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terça-feira, 10 de dezembro de 2019

"Ou foi o tombo do navio ou foi o balanço do mar..."


Duas palavras me definiam: medo e preconceito!
O medo era do desconhecido, ou pior, do conhecido,pois eu sabia desde sempre que muitas coisas iriam mexer comigo. Sonhos já me avisavam há muitos anos! E se eu perdesse o controle? E se algo ruim estivesse ali?
O preconceito,aquele mau e velho, construído na nossa mente assim que pisamos em uma sociedade dita cristã: “lá tem Exú, lá tem demônio, lá tem diabo, lá tem belzebu, lá tem o tinhoso!”. E o preconceito que aprendi no meio acadêmico: "religião hipster, só branco classe média frequenta! Há anos deixou de ser raiz!".
Mas desde que comecei com a magia, o fato de não conseguir me conectar com deuses me incomodava muito! Eu não sigo roda do ano, não faço pedido pra Apolo, não  consigo dialogar com algo que não me toca, que não faz parte da minha cultura! Ainda peço pra Jesus e tenho um grande amor por Nossa Senhora Aparecida. Que bruxona é essa que tá pedindo pra deus cristão?
Tudo isso e outras coisas foram me levando à pensar “Mas aqui no Brasil tem uma religião mágica que cultua os deuses que eu conheço!”. E quando eu menos esperava,essas divindades começaram a se comunicar comigo por diversas maneiras! Surgiu uma necessidade, uma sede tão grande de conhecer cada uma delas que meu preconceito se tornou pequeno diante de tanta grandiosidade! E então, me permiti!
Meu coração acelerou,minha respiração sumiu, meus braços e mãos tremeram e eu senti algo que religião nenhuma havia me proporcionado,que é  sentimento de plenitude, de poder alcançar o divino sendo exatamente quem sou! Um lugar onde eu posso ser magia, ser cristã, ser benzedeira, ser eu mesma,sem me sentir errada!
Agradeço ao plano espiritual que vem me modificando e me ajudou à ultrapassar as barreiras no momento certo para que eu pudesse ter a maturidade de entender o que a umbanda seria na minha vida!
Saravá!

domingo, 21 de julho de 2019

Espiritualpolítica


Eu não quero uma espiritualidade que me ensina que todo mundo nasceu com lugar marcado,com destino certo e com cabeça fechada. Não quero achar que minha fé é prova de superioridade perante quem não a tem manifestada da mesma forma que eu!

Eu tenho nojo desse povo que se enterra na yoga e não olha pro cenário pra não desalinhar os chacras! Eu desprezo quem fala que somos a pátria do evangelho e vota em quem mataria seu Cristo! Meu asco vai pra bruxa do bem que faz cházinho e vibra amor, mas comemora a morte de criança neta de político!

Eu não quero elevar meu estado vibracional para deixar de ver quem passa frio e fome. Não quero ser benzida por quem acha que indígena é vagabundo e que racismo é coisa que os próprios pretos criaram.

Deus me proteja da espiritualidade que não tem humanidade!Que meu Santo seja mais forte que esses falsos profetas!

Por isso que hoje eu sei que a melhor forma de alcançar a paz interior, é sendo menos escrota no exterior que me cerca!

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Gotas

O universo é fantástico! Ele faz com que eu me depare com quebras rítmicas quando penso que estou cheia de certezas. Certezas essas que já tive muitas outras vezes e que hoje são relatos de minha trajetória.
Quando começo a imergir novamente em um mundo que penso ter me encontrado, abraçando-o com braços e pernas, o conta gotas da racionalidade começa a pingar lentamente sobre os meus olhos e passo a ver o que talvez, meu ego não queria. “De novo? Você já não viu e viveu esse filme?”
Por quantas iniciações terei de passar para acreditar em algo que me transforme em alguém especial? De quantas bocas mestras terei de ouvir que encontrei o caminho?
Glória a Deus nas alturas, que não me privou de bom senso! Salve a Deusa que me dá discernimento! Sagrados são os elementais que me cercam e me quebram as expectativas!
Ou tudo isso não seria apenas aquele meu lado que desconheço?
O consciente me faz crer, mas o inconsciente sempre me salva!

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Caminhos da magia

Um belo dia, esse ano, me dei conta que sou uma bruxa “de verdade”. Isso aconteceu quando eu descobri que para praticar magia eu não precisava seguir uma religião ou deus.

Falando rapidamente sobre a minha trajetória e o porquê de eu ter apenas me descoberto bruxa, e não me tornado, como acredito:
Eu sempre tive questões fortes ligadas à espiritualidade e facilidade para algumas coisas “sobrenaturais” ou “esotéricas” . Desde muito criança eu tinha projeções astrais e “amigos imaginários”. Gostava de brincar sozinha com pedras,plantas e minha próprias teorias sobre a vida, o universo e tudo mais. Também tinha sonhos premonitórios e uma intuição muito forte sobre pessoas e situações. Ou seja: o mundo invisível sempre foi muito comum para mim! O que me fez parecer uma criança que “não amadureceu”, já que fadas, duendes, seres do astral para mim não eram fantasia, eram reais!

Quando adolescente, tive uma experiência com ayhauasca que me traumatizou muito e me fez correr para a igreja evangélica, me batizando. Mas mesmo lá dentro, minha conexão com o astral era muito forte! Não demorou nada para minha mediunidade começar a ser trabalhada e eu “falar a língua dos anjos”, que hoje vejo como o processo da incorporação. Rebelde, aprendi a ler tarô sozinha ainda dentro da igreja e lia para muitas pessoas.
Quando saí do meio evangélico, não quis me envolver com nenhuma religião, até que após 3 anos sem frequentar nenhum lugar, comecei a conhecer o espiritismo kardecista e lá estou.

Porém, algumas coisas ficavam meio no ar: eu sentia uma necessidade que o espiritismo não tem, de me ligar ritualísticamente à Deus,cosmos e etc! E foi aí que eu descobri a Bruxaria Natural, onde eu poderia me ligar à magia de fato, sem precisar abandonar td minha história de vida com o cristianismo e outras questões cuturais. Comecei um curso de bruxaria natural que não gostei por achar muito superficial e iniciei meus estudos como solitária, que foi onde de fato me desenvolvi magisticamente. Hoje faço um outro curso de magia e continuo estudando muito sozinha. Fui descobrindo inúmeras vertentes na magia, com muitas escolas e nomes diferentes. Considero-me então uma bruxa ainda procurando meu lugar, já que o termo “bruxaria natural” me parece hoje em dia, um tanto vago da forma como ele é abordado na internet,principalmente. Além disso, também me descobri benzedeira e me tornei Reikiana.

Por isso mesmo, mudei muito a minha visão pessoal sobre a bruxaria, sobretudo quando falamos de mulheres.

Não acredito mais no conceito de que “toda mulher é uma bruxa só por ser mulher”. Não é bem assim! Uma, que a bruxaria sempre foi amplamente praticada por homens e mulheres. Gardner, Alex Sanders, Crowley, Cunningan são alguns nomes de grandes magos que fundaram e difundiram tradições mágicas na modernidade. O engano que ocorre quando se fala que “toda mulher é bruxa” é justamente pelo fato de que, tudo o que não fosse considerado cristão ou ameaçasse o poder político da igreja, era considerado bruxaria. E uma coisa que a igreja não queria de maneira alguma eram mulheres no poder! Então, todas as mulheres foram consideradas pejorativamente “bruxas”. Não porque elas praticavam a antiga religião, não porque elas praticavam ritos mágicos, mas por serem mulheres. Muitos homens que de fato praticavam magia eram absolvidos, mas mulheres, muito dificilmente, mesmo que as mesmas não fossem bruxas realmente.

Outra coisa: saber sobre o poder medicinal das ervas, fases da lua,etc, não necessariamente é magia! Pode sim, ser usada dessa forma, mas quase nunca é! Na agricultura trabalha-se muito com as fases da lua para colheitas e ninguém chama isso de bruxaria, por exemplo. Realizar partos,igualmente. O que acontece é que,novamente: tanto a igreja quanto a ciência na epoca não queriam competições! Então, se você soubesse se curar com ervas, se fosse parteira, você seria chamada de bruxa e julgada pela Santa Inquisição.

Mas e o resgate do Sagrado Feminino? Não é um resgate da bruxaria? Não precisa ser! Não precisa ser nem feminista também! Você pode ser uma mulher de direita e trabalhar o sagrado feminino! Buscar a sacralidade em si não necessariamente é um atestado de “estou fazendo uma feitiçariazinha aqui com a minhas irmãs bruxas”. Esse conceito é muito raso e coloca de novo, tudo o que não é considerado cristão num balaio de gatos chamado “bruxaria” e sempre de uma maneira muito equivocada.

O que hoje eu considero bruxaria é de fato, a busca pelo conhecimento e prática da magia! Sendo ela natural, wicanna, alexandrina, do caos, thelema, de vidas passadas ou vida recente. Há pessoas, como eu, que sempre tiveram uma predisposição para a bruxaria mesmo quando não tinham consciência disso. Há bruxas dentro de igrejas, há bruxas atéias, há bruxas em toda parte! Mas a bruxa estuda, pratica, se dedica à sua arte! Todos nós fazemos magia o tempo inteiro, todos nós podemos ser bruxos,mas só alguns desenvolvem o estudo e o estilo de vida ligado ao ocultismo. Você pular 7 ondas no Ano Novo, gostar de acender incensos e ter vários cristais não te torna uma bruxa, mas te torna uma pessoa que pode desenvolver esse lado se assim desejar!
Vamos?

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Zen de ZL



Tenho recebido o adjetivo “zen”. As pessoas vem falando que eu passo “uma energia boa”  e que “queriam ter a minha paz”.
De fato, ano passado comecei a procurar lugares onde eu pudesse desenvolver minhas necessidades espirituais. Minha mediunidade é bastante aflorada e não adianta: se eu não me cuido, sucumbo.
A religação com a espiritualidade me trouxe mudanças vistas,mas nenhuma delas veio da paz, mas do caos!
O Caos de atravessar a comunidade para ir para o centro espírita, de levar duas horas para ir e duas para voltar de um curso cheio de preconceitos (pago, diga-se de passagem), mas que me dava um certo respaldo sobre minhas questões. O caos de meditar de madrugada com os sons das balas perdidas, cachorros latindo,guardinha passando e os moleques da rua brigando. O caos de pagar R$70 parcelado nas “trocas de energia”. De ter parado a terapia, que eu já fazia de 15 em 15 dias com preço popular, para poder investir na espiritualidade. O caos de atender por quase 3 anos pessoas em grande sofrimento social,sofrendo ameaças constantes E agora, novo caos de mais 3h00 de transporte público tds os dias para trabalhar com 30 alminhas a cada 45 minutos, que muitas vezes não tem o que comer em casa.
E eu tenho sorte!
Tenho papai que levanta para preparar meu café da manhã. Tenho mamãe que faz o meu almoço, lava e passa minhas roupas. E eu ainda faço cara de nojo quando a janta é frango e atraso a conta de telefone por que eles ainda tem a pachorra de entender que esse mês gastei muito comigo mesma!
Eu sei que tenho privilégios por poder parar e pensar criticamente sobre a minha espiritualidade, por ela não precisar ser minha única alternativa para esquecer uma vida de miséria. E esse privilégio veio não apenas depois que eu percebi dentro de mim mesma que eu precisava me libertar, mas quando eu comecei a circular espaços diferentes, que me mostravam que Deus não estava só dentro da igreja autoritária que condenava a mulher que cortasse o cabelo. Para eu perceber que Deus não me mandaria para o inferno por usar calça ou fazer sexo, eu precisei de oportunidades!
Quem consegue pensar criticamente sobre o espiritual trabalhando 12h? Quem consegue pensar numa alimentação sem carne e livre de agrotóxicos?
Toda vez que eu ouço sobre “O Sagrado feminino somos todas irmãs namastê”, eu penso nas mulheres em situação de rua que atendi que nem sequer podiam escolher entre comprar um absorvente ou uma pedra de crack com os 5 conto que conseguiram se prostituindo.
Eu não sou zen não!Eu tento me equilibrar para conseguir entender esse caos!
Eu quero paz só se ela for provinda da mudança!

domingo, 4 de novembro de 2018

Eu (não sou um), robô



Eu nunca soube administrar nem tempo, nem dinheiro, muito menos emoções e sentimentos e isso tem ficado cada vez mais evidente.
Dou tudo de mim ao que acho importante. Quando criança, lia livros numa virada de noite, mesmo sabendo que ficaria com sono na escola pela manhã. Quando assisto séries , fico obcecada, vivendo todos os dias com aqueles personagens. Quando gosto de um tipo de música, busco a fundo tudo sobre ela e me esqueço que existem outros.
Eu fui uma garota rebelde até meus 20 anos, quando conheci meu primeiro namorado. Eu literalmente me esqueci. Vivi para ele e por ele, tentando consertar tudo em sua vida, tentando ser tudo o que a mãe, professora, irmã, tia, babá,  Deus, não foi. A devolutiva, obvio, era quase 0.
Aos 24, meu segundo relacionamento. Idem, mas neste a devolutiva era um pouco maior, o que fez até mesmo eu ter um pouco de  tempo para reconhecer-me e prover mudanças em minha vida. Ainda assim, minha dedicação a mim mesma nunca chegou aos pés a dedicação que tive por ele.
 No meu trabalho, esqueço-me de mim cmpletamente . Já atendi mulheres despedaçadas quando eu mesma estava. Já falei sobre a vida quando eu mesma queria morrer. Já subi e desci escadas, planejei ações quando eu achava que não teria condições de estar de pé. Quando chego em casa, só o que quero é dormir. Um cansaço descomunal me pega. Só acordo para novamente trabalhar, novamente me dedicar a ele, novamente ser para todos e não ser para mim.
Apesar de tudo , não sei como, consegui cuidar das minhas obrigações automaticamente. Formei-me, me pós graduei, me formei de novo, fiz inglês, trabalhei, mandei currículo, trabalhei de novo, fui no médico, tomei remédio, troquei remédio, passei em concurso, fiz perícia vou fazer de novo...Mas eu não sinto nada. Para mim, não sobra nada.
O prazer que venho sentindo é a reconexão com a espiritualidade, que quanto mais aflora, mais empoderada e plena me faz , e como é da minha personalidade, absorvo absolutamente tudo sobre todas as crenças, ritos e magias  que estão em meu caminho. E meu único prazer tem sido um problema em minhas relações, pois ele está me fazendo crescer e o outro, se sentir diminuído.
São meus ritos que tem me devolvido a humanidade. Pouco a pouco, volto a prestar atenção nas plantas que cultivo em casa, na lua que me ilumina, no prazer de ser quem eu sou. Escrevo esse texto em lágrimas, mas o que quero dizer é que se reconectar consigo faz você se desconectar do que te machuca e te entristece. Faz você querer ser tratada melhor , com o mesmo carinho e dedicação que você tem aprendido a administrar e dar uma parcela a si mesma. Você aprende a se respeitar, a saber que é uma filha dos deuses e que por isso, não pode permitir que te maltratem, sendo que Deus e a natureza te criaram  com tanto amor.
Você merece amor. Você é humana e não um robô!


domingo, 26 de agosto de 2018

Andar com minha fé eu vou



Quando eu era criança, não usava sapatos. Sentir a areia, a terra, as pedras e até mesmo os cacos de vidro não me incomodava. Era normal sentir a natureza, já que eu também fazia parte dela. O gelado das águas me encantava como se eu voltasse á minha própria origem.

Passei a calçar sapatos quando percebi que estar descalça era mal visto, que minha imagem despertava liberdade e selvageria, tudo o que uma mulher não pode ter. E  logo apareceu um par que apesar de muito desconfortável, tinham uma boa aparência e me dava um status respeitável. O calcei durante longos anos e a medida que fui crescendo, ele apertava, dava calos, prendia meus passos, torturava meus pés e eu não conseguia  mais sentir a natureza da qual faço parte. Como na história original de Cinderela, chegaria um momento em que seria necessário decepar meu dedo ou calcanhar para continuar cabendo no sapatinho de cristal.  Doeu me desprender de algo que me serviu por tanto tempo, mas antes que eu me livrasse de pedaços meus, joguei meus sapatos fora!
Foi estranho sentir novamente os quatro elementos roçando e machucando novamente meus pés, mas percebi que apesar de sensíveis pela época em que passaram abafados, continuavam fortes, ágeis  e desejosos de sentir na pele o mundo.
Muitos dos que ainda usam os sapatos que me apertavam preferiram decepar a si mesmos para continuar os calçando e sendo bem aceitos pelos que tem medo de andar com os pés no chão. A grande maioria deles não caminha mais ao meu lado. Permiti-me até mesmo  calçar sapatos novos, muito mais confortáveis!, aos quais recorro  sempre que meus pés precisam de um alívio pela brutalidade do asfalto , mas não tenho mais a necessidade de proteger-me de todas as experiências que a jornada me proporciona. Decidi voltar á minha natureza ,olhando para trás e tendo o prazer de ver  a marca de minhas próprias pegadas

terça-feira, 3 de julho de 2018

O armário das vassouras não me cabe mais



Passei um tempo de recolhimento involuntário. Sim, involuntário!
“Meu Deus do céu! Porque não consigo mais me colocar no mundo???”
Minha arte sempre foi A forma como melhor existo e por algum tempo, acreditei que estava deixando de existir. Muita angústia me tomou nesses meses, mas não tristeza. Apenas um torpor que não me deixava criar mais nada!
Acontece que nesse tempo longe da minha criação, eu estava voltando aos meus criadores. Eu precisava mais deles do que achava que o mundo precisava de minhas ínfimas contribuições.
Deus? Cristo? Universo?
Há pelo menos três anos eu não me aproximava de minhas fortalezas espirituais, desde que decidi sair de dogmas e instituiçõe que muito ensinaram, mas também me podaram. Bem aos poucos, comecei reconectar-me e uma nova forma de olhar para esse Cristo pelo qual me batizei se iniciou dentro do meu conceito de espiritualidade. Passei ver-me também de uma forma diferente , como um ser infinito, cheio de caminhos anteriores e com muitas coisas à aprender. Uma boa dose de humildade não faz mal à ninguém!
Só que...
Muitos, antes de mim mesma, viam-me como bruxa e na leveza da vida, passei a me  identificar metaforicamente como tal; Ser bruxa é transformar dor em arte? Então eu sou! É ler a vida nas cartas do tarô, trabalhar com a força e a ajuda dos elementos ? Sempre fui então, poxa!  Mesmo quando recebia a linguagem dos anjos na igreja evangélica e tremia  ao sentir a presença de um Ser superior que me tomava os sentidos! Acontece que na hora certa, sinais de que algo a mais em minha jornada pessoal ainda estava para acontecer, começaram a surgir. E de uns tempos para cá, comecei a estudar sobre essa outra arte que me foi destinada em outras vidas: a magia! O poder pessoal que nos torna atuantes com o cosmos e nos deixa mais próxima de Deus, seja ele ou ela como você o reconhece!
De início tudo me pareceu uma brincadeira, mas com o tempo fui me reconhecendo e sentindo : Eu faço isso há anos, décadas, séculos! Estou apenas retomando os conhecimentos que me foram ensinados por mulheres antes de mim!
Não me sinto mal e nem destoante do que aprendi durante tantos anos dentro de um lar cristão. Se transformar água em vinho e curar pessoas com o poder da palavra, sempre cheia de amor e boas intenções não é um tipo máximo de magia, o que seria?  Com o espiritismo, aprendi que não existem milagres, tudo é natural !Nós é que não temos muitas vezes a evolução necessária para lidar com as energias universais. E é por isso mesmo que me identifiquei com esse tipo de magia, que não é religião e que não traz dogmas ou deidades para ser praticada: A Magia Natural!A Bruxaria Natural!
No fundo, mesmo cheios de entidades, nomes, invocações, cores, velas, véus, ritos, formas de ver a evolução espiritual...todos estamos no mesmo barco, indo para o mesmo destino e buscando a mesma sabedoria. Abençoado seja quem com ela transcender!
Que assim seja se for para o bem de todos!
Assim é!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

2015: O ano Detox

Pinturas que fiz em 2015!


O ano de 2015 não foi um bom ano, mas também não foi um ano ruim.

Não aconteceram coisas grandiosas, foi na verdade um ano calmo, sem muitos  altos e baixos. Um ano apático, eu diria.Mas foi um tempo necessário em que com a calmaria, consegui colocar a casa em ordem. A casa sou eu, quero dizer.

Foi o primeiro ano em muitos em que pude respirar e me dar ao luxo de ter TEMPO.  Ano passado foi de inúmeras mudanças, foi praticamente o ano em que me tornei outra pessoa e deixei para trás ,na prática, muito do que me consumia e fazia mal. Foi como se eu tivesse desinstalado  programas pesados do meu software que estava cheio de vírus. Esse ano  de 2015, foi a época de fazer uma limpeza profunda dos resíduos que esses programas deixaram: as pastas vazias que só ocupavam espaço e memória, os spywares e malwares que eu não sabia que ainda estavam ali me atrapalhando o tempo todo, já que para mim, finalmente eu havia removido aquele vírus maligno que quase me fez entrar em pane. Mas os resíduos estavam ali, todos eles. Sai de um relacionamento muito abusivo e isso já foi ótimo, mas as consequências como medo, insegurança, ciúme, desconfiança, baixa auto-estima não saíram de mim. Sai de uma doutrina que me prendia e enchia de pavor, mas a sensação de estar sendo sempre vigiada por uma força invisível, os pesadelos com a possível entrada no inferno, estavam ali. Fora um balde de rancor, raiva, frustração e falta de entendimento que carreguei por toda minha vida.

Foram batalhas comigo mesma, mas com ajuda. Voltei pra terapia, iniciei uma nova mediação e resolvi que merecia por um fim nisso, por mim e pelos que me amavam, que eu também acabava fazendo sofrer. Foi e ainda é um processo duro esse de olhar para mim mesma e reconhecer as falhas, erros e auto sabotagens que cometo todos os dias. Mas posso dizer que pelo menos , 65% desse lixo interno foi eliminado e o restante está em processamento. Deu tão certo que fui liberada da terapia e sou considerada fora do quadro de depressão e essa é minha maior vitória de 2015! 

Consegui tirar muita culpa de minhas costas e das costas de outros, mas também pude enxergar que não tenho que ser sempre servil, posso e devo me impor. Não tenho que dar razão sempre pra quem me julga e não me conhece e nem tenho que dar explicações para quem nada tem a ver com a minha vida. Não tenho que servir e nem agradar à ninguém, posso ser amada sendo apenas quem sou!


Este é um ano em que consigo olhar para mim mesma com orgulho e admiração, em que finalmente sinto que sou minha melhor amiga, que estou do meu lado. Acredito em mim e na minha história pessoal . Superei tantos obstáculos, tantos temores internos e sei muito bem que posso suportar muito mais. Fiz uma revolução na minha mente. Foi difícil e doloroso, mas fiz o que tinha que ser feito. E continuarei fazendo.

domingo, 4 de outubro de 2015

Depois da partida- reflexões religiosas

Desenho que fiz pro desafio #Inktober que estou participando. Todo dia tem desenho novo no Instagram, basta seguir ali ao lado <-------

Tento não abordar esse assunto de maneira literal, pois não quero ser tida como influencia para ninguém, nem como boa e nem como má. Acredito que há momentos em nossa vida em que algo se faz necessários e depois deixam de fazer, por muitos motivos. Ter uma religião fez bastante sentido pra mim durante quase 7 anos. Fazia sentido seguir aquela doutrina, crer no que eu ouvia e me sentir parte daquele lugar. Hoje não faz mais.

Com a saída dessa doutrina que frequentei, inúmera coisas mudaram. Por fora todos sabem: Roupas “do mundo”, tatuagem, mudanças no cabelo, liberdade sexual. Mas as mudanças muito mais significativas foram por dentro e é delas que quero falar nesse post:

Minha vida está extremamente mais leve agora que acredito que as coisas vão acontecer conforme o meu merecimento, e ainda assim, é possível que não aconteçam, a vida nem sempre é justa e está tudo bem! As coisas não deram errado por que : pequei; estou sendo castigada ou estou sendo provada. Da mesma forma, as coisas não deram certo porque: Estou sendo recompensada, é uma prova que Deus me ama (logo, se ele não dá, ele não me ama);

Não fico mais esperando eternamente que coisas que provavelmente não irão acontecer, aconteçam, pois sou “uma serva de Deus esforçada e mereço isso”. Não fico mais me martirizando pela vida não cumprir minhas expectativas e colocando isso na conta de Deus. Não fico mais esperando milagres , embora creia que eles existam, mas não acho mais que é obrigação de Deus fazer com que aconteçam ;

Sou muito mais humilde agora. Sei que receberei algo conforme minha necessidade e minhas ações, e não porque “Deus quis”. Agora sou responsável pelas minhas ações e receberei o que delas for seu resultado natural (ou não);

E principalmente: Sou eu mesma, sem medo de estar sendo vigiada o tempo todo por uma força invisível  (seja ela a doutrina da igreja ou o próprio Deus, que sei que não liga para nada disso) que estará pronta a me apontar e julgar caso eu corte o cabelo, dance o faça qualquer coisa considerada por alguém como “mau testemunho” ;


Muitos me perguntam e NÃO, não me tornei ateia e ainda me considero cristã, mas não sinto mais o mínimo desejo de voltar a uma religião que mais me condena que me acolhe, seja ela qual for. 

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Religião deve ser amor, não prisão


Durante muitos anos de minha vida fui de uma igreja evangélica extremamente tradicional. Aos 18 anos, me batizei nela, declarando assim que aceitava sua doutrina, ao  qual realmente segui a risca por escolha própria. Sempre falei muito sobre Deus e a participação essencial que Ele tem em minha vida aqui no blog e até escrevi textos onde falo sobre problemas que enfrentei sendo evangélica. Apesar de seguir rigorosamente tudo o que a igreja dizia ser certo, sentia-me  deslocada e mal vista pelos meus pensamentos e coisas que arriscava fazer. Enfim, após muito tempo lá dentro, decidi com grande dificuldade me desligar desse lugar e deixar para trás vários conceitos e atitudes que eu reproduzia por imposição doutrinária.

Muitas pessoas que me vêem hoje acham que fiz algo “de errado” e por isso me afastei, ou que me sinto triste e desisti de Deus, ou acham que sou uma coitada, que estou “perdida” , sem saber o que estou fazendo. Erro de todos. Decidi sair da igreja após muita reflexão e cobranças internas. Os discursos já não correspondiam com o que eu acreditava (se é que um dia corresponderam), me sentia hipócrita estando em um âmbito no qual eu não conseguia me identificar e sem ferir nenhum principio pregado lá dentro, resolvi sair. Não sai por culpa, não sai por remorso, não sai por “me sentir suja”, sai porque eu quis, porque eu escolhi sair.  Sempre fui imensamente responsável comigo e leal a minhas escolhas e por isso mesmo, só passei a fazer coisas que não eram aceitas pela doutrina da igreja (como as tatuagens, por exemplo) após já ter me desligado.

Também não me sinto triste, pelo contrário, nunca me senti tão fiel ao que creio como agora, tão completa e em paz comigo mesma. Não estou desiludida, não estou fazendo nada por impulso. Faço tudo porque quero, porque escolho, porque tenho plena consciência de que sou uma mulher adulta que sabe arcar com as próprias decisões. Não sofro pelos “amigos que perdi” e quero que mais pessoas que agem dessa forma se afastem cada vez mais.

Não estou escrevendo o texto como uma resposta aos que falam hoje sobre mim, estou escrevendo para deixar claro aos leitores desse blog: qualquer religião, se te faz uma pessoa melhor, é uma boa religião! Se te faz crescer como pessoa, te ajuda e te faz ser mais empático aos seres humanos, é um lugar maravilhoso que você tem o direito de estar o tempo que quiser! Sofri muito preconceito quando era evangélica pelo simples fato de me declarar como uma e sei desse lado da moeda. Se te faz bem, fique! Enfrente o mundo! Não tenha vergonha de suas escolhas e nem de suas crenças! Se para você é importante ser virgem até o casamento, se vestir de uma maneira mais discreta, ter cabelos compridos, se tudo isso faz sentido para você, te faz bem, faça de todo coração! Ninguém tem o direito de dizer como você deve ser, nem a sociedade que vivemos, nem o lugar religioso que está. Tudo o que fizer, se for por amor, é válido, apenas siga sua verdade, mesmo que zombem de você.

Agora, se por acaso você não se sentir mais identificado com a religião que segue, seja forte e questione-se, permita-se ! Sei que é difícil , já que somos ensinados a não questionarmos os ensinamentos bíblicos, mas isso não tem nada a ver com ir contra o que sua religião acredita, você está apenas pensando, evoluindo, não tenha medo disso! Pense o porque de  estar ali, o que te atrai, o que te afasta, o que te faz crescer e o que te limita, pese tudo e veja o que vale a pena para você!

Deus não está apenas dentro de um templo e Cristo pregou sempre perdão, o amor a quem quer que seja! Muito diferente do que vemos igrejas pregando por aí!


Meu conselho é: Siga seu coração, siga sua verdade, estando dentro de igreja ou fora de uma, se for o que te faz bem, não tenha medo! Seja fiel a você mesmo e não se importe com o que os outros irão dizer!

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Transformação

No início desse ano, lembro que escrevi no meu Facebook “Sinto que esse ano vai ser roots!”. Mal sabia eu o quanto seria e o quanto eu iria me transformar!
Acho que a palavra certa para esse processo não é mudança, mas transformação. Eu desabrochei, me redescobri, mesmo sendo a custo de muitas dores, crises e angústias. Até o início desse ano, batia o pé e dizia estar certa sobre tudo, não haver dúvidas, sobretudo em questão religiosa. Mas tudo mudou, tudo! Com os dias fui me questionando cada vez mais e mais sobre minhas escolhas e sobre qual era o papel dessa religião na minha vida. Doeu , fez sofrer, fui pra frente e pra trás, quis largar tudo de uma vez e me feri, ao mesmo tempo, sabia que continuar lá não era mais uma opção devido a inúmeras questões pessoais, espirituais e ideológicas. Mas nunca duvidei do papel soberano que Cristo tem em minha vida, em meu ser, em meu caminho e hoje sinto isso cada vez mais forte! Fui , com um passo após o outro, me permitindo sair desse casulo no qual fiquei tanto tempo aprisionada. Não cuspo no prato que comi, e talvez ainda volte a comer dele. Nem acho que ninguém deva seguir o meu exemplo, eu fiz aquilo que meu coração pediu pra que eu fizesse e continuasse minha vida em paz. Fora isso, outras mudanças em outros setores  aconteceram! Profissionalmente, tenho meu trabalho cada vez mais reconhecido! Intelectualmente, optei por trancar minha segunda graduação, mas sinto que quando voltar, irei aproveitá-la muito mais! Psicologicamente, minha depressão praticamente desapareceu! Amorosamente, encontrei a pessoa certa pra mim, que me completa e está sempre acrescentando, deixando minha vida melhor! Espiritualmente, me sinto mais livre e muito, mas muito mais em paz com Deus do que antes! Em questão de amizade, só amizades de gente que faz bem, que acrescenta, que soma, tudo que era “lixo” foi embora! Enfim, tudo isso se reflete na minha pele, no meu jeito de sorrir, no meu jeito de ser! Parece que quando a gente se aceita, tudo melhora!

Em julho coloquei um piercing no nariz. Dia 11 de Outubro, fiz minhas duas primeiras tatuagens! Coisas que até alguns meses atrás, eram impensáveis pra mim! Fiz uma libélula no ombro esquerdo e a frase “...a  Arte é a exceção.” no braço direito. Outro dia faço um post apenas sobre o significado delas, hoje deixo com  vocês  as fotos delas ainda inchadas e estranhas, mas que significam muito pra mim!



sábado, 17 de agosto de 2013

Lux

Lux- Lápis de cor e spray sobre canson-2013
Após dias sem estar perto de ti, presa em tantos problemas e tristezas cotidianas, hoje me apresentei mais uma vez á sua casa.
Cheguei, como sempre, engolindo toda a mágoa do mundo, sentindo minha garganta doer de tanta pressão e cansaço. Parecia, como sempre parece, que não importa o que eu faça, não interessa o quanto eu tente, o quanto eu peça, o quanto eu caia e me levante, nada nunca fará sentido, nada nunca será diferente pra mim. Me questionei mais uma vez se valia a pena eu me resguardar tanto, eu meditar tanto, eu me abster de tantas coisas que para a maioria das pessoas são comuns. Todas as vezes que eu me vigiei e ainda vigio para ter uma boa conduta, para ser coerente com o que tento ser. Claro, isso nunca dá certo, estou sempre errando, sempre caindo, sempre exausta, sempre triste por ter falhado novamente contigo.
Mas hoje, estando lá dentro, ouvindo Você falar comigo, mais uma vez eu tive a sensação de que tudo poderia acabar naquele momento, de que nada do que eu fiz ou faço é em vão. Nada mais importa, a não ser o que eu sinto por ter sua presença em minha vida, por Te sentir enxugando minhas lágrimas, fazendo carinho onde tantas mãos antes me esbofetearam (mãos estas, que eu me aproximei achando que me protegeriam), curando meu cansaço, levantando minha cabeça. Meus olhos então, se encheram de lágrimas e eu consegui chorar. Chorei minha dor, minha angústia, minha tristeza. Chorei a sensação que sempre tenho que o que eu sinto, jamais será importante para ninguém. E isso me bastou para que eu quisesse seguir em frente para que eu acreditasse que o amanhã pode mudar, para que eu perdoasse aqueles que tanto me feriram.

Obrigada meu Deus, por dar-me a oportunidade de poder estar dentro do seu lar, comer do teu pão e descansar em teus braços. Ninguém nunca entenderá o porquê eu troco todos os prazeres do mundo por algumas horas perto de ti.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

A voz do povo NÃO É a voz de Deus!



Quando houve o caso do vídeo do Silas Malafaia falando sobre a homossexuaLIDADE,  a maioria  dos meus amigos cristãos não se manifestou, talvez por medo de serem julgados  e de fato,iriam ser de toda forma: se tivessem uma opinião em favor do Silas, seriam vistos como ignorantes e homofóbicos. Se tivessem uma opinião oposta, seriam vistos como “falsos cristãos” por outros tantos. Bem, as únicas pessoas que vi emitindo uma opinião foram uma amiga, de outra igreja, e eu. Ela a favor do pastor, eu contra. Fui a favor do vídeos do geneticista e concordo com ele que contra fatos não há argumentos! Malafaia não apresentou fatos, dados válidos, ele fez uma comparação absurda cheia de achismos e estudos que devem ter mais de 50 anos. E outra: A pessoa ser homossexual por genética ou por escolha  faz alguma diferença? Isso comprova que por tal ou tal fato, que ela mereça menos direitos civis, menos  respeito que você?
Eu fico imensamente chateada quando vejo que igrejas fundamentalistas, retrógradas e fanáticas são as que tomam espaço na mídia e são justamente as que tomam acesso a cabeça do povo, em sua grande maioria não esclarecida, com pouco estudo e ávido para terem alguém dizendo o que eles devem fazer para serem salvos. Isso me entristece muito! Entristece-me saber que há mulheres fazendo uma separação de princesa/cachorra, que há um culto feito para chamarem mulheres que simplesmente não tem a mesma linha de pensamento que a sua de cachorra! Foi isso que Jesus ensinou? Que deveríamos nos sentir superiores e julgarmos uns aos outros? Esses dias eu vi um vídeo que dizia o cúmulo de que hoje, em pleno século XXI, era triste que as mulheres fossem criadas para serem independentes, para terem uma carreira, e que as mulheres cristãs deveriam ser criadas para saberem pregar botões, para serem submissas a seus maridos!É isso que as torna tão superiores? Será que Deus está mesmo,lá do alto, contando quantos botões você pregou na camisa do maridão, enquanto estava chamando a vizinha de cachorra?
O que muito me espanta é notar como muitas pessoas que se declaram seguidoras de Cristo estão mais preocupadas em apontar e julgar os outros, do que se preocupando com sua própria conduta cristã no dia-a-dia. Além do que, se querem falar, ESTUDEM sociologia, história,política, teologia e não repitam os discursos vergonhosos de ditadura gay e etc, por favor! E se você está muito preocupado com “eles são pecadores, eles estão errados, eles vão pro inferno”, Se eles são isso mesmo, quem dará conta não são eles?E porque a vida do outro tanto te incomoda?
Você não precisa concordar, mas sua obrigação é RESPEITAR!  Não precisa ser Best-friend dos gays, mas você não tem o direito de os perseguir! Não precisa achar lindo mulheres ultra sexualizadas, mas você não tem o direito de chamá-las de o que quer que seja!
Estou cansada de ser chamada de alienada, ignorante, homofóbica e etc,  por conta de algumas pessoas com essas características que infelizmente, sujam a imagem de todos os cristãos!

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Ser livre não é se destruir



O primeiro amor de toda mulher deveria ser o amor próprio.

Há dois temas que gostaria de falar no memento: Um, o livro que acabei de ler e que ainda não digeri muito bem chamado A Casa dos espíritos de Isabell Sllende. Não digeri não pelo fato de ser ruim, muito pelo contário, mas por ainda estar processando em mim todos os personagens, todas as cenas, todas as angústias e paixões que o livro me trouxe. O outro tema que q eu gostaria de falar, mas que ando meio cansada de escrever sobre,  é uma reflexão que fiz andando por uma livraria e ver tantos livros voltados ao público feminino ensinando-as como ser mulher nos dias atuais. Meu pseudo-feminismo muitas vezes me cansa, ás vezes quero parar de ver isso o tempo todo. O que curto em mim, pelo menos, é que sempre olho por uma ótica abrangente e considero tudo: cultura inserida, contexto de época, contexto religioso, vivências pessoais e até que ponto todos nós somos alienados, antes de fazer qualquer julgamento, seja contra um homem ou contra uma mulher. Bem, como ainda não estou madura para escrever sobre A casa dos espíritos, tentarei escrever sobre essas minhas observações na livraria (não só nela).
Eu andei uma época bem “empolgada” com os discursos feministas que ouvia meio deslumbrada, na verdade .Creio que tendo uma postura considerada feminista por muitos desde criança, de repente conhecer toda uma ideologia que reforçava o que  sempre quis dizer, foi um acerto bom e numa época boa, onde eu já estava mais adulta para entender certas coisas sem minha cabeça dar um nó, mas não adulta o suficiente para ter crítica perante o que aprendia. Esse período foi curto e proveitoso, trouxe-me uma série de novos pensamentos, reformulações e entendimento de um todo. O problema é que não podemos ver sempre o TODO, pois esse todo traz vários nuances e detalhes em sua essência que não necessariamente correspondem com a maioria.
Um discurso muito recorrente nesse “neo-feminismo” é a liberdade da mulhe r fazer o que quiser. Sim, concordo que a mulher, sendo adulta, vacinada e consciente, tenha o direito de fazer o que lhe dar na telha, isso é obvio. E ninguém tem nada a ver com isso. Acontece que uma mulher nessas condições citadas é responsável por seus atos e sabe muito bem que ser livre não significa fazer tudo o que tiver vontade, e ela nem tem vontade de fazer qualquer coisa, já que se conhece e se respeita como ser humano. Sabe que suas ações muitas vezes podem refletir no seu futuro e na vida de outras pessoas e sabe que ceder não significa submissão, mas flexibilidade e adaptação. Ou seja: Uma mulher livre deve em primeiro lugar, ter uma mente saudável.
Lembro de uma vez em que em um desses blogs feministas que frequentei e ainda dou uma espiadinha de vez em quando, foi levantada uma questão no sentido “Defendemos que a mulher tem o direito de fazer o que quiser. Se uma mulher decidir ficar com um companheiro violento, que a agrida física ou emocionalmente, vocês a apoiariam?” Grande foi minha surpresa a ouvir da maioria que SIM, que essa mulher seria apoiada, pois esta estaria “exercendo sua liberdade”. Amiga, você não está ajudando mulher alguma fazendo isso! Você não está emponderando  ninguém! Não está ajudando mulher alguma a ser livre! Você está sendo simplesmente conivente com um regime opressor que você mesma diz lutar contra! Pergunto-me se nessa história, a única precisando ser salva é a que escolheu viver com um agressor, ou todas que a apoiaram por achar que isso se chama liberdade. Moças, isso se chama doença, carência, depressão, falta total de autoestima.
Comecei a notar então que a maioria dos discursos não enfatizavam  a autoestima da mulher, a reconstrução do que ela considerava ser mulher para si mesma, mas apenas , de certa forma, uma eterna vitimização. Em histórias onde a mulher era agredida pelo companheiro, não uma ou duas vezes, mas durante vários anos e até mesmo em casos onde esta lutava para fechar os olhos, para se deixar nesse relação doentia acreditando que ele iria mudar, que isso era prova de amor, a única coisa que sempre vi foi o ataque ao agressor, mas nunca a conscientização da mulher que era agredida. Nunca ouvi  “procure ajuda, procure um profissional. Porque você está fazendo isso com você? Porque você acha que não merece algo melhor? Por que está comendo essas migalhas? Porque continua nesta casa com este homem? Nós te ajudamos, venha se reerguer!”. Não: sempre era o homem machista (que obviamente o é, isso não isenta sua culpa) opressor que merecia ser preso, e a mulher vítima de tooooooodo um contexto alheio a sua própria história de vida. Acho que qualquer psicólogo discordaria disso. CLARO que fatores externos e uma pessoa violenta podem muito bem nos fazer diminuir e não ter forças, mas o resgate de nossas forças e autoestima depende somente de nós mesmos! Se você apenas mostrar para essa mulher que ela foi vítima de um violentador, mas não mostrar que ela é uma PRESA desse tipo de homem, ela largará esse cara e se envolverá com outro do mesmo tipo. Ensine também a ter autocrítica, a ter amor próprio! Isso não tem nada a ver com “culpar a vítima”, tem a ver com colocar a responsabilidade de sua própria felicidade nas suas mãos!
Olhando os livros voltados a mulheres , notei mais do que um desejo patriarcal de nos submeter a um sistema de humilhação, engessamento e padrões. Notei outra coisa: Como estamos perdidas! Quantas ideologias antigas do dia para noite foram derrubadas e como outras tão diferentes se posicionam agora: Como a mulher que antes era considerada inteligente, hoje é considerada sonsa. Como a mulher antes considerada vulgar, hoje é considerada empondeirada! Como a mulher que hoje gosta de estar em casa cuidando dos filhos, hoje recebe o título de “prostituta do lar” de maneira pejorativa, claro, sendo que a prostituta do sexo agora é vista como uma mulher dona de sua liberdade. Qual o problema em abraçar aquilo que você acredita? Em ser quem você é? Qual o problema em sentir que você é amorosa, materna, meiga, acolhedora, amiga, e não safada, vadia, super  independente e alheia a qualquer ideal de beleza?
O que é  a liberdade pra você, mulher? O que te faz feliz? Onde você acha que está errando e que pode melhorar? Quais os seus desejos e suas vontades? Quais seus limites? Você está feliz usando burca e sendo casta, esperando seu marido? O SEJA, desde que essa escolha seja consciente e SUA! Você está feliz usando mini saia, fazendo topless em protestos e lutando por uma sexualidade livre? O SEJA, desde que você tenha plena certeza de que faz isso porque quer, e não por que outras dizem que é assim que tem que ser.
Por isso eu digo: Antes de ater-se a qualquer movimento, a qualquer militância, a qualquer ideologia, conheça-se !  Seja saudável! Tete curar suas feridas emocionais, seus complexos  medos. Seja responsável por você! Tenha autoestima! Claro que na maioria dos casos, esses movimentos te mostram alternativas de ser feliz, alternativas de se sentir bem, mas saiba que quem ira´ “se salvar” é você mesma! Ajude-se! E amiga, ajude a outra mulher! Ajude-a também a ver que ela está errada, que sua escolha é incorreta, que seu desejo não deve ser atendido por carência ou desilusão. Liberdade é responsabilidade,  não só prazer. Sejamos livres sim, mas sejamos sábias também!

P.S: A imagem foi mudada, já que algumas pessoas acharam por ela que o assunto do post era aborto ^^!