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domingo, 21 de dezembro de 2025

Nostalgia!

Um amigo e eu estávamos postando no facebook desenhos de quando eramos crianças. E ele postou esse desenho LINDO que eu não me lembrava mais!A histórinha é muito linda, gente!Tive que compartilhar com vcs!

domingo, 26 de agosto de 2018

Andar com minha fé eu vou



Quando eu era criança, não usava sapatos. Sentir a areia, a terra, as pedras e até mesmo os cacos de vidro não me incomodava. Era normal sentir a natureza, já que eu também fazia parte dela. O gelado das águas me encantava como se eu voltasse á minha própria origem.

Passei a calçar sapatos quando percebi que estar descalça era mal visto, que minha imagem despertava liberdade e selvageria, tudo o que uma mulher não pode ter. E  logo apareceu um par que apesar de muito desconfortável, tinham uma boa aparência e me dava um status respeitável. O calcei durante longos anos e a medida que fui crescendo, ele apertava, dava calos, prendia meus passos, torturava meus pés e eu não conseguia  mais sentir a natureza da qual faço parte. Como na história original de Cinderela, chegaria um momento em que seria necessário decepar meu dedo ou calcanhar para continuar cabendo no sapatinho de cristal.  Doeu me desprender de algo que me serviu por tanto tempo, mas antes que eu me livrasse de pedaços meus, joguei meus sapatos fora!
Foi estranho sentir novamente os quatro elementos roçando e machucando novamente meus pés, mas percebi que apesar de sensíveis pela época em que passaram abafados, continuavam fortes, ágeis  e desejosos de sentir na pele o mundo.
Muitos dos que ainda usam os sapatos que me apertavam preferiram decepar a si mesmos para continuar os calçando e sendo bem aceitos pelos que tem medo de andar com os pés no chão. A grande maioria deles não caminha mais ao meu lado. Permiti-me até mesmo  calçar sapatos novos, muito mais confortáveis!, aos quais recorro  sempre que meus pés precisam de um alívio pela brutalidade do asfalto , mas não tenho mais a necessidade de proteger-me de todas as experiências que a jornada me proporciona. Decidi voltar á minha natureza ,olhando para trás e tendo o prazer de ver  a marca de minhas próprias pegadas

domingo, 30 de outubro de 2016

É complicado ter um blog de 8 anos

É complicado ter um blog que começou aos seus 18 .

Você pensa e repensa se ainda vale a pena mantê-lo ou se você deveria fazer outro, mais a sua cara atual.

É meio estranho saber que existem vários textos nele que são de uma Dayane super  diferente do que é agora e que não refletem mais sua realidade.

É meio esquisito você perceber que sua visão, até sobre você mesma, mudou muito.
Isso tudo te trava e te deixa meio “E agora, o que vou escrever? Será que ainda escrevo?”.

A religião passou, a depressão passou, a decepção passou.

Você se formou, se pós-graduou, estudou, trancou e está prestes á se formar de novo.
Você cresceu, amadureceu, cortou o cabelo, deixou ele crescer...

E como escrever sobre uma Dayane que ainda não elaborei? Como concretizar algo que está em construção?

Estou me redescobrindo, me reconhecendo.


E é por isso esse meu silêncio.

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Vão querer te por no seu lugar

A de garrafa, que é a mais gostosa!


Tem um episódio na minha vida que nunca esqueço quando se trata de lembrar que eu, apesar de ter uma graduação, estar na segunda, ter uma pós e ter trabalhado em diversos lugares cheio de pessoas privilegiadas socialmente, continuo não passando de uma favelada.

Certa vez, em um desses lugares que trabalhei cheio de gente embasada teoricamente que respeitam seu lugar de fala e que choram com a desigualdade social, houve um piquenique, como sempre havia. Mas esse era diferente! Foi combinado que seria um piquenique “Queijos e vinhos”, ou seja, só com coisa fina! No grupo do Facebook, ao ser questionada sobre o que eu iria levar, pensei que talvez nem todos bebessem bebida alcóolica. Pensando nessas pessoas, respondi que levaria uma Coca-Cola. Quando declarei isso, uma dessas pessoas engajadas e esclarecidas escreveu no grupo que eu era “De categoria”, que era “Queijos e vinhos e não salgadinho e refrigerante” e que “tudo bem eu levar Coca, mas que eu fosse com a fome condizente ao que eu levaria”. Na hora eu fiquei extremamente em dúvida se essa pessoa estava brincando ou falando sério. Senti-me constrangida, não pertencente ao grupo e tive grande vontade de não comparecer ao piquenique no outro dia.

Quem é da periferia sabe o quanto aqui, certos artigos são luxo. Não interessa se você acha um horror o capitalismo selvagem que a Coca-Cola produz e que ela destrói seu organismo. Não interessa se você acha uma atrocidade à matança dos animais e quer que o mundo seja vegano. Não interessa que existam vinhos do mesmo preço de uma Coca-Cola ou se dá pra comer bem sem comer carne: o que interessa é o valor simbólico embutido nesses alimentos! A exemplo disso, uma tia de alguém que conheço , em uma conversa disse : “ Hoje eu sou rica! Não reclamo de nada! Eu nunca pensei que teria carne, frango, linguiça todo dia na minha geladeira!”.

Pro  pobre, certas coisas tem uma grande simbologia de riqueza e poder, de sucesso. Porque simbolizam fartura, simbolizam que você mais do que QUIS comer, PÔDE COMPRAR!

Muitas vezes, eu que sou hoje uma mulher acadêmica e que nos meus trabalhos sempre convivi com pessoas que viajam pra Europa todo ano, que ouço de olhos brilhantes eles descreverem como é o Museu do Louvre, me esqueço de que para grande maioria, eu estar ali, vir de onde vim, ser quem eu sou, causa um grande e indigesto incômodo!

Dão palestras e seminários sobre interseccionalidade, falam do índio, falam do negro, falam da mulher negra e periférica, falam dos mlk piranha dando rolêzinho no shopping, mas de uma forma assistencialista, de uma forma de “vamos dar espaço pra eles, mas não o nosso”.

Quantas vezes eu tive que pegar 3 conduções, sair do extremo leste, pra ir pro Parque do Ibirapuera discutir sobre “Inclusão social” ? Não é irônico?

Ás vezes eu canso, eu penso em me por no meu lugar. Olho a minha volta e me pergunto porque escolhi esse caminho, porque não fui fazer administraçãoo, trabalhar no banco? 

Porque insisto em dar murro em ponta de faca em lugares que não me querem ali?

Mas é aí que cai a ficha: Exatamente por não me quererem, é ali que eu tenho que estar!

Porque sou educadora.

Porque sou politizada.

Porque sou da periferia.


E porque quero abrir uma ferida bem grande no meio de vocês, para dar passagem para mais pessoas como eu ocuparem o lugar que vocês pensam serem exclusivos SEUS!

domingo, 15 de novembro de 2015

Sobre não se diminuir para ser do tamanho que esperam de você

Última pintura que fiz! Chama-se "Sacerdotisas"

Já tem alguns dias que venho pensando isso, mas graças a uma conversa que tive hoje com meu namorado, deu a coragem de escrever.

Mês passado eu fui demitida do trabalho com crianças especiais. A primeira coisa que senti foi que eu era insuficiente, uma péssima profissional. Me culpei sem ao menos ter recebido um feedback do que tinha acontecido.  Depois de muitas idas e vindas, tive provas o suficiente para perceber que eu estava e um lugar pequeno, com pensamentos pequenos e que o crescimento que construí com os alunos não era o que eles queriam.  

Passei então a refletir sobre momentos em que me senti mal e me considerei errada por não ter o tamanho que as pessoas queriam.

Permaneci em um namoro de 3 anos que minou minha auto-estima de todas a maneiras possíveis. Porque fiquei tanto tempo com uma pessoa tão pequena e que me diminuía a ponto de me deixar menor que ela? Porque no fundo, eu acreditava nisso. Eu acreditava que meu tamanho era inadequado, que não merecia se quer a pessoa que estava comigo.

Por quase 7 anos estive em um lugar que me julgava pelo tamanho da minha roupa, pelo corte do meu cabelo. Que se eu tivesse ideias e as pronunciasse,  era condenada a pedir perdão por ser uma pessoa que ousava pensar de uma maneira diferente da qual eles diziam que era a maneira de Deus. O tamanho de Deus.

Durante anos dei crédito a um familiar que me dizia nojenta, fresca, metida, mal amada, egoísta,  antipática toda vez que eu demonstrava algum amor-próprio ou autoconfiança. Hoje reflito sobre o fato de essa pessoa ter tido uma vida extremamente difícil, na qual foi humilhada e diminuída muitas vezes e que essa é uma maneira dela se sentir um pouco maior. Mas não pensei dessa forma quando adolescente. Eu simplesmente acreditei.

Na faculdade, por eu falar o que pensava e ter um pouco mais de conhecimento que alguns que ali estavam, eu fui alvo de muitas fofocas maldosas e torcidas de nariz por onde eu passava. E eu me sentia mal, me sentia péssima!

Dentre essas situações mais extremas, já passei por muitas outras em que acreditei que para ser aceita e amada, eu deveria sempre ser do tamanho que me idealizavam. Desconstruir isso em mim tem sido uma tarefa de anos e nem sempre eu consigo. Contudo, essa recente experiência foi muito boa para que eu pudesse repensar meu papel dentro de tudo isso e tomar algumas conclusões:

Quantas vezes acreditamos que devemos nos nivelar por baixo! Achamos que merecemos empregos, relacionamentos, amizades medíocres e permanecemos com alguém ou em  algum lugar que nos menospreza, pois no fundo, nós mesmos nos menosprezamos! Somos os primeiros a apontar nossos erros, a nos condenar, a nos julgar. Fomos ensinados que ser humilde é se deixar pisar, é ouvir calado, é se rebaixar e com isso, vamos aceitando tudo e nos sentimos mal se por acaso conseguimos algo melhor, por que aí, não estamos sendo “humildes”. Quantas vezes fui mal vista por declarar que sim, me acho bonita ou inteligente, que gosto do meu trabalho, que gosto de ser como sou? Humildade vem de “húmus”, significa terra. Significa ter o pé no chão, ter noção da realidade! É aprender com os erros e comemorar as conquistas! É conviver com os defeitos e  celebrar as qualidades! É saber impor seus limites e saber se permitir quando for bom para você!

O que pretendo agora é não me manter em uma situação que me humilhe ou diminua por achar que só assim receberei amor, aceitação. Vou passar a, de verdade, acreditar que mereço o melhor! Estou sempre buscando me qualificar profissionalmente, tenho uma ótima experiência, sei do meu potencial, não vou aceitar mais trabalhos que subestimem seus profissionais! Sei das minhas qualidades como ser humano, que não sou nem de longe uma pessoa amargurada e mesquinha, não darei mais ouvidos a quem tenta me diminuir ao seu nível! Não preciso entrar em debates que me fazem mal, lidar com pessoas que me fazem mal, estar em lugares que me fazem mal! Errado está quem (ou o que) é pequeno e tenta encaixotar as pessoas, não quem tenta se expandir!

De hoje em diante, só anda do meu lado quem quiser crescer comigo!


P.S: No amor, já aprendi. É um outro texto que escreverei para vocês em breve.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Meta de leitura - Sagas (Fantasia e ficção-científica)


Não sei exatamente o porquê, mas desde a adolescência, quando começou a febre de literatura fantástica, eu sempre tive bastante preconceito com  O Senhor dos anéis. Tentava ver os filmes, mas eles me davam sono e os livros nunca me interessaram. Em compensação, devorava em um dia os livros do Harry Potter. Os filmes, porém, nunca me apeteceram.

Esse ano tentei mudar isso. Assisti a triologia de O Senhor dos anéis em uma noite e uma madrugada, direto, quase 10 horas de filme. Fiz até uma resenha aqui no blog. Após a maratona, tive curiosidade de ler O Hobbit de Tolkien. Li e apesar de não amar, gostei, e isso me deu vontade de finalmente encarar a triologia do anel. Indo nesse embalo de literatura fantástica, decidi traçar uma meta de terminar algumas sagas inacabadas por mim e iniciar algumas que estava delegando. Vamos conhecer quais são?

(Peço desculpas pelas imagens em baixa qualidade, são de celular).

Harry Potter- J.K. Rowling



Quando eu era adolescente, era alucinada por Harry Potter!
O que mais me faz admirar a saga é que J.K. não inventou o que escreveu, ela pesquisou a exaustão e trouxe referências de inúmeras mitologias para seu público! Cada criatura citada no livro existe em alguma cultura! Claro que isso também aconteceu pela facilidade na criação de J.K! Não apenas ela, mas todos os escritores de sagas seguem religiosamente A jornada do herói e isso, mais o uso de criaturas já criadas por outros povos, facilitou muito a história de Harry. Contudo, não vejo isso como algo ruim pelo contrário! Isso que faz ,para mim, a história ser mais próxima e realista aos que a leem!

No meu caso, falta ler O enigma do Príncipe e As relíquias da morte. Ganhei de aniversário a saga completa <3!


As Brumas de Avalon- Marion Zimmer Bradley



Fui uma adolescente mística, que gostava de bruxaria, incensos, cristais e saias indianas. E adivinhem? Ainda sou! Hahahaha!

Vi As Brumas de Avalon bem novinha, mas eu nem sabia que existiam os livros de forma tão acessível, achava que era difícil encontra-los. Em 2012 comprei a saga completa em um sebo, mas não sei porque, eu fiquei travada com esses livros até agora! Tentava lê-los, mas algo me impedia, começava e parava. Esse ano eu finalmente li A senhora da magia e meu Deus! Fiquei totalmente absorvida pela história! Ela é extremamente rica em detalhes, é como se eu vivesse cada momento contado! Sem falar  na incrível construção das personagens femininas! Todas tão reais que você sente como se elas estivessem do seu lado, contando toda sua história, como se fossem suas velhas amigas! Como disse, já li o primeiro livro da saga e estou no segundo, A grande rainha!


As fronteiras do universo - Philip Pullman


Ainda bem que eu era muito mais mente aberta com literatura quando tinha 15 anos do que sou agora, se não, eu não teria pego A Bússola dourada (sim, era assim que se chamava meu antigo livro que emprestei e nunca mais  recebi) na prateleira de um sebo qualquer! Lembro bem desse dia! Li a descrição do livro, achei interessante e o comprei! A partir daí entrei em uma viagem alucinante sobre universos paralelos e realidades alternativas! Eu sabia que havia continuação da saga, mas como aconteceu com As Brumas de Avalon, achava que nunca acharia essa continuação sem ser o preço do meu rim! Mas não! Esse ano comprei a triologia baratinha!  Fiquei chateada em notar que , como li há muito tempo o primeiro livro da saga, fiquei bem perdida ao tentar ler A Faca sutil! Vou então reler A Bússola de Ouro antes de ler os outros dois e sim, estou bem ansiosa! Talvez eu não goste tanto quanto gostei quando era adolescente, mas  quero muito ler!


O Mochileiro das Galáxias- Douglas Adams



Eu fui conhecer na verdade essa saga em 2012, mas só fui ler o primeiro livro em 2014. Achei divertidíssimo, mas como estava com outras coisas para ler na fila, não dei continuidade. Fiz um troca com uma garota super  fofa,  onde troquei alguns livros pela saga completa e um livro de poesias de Pablo Neruda! Vou ler a saga completa, desde o primeiro livro!


O Senhor dos anéis-  J.R.R. Tolkein



E TCHARAN! Vendi meu ruim pela triologia de O senhor dos anéis esse ano, o que me dá MUITA RAIVA já que me lembro de ter encontrado essa triologia completa por QUINZE REAIS  há 4 anos atrás em um sebo e não me interessei! Mas enfim, queria ter comprado os 3 livros separadamente, mas não encontrei no dia.

Como disse, vi os filmes apenas esse ano e embora não tenha amado, me interessei bem mais por ler coisas do Tolkien, pois finalmente eu compreendi a importância que esse cara teve não apenas para a literatura fantástica, mas para toda a ambientação em fantasia que veio depois dele, tanto em filmes, como em livros, quanto em jogos. Ele criou as línguas, os mapas, os personagens, tudo! Maravilhoso! E sim, li O Hobbit e achei bem legal! Comecei a ler A sociedade do anel e também estou gostando! Pena que terei de ler esse livro só em casa, já que ele é um tanto pesado para levar por aí!

Aqui fiz marcações separando os 3 livros!

Enfim pessoal, essa é minha meta de leitura! Tentarei  ler um ou outro livro no meio que não seja saga ou fantasia, mas estou focada em terminar essas sagas! Será que consigo? Façam suas apostas!

Meu cantinho para sagas da estante! Meu Os Miseráveis lindo e o Morte súbita também podem ser vistos!




domingo, 16 de agosto de 2015

O perdão

Pintura inspirada nas ilustrações de Tolkien e em Firebird, de Fantasia, da Disney.


Algo que tem me feito muito bem  é aprender a perdoar. Creio que para me proteger em momentos de imensa fragilidade, fui criando uma casca dura que não deixava nada passar e qualquer crítica a mim, ou falha, era visto como um ataque pessoal. Nunca fui muito passiva, mas fiquei de certa forma até agressiva durante alguns anos e ao ferir alguém, também me feria e , surpresa!, não  sabia perdoar-me, igualmente. Tudo isso ia se tornando uma bola de rancores que me consumiam por dentro.

Do ano passado pra cá, conforme fui me libertando de várias coisas, tomei consciência que me livrar de tanta culpa e rancor era essencial para minha saúde e meu bom convívio com os outros  e fui notando que ao perdoar o outro , automaticamente perdoava a mim e vice e versa, pois reconhecendo que o outro erra,  tiro das minhas costas o peso de ter que ser perfeita sempre, e reconhecendo que eu sempre erro, tiro o mesmo das costas alheias.

A verdade é que erramos, mas nos arrependemos (ou deveríamos). Aceitar que alguém que você ama de vez em quando vai te machucar, porque ele não é perfeito, é aceitar que você também faz isso. Aquela palavra que te disseram que você nunca esqueceu, aquele dia que te esqueceram, aquela pessoa que foi injusta, aquele tapa  (seja no corpo como na alma) . Não estou dizendo de forma nenhuma que devemos nos submeter a alguém que nos pisa e  humilha e muito menos que devemos conviver e levar numa boa, mas podemos sim, nos afastar e entender que o outro, como você, é um ser cheio de traumas, medos, erros e limitações.

Não perdoei tudo, mas queria chegar à isso. Só faz bem, só descarrega energias péssima e dá espaço para coisas melhores na vida. Hoje se me irrito, me magoo, critico e sou criticada, se faço por um momento um inferno na vida do outro como ele pode fazer no minha , já penso mil vezes antes de colocar no meu coração esse fato como incorrigível e essa pessoa como imperdoável.  Pode não ser perfeita, mas só tenho uma família. Podem não ser perfeitos, mas prezo meus amigos. Podem não ser pessoas relevantes, e por isso mesmo ,não vou me encher de sentimentos corrosivos por quem não faz diferença. Posso ser um poço de defeitos, mas sou minha melhor amiga.


Não é ser Buda, não é ser Cristo. É ter a humildade de enfim compreender que somos apenas humanos demasiado humanos.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Voltar

É à noite. Pego a xícara que mais gosto e um cobertor, vou em frente ao computador e coloco meu seriado preferido, ou m filme que eu já assisti muitas vezes, mas sempre é bom rever. Espero todos dormirem para curtir esse momento de estar comigo mesma, desfrutando de minha própria companhia, fazendo exatamente o que queria fazer.

Entro no meu quarto. Vejo todos os livros que amo bagunçados. Vejo minhas caixas de música, ambas tão especiais pra mim, meus bonequinhos do Mário, os novos da Hora da aventura, minhas bonecas, minhas bijuterias e penso “tenho que por ordem em tudo isso, é tudo meu,  e está uma bagunça!”

Estou em uma roda de amigos e começamos a falar sobre infância e adolescência. Começo a relembrar de uma maneira muito gostosa coisas que me marcaram. Passo a cantar a abertura da Sakura Card Captors, do Dragon Ball Z e do Tench Muyo. Relembro todos os personagens do Harry Potter, o  HQ O corvo e como esse também era meu filme favorito na infância. Relembro a casa da minha avó , as sementes de girassóis, meu primo apaixonado ouvindo Linger repetidas vezes (essa música que embala tantas coisas boas em minha vida). Lembrei até de algo lindo que havia esquecido, que era meu irmão e eu deitados na rede, eu apontando as estrelas e ele “ Não aponte as estrelas, que nasce um berruga no seu dedinho!” , “Fabinho, em qual estrela será que a Zula mora? Já pensou começar a cair um monte de bolas azuis aqui no quintal?” e procurávamos juntos em qual estrela a Zula morava.

Nada disso eu sentia há pelo menos 5 anos!

É um prazer que só quem passa ou já passou pela depressão vai entender. É voltar a sentir-se viva, sentir-se presente, sentir-se novamente dona do seu corpo e da sua história. Não que eu não visse mais filmes, não lesse mais livros, não arrumasse minhas coisas ou não lembrasse  do que já vivi. Mas é um recordar com sabor, com som, com  vida. É voltar a sentir-se pulsando, fazendo parte do mundo. É ver o mundo em cores. É reconhecer-se, gostar-se, amar-se. Perdoar-se. É  voltar a ser você mesma. E que saudade, que saudades eu tinha de mim!

Cada dia mais, sinto que estou me libertando de pesos, julgamentos, lembranças e crenças que me faziam estar nesse estado de tristeza permanente e começo a valorizar todas as coisas boas que aprendi durante esse período tão difícil. Nos momentos de recaída, aproveito para me aprofundar no que me faz mal e resolver essas questões em mim mesma, diferente de antes, onde parecia não haver saídas.


Hoje comentei com meu namorado como tenho evoluído em tão pouco tempo e ele me disse “Será que é só a terapia, ou você não está mais madura?”. Acho que sim. E diferente do que escrevi anteriormente, não sou frágil pelo contrário, estou cada dia mais forte.


quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Internet e as pessoas



Tenho blog desde os meus 14 anos e os iniciei com desejo de partilhar o que eu pensava e sentia com relação ao mundo. Além do fato de escrever e expressar minhas emoções, outra coisa muito benéfica  foi começar a ter contato com pessoas que passaram pelo mesmo que eu, pensavam da mesma forma ou até mesmo diferente, mas entravam em contato e comentavam sobre o que eu havia escrito. Então, eu ia até o blog deles , lia o que escreviam e fazia a mesma coisa. Com isso, fomos formando uma grande rede de apoio e amigos virtuais que me ajudaram muito em momentos que precisei.

Porém, nunca fui de fazer amizade com facilidade. Sou receptiva e amigável, mas dificilmente consigo me abrir com pessoas que mal conheço e até mesmo com as que conheço. Esse foi um dos fatores que me levou a depressão, já que eu não tinha com quem dividir o que me afligia. Era muito fechada e pensava que não iriam me entender. Quando entrei no Facebook, comecei a interagir mais por meio de grupos fechados sobre assuntos específicos,  no caso o MBTI, um assunto pelo qual me interessava muito na época. Nesses grupos conheci pessoas fantásticas, com as quais passei a me relacionar e conviver fora da internet e que até hoje, considero como melhores amigas. Eram grupos com pessoas com tantos problemas parecidos, tantas angústias, medos, expectativas, que acabei passando, sem saber, por uma terapia coletiva. Muitos dos meus traumas, medos, dúvidas foram tratadas ali e vi o amadurecimento de vários que também participavam.

Conheci pessoas sem caráter, aproveitadoras, caluniadoras e etc? Conheci sim! Cheguei, inclusive, a criar “inimigos”. O problema da internet é o mesmo que o da vida real, de existirem pessoas que não gostam do seu jeito, da forma como você é e se expressa, da sua personalidade ou até mesmo de atitudes que você tem. Em qualquer lugar, sempre haverá quem não gosta de você. Mas na internet as pessoas podem falar  o que quiserem, então fica muito mais fácil ser mal educado, grosso, rude e até mesmo cruel por aqui. Acompanho alguns vlogs e vejo a quantidade de comentários depreciativos que os vlogueiros recebem por estarem ali, ora falando de assuntos genéricos, e ora falando de suas vidas, opiniões. É muito mais fácil apontar o dedo e ser “hater” quando não se está frente a frente com alguém. Hoje sou muito mais cuidadosa com o que e quem eu exponho, mesmo involuntariamente, pois já passei dessabores por isso e também porque não é nada legal você se expor de mais para quem não está ali para te ajudar, mas para julgar você, muito menos expor pessoas que estão a sua volta. Mas ainda gosto de usar essas redes todas para conhecer pessoas e  falar sobre ideias, e porque não?, sentimentos! Claro que pela internet devemos tomar um maior cuidado com o que escrevemos e com quem partilhamos isso, pois essas mensagens ficam gravadas, não são apenas palavras que depois passam.

Eu considero esses amigos que fiz tão amigos quanto todos os outros, mesmo alguns deles ainda não conhecendo pessoalmente. Acredito que não se conhece alguém só porque o viu cara a cara, isso não é garantia de nada! Posso crer piamente que aquele colega de faculdade que senta do meu lado todos os dias é meu amigo e ele se mostrar um grande de um pilantra, assim como posso conhecer essa pessoa pela internet e idem. Quem garante que aquele cara que conheci num barzinho, aparentemente bonito e bem cuidado, está me dando seu nome real, sua visa real e revelando suas reais intenções?

Hoje sou uma pessoa que em vez de ficar calada, preciso conversar com alguém para me sentir melhor e menos aflita, mas já tenho pessoas com as quais sei que é mais seguro confiar. Contudo, não me arrependo das épocas em que precisei dos grupos para me sentir mais acolhida nessa vida. Agora uso os grupos mais para discussões politicas e artísticas, e continuo achando que essas trocas de ideia valem a pena!

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Aos que me dizem mais bonita

Com 14 anos, quando me achava horrível!
Muitas pessoas tem abordado a mim e a conhecidos meus para dizer que mudei muito, que estou aparentemente mais feliz e mais bonita. Minha melhora na depressão é notória e isso me deixa muito orgulhosa de mim mesma! Nunca fiz segredo pra ninguém que tenho essa doença chamada depressão, pelo contrário, gosto de falar sobre isso para ajudar e mostrar a outras pessoas que ela não é uma sentença e nem um limitador na sua vida.  Se torna, com o tratamento adequado, apenas mais um nuance que você precisa aprender a lidar.  Já fui diagnosticada com depressão severa e sei muito bem as dificuldades que ainda enfrento no dia-a-dia por conta dela (inclusive comentários maldosos de gente desinformada –que pensa que depressão é corpo mole- e pra quem eu não devo satisfações) , mas nunca deixei de crescer, conseguir ser competente no que faço, de me relacionar, me divertir, estudar, trabalhar. Já cheguei a, em um momento de muita crise, me demitir de um lugar onde o trabalho em si, naquele momento, estava me fazendo muito mal pelas inúmeras exigências e responsabilidades que eu estava arcando (havia sido promovida e com isso, as responsabilidades cresceram muito, mas foi o lugar em que trabalhei onde fui tratada com mais amor e respeito até hoje), e antes que isso começasse a prejudicar a empresa, resolvi ter um tempo para respirar e rever minhas prioridades. E as revi, e isso me fez um bem enorme!

Com uns 20 anos, época da faculdade.
Comecei a escrever sobre isso porque notei que com a melhora da depressão, algo que antigamente me atingia muito, já não atinge mais: o bullying que passei nos tempos de escola e faculdade. Eu tinha um complexo de inferioridade muito grande (que algumas vezes ainda me pega, devo admitir)  e este com certeza foi alimentado por esses momentos da minha vida. Eram lembranças que volta e meia vinham me fazer mal. Na escola, nunca fui agredida fisicamente por conta de bullying, mas era a mesma história de muitas garotas: alta de mais, magra de mais, espinhas de mais, óculos, cabelo considerado “ruim”(não liso) . Beijei bem tarde por conta de tantos complexos, tive muito ódio dessas pessoas que me rebaixavam e diminuíam, alimentava desejos de vingança, etc. Conforme fui crescendo, enquanto essas lembranças ainda me consumiam, eu não conseguia ver como eu era bonita e muito mais que aquilo tudo. Continuei me comparando, me sentindo feia, esquisita, menor e  fiquei com aquela mania de perseguição, achando que onde eu fosse “Não gostam de mim! Não falam comigo! Excluem-me! Menosprezam-me!”, não notando que era eu que me sentia assim  e isso fazia com que as pessoas não se aproximassem mesmo. No caso da faculdade, eu fui meio perseguida por, na época sendo evangélica, não me encaixar na imagem que as pessoas tinham de como deveria ser um evangélico: submisso, preconceituoso, que não pensa, não questiona, que se esconde do mundo. E eu sempre fui totalmente o contrário disso. Piorou muito quando resolvi que meu TCC seria sobre Arte Tumular. Isso criou milhares de fantasias maldosas e fofocas sobre mim. Terminar a faculdade foi uma libertação. Essas coisas todas, tanto da escola quanto da faculdade, me criou uma ferida muito grande e que eu pensava jamais fechar, até porque eu não queria que fechasse! Aquela coisa de “Nunca vou esquecer o que me fizeram,  blá blá blá”.

Mas quer saber? Passou! Passou totalmente! Comecei a notar que essas coisas todas não aconteceram apenas comigo, mas com milhares de pessoas e que nada disso me definia. Todo mundo quando é adolescente se acha feio, é esquisitão, está em fase de crescimento, normal então ser todo torto, magro ou gordo de mais, alto ou baixo de mais, todos são assim! Quando paro pra lembrar das crianças e adolescentes que faziam isso comigo, noto que eles também eram assim! O fato de escolherem alguns alvos para serem os mais humilhados infelizmente acontece e isso gera muita dor em quem sofre. Mas e aí, vou viver com isso pra sempre?  Todos que agiram dessa forma nem se lembram mais, a vida de todos mudou e com certeza a cabeça deles também. Capaz que eu os encontre na rua e eles fiquem felizes em me ver, como se nada tivesse acontecido. Não estou dizendo que quem sofreu  bullying tem obrigação de esquecer ou perdoar, mas que isso aconteceu comigo conforme fui amadurecendo e vendo que as pessoas mudam, a vida muda, a cabeça de um jovem de 13 anos não é a mesma de uma pessoa de 25 e que eu não posso pautar minha vida por coisas que passei aos 12, 13, 14 anos. Hoje sou diferente, eles são diferentes. A mágoa que eu tinha por conta disso se foi, e isso foi muito bom pra mim. Quanto às pessoas da faculdade, tirando os amigos que fiz, ninguém me faz falta e pelo que eu saiba, ninguém evoluiu muito com o pensamentozinho retrogrado que tinham, isso não fez ninguém superior a mim, ninguém cresceu fazendo fofoca e alimentando disputas. Isso é coisa de gente pequena e mesquinha, só o que posso é lamentar por essas pessoas. E em compensação, na pós graduação (sim, me formei! Agora sou uma Arteterapeuta Junguiana <3)  conheci as pessoas mais acolhedoras e maravilhosas da minha vida, a quem devo muito minha evolução!

Por isso mesmo, como iniciei esse post, fico feliz em ver que estou , de verdade, muito melhor e mais bonita, porque “embonitei” por dentro. Evolui muito, amadureci um bocado, perdoei, me libertei de muito peso, rancor e culpa. Nem acho que por fora estou diferente, a única coisa diferente que fiz foram as tatuagens, mas de resto, tirando uma maquiagem aqui, um brinquinho ali, continuo igual, a mesma magrela espinhenta  de sempre! Mas a beleza de fora se deve unicamente a toda a mudança que ocorreu por dentro, e isso sim, é algo realmente valoroso e pelo qual posso me envaidecer!



Eu, agora!

domingo, 9 de novembro de 2014

Violência psicológica

Há pouco tempo, escrevi um texto aqui sobre Violência Emocional e o deletei. Fiz isso pois, o texto foi escrito em um momento de emoção que estava reprimida, sobre um assunto que há muito tempo  eu queria falar, mas não tinha coragem. Escrevi  e me arrependi por inúmeros fatores, mas agora com a cabeça fria estou disposta a reescrever sobre o assunto.  

Tive um relacionamento de três anos que me destruiu por dentro, tamanhas eram as violências sutis que eu passava todos os dias. Dentre as formas de violência sofridas, estavam: provocar ciúmes de maneiras explícitas e depois me convencer que eu era louca, via coisa onde não tinhar; sumir por dias sem deixar contato, depois aparecer como e nada tivesse acontecido;ignorar meus apelos para ser ouvida e vista, ficar em silêncio sepulcral enquanto eu me debulhava em lágrimas ou rir da situação; provocar em mim ataques de fúria e raiva, fazendo com que eu não me reconhecesse, falasse coisas horríveis e depois chorasse achando que a culpa era minha; ignorar meus problemas pessoais e insinuar que eu tinha uma vida perfeita perto da dele; me ignorar perto de amigos, como se eu não estivesse ali; me comparar direta e indiretamente a outras mulheres do passado ou presente, flertar com outras na minha presença; etc, etc, etc.

Nem preciso dizer o quanto eu me sentia um lixo, não é mesmo? É claro que por eu ter ficado com essa pessoa 3 anos, existiam qualidades e bons momentos, pelos quais eu me prontifiquei a lutar. Mas demorei a notar que apenas gostar de alguém, e essa pessoa jurar de pés juntos que gosta de você, não é o suficiente para continuar em um relacionamento doentio, onde o outro em vez de querer te erguer e te ver progredir junto com ele, mina sua autoestima, rebaixa suas conquistas e disputa com você, quase em um movimento de inveja e competição, para ver “quem é melhor”.

O perfil do agressor para as pessoas de fora é sempre de alguém bonzinho, amável, gente fina. Quando você tenta contar para alguma pessoa o que você está passando, ninguém acredita em você, todos o defendem por ser “um anjo” e tentam te convencer que é você quem está vendo coisas, é você que está sendo incompreensiva. Ainda mais quando vêem você sendo presenteada com ursinhos, flores, cartas, pedidos de perdão  e todos ficam abismados em como você “reclama com a barriga cheia, queria eu ter um marido romântico assim”. Isso se agrava quando a pessoa em questão teve uma vida difícil e tudo é justificado pela família desestruturada, pelo emprego exaustivo, pelo passado triste. Tudo se vira contra você, e você se sente culpada por ter tido uma família estruturada, uma condição de vida que te permitiu estudar sem se preocupar com trabalho até quando pode, por ter tido o privilégio de nunca ter passado fome. Toda a agressão do agressor, passa a ser justificada, e você, tem que entender o lado dele, já que o mesmo teve uma vida sofrida. É um pesadelo, é uma prisão. Você, vítima, se torna a vilã.

Falando da pessoa com quem convivi, sei que a grande maioria das atitudes agressivas foram inconscientes, sem a intenção real de me ferir propositalmente, eram reproduções do que já havia vivido. Mas nunca se deve usar isso como uma forma de se autoconvencer que a pessoa irá mudar com o tempo, porque ela não vai! O que se pode fazer nesse caso é propor um tratamento ao agressor e esperar que este tome consciência de seus próprios fantasmas, mas jamais se submeter a um relacionamento doente acreditando que este irá mudar.

Consegui sair dessa e não desejo mal algum a ninguém, muito pelo contrário, quero mais é que se reerga e consiga levar sua vida em frente sem magoar nem a outra mulher e nem a si mesmo. Ainda vejo em mim muitas marcas desses traumas quando sem querer, acabo refletindo alguns medos e inseguranças no meu novo relacionamento, mas posso dizer que estou muito melhor. A ajuda psicológica que eu já tinha em terapia me ajudou muito a superar, e meu novo relacionamento também.

Tudo é passageiro, basta querer seguir em frente.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Depressão- A saga


Quando iniciei esse blog (Mais precisamente, o Across the Universe, que depois se tornou Pensaela, que depois se tornou Pedaços dela e por fim, o Etérea Essência), eu estava começando o período mais pesado da depressão, ainda não diagnosticada, por conta de uma experiência traumática que foi só uma acionadora . A verdade é que já era uma criança triste e negativa, fui uma adolescente com longos períodos de angústia e vitimista (sempre me achando a pior, a mais feia, a que sofria mais, etc) e tenho predisposição genética a problemas como depressão, síndrome do pânico e  etc. Meu pai é depressivo e sofreu ataques de pânico e boa parte da minha família paterna seguiu essa mesma sina. E eu também.

Nos primeiros dois anos eu não busquei tratamento para depressão, embora já tivesse feito 6 meses de terapia, que não ajudaram muito. Não busquei tratamento, uma por estar em crise e não ter forças, outra por não ter apoio familiar, que  dizia “não ter dinheiro para gastar com as minhas frescuras”. Frescuras estas que eram basicamente: Não comer e chegar aos 49 kilos (tenho 1,70), não dormir (ou dormir de mais), não querer ficar sozinha, ter tonturas e náuseas constantes, sentir que meu corpo não me pertencia e que eu vivia em um sonho, chorar compulsivamente durante horas, etc. etc. etc.  Com o tempo fui melhorando um pouco. Fiz faculdade, ingressei na igreja, arrumei um namorado. Contudo, tive uma recaída terrível onde minha mente não parava de pensar (apenas coisas ruins e absurdas). Fui  em busca de tratamento e meu primeiro diagnóstico foi TOC, depois ansiedade e por fim, Transtorno depressivo e ansioso. Resumindo o tratamento (que tive de parar por problemas financeiros), foram 2 anos de terapia e 3 anos de medicação (que abandonei, como disse, por não ter condições de pagar consultas ao psiquiatra, que são absurdas de caras).

Escrevi tudo isso, pois relendo trechos do blog, percebo que ele faz parte desse  período específico da minha vida, então muitas coisas que aqui estão escritas são retratos fiéis de uma pessoa deprimida, e não necessariamente, meus verdadeiros pensamentos. Vejo isso hoje, pois tive um pico de melhora muito grande de uns tempos pra cá e muitas coisas do meu comportamento e pensamento mudaram, coisas que até então, eu achava que eram características minhas. Noto o quanto estou melhor por :

-Hoje tenho vontade de fazer as coisas. Desde esse início da fase mais severa da depressão (já fui diagnosticada com grau severo), eu não sentia prazer e nem vontade de fazer nada do que antes me agradava. Eu abandonei tudo o que me satisfazia, como leitura, ver séries, me arrumar, querer sair. Coisas muito simples como levantar e arrumar a cama lavara a louça, fazer um trabalho de faculdade, eram sacrificantes de mais para mim. Ainda não me sinto com energia como antigamente, mas para quem não sentia energia nenhuma, e estando sem medicação, eu realmente melhorei muito!

-Uma coisa que eu dizia sempre para minha psicóloga : “Minha vida precisa de manutenção, eu tenho que me vigiar o tempo todo”. Eu simplesmente não sentia prazer nenhum em viver e não queria estar viva, não entendia o porque de estar viva e me entristecia o fato de estar viva. Eu não acordava e levava o dia, como todo mundo. Nem passava por uma raiva, um perrengue e depois estava rindo, como todo mundo. A raridade era eu rir, era eu ver graça nas coisas, era estar feliz, mesmo conquistando coisas, tendo pessoas que me amavam, sendo reconhecida pelo meu trabalho, elogiada pela minha beleza. Para mim, nada disso era importante, era tudo preto e branco. Hoje a minha vida tem cor, tem graça. Eu brinco rio, me alegro, acordo disposta, vejo a beleza nas pequenas coisas da vida que há muito tempo haviam desaparecido. Fazer um bolo é uma vitória, fazer um desenho outra, dormir e querer acordar no outro dia, a maior de todas.

-Eu não dou mais importância para o que as pessoas pensam de mim, o que elas dizem a meu respeito, a não ser que sejam pessoas muito próximas (e muitas vezes, nem essas) . É como se agora eu tivesse poder sobre mim mesma, eu me conhecesse. Antes, era como se eu fosse aquilo que as pessoas diziam que eu era. Não questionava, eu era aquilo e ponto! Sofria muito com discussões de internet, com pessoas que nunca se quer me viram na vida e por notarem que eu era um alvo fácil, me atingiam e eu me sentia atingida. Agora o que menos  me importa é saber se agrado ou não aos outros. Estou agradando a mim mesma, e isso basta.

-Não sou mais presa ao passado. Algo que me fazia sofrer de mais, e que eu sempre falava na terapia era “Parece que estou presa sempre nos mesmos problemas, que minha vida não se atualiza que são sempre as mesmas dores, que é sempre a mesma coisa, que nada vai mudar nunca!”. Vejo claramente agora que isso me fazia um mal imenso porque não sou, de natureza, uma pessoa nostálgica. Não gosto de remoer coisas, guardar lembrancinhas até mofar, viver de memórias, mesmo que sejam boas. As guardo com carinho, mas não fico as rememorando e querendo que elas sejam o meu presente. Gosto de ver as coisas fluindo, caminhando, se renovando, resignificando, e me sentir presa ao passado me torturava mais do que qualquer outro fator!

-Tive coragem de tomar decisões que mudariam minha vida, como sair de um emprego que me fazia infeliz, terminar um relacionamento que minava minha autoestima, dar um tempo e questionar uma doutrina religiosa na qual sempre abaixei a cabeça e aceitei como certa. Mudei minhas roupas, cortei meu cabelo, comecei a ir para lugares que nunca tinha ido, fazer coisas que nunca tinha feito e quero fazer muito mais ainda. E isso é bom, muito bom! Sinto-me viva!

Claro que ainda sou depressiva e nem sei se um dia deixarei de ser. Apesar de todas essas melhoras, tenho dias de recaída e esses dias são pesados, principalmente na TPM.  Há dias que choro o quanto antes, me sinto um lixo como antes, penso que a vida não vale a pena  como antes, mas esses dias agora são a exceção e não a regra. Além do que, consigo reconhecê-los como “dias em que estou doente” e talvez precise descansar e tomar um chazinho, como uma gripe, e não mais como minha personalidade ou minha realidade.

Eu não tenho vergonha de falar sobre esse assunto, nunca tive, e acho que precisamos falar mais de nossas lutas, nossos problemas e mostrar aos que estão passando por isso que eles não estão sozinhos e assim como hoje melhorei muito, eles também irão melhorar, esse período não é eterno, a vida pode sim mudar, nós podemos mudar!  Não estranhem com as mudanças no blog, não pensem que estou fazendo isso para atrair público e etc. Esse blog nunca teve a intenção de ser popular e nem comercial, então a popularidade dele nunca foi o mais importante para mim. Sempre foi um espaço onde eu pudesse ser quem eu sou. E se estou uma pessoa melhor, pretendo compartilhar conteúdos melhores.

sábado, 19 de abril de 2014

Blogagem coletiva- 5 discos e 5 personagens




Faço parte do grupo Rotaroots  no Facebook e todo mês eles criam uma blogagem coletiva =). Eu já respondi um meme parecido esses dias  (10 discos que marcaram sua vida), mas esse pedia para que marcássemos os primeiros discos que viessem a sua mente. Dessa vez, farei os daqui com mais reflexão.

5 álbuns que marcaram minha vida


1-No need to argue- The Cramberries


The Cramberries é uma banda que marcou fortemente minha nfância e pré adolescência. Lembro-me que quando criança, ouvia Linger repetidas vezes na casa da minha avó parterna. Essa lembrança me traz uma nostalgia imensa daquela época, em especial do meu primo Thiago, que foi uma grande influência na minha adolescência. Ele era o único que acreditava em mim, me incentivava a desenhar, a ler e até tentou me ensinar a andar de skate. A melancolia dele era muito parecida com a que eu já sentia, mais ainda com a aque viria a sentir nos próximos anos. A música que marcou muito meus 12/13 anos e  minha sétima série foi Ode to my Family. Esse álbum me faz pensar muito sobre mim mesma, minhas origens, minha identidade.

 2-   Magic Mystery Tour/ Revolver / Let it be – The Beatles






Não adianta! Beatles é a banda da minha vida e sempre será! Em especial da minha adolescência, mais em especial ainda da época que sai da escola e comecei a de certa forma, conhecer o mundo.  Beatles me acompanhou nas minhas primeiras descobertas sobre como eu poderia ser mais do que imaginava e nos meus primeiros pânicos pelo mesmo motivo, nas minhas viagens meditativas no quarto tentando me entender, nos meus ouvidos enquanto eu caminhava pelo centro indo a alguma entrevista de emprego ou  na feirinha hippie da Praça da República. Na minha única experiência propositalmente fora de consciência ,em vez de ouvir a música que tocava no ambiente, eu ouvia Lovely Rita! A única música que me fez chorar na Virada Cultural foi Something e a única musiquinha em inglês que eu tentava cantar quando era criança é Love me do.  Claro que ter Beatles como banda favorita e “da vida” não é a coisa mais original do mundo, mas faz parte de mim, então...
P.S: Impossível escolher um álbum só deles, tive que compilar =P.


 3-OK. Computer- Radiohead


Álbum imprescindível!  De novo, mais uma banda que fala muito sobre mim  e de certa forma, como minha mente funciona. Radiohead é como se fosse um pedaço do meu coração entregue ao mundo.


4-Unleash Memories- Lacuna Coil


Tanto este álbum como o Comalies marcaram muito minha vida de 2008 a 2012, aproximadamente. Foi a época que fiquei mais Metal, por assim dizer, e como não poderia deixar de ser, influenciada também pelo meu antigo namoro, embora eu já ouvisse Lacuna Coil desde meus 14 anos. Lacuna tem uma coisa que gosto muito: Uma vocalista forte! Cristina Scabbia sempre foi uma inspiração pra mim, tanto musicalmente como em personalidade, além de acha-la uma das mulheres mais sexys do universo!

Cristina Scabbia, quero estar assim aos 41 aninhos


5-A tempestade-Legião Urbana


Eu gostaria de colocar Los Hermanos, Mutantes , Novos Baianos, Ludov, uma série enorme de bandas e discos que me marcaram, mas infelizmente, tenho que escolher apenas 5 (ao menos 5 bandas). Bem, A tempestade foi o álbum que acompanhou minha fase mais pesada da depressão, então tirá-lo dessa lista, apesar de de ser um pouco ser doloroso, seria muito hipócrita. Nada mais a acrescentar, a não ser que fala da dor que eu senti de forma magistral.


5 personagens que eu gostaria de ser

1-      Sabina- A  insustentável leveza do ser- Milan Kundera



Sabina é bem isso: a parte que eu gostaria de ser. Em muitas coisas nos identificamos, como sermos artistas plásticas, politizadas e lidarmos bem com nossa sexualidade, cada uma da maneira que escolheu, claro. Mas Sabina tem um desprendimento, um certo egoísmo que eu gostaria de ter. Ela não se prende a ninguém, nem a lugar nem a sentimentos, segue apenas ela mesma e seus anseios. Se for para me identificar sentimentalmente, certamente me pareço mais com  Tereza, apegada, romântica e dependente.

2-      Sakura Card Captors



O mundo de fantasia e particular em que Sakura vive lembra muito minha própria personalidade em alguns momentos da vida, a forma como sou apegada a valores intensos mesmo a frente a ceticismo e prefiro mantê-los apenas para mim, fazendo quase um mundo só meu.  Também me identifico com a coragem e nobreza de Sakura, junto a teimosia e imaturidade, claro.

 3-      Lorelei- Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres- Clarice Lispector


Quando li esse livro, senti-me deflorada por Clarice! Lorelei sou eu!Apenas sou eu!Explico mais aqui.


4-Amélie- O Fabuloso Destino de Amélie Poulain



Eu não tenho a timidez exacerbada de Amélie, nem tanto seu medo de enfrentar grandes desafios da vida, mas a forma como nos dedicamos a fazer “pequenas bondades” e valorizamos nossos “pequenos prazeres” no dia –a – dia faz com que eu me sinta especialmente ligada a ela. Muitas vezes, tenho raiva dela como tenho de mim mesma.

5-Sara – Labirinto, a magia do tempo



Só queria muito viver uma aventura como ela viveu! O coração nobre de Sara, mais sua imprudência e perseverança, junto com sua ingenuidade e falta de noção faz com que nos identifiquemos muito,rs.

Gostaria de colocar 100 álbuns e 100 personagens, mas é isso por enquanto.


segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Meme sobre a história do blog =)



 Recebi esse Meme da Nathália, do blog Grão de estrela ^^:

1. Como surgiu o nome do blog?
Etérea Essência na verdade, não é o nome original.Este blog chamava-se Pensaela e foi com este nome até 2010. Bem, Pensaela veio porque eu pensei em por “Ela pensa”, achei que ficaria muito comum, então mudaria para “Pensa ela”, mas quando vi pensaela, tudo junto, na barra de endereço, achei mais legal XD. Eu tentei desistir do Pensaela por achá-lo excessivamente pessoal. O exclui e fiz o Simbologia Pessoal, que tinha a ideia de colocar apenas meus desenhos e pinturas. Detestei, não consegui seguir esse ritmo. EU PRECISO ESCREVER SOBRE MIM! Foi então que resgatei todos os textos do Pensaela, mais os textos do Simbologia Pessoal, e dei início ao Etérea Essência. Ele tem esse nome por serem duas palavras muito significativas para mim. Um amigo meu dizia que eu adorava essa palavra “etérea” , que tudo para mim era “etérea”,rs, e essência porque essa palavra sempre foi grudada na minha alma, não sei explicar.

2. Há quanto tempo o blog existe?
Contando desde a época do Pensaela, ele existe desde meados de 2008, ou seja, 5 anos.

3. Como você divulga o blog?
Eu não divulgo. Ás vezes eu coloco links de textos no Facebook e no Twitter, ás vezes quando leio um post em outro blog que tem a ver com um que escrevi,deixo o link lá,mas apenas isso.

4. Quais assuntos tem mais visualizações?
Os assuntos mais visualizados são os mais polêmicos,rs. Os temas políticos e religiosos são os mais acessados, pelo que parece.

5. O que te motivou a criar um blog?
Pensando desde meu primeiro blog, o Nelara Evolution, que era hospedado no horrível Weblogger e que foi criado quando eu tinha 14 anos, eu sempre me senti muito incompreendida e sempre senti que os assuntos pelos quais eu me interessava não eram do interesse de ninguém.  Foi uma forma de me auto-decobrir e ,de certa forma, ouvir minha própria voz.

6. Onde você mora?
São Paulo.

7. Quais os objetivos do blog?
Eu gosto da ideia de ter um blog e saber que você está se comunicando com pessoas que mesmo não te conhecendo, te entendem muito melhor que pessoas próximas. Eu também tenho uma  certa ilusão de que pessoas que eu conheço na vida real não leem o meu blog!Eu nem quero que elas leiam, é como se aqui fosse meu mundo,meu universo paralelo!

8. Quais blog você visita frequentemente?

9. O que te inspira a criar os posts?
Meus posts, assim como meus desenhos e pinturas, são partos!São coisas que eu tenho necessidade de dizer, mesmo que elas não façam sentido. Quando preciso cuspir algo muito pessoal, dou um jeito de fazer analogias,mas preciso dizer!Eu não seria ninguém se não pudesse escrever!

10. Qual sua idade?
23

11. Além do blog, tem alguma outra ocupação? Se sim, qual?
O blog está longe de ser minha maior ocupação!rs.Acho que essa pergunta faz sentido mais a meninas que tiveram a sorte de fazer blogs que obtiveram sucesso,e hoje vivem deles, com temas como moda, literatura.

12. O que mais gosta de fazer nos finais de semana?
Ficar sozinha para mim é sagrado!Descansar, botar a cabeça no lugar. Aos fins de semana eu gosto de curtir essa paz, de ficar em casa mesmo, desenhando, escrevendo, pintando, namorando,v endo filmes, ou apenas pensando.

13. Gosta de café?
Amo café,sou viciada!

14. Pretende fazer algo para o blog em 2013?
Eu quero dar uma pausa nos temas polêmicos =P, voltar mais a minha essência (rs), ando muito mais introspectiva,acho.

Encontrei este desenho perdido nas minhas coisas. O fiz no início de 2008!