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sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Asperger

É difícil dar um foco, pois sou muitas! Dentro da mesma casca existem muitas habitantes… Finalmente, há um "rótulo único" que explica essa minha discrepância de seres invisíveis: Asperger! E por algum motivo, asperger me lembra algo fantasmagórico, incorpóreo...Será que o "Etérea" de meu nome já era um saber sobre mim, antes de qualquer laudo médico? 

Quando descobri esse meu novo Cid, senti que havia chegado ao topo da montanha que escalei a vida inteira. Aqui do alto tudo é mais intenso! Aqui de cima, vocês parecem tão pequenos… 


Por minhas mãos passam telas, textos, desenhos. Por meus cuidados, passam alunos, clientes, pacientes. Por minha mediunidade, passam entidades, espíritos, intuições… sou de certa forma só uma passagem, um portal de entrada e de saída. 


Mesmo chegando ao topo,vejo que não tinha nada ali. Continuo olhando para o alto. O lugar nunca foi esse. 


quinta-feira, 11 de abril de 2019

Gotas

O universo é fantástico! Ele faz com que eu me depare com quebras rítmicas quando penso que estou cheia de certezas. Certezas essas que já tive muitas outras vezes e que hoje são relatos de minha trajetória.
Quando começo a imergir novamente em um mundo que penso ter me encontrado, abraçando-o com braços e pernas, o conta gotas da racionalidade começa a pingar lentamente sobre os meus olhos e passo a ver o que talvez, meu ego não queria. “De novo? Você já não viu e viveu esse filme?”
Por quantas iniciações terei de passar para acreditar em algo que me transforme em alguém especial? De quantas bocas mestras terei de ouvir que encontrei o caminho?
Glória a Deus nas alturas, que não me privou de bom senso! Salve a Deusa que me dá discernimento! Sagrados são os elementais que me cercam e me quebram as expectativas!
Ou tudo isso não seria apenas aquele meu lado que desconheço?
O consciente me faz crer, mas o inconsciente sempre me salva!

terça-feira, 26 de março de 2019

Gangorra

A vontade de nada é muito forte. Ela me prende e me cega. Ela vem quando quer, não importa o quanto eu me esforce para que ela nunca mais volte. Ela vai vir quando eu mudar de emprego, vai vir quando eu ganhar um prêmio, vai vir quando eu ter um cachorro. Quando eu tomar os remédios, quando eu pagar terapeuta, quando eu cuidar do espírito. Ela me desmonta e me reduz a um corpo sem escolha, que apenas obedece ao seu comando.
Ela também pode vir como a vontade de tudo. Tudo me interessa, tudo é urgente, tudo é necessário. Mais um enfeite pro quarto, mais um livro pra estante, mais um curso pro currículo. Quero fazer faculdade, mestrado, ir ao cinema, casar, um filho, aula de dança, comer tudo, virar noites, virar o mundo de ponta cabeça. Gasto dinheiro, peso e consciência. Quebro e vem o desejo de nunca ter vivido.
E aí vem a vontade de nada outra vez.
Não é necessário motivo para ser triste e nem para ser feliz. Não sou eu quem comando.
E lá vem ela outra vez...

sábado, 16 de março de 2019

Auto-defesa

Eu não sou uma pessoa naturalmente combativa, eu aprendi a ser.Aprendi que nesse mundo, ninguém fará por mim o que eu mesma tenho que fazer e culpar os outros pelas minhas responsabilidades é algo que não leva ser humano à lugar nenhum!
Sempre tive o básico, coisa que muitos não tiveram. Mas cedo eu entendi, que se quisesse ir além, eu mesma teria que acordar de manhã, enfrentar filas, trens lotados, postos de saúde. Tive muito apoio familiar, muito dinheiro emprestado, muita carona, o que faz com que eu ainda me considere privilegiada. Mas quem venceu as batalhas fui eu! Quem levantou para trabalhar e estudar para manter o próprio tratamento, pagar as próprias dívidas, adquirir mais conhecimento, é essa que vos escreve!
Tive que aprender que não importa se sou compreensiva e prefiro dialogar, tenho que sempre ter o respaldo das leis e formar uma rede de proteção, além de me informar muito bem para ter argumentos fortes os suficiente para me defender. Não interessa se ele/a é alguém que gosto ou difícil de lidar, se é meu chefe, uma empresa, tenho resolver meus conflitos.Se possível, de maneira pacífica. Se não, estar preparada para tal! Engolir sapos e injustiças não prejudica ninguém mais, ninguém menos que eu mesma e eu tenho que cuidar de mim.
Aprendi a ser militante, à reconhecer meu papel de classe e a lutar pelos meus direitos. A não ser dócil e falar até ser ouvida, ou tomar atitudes que condizem comigo mesma sem a opinião dos outros.Aprendi até mesmo que nessa vida, todos estamos sozinhos e com isso, mesmo que eu faça parte de uma ideologia que deve proteger à todos, não contar com a ajuda de ninguém.
Não me tornei raivosa, não me tornei histérica, não me tornei endurecida. Me tornei o que o homem sempre teve liberdade de ser: uma cidadã que tem ciência de sua relevância na sociedade e que com isso, pode se colocar no mundo!
Não me calo! Não me rebaixo! Vou até o fim para defender a única pessoa que pode lutar por mim: eu mesma!

domingo, 2 de setembro de 2018

Quem cuida dos cuidadores?



Como sempre gostei muito de escrever, meu sonho era ser uma jornalista. Imaginava-me em redações falando com as pessoas por meio da escrita, de forma á informa-las e ajuda-las em seu dia-a-dia. Quando entrei no meio da comunicação acadêmica, percebi o quão agressivo era o ambiente e que em nada tinha a ver com o que eu queria, que era ajudar pessoas.

Meio sem querer, caí na área da educação. E mesmo não sendo exatamente o que eu esperava, me inspirei em grandes educadores que passaram por mim e me transformaram para assim, criar um perfil de educador que além de ensinar uma matéria, ensina sobre a vida e suas inúmeras possibilidades. Mas algo ainda me faltava! Eu não queria apenas alcançar o consciente sabendo que o inconsciente tinha muito mais á ser explorado! Foi quando comecei a pesquisar sobre Carl Gustav Jung e Nise da Silveira, percebendo que em toda minha vida, eu sempre quis cuidar de pessoas!

Fiz pedagogia, um ano de psicologia, me formei em arteterapia, me interessei pelo Reiki e há cada dia que passa adentro no universo da transformação do ser humano, vendo-o além de um CID, de um determinante clínico, de uma barreira imposta pela sociedade onde o rotulam como incapaz ou subserviente.

Amo e sou realizada no que faço!

A única questão que eu não me dava conta é que mesmo me preparando em cursos, palestras e estudos paralelos, não seria nada fácil!

Temos um sistema, toda uma estrutura,  que não nos permite avançar para além das clínicas, assistências e muros da escola! Ao cuidador não é oferecido cuidado, mas cobrado demandas. Demandas essas que infelizmente, não temos como abarcar e nos deixam com a sensação de impotência. Com isso, é comum àquele que cuida se tornar o que mais precisa de cuidado, adoecendo e se tornando mais um na fila de espera do SUS ou pagando pelo seu tratamento em clínicas particulares, sempre com medo de ser descoberto! "Como verão o fato de eu precisar de cuidado? Não podem descobrir! Vão achar que não dou conta do meu trabalho!”. Isso não é coisa de uma instituição, é coisa de um sistema que pressiona que seus subordinados sejam de ferro! Que querem robôs e não pessoas de carne e osso! Isso é visto em escolas e seus professores deprimidos, em hospitais e seus profissionais desmotivados, em clínicas, museus, todo lugar! Exatamente em lugares onde tanto lutamos para oferecer um tratamento humanizado à quem cuidamos!

Comigo aconteceu de precisar esconder parte de minha história para adentrar em um concurso público no qual conquistei cargo de educadora .Quando decidi ser honesta com a minha situação, surgiram milhares de empecilhos, justificando que aquele que é apto á educar, não pode conter qualquer questão que necessite de cuidado em saúde mental. Como ter bons educadores quando lhes é negado o direito de cuidar da própria saúde? Depois, já fragilizada, deparar-me com com casos em que agressão, em suas inúmeras formas, está envolvida e sentindo medo, me perguntei: “Porque estou aqui, se não ajudo e nem tenho estrutura para fazer meu trabalho? Será que sirvo pra isso? Será que tenho condições de cuidar de alguém?”.

O fato de perceber que não sou de ferro, que algumas coisas vindas de pacientes/alunos me ferem quando não estou bem amparada, me assustou! Neste momento, estou em crise sobre meu papel dentro de uma instituição que não seja o de julgadora ou dona da verdade. Parece que quando estamos frágeis nosso campo de visão se fecha e começamos a ver tudo partindo de nosso próprio umbigo! A paciência se torna ínfima e o desejo de estar junto desaparece, virando apenas um cumprimento de rotina e tarefas. É esse tipo de professora/terapeuta/cuidadora que eu quero ser? Claro que não!Mas o que fazer?


Tenho buscado formas de me fortalecer e não me deixar sucumbir a um sistema sádico que faz com que os cuidadores lidem com o sofrimento não tendo direito de lidar com o seu próprio! Quero me permitir sofrer, me questionar, me descabelar e começar de novo! Não é por sermos fracos, mas porque somos seres humanos e necessitamos de fortalecimento emocional para ajudar aqueles que necessitam de nossa ajuda! Necessitamos reivindicar o direito de sermos seres humanos, de assumirmos nossa necessidade de apoio e mostrarmos que com respeito, amor e humanização dos setores de trabalho, conseguiremos dar nosso melhor naquilo que mais nos realizamos: cuidar de pessoas!

domingo, 26 de agosto de 2018

Andar com minha fé eu vou



Quando eu era criança, não usava sapatos. Sentir a areia, a terra, as pedras e até mesmo os cacos de vidro não me incomodava. Era normal sentir a natureza, já que eu também fazia parte dela. O gelado das águas me encantava como se eu voltasse á minha própria origem.

Passei a calçar sapatos quando percebi que estar descalça era mal visto, que minha imagem despertava liberdade e selvageria, tudo o que uma mulher não pode ter. E  logo apareceu um par que apesar de muito desconfortável, tinham uma boa aparência e me dava um status respeitável. O calcei durante longos anos e a medida que fui crescendo, ele apertava, dava calos, prendia meus passos, torturava meus pés e eu não conseguia  mais sentir a natureza da qual faço parte. Como na história original de Cinderela, chegaria um momento em que seria necessário decepar meu dedo ou calcanhar para continuar cabendo no sapatinho de cristal.  Doeu me desprender de algo que me serviu por tanto tempo, mas antes que eu me livrasse de pedaços meus, joguei meus sapatos fora!
Foi estranho sentir novamente os quatro elementos roçando e machucando novamente meus pés, mas percebi que apesar de sensíveis pela época em que passaram abafados, continuavam fortes, ágeis  e desejosos de sentir na pele o mundo.
Muitos dos que ainda usam os sapatos que me apertavam preferiram decepar a si mesmos para continuar os calçando e sendo bem aceitos pelos que tem medo de andar com os pés no chão. A grande maioria deles não caminha mais ao meu lado. Permiti-me até mesmo  calçar sapatos novos, muito mais confortáveis!, aos quais recorro  sempre que meus pés precisam de um alívio pela brutalidade do asfalto , mas não tenho mais a necessidade de proteger-me de todas as experiências que a jornada me proporciona. Decidi voltar á minha natureza ,olhando para trás e tendo o prazer de ver  a marca de minhas próprias pegadas

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

2015: O ano Detox

Pinturas que fiz em 2015!


O ano de 2015 não foi um bom ano, mas também não foi um ano ruim.

Não aconteceram coisas grandiosas, foi na verdade um ano calmo, sem muitos  altos e baixos. Um ano apático, eu diria.Mas foi um tempo necessário em que com a calmaria, consegui colocar a casa em ordem. A casa sou eu, quero dizer.

Foi o primeiro ano em muitos em que pude respirar e me dar ao luxo de ter TEMPO.  Ano passado foi de inúmeras mudanças, foi praticamente o ano em que me tornei outra pessoa e deixei para trás ,na prática, muito do que me consumia e fazia mal. Foi como se eu tivesse desinstalado  programas pesados do meu software que estava cheio de vírus. Esse ano  de 2015, foi a época de fazer uma limpeza profunda dos resíduos que esses programas deixaram: as pastas vazias que só ocupavam espaço e memória, os spywares e malwares que eu não sabia que ainda estavam ali me atrapalhando o tempo todo, já que para mim, finalmente eu havia removido aquele vírus maligno que quase me fez entrar em pane. Mas os resíduos estavam ali, todos eles. Sai de um relacionamento muito abusivo e isso já foi ótimo, mas as consequências como medo, insegurança, ciúme, desconfiança, baixa auto-estima não saíram de mim. Sai de uma doutrina que me prendia e enchia de pavor, mas a sensação de estar sendo sempre vigiada por uma força invisível, os pesadelos com a possível entrada no inferno, estavam ali. Fora um balde de rancor, raiva, frustração e falta de entendimento que carreguei por toda minha vida.

Foram batalhas comigo mesma, mas com ajuda. Voltei pra terapia, iniciei uma nova mediação e resolvi que merecia por um fim nisso, por mim e pelos que me amavam, que eu também acabava fazendo sofrer. Foi e ainda é um processo duro esse de olhar para mim mesma e reconhecer as falhas, erros e auto sabotagens que cometo todos os dias. Mas posso dizer que pelo menos , 65% desse lixo interno foi eliminado e o restante está em processamento. Deu tão certo que fui liberada da terapia e sou considerada fora do quadro de depressão e essa é minha maior vitória de 2015! 

Consegui tirar muita culpa de minhas costas e das costas de outros, mas também pude enxergar que não tenho que ser sempre servil, posso e devo me impor. Não tenho que dar razão sempre pra quem me julga e não me conhece e nem tenho que dar explicações para quem nada tem a ver com a minha vida. Não tenho que servir e nem agradar à ninguém, posso ser amada sendo apenas quem sou!


Este é um ano em que consigo olhar para mim mesma com orgulho e admiração, em que finalmente sinto que sou minha melhor amiga, que estou do meu lado. Acredito em mim e na minha história pessoal . Superei tantos obstáculos, tantos temores internos e sei muito bem que posso suportar muito mais. Fiz uma revolução na minha mente. Foi difícil e doloroso, mas fiz o que tinha que ser feito. E continuarei fazendo.

domingo, 15 de novembro de 2015

Sobre não se diminuir para ser do tamanho que esperam de você

Última pintura que fiz! Chama-se "Sacerdotisas"

Já tem alguns dias que venho pensando isso, mas graças a uma conversa que tive hoje com meu namorado, deu a coragem de escrever.

Mês passado eu fui demitida do trabalho com crianças especiais. A primeira coisa que senti foi que eu era insuficiente, uma péssima profissional. Me culpei sem ao menos ter recebido um feedback do que tinha acontecido.  Depois de muitas idas e vindas, tive provas o suficiente para perceber que eu estava e um lugar pequeno, com pensamentos pequenos e que o crescimento que construí com os alunos não era o que eles queriam.  

Passei então a refletir sobre momentos em que me senti mal e me considerei errada por não ter o tamanho que as pessoas queriam.

Permaneci em um namoro de 3 anos que minou minha auto-estima de todas a maneiras possíveis. Porque fiquei tanto tempo com uma pessoa tão pequena e que me diminuía a ponto de me deixar menor que ela? Porque no fundo, eu acreditava nisso. Eu acreditava que meu tamanho era inadequado, que não merecia se quer a pessoa que estava comigo.

Por quase 7 anos estive em um lugar que me julgava pelo tamanho da minha roupa, pelo corte do meu cabelo. Que se eu tivesse ideias e as pronunciasse,  era condenada a pedir perdão por ser uma pessoa que ousava pensar de uma maneira diferente da qual eles diziam que era a maneira de Deus. O tamanho de Deus.

Durante anos dei crédito a um familiar que me dizia nojenta, fresca, metida, mal amada, egoísta,  antipática toda vez que eu demonstrava algum amor-próprio ou autoconfiança. Hoje reflito sobre o fato de essa pessoa ter tido uma vida extremamente difícil, na qual foi humilhada e diminuída muitas vezes e que essa é uma maneira dela se sentir um pouco maior. Mas não pensei dessa forma quando adolescente. Eu simplesmente acreditei.

Na faculdade, por eu falar o que pensava e ter um pouco mais de conhecimento que alguns que ali estavam, eu fui alvo de muitas fofocas maldosas e torcidas de nariz por onde eu passava. E eu me sentia mal, me sentia péssima!

Dentre essas situações mais extremas, já passei por muitas outras em que acreditei que para ser aceita e amada, eu deveria sempre ser do tamanho que me idealizavam. Desconstruir isso em mim tem sido uma tarefa de anos e nem sempre eu consigo. Contudo, essa recente experiência foi muito boa para que eu pudesse repensar meu papel dentro de tudo isso e tomar algumas conclusões:

Quantas vezes acreditamos que devemos nos nivelar por baixo! Achamos que merecemos empregos, relacionamentos, amizades medíocres e permanecemos com alguém ou em  algum lugar que nos menospreza, pois no fundo, nós mesmos nos menosprezamos! Somos os primeiros a apontar nossos erros, a nos condenar, a nos julgar. Fomos ensinados que ser humilde é se deixar pisar, é ouvir calado, é se rebaixar e com isso, vamos aceitando tudo e nos sentimos mal se por acaso conseguimos algo melhor, por que aí, não estamos sendo “humildes”. Quantas vezes fui mal vista por declarar que sim, me acho bonita ou inteligente, que gosto do meu trabalho, que gosto de ser como sou? Humildade vem de “húmus”, significa terra. Significa ter o pé no chão, ter noção da realidade! É aprender com os erros e comemorar as conquistas! É conviver com os defeitos e  celebrar as qualidades! É saber impor seus limites e saber se permitir quando for bom para você!

O que pretendo agora é não me manter em uma situação que me humilhe ou diminua por achar que só assim receberei amor, aceitação. Vou passar a, de verdade, acreditar que mereço o melhor! Estou sempre buscando me qualificar profissionalmente, tenho uma ótima experiência, sei do meu potencial, não vou aceitar mais trabalhos que subestimem seus profissionais! Sei das minhas qualidades como ser humano, que não sou nem de longe uma pessoa amargurada e mesquinha, não darei mais ouvidos a quem tenta me diminuir ao seu nível! Não preciso entrar em debates que me fazem mal, lidar com pessoas que me fazem mal, estar em lugares que me fazem mal! Errado está quem (ou o que) é pequeno e tenta encaixotar as pessoas, não quem tenta se expandir!

De hoje em diante, só anda do meu lado quem quiser crescer comigo!


P.S: No amor, já aprendi. É um outro texto que escreverei para vocês em breve.

domingo, 4 de outubro de 2015

Depois da partida- reflexões religiosas

Desenho que fiz pro desafio #Inktober que estou participando. Todo dia tem desenho novo no Instagram, basta seguir ali ao lado <-------

Tento não abordar esse assunto de maneira literal, pois não quero ser tida como influencia para ninguém, nem como boa e nem como má. Acredito que há momentos em nossa vida em que algo se faz necessários e depois deixam de fazer, por muitos motivos. Ter uma religião fez bastante sentido pra mim durante quase 7 anos. Fazia sentido seguir aquela doutrina, crer no que eu ouvia e me sentir parte daquele lugar. Hoje não faz mais.

Com a saída dessa doutrina que frequentei, inúmera coisas mudaram. Por fora todos sabem: Roupas “do mundo”, tatuagem, mudanças no cabelo, liberdade sexual. Mas as mudanças muito mais significativas foram por dentro e é delas que quero falar nesse post:

Minha vida está extremamente mais leve agora que acredito que as coisas vão acontecer conforme o meu merecimento, e ainda assim, é possível que não aconteçam, a vida nem sempre é justa e está tudo bem! As coisas não deram errado por que : pequei; estou sendo castigada ou estou sendo provada. Da mesma forma, as coisas não deram certo porque: Estou sendo recompensada, é uma prova que Deus me ama (logo, se ele não dá, ele não me ama);

Não fico mais esperando eternamente que coisas que provavelmente não irão acontecer, aconteçam, pois sou “uma serva de Deus esforçada e mereço isso”. Não fico mais me martirizando pela vida não cumprir minhas expectativas e colocando isso na conta de Deus. Não fico mais esperando milagres , embora creia que eles existam, mas não acho mais que é obrigação de Deus fazer com que aconteçam ;

Sou muito mais humilde agora. Sei que receberei algo conforme minha necessidade e minhas ações, e não porque “Deus quis”. Agora sou responsável pelas minhas ações e receberei o que delas for seu resultado natural (ou não);

E principalmente: Sou eu mesma, sem medo de estar sendo vigiada o tempo todo por uma força invisível  (seja ela a doutrina da igreja ou o próprio Deus, que sei que não liga para nada disso) que estará pronta a me apontar e julgar caso eu corte o cabelo, dance o faça qualquer coisa considerada por alguém como “mau testemunho” ;


Muitos me perguntam e NÃO, não me tornei ateia e ainda me considero cristã, mas não sinto mais o mínimo desejo de voltar a uma religião que mais me condena que me acolhe, seja ela qual for. 

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

O canto da sereia

Essa semana recebi a notícia de que estou de alta da terapia. Que não estou mais em depressão e que estou bem para seguir minha vida. Ainda estou com a medicação, já que há pouco havia iniciado uma nova e o certo é permanecer com ela por pelo menos um ano.

Ao mesmo tempo em que me senti feliz em saber que não estou mais em estado depressivo, sei que não estou curada. A depressão (no meu caso, depressão e ansiedade) é uma doença oportunista, que se você vira as costas, pode te pegar de novo. Sei que por toda minha vida terei que estar alerta aos primeiros sinais de que ela se aproxima e criar estratégias para que ela não permaneça. Ela  é um canto da sereia, que te seduz e te engole. Há uma parte nossa que quer estar lá, que acha mais fácil se deixar levar pela sua voz melodiosa. Sei que em muitos momentos terei que ser forte: em um fim de relacionamento, na partida de um ente querido, em um momento de parto e até mesmo quando as coisas não andarem tão bem como eu gostaria. Sei que ela virá cantar no meu ouvido e sei que terei de resistir.

Fora isso, sinto-me bem e feliz! Estou em paz comigo e com os que me rodeiam, estou de bem com a vida e aceitando a melancolia não como um traço de doença, mas personalidade, que se eu souber dosar me fará criar coisas incríveis. Pensar não é ruim, saber que a vida tem sua pulsão de morte e conviver com ela é saudável. 

Me desejo força e felicidade para esses meus passos sozinha. Desejo isso  e muito mais do melhor que a vida pode me oferecer!

domingo, 6 de setembro de 2015

Sendo professora de seres mais que especiais!



Sou arte educadora desde 2009 e sempre tive interesse  pelo público com deficiência intelectual.  Em todas as exposições em que já trabalhei, sou a entusiasta dos C.A.P.S, C.E.C.C.O  e etc. Passar uma hora com eles já me preenchia imensamente, mas apesar do amor pelo meu trabalho , ainda me faltava experiência e estudo sobre como lidar com tal público.

Há pouco mais de um mês, a vida tem me aberto uma porta muito especial: ser professora de adolescentes com deficiências intelectuais diversas. Mesmo as aulas sendo poucas e o valor idem, não pensei duas vezes em aceitar essa oportunidade de crescimento profissional e humano. Ainda não havia trabalhado em sala de aula como professora, então, a oportunidade de adquirir experiência com o público que mais amo e como docente só tem a acrescentar!

Não é fácil, todos os dias tenho que me adaptar. O fato de haver várias patologias na mesma sala também dificulta, mas não o torna o trabalho impossível. Estar em contato com eles diariamente e poder ver seus progressos, diferente de vê-los uma única vez na vida, como é nas exposições, é extremamente gratificante!

Dou aula apenas para meninos, que vão de 11 a 21 anos. Há de se entender que apesar de diferentes, são adolescentes como todos e os hormônios estão enlouquecidos, além da curiosidade, rebeldia e interesses comuns a qualquer adolescente. Procuro falar com eles sobre tudo, não reprimi-los e nem tentar “moldá-los” , mas as palavras e gestos precisam de atenção redobrada, já que a abstração é comprometida e levam tudo muito para o literal.

Em tão pouco tempo, ouvir coisas que antes para mim eram normais como “ idiota”, “imbecil”, “retardado” já me fere os ouvidos e me indigna. Eu mesma tinha a mania de falar que era “meio autista” por ser mais reservada e ter gostos peculiares e hoje me reprovo muito! Se eu soubesse como é difícil a vida de quem tem autismo e como estamos carentes de profissionais especializados e comprometidos que façam a vida destes ser um pouco mais inclusiva, jamais teria feito uma analogia tão infeliz!


Embora seja algo totalmente novo, meu coração explode de amor e ansiedade! Descubro cada vez mais que é o afeto que faz com nos liguemos, além de claro, muita empatia.  Estou apenas no início do aprendizado e sinto que finalmente, estou  fazendo algo de útil de todo meu estudo! Conforme as coisas forem acontecendo, venho aqui dar mais uma palhinha! Peço também ajuda para quem já tem experiência =) !

domingo, 16 de agosto de 2015

O perdão

Pintura inspirada nas ilustrações de Tolkien e em Firebird, de Fantasia, da Disney.


Algo que tem me feito muito bem  é aprender a perdoar. Creio que para me proteger em momentos de imensa fragilidade, fui criando uma casca dura que não deixava nada passar e qualquer crítica a mim, ou falha, era visto como um ataque pessoal. Nunca fui muito passiva, mas fiquei de certa forma até agressiva durante alguns anos e ao ferir alguém, também me feria e , surpresa!, não  sabia perdoar-me, igualmente. Tudo isso ia se tornando uma bola de rancores que me consumiam por dentro.

Do ano passado pra cá, conforme fui me libertando de várias coisas, tomei consciência que me livrar de tanta culpa e rancor era essencial para minha saúde e meu bom convívio com os outros  e fui notando que ao perdoar o outro , automaticamente perdoava a mim e vice e versa, pois reconhecendo que o outro erra,  tiro das minhas costas o peso de ter que ser perfeita sempre, e reconhecendo que eu sempre erro, tiro o mesmo das costas alheias.

A verdade é que erramos, mas nos arrependemos (ou deveríamos). Aceitar que alguém que você ama de vez em quando vai te machucar, porque ele não é perfeito, é aceitar que você também faz isso. Aquela palavra que te disseram que você nunca esqueceu, aquele dia que te esqueceram, aquela pessoa que foi injusta, aquele tapa  (seja no corpo como na alma) . Não estou dizendo de forma nenhuma que devemos nos submeter a alguém que nos pisa e  humilha e muito menos que devemos conviver e levar numa boa, mas podemos sim, nos afastar e entender que o outro, como você, é um ser cheio de traumas, medos, erros e limitações.

Não perdoei tudo, mas queria chegar à isso. Só faz bem, só descarrega energias péssima e dá espaço para coisas melhores na vida. Hoje se me irrito, me magoo, critico e sou criticada, se faço por um momento um inferno na vida do outro como ele pode fazer no minha , já penso mil vezes antes de colocar no meu coração esse fato como incorrigível e essa pessoa como imperdoável.  Pode não ser perfeita, mas só tenho uma família. Podem não ser perfeitos, mas prezo meus amigos. Podem não ser pessoas relevantes, e por isso mesmo ,não vou me encher de sentimentos corrosivos por quem não faz diferença. Posso ser um poço de defeitos, mas sou minha melhor amiga.


Não é ser Buda, não é ser Cristo. É ter a humildade de enfim compreender que somos apenas humanos demasiado humanos.

sábado, 20 de junho de 2015

Ah, as aparências!

Muitos que acompanham o blog sabem que passei por grandes mudanças de uns dois anos pra cá. Acontece que , apesar dessas mudanças, que não foram fáceis e lutei muito para que ocorressem, por dentro eu continuava me sentindo paralisada.E foi por isso que trabalhei muito em me retirar do papel de vítima e passei a me colocar em reflexões mais ativas.

Passei então a refletir sobre o fato de, mesmo tendo superado situações difíceis, ainda me portar como se estivesse dentro delas, como se eu estivesse condicionada. Mesmo depois de ter refletido muito sobre os porquês de não precisar mais me sentir mal, eu ainda me sentia mal e isso estava prejudicando não apenas a mim, mas as pessoas que amo, já que eu parecia sempre infeliz pelos mesmos motivos.

Foi quando comecei a notar o mundo de fantasia em que eu  havia criado para mim mesma: remoendo problemas irreais ou superados e acreditando que as pessoas tinham uma vida perfeita! Principalmente pela internet, me comparei várias vezes com pessoas que, a meus olhos, tinham uma vida desejável, enquanto me diminuía! Então notei que para todas as outras pessoas, talvez seja essa a impressão que eu também passo! De que estou sempre bem, sempre bonita, sempre fazendo coisas novas, etc.

Já aconteceu algumas vezes de eu ver o perfil de alguém  e imaginar algo totalmente diferente do que ela é na realidade, achar que é uma pessoa incrível e quando a conheço pessoalmente, é mesmo uma pessoa ótima, mas é comum, como todos nós. E aí, aquela pessoa que parecia super bem resolvida se mostra cheia de defeitos e inseguranças . Acontece também de conhecer uma pessoa maravilhosa e achar que ela é assim porque teve muita sorte na vida, e depois descubro que não, que ela passou por tantos ou mais problemas que eu, mas se mantém firme, soube lidar com as adversidades.

Foi  muito difícil, exigiu muita auto análise, mas parei então de me comparar com os outros e passei a acreditar mais em mim, reconhecer que tenho coisas boas a oferecer e que meus defeitos não me desmerecem. E que mesmo tendo passado por coisas que me magoaram e me deixaram abalada, dá pra se reerguer e aprender com isso, não preciso  tomar esses momentos como decisivos em minha vida. É assim com todo mundo, essa é a vida para todos nós!

Estou cada vez menos pesada! Já reconheço metas de coisas que precisam ser corrigidas em mim e hoje trabalho para alcança-las! Só posso dizer que depois que comecei a me movimentar internamente para que as coisas se modificassem, em vez de esperar que a vida mude, tudo ficou bem mais fluído! 

terça-feira, 19 de maio de 2015

Voltar

É à noite. Pego a xícara que mais gosto e um cobertor, vou em frente ao computador e coloco meu seriado preferido, ou m filme que eu já assisti muitas vezes, mas sempre é bom rever. Espero todos dormirem para curtir esse momento de estar comigo mesma, desfrutando de minha própria companhia, fazendo exatamente o que queria fazer.

Entro no meu quarto. Vejo todos os livros que amo bagunçados. Vejo minhas caixas de música, ambas tão especiais pra mim, meus bonequinhos do Mário, os novos da Hora da aventura, minhas bonecas, minhas bijuterias e penso “tenho que por ordem em tudo isso, é tudo meu,  e está uma bagunça!”

Estou em uma roda de amigos e começamos a falar sobre infância e adolescência. Começo a relembrar de uma maneira muito gostosa coisas que me marcaram. Passo a cantar a abertura da Sakura Card Captors, do Dragon Ball Z e do Tench Muyo. Relembro todos os personagens do Harry Potter, o  HQ O corvo e como esse também era meu filme favorito na infância. Relembro a casa da minha avó , as sementes de girassóis, meu primo apaixonado ouvindo Linger repetidas vezes (essa música que embala tantas coisas boas em minha vida). Lembrei até de algo lindo que havia esquecido, que era meu irmão e eu deitados na rede, eu apontando as estrelas e ele “ Não aponte as estrelas, que nasce um berruga no seu dedinho!” , “Fabinho, em qual estrela será que a Zula mora? Já pensou começar a cair um monte de bolas azuis aqui no quintal?” e procurávamos juntos em qual estrela a Zula morava.

Nada disso eu sentia há pelo menos 5 anos!

É um prazer que só quem passa ou já passou pela depressão vai entender. É voltar a sentir-se viva, sentir-se presente, sentir-se novamente dona do seu corpo e da sua história. Não que eu não visse mais filmes, não lesse mais livros, não arrumasse minhas coisas ou não lembrasse  do que já vivi. Mas é um recordar com sabor, com som, com  vida. É voltar a sentir-se pulsando, fazendo parte do mundo. É ver o mundo em cores. É reconhecer-se, gostar-se, amar-se. Perdoar-se. É  voltar a ser você mesma. E que saudade, que saudades eu tinha de mim!

Cada dia mais, sinto que estou me libertando de pesos, julgamentos, lembranças e crenças que me faziam estar nesse estado de tristeza permanente e começo a valorizar todas as coisas boas que aprendi durante esse período tão difícil. Nos momentos de recaída, aproveito para me aprofundar no que me faz mal e resolver essas questões em mim mesma, diferente de antes, onde parecia não haver saídas.


Hoje comentei com meu namorado como tenho evoluído em tão pouco tempo e ele me disse “Será que é só a terapia, ou você não está mais madura?”. Acho que sim. E diferente do que escrevi anteriormente, não sou frágil pelo contrário, estou cada dia mais forte.


quinta-feira, 7 de maio de 2015

Frágil


Alguns cacos meus consegui recuperar e ficaram quase como os originais. Outros estão estilhaçados e fico tendo que os colar diversas vezes. Muitos  fui pegando ao longo do caminho, buscando em outras pessoas, o que elas diziam ser bonito ou aceitável e fui colando em mim. Pedaços que eu achava importantes meus, cheguei a tirar, já que disseram  lembrar outros vasos feios.

Mas o que me falta é a estrutura, o equilíbrio e também, assumir meus próprios pedaços, ainda que muitos estejam tão diferentes de como os conheci.

Estou feliz por ter conseguido reerguer a aparência, mas a estrutura ainda está sendo construída. Qualquer vento me balança, qualquer esbarrão me desmonta. Queria que existisse em mim algo onde pudessem ler  “em construção” ou “peça frágil”  para que parassem de me balançar, esbarrar, vociferar, se apoiar e começassem a perceber que preciso de cuidado, de tempo, de paciência. Hoje mesmo, algumas peças tornaram a cair e me senti impotente em juntar os cacos. Mas vou fazer isso, farei isso até o fim. Só gostaria que me ajudassem em vez de acusarem sempre a forma como sou desajeitada  e que outros vasos em meu lugar, seriam mais fortes.


Por favor, eu já consegui reconstruir aqui fora. Mas ainda está difícil reconstruir aqui dentro.

sábado, 4 de abril de 2015

Ontem

Hoje é um dos dias em que me vejo dando as mesmas voltas sobre as mesmas coisas e notando que apesar de ter vencido muitas batalhas, carrego comigo as feridas que essa guerra me deixou, e elas ainda precisam ser curadas.

Mas ontem, pelos mesmos motivos, olhei pra mim mesma e não acreditei que venci tanta coisa! Que passei pela opressão de uma religião que fazia eu acreditar que meus erros me levariam a perdição eterna, por uma  doença que tirou toda minha vontade de viver e por um relacionamento que me reduziu a pó.

Ontem chorei. Chorei em me ver aqui de pé, viva, pondo todo meu coração no que faço todos os dias. Chorei por ver minhas 3 tatuagens, a forma como escolho com vaidade minhas roupas, minha monografia entregue, os 5 livros que li esse ano. Chorei por mesmo tendo sido, de fato, mal amada e mal cuidada, estou aqui amando de novo, me preocupando em ser uma boa companheira de novo, me empenhando em ter o bom relacionamento que ambos merecemos.

Eu não desisti do amor, da vida, da fé, apesar de ainda sentir dor e ver as feridas sangrarem. Mas eu vou cuidar delas, eu vou me curar dessas feridas de guerra.


Me dei conta que aos 25 anos, sou a melhor heroína que um romance poderia ter.

A menina da Mandala- Desenho meu



quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Internet e as pessoas



Tenho blog desde os meus 14 anos e os iniciei com desejo de partilhar o que eu pensava e sentia com relação ao mundo. Além do fato de escrever e expressar minhas emoções, outra coisa muito benéfica  foi começar a ter contato com pessoas que passaram pelo mesmo que eu, pensavam da mesma forma ou até mesmo diferente, mas entravam em contato e comentavam sobre o que eu havia escrito. Então, eu ia até o blog deles , lia o que escreviam e fazia a mesma coisa. Com isso, fomos formando uma grande rede de apoio e amigos virtuais que me ajudaram muito em momentos que precisei.

Porém, nunca fui de fazer amizade com facilidade. Sou receptiva e amigável, mas dificilmente consigo me abrir com pessoas que mal conheço e até mesmo com as que conheço. Esse foi um dos fatores que me levou a depressão, já que eu não tinha com quem dividir o que me afligia. Era muito fechada e pensava que não iriam me entender. Quando entrei no Facebook, comecei a interagir mais por meio de grupos fechados sobre assuntos específicos,  no caso o MBTI, um assunto pelo qual me interessava muito na época. Nesses grupos conheci pessoas fantásticas, com as quais passei a me relacionar e conviver fora da internet e que até hoje, considero como melhores amigas. Eram grupos com pessoas com tantos problemas parecidos, tantas angústias, medos, expectativas, que acabei passando, sem saber, por uma terapia coletiva. Muitos dos meus traumas, medos, dúvidas foram tratadas ali e vi o amadurecimento de vários que também participavam.

Conheci pessoas sem caráter, aproveitadoras, caluniadoras e etc? Conheci sim! Cheguei, inclusive, a criar “inimigos”. O problema da internet é o mesmo que o da vida real, de existirem pessoas que não gostam do seu jeito, da forma como você é e se expressa, da sua personalidade ou até mesmo de atitudes que você tem. Em qualquer lugar, sempre haverá quem não gosta de você. Mas na internet as pessoas podem falar  o que quiserem, então fica muito mais fácil ser mal educado, grosso, rude e até mesmo cruel por aqui. Acompanho alguns vlogs e vejo a quantidade de comentários depreciativos que os vlogueiros recebem por estarem ali, ora falando de assuntos genéricos, e ora falando de suas vidas, opiniões. É muito mais fácil apontar o dedo e ser “hater” quando não se está frente a frente com alguém. Hoje sou muito mais cuidadosa com o que e quem eu exponho, mesmo involuntariamente, pois já passei dessabores por isso e também porque não é nada legal você se expor de mais para quem não está ali para te ajudar, mas para julgar você, muito menos expor pessoas que estão a sua volta. Mas ainda gosto de usar essas redes todas para conhecer pessoas e  falar sobre ideias, e porque não?, sentimentos! Claro que pela internet devemos tomar um maior cuidado com o que escrevemos e com quem partilhamos isso, pois essas mensagens ficam gravadas, não são apenas palavras que depois passam.

Eu considero esses amigos que fiz tão amigos quanto todos os outros, mesmo alguns deles ainda não conhecendo pessoalmente. Acredito que não se conhece alguém só porque o viu cara a cara, isso não é garantia de nada! Posso crer piamente que aquele colega de faculdade que senta do meu lado todos os dias é meu amigo e ele se mostrar um grande de um pilantra, assim como posso conhecer essa pessoa pela internet e idem. Quem garante que aquele cara que conheci num barzinho, aparentemente bonito e bem cuidado, está me dando seu nome real, sua visa real e revelando suas reais intenções?

Hoje sou uma pessoa que em vez de ficar calada, preciso conversar com alguém para me sentir melhor e menos aflita, mas já tenho pessoas com as quais sei que é mais seguro confiar. Contudo, não me arrependo das épocas em que precisei dos grupos para me sentir mais acolhida nessa vida. Agora uso os grupos mais para discussões politicas e artísticas, e continuo achando que essas trocas de ideia valem a pena!

domingo, 11 de janeiro de 2015

Minha leitura tardia de O Senhor dos anéis

Em muitas cenas, O Senhor dos anéis me fez lembrar bastante de As Brumas de Avalon, de Marion Zimmer Bradley, que com certeza se inspirou no universo de Tolkien.
Pasmem: Eu nunca havia assistido O Senhor dos anéis! Houve várias tentativas, mas em todas eu fiquei com sono. E não pelo fato de “ter assistido fora da época”, que seria na adolescência, pois foi nessa época que as tentativas ocorreram, mas porque nunca gostei mesmo de Fantasia (que muitos erroneamente confundem com “realismo fantástico”, que não tem absolutamente nada a ver e é um dos meus gêneros favoritos), coisas épicas e achava a história de Tolkien bem...boba. Contudo, conheço tantas pessoas no meu círculo de amizades que idolatram,  choram, brigam por causa dessa história, que mais uma vez, tentei revê-la sem meus inúmeros preconceitos. E me surpreendi.

Assisti os 3 filmes de uma vez ( A sociedade do anel, As duas torres e O retorno do Rei, de longe o meu favorito) e consegui ver alguns aspectos muito interessantes sendo levantados ao longo da triologia. Deixando claro que é uma visão pessoal minha, de acordo com meu repertório e com a forma pela qual fui tocada pelos filmes:
Uma coisa que é sempre retratada em várias outras histórias, mas que O senhor dos anéis retrata de uma forma alegórica e não explícita, nem didática , é como o bem e o mal estão sempre juntos e presentes dentro de  todos!  O anel não apenas continha o mal, como despertava o mal que havia nas pessoas. Ele deixava em evidência as ambições, o egoísmo, a sede de poder, a falta de escrúpulos que todos nós temos. Nenhum personagem que esteve em contato direto com ele sai ileso , todos acabam sucumbindo de alguma forma. Um personagem que gostei muito e que retrata isso muito bem é o Gollon, que é praticamente uma entidade a parte ,onde o bem e o mal coexistem dentro do mesmo ser de maneira explicita, já que ele sofre de uma espécie de esquizofrenia, dupla personalidade, sempre com seu lado bom e seu lado mau brigando entre si. Contudo, acredito que o anel não obriga ninguém a ser mal, ele desperta aquilo que já habita em você, portanto, a maldade será diferente em cada ser tocado por ele. No caso do Gollon, sua única ambição era ter o anel para si. Não era dominar povos, ser rei, rico, era apenas e então somente ser o único portador do anel e isso diz muito sobre sua estrutura de personagem. Diferente dele, outros que nem se quer tiveram um contato direto com o anel, mas conheciam seu poder, arquitetavam planos e exércitos para tê-lo para si, o que mostra qual lado já era aflorado. Muitos que estiveram em contato com o anel e sentiram seu poder lutaram contra sua força, e muitos nem precisaram estar presente dele para deixa-se dominar.

Achei interessante também (mais uma vez, um tema repetido em muitas histórias, mas bem abordado em O senhor dos anéis) a forma como cai por terra a ideia de que o herói é alguém  forte e poderoso, dotado de dons e poderes mágicos. De todos os povos , foram os Hobbits os escolhidos para a saga e o portador do anel foi justamente Frodo, o Hobbit mais frágil , tanto fisicamente quanto mentalmente. Além disso, Frodo não conseguiu nada sozinho, ele teve muita ajuda de seus amigos, em especial de Sam, que mesmo presenciando os momentos de fraqueza e confusão causados pelo anel em seu amigo, o compreende, protege e nunca o abandona.

Eu estava até o segundo filme bem decepcionada pela não representação forte feminina. Arwen e Galadriel tem um papel pouco representativo nos filmes (não sei se isso ocorre nos livros). Elas aparecem apenas como o papel de Anima. Bem compreensível levando em conta que Tolkien era um estudioso da mitologia e vê-se que O Senhor dos anéis é baseado na Jornada do herói, na qual a Anima é apenas coadjuvante em relação ao Animus (Anima é a polaridade feminina na psicologia Junguiana, ligada a contemplação, a intuição, aquela que mostra e guia o caminho. Animus é a polaridade masculina, a força, a batalha, a agilidade, aquele que toma as atitudes práticas. A jornada do herói é uma linha estrutural na qual escritores, cineastas e contadores de histórias costumam se guiar para elaborar seus enredos). Fiquei um pouco mais satisfeita ao ver Éowyn.saindo da condição que mulher apaixonada, que espera seu amado, para guerreira e como ela não toma Arwen como sua rival. Não sei se isso é representado no livro, mas gostei imensamente quando ela diz “Mas eu não sou um homem”, e salva o rei, lutando.

Enfim, todos os personagens demonstram fraquezas, medos, traumas, defeitos e não é de se admirar que tantos adultos se sintam identificados com a história e os personagens. O Senhor dos anéis toca em muitos arquétipos presentes no nosso dia-a-dia e a batalha interna do bem contra o mal é sempre presente em nossas vidas. É confortante pensar que qualquer pode cair, mas que todos temos força para lutar.

Continua não sendo meu gênero favorito e nem a história mais original que já vi, mas é fato que foi muito bem ambientada e que Tolkien era extremamente criterioso e comprometido. Acredito que a leitura dos livros não seja nada fácil. Por isso mesmo, O Hobbit está na minha lista de leitura para 2015.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Eu poderia ter sido Elena



ESSE TEXTO FOI PUBLICADO NO BLOG DA PETRA COSTA, SOBRE O FILME ELENA!

Meu namorado diz que gosto de filmes tristes. Prefiro chama-los de Dramas, mas de fato, são tristes, assim como muitas vezes vejo o mundo.
Um filme (documentário) que demorei muito a assistir por não saber sobre o que se tratava exatamente, foi Elena, de Petra Costa, onde ela narra a história de sua irmã, Elena,  atriz, que aos 20 anos decide morrer e como esse acontecimento até hoje impactou a forma de Petra enxergar a vida.
Há uma parte no filme que mexeu muito comigo, onde Petra relata que entra no quarto de Elena com uma amiguinha, ambas com 7 anos (Elena com 20) e a encontram totalmente coberta, apenas com os olhos de fora e estes, vermelhos de tanto choro. Saindo do quarto, a amiguinha de Petra pergunta o que tem Elena, e ela responde “Ela é assim”. Por mais da metade da minha vida, eu achei que eu fosse assim.Tinha aceitado a tristeza , a melancolia, a vida em preto e branco como uma parte da minha alma, do meu destino. Conforme fui tomando consciência de que isso precisava mudar, essa certeza de ser uma pessoa triste tornava-se aterradora, insuportável e eu não via saída, a não ser a morte.
O filme me angustiou muito. Me fez rememorar sensações que já passei ao longo da minha vida e muitas vezes, em menor frequência, ainda passo.  Creio que as doenças da mente são mil vezes piores que a do corpo. Se você está com uma dor no corpo, mas com a mente sadia, você suporta, dá a volta por cima, se refaz. Quando é a sua mente quem está doente, tudo pode parecer perfeito, mas nada importa, tudo parece perdido. Lembrei das várias vezes em que minha vida não tinha sentido algum, das vezes que senti uma dor excruciante que nunca soube de onde vinha e como meu único socorro e consolo era a religião, ao qual eu me agarrava com todas as minhas forças e que , agradeço muito a Deus por tê-la colocado em meu caminhos nesses momentos difíceis, pois foi o medo de perder a vida eterna, os céus, a salvação  e o que diziam naquele lugar , que me mantiveram viva durante muito tempo, durante anos em que nada pra mim fazia sentido, em que , como eu sempre dizia : Viver,era um fardo, uma obrigação.
Mas eu saí disso, nem eu mesma consigo acreditar, mas saí. Saí com terapia, com medicação, com amparo da família, que passou a me entender e me apoiar, reconhecendo meus medos, traumas, experimentando viver, me arriscar e aprendendo que nada é para sempre, nada é eterno. A vida é feita de fases e isso tudo que passei foi só uma fase.
Queria que Elena tivesse tempo de ter notado que tudo isso era uma fase, que todas essas coisas iriam passar. Aos 20 anos eu também queria morrer. Aos 25 , quero amar, casar, trabalhar, ter filhos, dar continuidade aos meus projetos . Viver muito, e muito bem!
Agradeço a Petra por ter feito esse filme, por sua sensibilidade e sua coragem em se expor, coisa que faço nesse blog diariamente, mas não com tanta delicadeza e beleza que ela fez. Relatar nossa história nos alivia da dor e ajuda a quem está passando por ela a sentir-se confortado, acolhido, a notar que não está sozinho, que é o que muitas vezes tento fazer aqui.

Um filme feminino, intenso, forte. Um filme, que gostaria eu, ter sido feito por mim. Uma história, que agradeço, não vivi.

domingo, 9 de novembro de 2014

Violência psicológica

Há pouco tempo, escrevi um texto aqui sobre Violência Emocional e o deletei. Fiz isso pois, o texto foi escrito em um momento de emoção que estava reprimida, sobre um assunto que há muito tempo  eu queria falar, mas não tinha coragem. Escrevi  e me arrependi por inúmeros fatores, mas agora com a cabeça fria estou disposta a reescrever sobre o assunto.  

Tive um relacionamento de três anos que me destruiu por dentro, tamanhas eram as violências sutis que eu passava todos os dias. Dentre as formas de violência sofridas, estavam: provocar ciúmes de maneiras explícitas e depois me convencer que eu era louca, via coisa onde não tinhar; sumir por dias sem deixar contato, depois aparecer como e nada tivesse acontecido;ignorar meus apelos para ser ouvida e vista, ficar em silêncio sepulcral enquanto eu me debulhava em lágrimas ou rir da situação; provocar em mim ataques de fúria e raiva, fazendo com que eu não me reconhecesse, falasse coisas horríveis e depois chorasse achando que a culpa era minha; ignorar meus problemas pessoais e insinuar que eu tinha uma vida perfeita perto da dele; me ignorar perto de amigos, como se eu não estivesse ali; me comparar direta e indiretamente a outras mulheres do passado ou presente, flertar com outras na minha presença; etc, etc, etc.

Nem preciso dizer o quanto eu me sentia um lixo, não é mesmo? É claro que por eu ter ficado com essa pessoa 3 anos, existiam qualidades e bons momentos, pelos quais eu me prontifiquei a lutar. Mas demorei a notar que apenas gostar de alguém, e essa pessoa jurar de pés juntos que gosta de você, não é o suficiente para continuar em um relacionamento doentio, onde o outro em vez de querer te erguer e te ver progredir junto com ele, mina sua autoestima, rebaixa suas conquistas e disputa com você, quase em um movimento de inveja e competição, para ver “quem é melhor”.

O perfil do agressor para as pessoas de fora é sempre de alguém bonzinho, amável, gente fina. Quando você tenta contar para alguma pessoa o que você está passando, ninguém acredita em você, todos o defendem por ser “um anjo” e tentam te convencer que é você quem está vendo coisas, é você que está sendo incompreensiva. Ainda mais quando vêem você sendo presenteada com ursinhos, flores, cartas, pedidos de perdão  e todos ficam abismados em como você “reclama com a barriga cheia, queria eu ter um marido romântico assim”. Isso se agrava quando a pessoa em questão teve uma vida difícil e tudo é justificado pela família desestruturada, pelo emprego exaustivo, pelo passado triste. Tudo se vira contra você, e você se sente culpada por ter tido uma família estruturada, uma condição de vida que te permitiu estudar sem se preocupar com trabalho até quando pode, por ter tido o privilégio de nunca ter passado fome. Toda a agressão do agressor, passa a ser justificada, e você, tem que entender o lado dele, já que o mesmo teve uma vida sofrida. É um pesadelo, é uma prisão. Você, vítima, se torna a vilã.

Falando da pessoa com quem convivi, sei que a grande maioria das atitudes agressivas foram inconscientes, sem a intenção real de me ferir propositalmente, eram reproduções do que já havia vivido. Mas nunca se deve usar isso como uma forma de se autoconvencer que a pessoa irá mudar com o tempo, porque ela não vai! O que se pode fazer nesse caso é propor um tratamento ao agressor e esperar que este tome consciência de seus próprios fantasmas, mas jamais se submeter a um relacionamento doente acreditando que este irá mudar.

Consegui sair dessa e não desejo mal algum a ninguém, muito pelo contrário, quero mais é que se reerga e consiga levar sua vida em frente sem magoar nem a outra mulher e nem a si mesmo. Ainda vejo em mim muitas marcas desses traumas quando sem querer, acabo refletindo alguns medos e inseguranças no meu novo relacionamento, mas posso dizer que estou muito melhor. A ajuda psicológica que eu já tinha em terapia me ajudou muito a superar, e meu novo relacionamento também.

Tudo é passageiro, basta querer seguir em frente.