrome do pânico e etc. Meu pai é depressivo e sofreu ataques de
pânico e boa parte da minha família paterna seguiu essa mesma sina. E eu
também.
Nos primeiros dois anos eu não busquei tratamento para
depressão, embora já tivesse feito 6 meses de terapia, que não ajudaram muito.
Não busquei tratamento, uma por estar em crise e não ter forças, outra por não
ter apoio familiar, que dizia “não ter
dinheiro para gastar com as minhas frescuras”. Frescuras estas que eram
basicamente: Não comer e chegar aos 49 kilos (tenho 1,70), não dormir (ou
dormir de mais), não querer ficar sozinha, ter tonturas e náuseas constantes,
sentir que meu corpo não me pertencia e que eu vivia em um sonho, chorar
compulsivamente durante horas, etc. etc. etc. Com o tempo fui melhorando um pouco. Fiz
faculdade, ingressei na igreja, arrumei um namorado. Contudo, tive uma recaída
terrível onde minha mente não parava de pensar (apenas coisas ruins e
absurdas). Fui em busca de tratamento e
meu primeiro diagnóstico foi TOC, depois ansiedade e por fim, Transtorno
depressivo e ansioso. Resumindo o tratamento (que tive de parar por problemas
financeiros), foram 2 anos de terapia e 3 anos de medicação (que abandonei,
como disse, por não ter condições de pagar consultas ao psiquiatra, que são
absurdas de caras).
Escrevi tudo isso, pois relendo trechos do blog, percebo que
ele faz parte desse período específico da
minha vida, então muitas coisas que aqui estão escritas são retratos fiéis de
uma pessoa deprimida, e não necessariamente, meus verdadeiros pensamentos. Vejo
isso hoje, pois tive um pico de melhora muito grande de uns tempos pra cá e muitas
coisas do meu comportamento e pensamento mudaram, coisas que até então, eu
achava que eram características minhas. Noto o quanto estou melhor por :
-Hoje tenho vontade de fazer as coisas. Desde esse início da
fase mais severa da depressão (já fui diagnosticada com grau severo), eu não
sentia prazer e nem vontade de fazer nada do que antes me agradava. Eu
abandonei tudo o que me satisfazia, como leitura, ver séries, me arrumar,
querer sair. Coisas muito simples como levantar e arrumar a cama lavara a
louça, fazer um trabalho de faculdade, eram sacrificantes de mais para mim.
Ainda não me sinto com energia como antigamente, mas para quem não sentia
energia nenhuma, e estando sem medicação, eu realmente melhorei muito!
-Uma coisa que eu dizia sempre para minha psicóloga : “Minha
vida precisa de manutenção, eu tenho que me vigiar o tempo todo”. Eu simplesmente
não sentia prazer nenhum em viver e não queria estar viva, não entendia o
porque de estar viva e me entristecia o fato de estar viva. Eu não acordava e
levava o dia, como todo mundo. Nem passava por uma raiva, um perrengue e depois
estava rindo, como todo mundo. A raridade era eu rir, era eu ver graça nas
coisas, era estar feliz, mesmo conquistando coisas, tendo pessoas que me
amavam, sendo reconhecida pelo meu trabalho, elogiada pela minha beleza. Para
mim, nada disso era importante, era tudo preto e branco. Hoje a minha vida tem
cor, tem graça. Eu brinco rio, me alegro, acordo disposta, vejo a beleza nas
pequenas coisas da vida que há muito tempo haviam desaparecido. Fazer um bolo é
uma vitória, fazer um desenho outra, dormir e querer acordar no outro dia, a
maior de todas.
-Eu não dou mais importância para o que as pessoas pensam de
mim, o que elas dizem a meu respeito, a não ser que sejam pessoas muito próximas
(e muitas vezes, nem essas) . É como se agora eu tivesse poder sobre mim mesma,
eu me conhecesse. Antes, era como se eu fosse aquilo que as pessoas diziam que
eu era. Não questionava, eu era aquilo e ponto! Sofria muito com discussões de
internet, com pessoas que nunca se quer me viram na vida e por notarem que eu
era um alvo fácil, me atingiam e eu me sentia atingida. Agora o que menos me importa é saber se agrado ou não aos
outros. Estou agradando a mim mesma, e isso basta.
-Não sou mais presa ao passado. Algo que me fazia sofrer de
mais, e que eu sempre falava na terapia era “Parece que estou presa sempre nos
mesmos problemas, que minha vida não se atualiza que são sempre as mesmas
dores, que é sempre a mesma coisa, que nada vai mudar nunca!”. Vejo claramente
agora que isso me fazia um mal imenso porque não sou, de natureza, uma pessoa nostálgica.
Não gosto de remoer coisas, guardar lembrancinhas até mofar, viver de memórias,
mesmo que sejam boas. As guardo com carinho, mas não fico as rememorando e
querendo que elas sejam o meu presente. Gosto de ver as coisas fluindo,
caminhando, se renovando, resignificando, e me sentir presa ao passado me
torturava mais do que qualquer outro fator!
-Tive coragem de tomar decisões que mudariam minha vida,
como sair de um emprego que me fazia infeliz, terminar um relacionamento que
minava minha autoestima, dar um tempo e questionar uma doutrina religiosa na
qual sempre abaixei a cabeça e aceitei como certa. Mudei minhas roupas, cortei
meu cabelo, comecei a ir para lugares que nunca tinha ido, fazer coisas que
nunca tinha feito e quero fazer muito mais ainda. E isso é bom, muito bom! Sinto-me
viva!
Claro que ainda sou depressiva e nem sei se um dia deixarei
de ser. Apesar de todas essas melhoras, tenho dias de recaída e esses dias são
pesados, principalmente na TPM. Há dias
que choro o quanto antes, me sinto um lixo como antes, penso que a vida não
vale a pena como antes, mas esses dias
agora são a exceção e não a regra. Além do que, consigo reconhecê-los como “dias
em que estou doente” e talvez precise descansar e tomar um chazinho, como uma
gripe, e não mais como minha personalidade ou minha realidade.
Eu não tenho vergonha de falar sobre esse assunto, nunca
tive, e acho que precisamos falar mais de nossas lutas, nossos problemas e
mostrar aos que estão passando por isso que eles não estão sozinhos e assim
como hoje melhorei muito, eles também irão melhorar, esse período não é eterno,
a vida pode sim mudar, nós podemos mudar! Não estranhem com as mudanças no blog, não
pensem que estou fazendo isso para atrair público e etc. Esse blog nunca teve a
intenção de ser popular e nem comercial, então a popularidade dele nunca foi o
mais importante para mim. Sempre foi um espaço onde eu pudesse ser quem eu sou.
E se estou uma pessoa melhor, pretendo compartilhar conteúdos melhores.
sábado, 19 de abril de 2014
Blogagem coletiva- 5 discos e 5 personagens
Faço parte do grupo Rotaroots no Facebook e todo mês eles criam uma
blogagem coletiva =). Eu já respondi um meme parecido esses dias (10 discos que marcaram sua vida), mas esse
pedia para que marcássemos os primeiros discos que viessem a sua mente. Dessa
vez, farei os daqui com mais reflexão.
5 álbuns que marcaram minha vida
1-No need to argue- The Cramberries
The Cramberries é uma banda que marcou
fortemente minha nfância e pré adolescência. Lembro-me que quando criança,
ouvia Linger repetidas vezes na casa da minha avó parterna. Essa lembrança me
traz uma nostalgia imensa daquela época, em especial do meu primo Thiago, que
foi uma grande influência na minha adolescência. Ele era o único que acreditava
em mim, me incentivava a desenhar, a ler e até tentou me ensinar a andar de
skate. A melancolia dele era muito parecida com a que eu já sentia, mais ainda
com a aque viria a sentir nos próximos anos. A música que marcou muito meus
12/13 anos e minha sétima série foi Ode to
my Family. Esse álbum me faz pensar muito sobre mim mesma, minhas origens,
minha identidade.
Não adianta! Beatles é a banda da minha
vida e sempre será! Em especial da minha adolescência, mais em especial ainda
da época que sai da escola e comecei a de certa forma, conhecer o mundo. Beatles me acompanhou nas minhas primeiras
descobertas sobre como eu poderia ser mais do que imaginava e nos meus primeiros
pânicos pelo mesmo motivo, nas minhas viagens meditativas no quarto tentando me
entender, nos meus ouvidos enquanto eu caminhava pelo centro indo a alguma
entrevista de emprego ou na feirinha
hippie da Praça da República. Na minha única experiência propositalmente fora
de consciência ,em vez de ouvir a música que tocava no ambiente, eu ouvia
Lovely Rita! A única música que me fez chorar na Virada Cultural foi Something
e a única musiquinha em inglês que eu tentava cantar quando era criança é Love
me do. Claro que ter Beatles como banda
favorita e “da vida” não é a coisa mais original do mundo, mas faz parte de
mim, então...
P.S: Impossível escolher um álbum só deles,
tive que compilar =P.
Álbum imprescindível! De novo, mais uma banda que fala muito sobre
mim e de certa forma, como minha mente
funciona. Radiohead é como se fosse um pedaço do meu coração entregue ao mundo.
4-Unleash Memories- Lacuna Coil
Tanto este álbum como o Comalies marcaram
muito minha vida de 2008 a 2012, aproximadamente. Foi a época que fiquei mais
Metal, por assim dizer, e como não poderia deixar de ser, influenciada também
pelo meu antigo namoro, embora eu já ouvisse Lacuna Coil desde meus 14 anos.
Lacuna tem uma coisa que gosto muito: Uma vocalista forte! Cristina Scabbia
sempre foi uma inspiração pra mim, tanto musicalmente como em personalidade,
além de acha-la uma das mulheres mais sexys do universo!
![]() |
| Cristina Scabbia, quero estar assim aos 41 aninhos |
5-A tempestade-Legião Urbana
Eu gostaria de colocar Los Hermanos,
Mutantes , Novos Baianos, Ludov, uma série enorme de bandas e discos que me
marcaram, mas infelizmente, tenho que escolher apenas 5 (ao menos 5 bandas).
Bem, A tempestade foi o álbum que acompanhou minha fase mais pesada da
depressão, então tirá-lo dessa lista, apesar de de ser um pouco ser doloroso,
seria muito hipócrita. Nada mais a acrescentar, a não ser que fala da dor que
eu senti de forma magistral.
5 personagens que eu gostaria de ser
1-
Sabina- A
insustentável leveza do ser- Milan Kundera
Sabina é bem isso: a parte que eu gostaria de ser. Em muitas
coisas nos identificamos, como sermos artistas plásticas, politizadas e
lidarmos bem com nossa sexualidade, cada uma da maneira que escolheu, claro.
Mas Sabina tem um desprendimento, um certo egoísmo que eu gostaria de ter. Ela
não se prende a ninguém, nem a lugar nem a sentimentos, segue apenas ela mesma
e seus anseios. Se for para me identificar sentimentalmente, certamente me
pareço mais com Tereza, apegada,
romântica e dependente.
2-
Sakura Card Captors
O mundo de fantasia e particular em que
Sakura vive lembra muito minha própria personalidade em alguns momentos da
vida, a forma como sou apegada a valores intensos mesmo a frente a ceticismo e
prefiro mantê-los apenas para mim, fazendo quase um mundo só
meu. Também me identifico com a coragem
e nobreza de Sakura, junto a teimosia e imaturidade, claro.

Quando li esse livro, senti-me
deflorada por Clarice! Lorelei sou eu!Apenas sou eu!Explico mais aqui.
4-Amélie- O Fabuloso Destino de Amélie Poulain
Eu não tenho a timidez exacerbada de Amélie, nem tanto seu
medo de enfrentar grandes desafios da vida, mas a forma como nos dedicamos a
fazer “pequenas bondades” e valorizamos nossos “pequenos prazeres” no dia –a –
dia faz com que eu me sinta especialmente ligada a ela. Muitas vezes, tenho
raiva dela como tenho de mim mesma.
5-Sara – Labirinto, a magia do tempo
Só queria muito viver uma aventura como ela viveu! O coração
nobre de Sara, mais sua imprudência e perseverança, junto com sua ingenuidade e
falta de noção faz com que nos identifiquemos muito,rs.
Gostaria de colocar 100 álbuns e 100 personagens, mas é isso
por enquanto.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
Meme sobre a história do blog =)
Recebi esse Meme da Nathália, do blog Grão de estrela ^^:
1. Como surgiu o nome do blog?
Etérea Essência na verdade, não é o nome original.Este blog chamava-se
Pensaela e foi com este nome até 2010. Bem, Pensaela veio porque eu pensei em
por “Ela pensa”, achei que ficaria muito comum, então mudaria para “Pensa ela”,
mas quando vi pensaela, tudo junto, na barra de endereço, achei mais legal XD.
Eu tentei desistir do Pensaela por achá-lo excessivamente pessoal. O exclui e
fiz o Simbologia Pessoal, que tinha a ideia de colocar apenas meus desenhos e
pinturas. Detestei, não consegui seguir esse ritmo. EU PRECISO ESCREVER SOBRE
MIM! Foi então que resgatei todos os textos do Pensaela, mais os textos do
Simbologia Pessoal, e dei início ao Etérea Essência. Ele tem esse nome por serem
duas palavras muito significativas para mim. Um amigo meu dizia que eu adorava
essa palavra “etérea” , que tudo para mim era “etérea”,rs, e essência porque
essa palavra sempre foi grudada na minha alma, não sei explicar.
2. Há quanto tempo o blog existe?
Contando desde a época do Pensaela, ele existe desde meados
de 2008, ou seja, 5 anos.
3. Como você divulga o blog?
Eu não divulgo. Ás vezes eu coloco links de textos no
Facebook e no Twitter, ás vezes quando leio um post em outro blog que tem a ver
com um que escrevi,deixo o link lá,mas apenas isso.
4. Quais assuntos tem mais visualizações?
Os assuntos mais visualizados são os mais polêmicos,rs. Os
temas políticos e religiosos são os mais acessados, pelo que parece.
5. O que te motivou a criar um blog?
Pensando desde meu primeiro blog, o Nelara Evolution, que
era hospedado no horrível Weblogger e que foi criado quando eu tinha 14 anos,
eu sempre me senti muito incompreendida e sempre senti que os assuntos pelos
quais eu me interessava não eram do interesse de ninguém. Foi uma forma de me auto-decobrir e ,de certa
forma, ouvir minha própria voz.
6. Onde você mora?
São Paulo.
7. Quais os objetivos do blog?
Eu gosto da ideia de ter um blog e saber que você está se
comunicando com pessoas que mesmo não te conhecendo, te entendem muito melhor
que pessoas próximas. Eu também tenho uma certa ilusão de que pessoas que eu conheço na
vida real não leem o meu blog!Eu nem quero que elas leiam, é como se aqui fosse
meu mundo,meu universo paralelo!
8. Quais blog você visita frequentemente?
9. O que te inspira a criar os posts?
Meus posts, assim como meus desenhos e pinturas, são
partos!São coisas que eu tenho necessidade de dizer, mesmo que elas não façam
sentido. Quando preciso cuspir algo muito pessoal, dou um jeito de fazer
analogias,mas preciso dizer!Eu não seria ninguém se não pudesse escrever!
10. Qual sua idade?
23
11. Além do blog, tem alguma outra ocupação? Se sim, qual?
O blog está longe de ser minha maior ocupação!rs.Acho que
essa pergunta faz sentido mais a meninas que tiveram a sorte de fazer blogs que
obtiveram sucesso,e hoje vivem deles, com temas como moda, literatura.
12. O que mais gosta de fazer nos finais de semana?
Ficar sozinha para mim é sagrado!Descansar, botar a cabeça
no lugar. Aos fins de semana eu gosto de curtir essa paz, de ficar em casa
mesmo, desenhando, escrevendo, pintando, namorando,v endo filmes, ou apenas
pensando.
13. Gosta de café?
Amo café,sou viciada!
14. Pretende fazer algo para o blog em 2013?
Eu quero dar uma pausa nos temas polêmicos =P, voltar mais a
minha essência (rs), ando muito mais introspectiva,acho.
![]() |
| Encontrei este desenho perdido nas minhas coisas. O fiz no início de 2008! |
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