A gente vive em um mundo onde a falta de lágrimas no velório da sua mãe se torna uma prova que você é um assassino. Vivemos em um mundo onde você acordar desesperado ao notar que virou uma barata, te torna um problema para a sociedade. Vivemos em um mundo onde instituição nenhuma te protege, nem aquela que deveria. Onde a vítima se torna o algoz.
Quem sofre um assédio, seja ele moral ou sexual e decide denunciar, se sente violentado duas vezes ao ser julgado do "Porque não se preocupou com isso antes?" , "Olhe bem pro que você relata! Não tem parcela de culpa nisso?", "Isso que você diz é muito delicado e envolve várias pessoas. Pode se voltar contra você!".
Vivemos em um mundo onde você se sente culpado por ter sofrido as humilhações que sofreu.
Vivemos em um mundo de bosta que faz você se sentir parte dele.
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quinta-feira, 9 de janeiro de 2020
domingo, 29 de dezembro de 2019
Cansei
A vida é uma montanha que estou sempre subindo, subindo, subindo...Não vejo paisagem nem noto as flores,pois estou ocupada de mais em chegar no topo. Que topo?Será que alguém já chegou nele?
Eu estou cansada de mais!
Cansada de subir e dar a mão para quem sobe e nunca receber um gole d'água quando preciso. Estou cansada de dar o meu melhor e fazer exatamente o que todos deveriam fazer e por causa disso, ter tanta gente me jogando pedras e tentando atrapalhar minha caminhada, isso quando não tentam me empurrar para baixo!
Eu errei em ouvir os teóricos que tanto estudei. Na prática, eles servem apenas para enfeitar livros e ter nomes citados em documentos. No dia-a-dia, não são respeitados, não são nossos norteadores. São só uma foto na sala da coordenação.
Tenho a sensação de que todos os meus títulos são papéis de limpar o traseiro. Estou adoecendo por fazer o que deveria ser feito e sou boicotada pela mesma razão. Bem se diz que o desmonte da educação não é um problema, é um projeto e ele começa com a desmotivação dos que tentam por em prática o que aprenderam em sua formação.
Vale à pena?
"Eu nunca quis ser professoral", é a frase que sempre me vem a cabeça. Então porque eu insisto tanto?
Eu estou cansada de mais!
Cansada de subir e dar a mão para quem sobe e nunca receber um gole d'água quando preciso. Estou cansada de dar o meu melhor e fazer exatamente o que todos deveriam fazer e por causa disso, ter tanta gente me jogando pedras e tentando atrapalhar minha caminhada, isso quando não tentam me empurrar para baixo!
Eu errei em ouvir os teóricos que tanto estudei. Na prática, eles servem apenas para enfeitar livros e ter nomes citados em documentos. No dia-a-dia, não são respeitados, não são nossos norteadores. São só uma foto na sala da coordenação.
Tenho a sensação de que todos os meus títulos são papéis de limpar o traseiro. Estou adoecendo por fazer o que deveria ser feito e sou boicotada pela mesma razão. Bem se diz que o desmonte da educação não é um problema, é um projeto e ele começa com a desmotivação dos que tentam por em prática o que aprenderam em sua formação.
Vale à pena?
"Eu nunca quis ser professoral", é a frase que sempre me vem a cabeça. Então porque eu insisto tanto?
segunda-feira, 4 de novembro de 2019
Plantio
Eu deixei de ser romântica há muito tempo, se é que um dia eu fui. Otimista eu sou, mas a realidade é o terreno que piso e eu vivo no presente! Por isso mesmo, vou plantando exaustivamente para que essa realidade seja melhor daqui há alguns anos. Planto sementes em mim quando cuido da minha mente para ser uma pessoa melhor e planto sementes em quem ensino, para que sejam pessoas melhores. Todas essas sementes são colhidas em anos de crítica, sensibilidade, luta e estudo. É fácil falar nomes de teóricos e decorar trechos de livros. Fácil e necessário, pois são parte das sementes à serem plantadas. Mas sujar a mão de terra, poucos fazem. Colocar a cara à tapa, poucos colocam.
Plantar cansa, mas dá resultado! Se não hoje, talvez daqui 10 anos. Nem tudo vai germinar, mas muita coisa eu sei que vai, pois todo dia eu águo um pouco! Talvez eu mesma não colha, mas valerá a pena para quem colher o que tento deixar como legado!
Plantar cansa, mas dá resultado! Se não hoje, talvez daqui 10 anos. Nem tudo vai germinar, mas muita coisa eu sei que vai, pois todo dia eu águo um pouco! Talvez eu mesma não colha, mas valerá a pena para quem colher o que tento deixar como legado!
sábado, 21 de setembro de 2019
Crianças alvo
Eu não consigo falar de esperança. Não consigo ignorar o fato de as crianças de pele preta que vejo sorrindo e me abraçando tds os dias são os alvos. Esperança é bom, mas ter armas para lutar é melhor! Até mesmo quando sou lúdica, as intenções são concretas: quero que se armem! Se armem até os dentes!
Zumbi, Dandara, Mãe Menininha, Carolina Maria, Malala, Martin Luther King, Nise da Silveira. Bato na tecla que não é pra acontecer de novo. Bato na tecla que pode acontecer de novo. Bato na tecla que ESTÁ acontecendo!
A educação, quando é omissa, já escolheu seu lado!
segunda-feira, 17 de junho de 2019
Só se é, sendo!
Em uma Dança circular, pediram para oferecer ao centro da roda uma qualidade nossa.E eu ofereci “Coragem”! Em uma entrevista, comecei dizendo que sempre foi minha “falta de noção” que me levou onde eu queria. Talvez o meme “Coragem, porque noção você não tem!” se encaixe em mim de uma maneira um tanto peculiar.
Um amigo me disse que “tudo isso servirá para sua formação, sua forja, para saber o que fazer e principalmente o que não fazer” e foi um baque perceber que a minha formação se dá muito mais na prática do que nos diplomas. Principalmente a parte do que não ser e como não fazer. E igualmente, o que fazer para não ir com a maré. Como olhar para dentro e pensar “agora, tudo que você fala pra eles na sala, você vai provar na sua prática diária”. Entender que aluno não se educa pelo que você fala, mas por quem você é!
Eu só fui entender o que é ser professora quando de fato, me tornei uma! Plenamente! E isso só aconteceu semana passada!
Porque falar qualquer um fala, mas, citando outro amigo: brincar sim, é revolucionário!
quinta-feira, 21 de abril de 2016
Vão querer te por no seu lugar
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| A de garrafa, que é a mais gostosa! |
Tem um episódio na minha vida que nunca esqueço quando se
trata de lembrar que eu, apesar de ter uma graduação, estar na segunda, ter uma
pós e ter trabalhado em diversos lugares cheio de pessoas privilegiadas socialmente,
continuo não passando de uma favelada.
Certa vez, em um desses lugares que trabalhei cheio de gente
embasada teoricamente que respeitam seu lugar de fala e que choram com a
desigualdade social, houve um piquenique, como sempre havia. Mas esse era
diferente! Foi combinado que seria um piquenique “Queijos e vinhos”, ou seja,
só com coisa fina! No grupo do Facebook, ao ser questionada sobre o que eu iria
levar, pensei que talvez nem todos bebessem bebida alcóolica. Pensando nessas
pessoas, respondi que levaria uma Coca-Cola. Quando declarei isso, uma dessas
pessoas engajadas e esclarecidas escreveu no grupo que eu era “De categoria”,
que era “Queijos e vinhos e não salgadinho e refrigerante” e que “tudo bem eu
levar Coca, mas que eu fosse com a fome condizente ao que eu levaria”. Na hora
eu fiquei extremamente em dúvida se essa pessoa estava brincando ou falando
sério. Senti-me constrangida, não pertencente ao grupo e tive grande vontade de
não comparecer ao piquenique no outro dia.
Quem é da periferia sabe o quanto aqui, certos artigos são
luxo. Não interessa se você acha um horror o capitalismo selvagem que a
Coca-Cola produz e que ela destrói seu organismo. Não interessa se você acha
uma atrocidade à matança dos animais e quer que o mundo seja vegano. Não
interessa que existam vinhos do mesmo preço de uma Coca-Cola ou se dá pra comer
bem sem comer carne: o que interessa é o valor simbólico embutido nesses
alimentos! A exemplo disso, uma tia de alguém que conheço , em uma conversa
disse : “ Hoje eu sou rica! Não reclamo de nada! Eu nunca pensei que teria
carne, frango, linguiça todo dia na minha geladeira!”.
Pro pobre, certas
coisas tem uma grande simbologia de riqueza e poder, de sucesso. Porque
simbolizam fartura, simbolizam que você mais do que QUIS comer, PÔDE COMPRAR!
Muitas vezes, eu que sou hoje uma mulher acadêmica e que nos
meus trabalhos sempre convivi com pessoas que viajam pra Europa todo ano, que
ouço de olhos brilhantes eles descreverem como é o Museu do Louvre, me esqueço
de que para grande maioria, eu estar ali, vir de onde vim, ser quem eu sou,
causa um grande e indigesto incômodo!
Dão palestras e seminários sobre interseccionalidade, falam
do índio, falam do negro, falam da mulher negra e periférica, falam dos mlk
piranha dando rolêzinho no shopping, mas de uma forma assistencialista, de uma
forma de “vamos dar espaço pra eles, mas não o nosso”.
Quantas vezes eu tive que pegar 3 conduções, sair do extremo
leste, pra ir pro Parque do Ibirapuera discutir sobre “Inclusão social” ? Não é
irônico?
Ás vezes eu canso, eu penso em me por no meu lugar. Olho a
minha volta e me pergunto porque escolhi esse caminho, porque não fui fazer administraçãoo, trabalhar no banco?
Porque insisto em dar murro em ponta de faca em lugares que não me querem ali?
Mas é aí que cai a ficha: Exatamente por não me quererem, é
ali que eu tenho que estar!
Porque sou educadora.
Porque sou politizada.
Porque sou da periferia.
E porque quero abrir uma ferida bem grande no meio de vocês,
para dar passagem para mais pessoas como eu ocuparem o lugar que vocês pensam
serem exclusivos SEUS!
quarta-feira, 23 de março de 2016
É todo mundo reaça?
Meu pai é um homem simples, extremamente bondoso e
evangélico fervoroso.
Quando criança, estudou até a quarta série e logo começou a
trabalhar. Tanto ele quanto minha mãe foram jovens na ditadura militar, mas viviam em um bairro
pobre, sem televisão, passando fome e
sem conhecimento das atrocidades
que a ditadura cometia. Aliás, nem sabiam, como não sabem bem até hoje,
que viviam um período ditatorial. Eles trabalhavam para poderem se casar e
formar uma família, essa era a preocupação de ambos. Só depois de muito tempo
de casados concluíram o segundo grau com o supletivo e se orgulham muito disso
(eu também!).
Mais tarde, meu pai se tornou metalúrgico e no sindicato conheceu
o PT. Filiou-se ao sindicado e lá conheceu um representante que era pobre e
metalúrgico como ele, o Lula. Ele então, sentindo-se representado, filiou-se ao
partido e acreditou em todas as mudanças prometidas.
Como a grande maioria, sofreu muitas decepções com o PT.
Hoje em dia é um senhor aposentado que não recebe sua remuneração justa e é
revoltado com o Lula por isso. Sendo ele um homem simples e decepcionado com o
partido, é a favor de que o Lula e o PT paguem pelas promessas não cumpridas e
pela corrupção envolvida. Eu também sou.
O problema é que meu pai, como tantos outros brasileiros com
este mesmo perfil, ainda acredita no que noticiam na TV e se norteia pelos
grandes escândalos de corrupção escolhidos seletivamente pelo Jornal Nacional e
outros. Ele também acredita nas publicações do Facebook em que falam, por
exemplo, que o filho do Lula é dono da Friboi.
Pessoas com esse perfil são muitas! São pessoas simples,
honestas, gentis, trabalhadoras e que não fariam mal a ninguém, quanto mais a
um cachorro de lencinho vermelho ou a um bebê de mijãozinho da mesma cor. Aliás,
eles continuam usando vermelho sempre que essa cor está limpa.
Estamos errando e MUITO em dividir a política em duas polaridades
e colocar todos os inconformados no mesmo balaio de gatos. A senhora que teve a
aposentadoria roubada e se revolta com isso não é a patricinha que tira fotos
com o mendigo. O cara que está
desempregado há mais de um ano e acha que é culpa do Dilma não é o cara que
vota no Bolsonaro e diz que a culpa é dos nordestinos. Falta-nos compreender
que essa polarização política foi incitada pela grande mídia e não somos
Petistas contra Tucanos, comunistas contra reacionários. Há um grande espectro de insatisfações,
revoltas, defesas e argumentos que não são ouvidos e nem entendidos por
estarmos apenas em dois lados extremos. Há realidades simplesmente ignoradas,
pontos esquecidos, verdades absolutas.
domingo, 15 de novembro de 2015
Sobre não se diminuir para ser do tamanho que esperam de você
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| Última pintura que fiz! Chama-se "Sacerdotisas" |
Já tem alguns dias que venho pensando isso, mas graças a uma
conversa que tive hoje com meu namorado, deu a coragem de escrever.
Mês passado eu fui demitida do trabalho com crianças
especiais. A primeira coisa que senti foi que eu era insuficiente, uma péssima
profissional. Me culpei sem ao menos ter recebido um feedback do que tinha
acontecido. Depois de muitas idas e
vindas, tive provas o suficiente para perceber que eu estava e um lugar
pequeno, com pensamentos pequenos e que o crescimento que construí com os
alunos não era o que eles queriam.
Passei então a refletir sobre momentos em que me senti mal e me considerei errada por não ter o tamanho que as pessoas
queriam.
Permaneci em um namoro de 3 anos que minou minha auto-estima
de todas a maneiras possíveis. Porque fiquei tanto tempo com uma pessoa tão
pequena e que me diminuía a ponto de me deixar menor que ela? Porque no fundo,
eu acreditava nisso. Eu acreditava que meu tamanho era inadequado, que não
merecia se quer a pessoa que estava comigo.
Por quase 7 anos estive em um lugar que me julgava pelo
tamanho da minha roupa, pelo corte do meu cabelo. Que se eu tivesse ideias e as pronunciasse, era condenada a pedir
perdão por ser uma pessoa que ousava pensar de uma maneira diferente da qual
eles diziam que era a maneira de Deus. O tamanho de Deus.
Durante anos dei crédito a um familiar que me dizia nojenta,
fresca, metida, mal amada, egoísta,
antipática toda vez que eu demonstrava algum amor-próprio ou autoconfiança.
Hoje reflito sobre o fato de essa pessoa ter tido uma vida extremamente
difícil, na qual foi humilhada e diminuída muitas vezes e que essa é uma
maneira dela se sentir um pouco maior. Mas não pensei dessa forma quando
adolescente. Eu simplesmente acreditei.
Na faculdade, por eu falar o que pensava e ter um pouco mais
de conhecimento que alguns que ali estavam, eu fui alvo de muitas fofocas
maldosas e torcidas de nariz por onde eu passava. E eu me sentia mal, me sentia
péssima!
Dentre essas situações mais extremas, já passei por muitas
outras em que acreditei que para ser aceita e amada, eu deveria sempre ser do tamanho
que me idealizavam. Desconstruir isso em mim tem sido uma tarefa de anos e nem
sempre eu consigo. Contudo, essa recente experiência foi muito boa para que eu
pudesse repensar meu papel dentro de tudo isso e tomar algumas conclusões:
Quantas vezes acreditamos que devemos nos nivelar por baixo!
Achamos que merecemos empregos, relacionamentos, amizades medíocres e
permanecemos com alguém ou em algum lugar
que nos menospreza, pois no fundo, nós mesmos nos menosprezamos! Somos os
primeiros a apontar nossos erros, a nos condenar, a nos julgar. Fomos ensinados
que ser humilde é se deixar pisar, é ouvir calado, é se rebaixar e com isso,
vamos aceitando tudo e nos sentimos mal se por acaso conseguimos algo melhor,
por que aí, não estamos sendo “humildes”. Quantas vezes fui mal vista por declarar que sim, me
acho bonita ou inteligente, que gosto do meu trabalho, que gosto de ser como
sou? Humildade vem de “húmus”, significa terra. Significa ter o pé no chão, ter
noção da realidade! É aprender com os erros e comemorar as conquistas! É conviver
com os defeitos e celebrar as
qualidades! É saber impor seus limites e saber se permitir quando for bom para
você!
O que pretendo agora é não me manter em uma situação que me
humilhe ou diminua por achar que só assim receberei amor, aceitação. Vou passar
a, de verdade, acreditar que mereço o melhor! Estou sempre buscando me
qualificar profissionalmente, tenho uma ótima experiência, sei do meu potencial,
não vou aceitar mais trabalhos que subestimem seus profissionais! Sei das
minhas qualidades como ser humano, que não sou nem de longe uma pessoa
amargurada e mesquinha, não darei mais ouvidos a quem tenta me diminuir ao seu
nível! Não preciso entrar em debates que me fazem mal, lidar com pessoas que me
fazem mal, estar em lugares que me fazem mal! Errado está quem (ou o que) é
pequeno e tenta encaixotar as pessoas, não quem tenta se expandir!
De hoje em diante, só anda do meu lado quem quiser crescer
comigo!
P.S: No amor, já aprendi. É um outro texto que escreverei
para vocês em breve.
domingo, 25 de outubro de 2015
Texto de uma feminista de periferia
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| Simonão |
Como feminista, sou dura em criticar questões que considero
mal elaboradas dentro do próprio feminismo
e por isso já fui considerada “não feminista”, o que na verdade, me
importa muito pouco. Acredito que é por estar dentro de uma ideologia e querer
ver o mundo transformado por ela que preciso olhá-la com um olhar realista e
pouco romântico.
O que mais vejo são mulheres , em sua maioria jovens e tendo
um contato recente com o feminismo, tomando a ideologia quase como uma doutrina
religiosa, sem questionamentos e a achando acima do bem e do mal. Se você
começa a mudar sua forma de se vestir, se comportar e falar não porque tomou
consciência de que aquilo não era certo
ou bom para você, mas porque é o que o grupo diz ser o correto, você não está
sendo revolucionário, você está apenas sendo moldado. Não adianta ler Simone de Beauvoir e outros escritos se você acha que está lendo
uma Bíblia e que tudo que está escrito ali, é inquestionável. Tenho ressalvas com todas as correntes teóricas
que conheço. Sei que cada linha teórica acrescenta e muito, e todas elas trazem
benefícios, mas nem por isso irei rezá-las como cartilhas.
Contudo, o que mais
tem me irritado é o novo “Feminismo classe média”. Esse feminismo “Vai ter não
sei o que sim e se reclamar vai ter dois”, “ Miga, apaga que tá feio, seje menas,
sou lua em câncer” , “Bazar da sororiedade das mina” (porque vir na favela
DOAR as roupas de grife ninguém quer, né?). Além do elitismo rolar solto, a subestimação
de inteligência com quem é pobre é impressionante. Digo isso como mulher
periférica, advinda de escola pública e que alcançou o status de classe média
graças a oportunidade de cursar uma universidade pelo PROUNI. Cansa ver pessoas achando que você é alguém
que precisa que tem peguem pela mãozinha e te mostrem a luz porque você é da
periferia. Cansa ver branca querendo
falar por negra, achando que elas não
sabem se defender. Cansa ver feminista FFLCH se achando Madre Teresa , querendo
explicar pras mulheres periféricas o que é abuso. Não que todo mundo não
precise ser esclarecido, não que todo mundo não precise ler escritos
feministas, não que todo mundo não precise ter estudo de qualidade, mas
subestimar a inteligência de quem vive na prática, quem vê a mãe apanhando todo
dia, quem sofre na pele o que é desigualdade social, quem passa racismo á torto e á direita e achar que
essas pessoas não tem condições de pensar sobre temas como violência contra a
mulher, racismo e luta de classes porque não teve acesso a um ensino elitizado
ou não teve alguém “mais privilegiado” pra explicar é elitista e arrogante á
beça!
Saiam das suas bolhas!
Esqueçam sua prepotência mascarada de assistencialismo!
Feminismo não é aprendido só na teoria, mas também na
prática! A garota que tem que passar pelo caminho do riozinho, cheio de homens
escrotos que assediam todo dia, para chegar na escola no meio da favela pode
saber muito mais sobre misoginia do que você, que sabe de cor e salteado todas
as correntes teóricas feministas da atualidade. E vou te contar um segredo:
Talvez ela também SAIBA! Existe internet, existe biblioteca, existe uma
coisinha chamada INTERESSE que não é privilégio só de quem nasceu em boas
condições financeiras.
Talvez esse texto me faça mais odiada? Que faça! Mas não
dava mais pra engolir o que estava engasgado faz tempo! Parem de achar que
sabem mais sobre nós da periferia do que nós mesmos!
P.S: Texto escrito após ler críticas ao tema da redação do ENEM e ao fato do mesmo conter Marx e Simone de Beauvoir, já que "quem teve ensino público não conseguiria entender".
domingo, 4 de outubro de 2015
Depois da partida- reflexões religiosas
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| Desenho que fiz pro desafio #Inktober que estou participando. Todo dia tem desenho novo no Instagram, basta seguir ali ao lado <------- |
Tento não abordar esse assunto de maneira literal, pois não
quero ser tida como influencia para ninguém, nem como boa e nem como má.
Acredito que há momentos em nossa vida em que algo se faz necessários e depois
deixam de fazer, por muitos motivos. Ter uma religião fez bastante sentido pra
mim durante quase 7 anos. Fazia sentido seguir aquela doutrina, crer no que eu
ouvia e me sentir parte daquele lugar. Hoje não faz mais.
Com a saída dessa doutrina que frequentei, inúmera coisas
mudaram. Por fora todos sabem: Roupas “do mundo”, tatuagem, mudanças no cabelo,
liberdade sexual. Mas as mudanças muito mais significativas foram por dentro e
é delas que quero falar nesse post:
Minha vida está extremamente mais leve agora que acredito
que as coisas vão acontecer conforme o meu merecimento, e ainda assim, é
possível que não aconteçam, a vida nem sempre é justa e está tudo bem! As
coisas não deram errado por que : pequei; estou sendo castigada ou estou sendo
provada. Da mesma forma, as coisas não deram certo porque: Estou sendo
recompensada, é uma prova que Deus me ama (logo, se ele não dá, ele não me
ama);
Não fico mais esperando eternamente que coisas que
provavelmente não irão acontecer, aconteçam, pois sou “uma serva de Deus
esforçada e mereço isso”. Não fico mais me martirizando pela vida não cumprir
minhas expectativas e colocando isso na conta de Deus. Não fico mais esperando
milagres , embora creia que eles existam, mas não acho mais que é obrigação de
Deus fazer com que aconteçam ;
Sou muito mais humilde agora. Sei que receberei algo
conforme minha necessidade e minhas ações, e não porque “Deus quis”. Agora sou
responsável pelas minhas ações e receberei o que delas for seu resultado
natural (ou não);
E principalmente: Sou eu mesma, sem medo de estar sendo
vigiada o tempo todo por uma força invisível
(seja ela a doutrina da igreja ou o próprio Deus, que sei que não liga
para nada disso) que estará pronta a me apontar e julgar caso eu corte o
cabelo, dance o faça qualquer coisa considerada por alguém como “mau
testemunho” ;
Muitos me perguntam e NÃO, não me tornei ateia e ainda me
considero cristã, mas não sinto mais o mínimo desejo de voltar a uma religião
que mais me condena que me acolhe, seja ela qual for.
domingo, 6 de setembro de 2015
Sendo professora de seres mais que especiais!
Sou arte educadora desde 2009 e sempre tive interesse pelo público com deficiência intelectual. Em todas as exposições em que já trabalhei,
sou a entusiasta dos C.A.P.S,
C.E.C.C.O e etc. Passar uma hora com eles já me preenchia
imensamente, mas apesar do amor pelo meu trabalho , ainda me faltava
experiência e estudo sobre como lidar com tal público.
Há pouco mais de um mês, a vida tem me aberto uma porta
muito especial: ser professora de adolescentes com deficiências intelectuais
diversas. Mesmo as aulas sendo poucas e o valor idem, não pensei duas vezes em
aceitar essa oportunidade de crescimento profissional e humano. Ainda não havia
trabalhado em sala de aula como professora, então, a oportunidade de adquirir
experiência com o público que mais amo e como docente só tem a acrescentar!
Não é fácil, todos os dias tenho que me adaptar. O fato de
haver várias patologias na mesma sala também dificulta, mas não o torna o
trabalho impossível. Estar em contato com eles diariamente e poder ver seus
progressos, diferente de vê-los uma única vez na vida, como é nas exposições, é
extremamente gratificante!
Dou aula apenas para meninos, que vão de 11 a 21 anos. Há de
se entender que apesar de diferentes, são adolescentes como todos e os
hormônios estão enlouquecidos, além da curiosidade, rebeldia e interesses
comuns a qualquer adolescente. Procuro falar com eles sobre tudo, não
reprimi-los e nem tentar “moldá-los” , mas as palavras e gestos precisam de
atenção redobrada, já que a abstração é comprometida e levam tudo muito para o
literal.
Em tão pouco tempo, ouvir coisas que antes para mim eram
normais como “ idiota”, “imbecil”, “retardado” já me fere os ouvidos e me
indigna. Eu mesma tinha a mania de falar que era “meio autista” por ser mais
reservada e ter gostos peculiares e hoje me reprovo muito! Se eu soubesse como
é difícil a vida de quem tem autismo e como estamos carentes de profissionais especializados
e comprometidos que façam a vida destes ser um pouco mais inclusiva, jamais
teria feito uma analogia tão infeliz!
Embora seja algo totalmente novo, meu coração explode de
amor e ansiedade! Descubro cada vez mais que é o afeto que faz com nos liguemos,
além de claro, muita empatia. Estou
apenas no início do aprendizado e sinto que finalmente, estou fazendo algo de útil de todo meu estudo!
Conforme as coisas forem acontecendo, venho aqui dar mais uma palhinha! Peço
também ajuda para quem já tem experiência =) !
quarta-feira, 19 de agosto de 2015
Meta de leitura - Sagas (Fantasia e ficção-científica)
Não sei exatamente o porquê, mas desde a adolescência,
quando começou a febre de literatura fantástica, eu sempre tive bastante preconceito
com O Senhor dos anéis. Tentava ver os
filmes, mas eles me davam sono e os livros nunca me interessaram. Em
compensação, devorava em um dia os livros do Harry Potter. Os filmes, porém,
nunca me apeteceram.
Esse ano tentei mudar isso. Assisti a triologia de O Senhor
dos anéis em uma noite e uma madrugada, direto, quase 10 horas de filme. Fiz
até uma resenha aqui no blog. Após a maratona, tive curiosidade de ler O
Hobbit de Tolkien. Li e apesar de não amar, gostei, e isso me deu vontade de
finalmente encarar a triologia do anel. Indo nesse embalo de literatura
fantástica, decidi traçar uma meta de terminar algumas sagas inacabadas por mim
e iniciar algumas que estava delegando. Vamos conhecer quais são?
(Peço desculpas pelas imagens em baixa qualidade, são de
celular).
Harry Potter-
J.K. Rowling
Quando eu era adolescente, era alucinada por Harry Potter!
O que mais me faz admirar a saga é que J.K. não inventou o
que escreveu, ela pesquisou a exaustão e trouxe referências de inúmeras
mitologias para seu público! Cada criatura citada no livro existe em alguma
cultura! Claro que isso também aconteceu pela facilidade na criação de J.K! Não
apenas ela, mas todos os escritores de sagas seguem religiosamente A jornada do
herói e isso, mais o uso de criaturas já criadas por outros povos, facilitou
muito a história de Harry. Contudo, não vejo isso como algo ruim pelo
contrário! Isso que faz ,para mim, a história ser mais próxima e realista aos
que a leem!
No meu caso, falta ler O enigma do Príncipe e As relíquias
da morte. Ganhei de aniversário a saga completa <3!
As Brumas de Avalon- Marion Zimmer Bradley
Fui uma adolescente mística, que gostava de bruxaria,
incensos, cristais e saias indianas. E adivinhem? Ainda sou! Hahahaha!
Vi As Brumas de Avalon bem novinha, mas eu nem sabia que
existiam os livros de forma tão acessível, achava que era difícil encontra-los.
Em 2012 comprei a saga completa em um sebo, mas não sei porque, eu fiquei travada
com esses livros até agora! Tentava lê-los, mas algo me impedia, começava e
parava. Esse ano eu finalmente li A senhora da magia e meu Deus! Fiquei
totalmente absorvida pela história! Ela é extremamente rica em detalhes, é como
se eu vivesse cada momento contado! Sem falar na incrível construção das personagens
femininas! Todas tão reais que você sente como se elas estivessem do seu lado,
contando toda sua história, como se fossem suas velhas amigas! Como disse, já
li o primeiro livro da saga e estou no segundo, A grande rainha!
As fronteiras do universo - Philip Pullman
Ainda bem que eu era muito mais mente aberta com literatura
quando tinha 15 anos do que sou agora, se não, eu não teria pego A Bússola
dourada (sim, era assim que se chamava meu antigo livro que emprestei e nunca
mais recebi) na prateleira de um sebo
qualquer! Lembro bem desse dia! Li a descrição do livro, achei interessante e o
comprei! A partir daí entrei em uma viagem alucinante sobre universos paralelos
e realidades alternativas! Eu sabia que havia continuação da saga, mas como
aconteceu com As Brumas de Avalon, achava que nunca acharia essa continuação
sem ser o preço do meu rim! Mas não! Esse ano comprei a triologia
baratinha! Fiquei chateada em notar que
, como li há muito tempo o primeiro livro da saga, fiquei bem perdida ao tentar
ler A Faca sutil! Vou então reler A Bússola de Ouro antes de ler os outros dois
e sim, estou bem ansiosa! Talvez eu não goste tanto quanto gostei quando era
adolescente, mas quero muito ler!
O Mochileiro das Galáxias- Douglas Adams
Eu fui conhecer na verdade essa saga em 2012, mas só fui ler
o primeiro livro em 2014. Achei divertidíssimo, mas como estava com outras
coisas para ler na fila, não dei continuidade. Fiz um troca com uma garota super
fofa, onde troquei alguns livros pela saga completa
e um livro de poesias de Pablo Neruda! Vou ler a saga completa, desde o
primeiro livro!
O Senhor dos anéis-
J.R.R. Tolkein
E TCHARAN! Vendi meu ruim pela triologia de O senhor dos
anéis esse ano, o que me dá MUITA RAIVA já que me lembro de ter encontrado essa
triologia completa por QUINZE REAIS há 4
anos atrás em um sebo e não me interessei! Mas enfim, queria ter comprado os 3
livros separadamente, mas não encontrei no dia.
Como disse, vi os filmes apenas esse ano e embora não tenha
amado, me interessei bem mais por ler coisas do Tolkien, pois finalmente eu
compreendi a importância que esse cara teve não apenas para a literatura
fantástica, mas para toda a ambientação em fantasia que veio depois dele, tanto
em filmes, como em livros, quanto em jogos. Ele criou as línguas, os mapas, os
personagens, tudo! Maravilhoso! E sim, li O Hobbit e achei bem legal! Comecei a
ler A sociedade do anel e também estou gostando! Pena que terei de ler esse
livro só em casa, já que ele é um tanto pesado para levar por aí!
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| Aqui fiz marcações separando os 3 livros! |
Enfim pessoal, essa é minha meta de leitura! Tentarei ler um ou outro livro no meio que não seja
saga ou fantasia, mas estou focada em terminar essas sagas! Será que consigo?
Façam suas apostas!
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| Meu cantinho para sagas da estante! Meu Os Miseráveis lindo e o Morte súbita também podem ser vistos! |
sexta-feira, 20 de março de 2015
A educação e os seres invisíveis
Sou graduada e pós
graduada, sendo a graduação possibilitada pelo PROUNI. Atuo como educadora desde 2008 e desde então, tenho
frequentado diversos círculos sobre educação em todas as instituições que
passei. Nesses círculos, a grande maioria das pessoas tem o perfil de virem de
famílias já de educadores e artistas, escolas particulares e bairros
privilegiados de São Paulo, ou seja, uma realidade muito diferente da que vivi.
Sou filha de pais que terminaram o colegial depois de adultos no EJA
(Educação de Jovens e Adultos) e a primeira mulher a ter um curso superior na família.Me graduei em uma boa universidade particular em um Campus situado próximo ao meu bairro, então o perfil econômico e cultural das pessoas não era tão diferente do meu, mas os discursos acadêmicos já me incomodavam em questões que explorarei adiante.
Fiz vários cursos de extensão universitária por universidades públicas e outros de formação como educadora. Em muitos
deles, trabalhamos a questão do índio e
do negro em ambientes acadêmicos, o que muito me incomodava, já que olhando ao
redor, há pouquíssimos negros e nenhum índio que possa levantar sua fala. Me
perguntava : “Quem somos nó para estudarmos e debatermos se o índio deve ou não
se envolver no que achamos ser civilização? Quem sou eu, garota branca, pra dar
uma opinião segundo tantos livros de história que li se é exagero ou não um
negro se sentir revoltado com o termo “apropriação cultural?”.
Nunca conseguirei falar por esse índio e por esse negro que
não estava lá, mas posso falar pela moradora de favela/periferia/escola pública
que estava lá! A experiência de ver minha realidade sendo estudada e tratada de maneira
até romântica por um ambiente acadêmico me faz sentir um pouco a dimensão do
que é ser um ser invisível na sociedade, o que é acharem que entendem mais
sobre você, de acordo com estatísticas, pesquisas e visitas pitorescas ao seu
habitat natural, do que você mesmo, que vive isso. Nunca fui destratada ou
rebaixada pela minha condição de moradora da periferia (até porque tenho uma
aparência extremamente européia, o que me “camufla”, pois certamente a
experiência de uma garota negra e periférica em um ambiente acadêmico deve ser
muito diferente), mas ver-me sendo estudada, analisada pode ser sentida muitas vezes como grande agressão. Em um
desses cursos, após assistirmos o documentário “Pro dia nascer feliz”, que
trata de escolas de SP, ouvi o comentário “Não acredito que escolas públicas
sejam dessa forma. Afinal, fala-se muito de escolas públicas, mas ninguém nunca
foi lá ver como é!”.
Minha crítica não é a nenhuma instituição, mas aos ambientes acadêmicos como um todo, que tenta incluir ainda de uma
maneira excludente! Esse problema se torna muito maior quando o ambiente
é o da educação. É maravilhoso que haja hoje em dia uma preocupação com o
entendimento sobre “o outro” e a tentativa de incluir essas classes emergentes
e social /historicamente excluídas, normalíssimo então que as visões ainda sejam
estereotipadas.
Não me senti excluída como mulher, mas certamente, há 20
anos atrás, eu me sentiria por ser um cenário muito mais machista e pouco
esclarecido como é agora. Meu pensamento é, por meio de minha experiência,
problematizar ainda mais o fato de que ainda somos invisíveis, ainda somos excluídos,
mesmo agora nos “sendo permitido” ousar invadir um território que até muito
pouco tempo, nunca foi nosso. Por isso
mesmo, creio que seja obrigação nossa, que já estamos lá, abrirmos discursos e
caminhos para que cada vez mais nossa história seja contada a partir de nossas
experiências, de nossas vivências. O
academicismo ainda é branco e elitizado, mas o fato de começarem a se preocupar
com nossas realidades já mostra algum avanço. Cabe a nós agora tomarmos
nosso espaço e nos fazermos vistos, e
não apenas estudados como seres invisíveis.
quinta-feira, 20 de novembro de 2014
Porque precisamos de um dia de consciência negra?
Quando eu era adolescente, assim como muitos adolescentes,
sofri bastante bullying na escola. Tinha
todo tipo de motivo bobo pra isso, mas um dos motivos pelo qual eu mais sofria,
era por ter cabelo crespo e armado. Eu ouvia coisas como: branca do cabelo
ruim, cabelo de Barbie estragada,
vassoura, etc. Como minha mãe é cabeleireira, eram inúmeros os “Mas
porque sua mãe não cuida do seu cabelo?”, “Porque você não alisa seu cabelo?”, “Você
não tem vergonha de ter esse cabelo?”, “Porque você não usa chapinha?”, “Você
tem preguiça de fazer uma escova?”. Tudo isso entrou bastante na minha cabeça,
desenvolvi por um período Tricotilomania ( doença ligada ao TOC onde a pessoa
arranca os fios de cabelo ou pelos do corpo, podendo os engolir ou não), mas na
tentativa que ao arrancar os fios, eles nascessem “melhores”, lisos. Depois,
passei a fazer progressiva, relaxamento e várias químicas que destruíram meu
cabelo. Resumidamente, cresci, me aceitei e hoje acho meu cabelo cheio,
encrespado, sarará , a coisa mais linda que tem em mim.
O fato de eu ter sofrido esse tipo de preconceito por ter o
cabelo mais ligado ao afro que ao europeu já mostra como nossa sociedade
discrimina o que vem do negro: Meus caros, eu sou branca! Mas bastou eu ter um
traço ligado a matriz africana para que eu sofresse toda essa pressão. Não é
porque meu cabelo era feio, mal cuidado, sujo, mas simplesmente porque ele era
crespo, e cabelo crespo é cabelo “ruim”.
Jamais direi que sofri racismo, se se o disser, foi unicamente pelo fato
de algo em mim denunciar minha ascendência africana.
Todos os dias em meu trabalho, me deparo com expressões de
crianças e adolescentes, por vezes até adultos, que menosprezam as religiões
que erroneamente chamam de “macumba”. Todos os dias tento dialogar sobre como
essas religiões foram massacradas e marginalizadas por serem de um povo que
veio de uma terra cheia de magia, grandiosidade e uma grande variedade de
deuses e que nenhum deles faz mal para ninguém. Todos os dias tento mostrar
como tudo que é ligado ao povo negro é visto como mal, sujo, impuro.
É extremamente recorrente eu tentar mostrar por exemplos
simples a eles como o negro não tem representatividade em nossa sociedade: Vendo
as novelas da televisão, quantas protagonistas negras você já viu? Quantos
negros bancários, professores, donos de mansões, você já viu? E quando o negro
aparece, onde ele está? Qual a cor da pele dos empregados, dos favelados, dos
ladrões que são representados pela mídia? . Quantas recepcionistas negras, com
cabelos naturais e soltos, você vê em portas de grandes empresas? E quantas
faxineiras brancas você encontra no seu dia-a-dia? Você cresceu ouvindo que seu
cabelo é ruim, que ele precisa ser “domado”, como se você fosse um animal? Você
cresceu ouvindo que seu nariz é largo, é feio, é “de preto”? . Já te negaram
emprego pela cor da sua pele? Já questionaram sua honestidade pela cor da sua
pele? Já te ensinaram a odiar a cor da sua pele? Já te disseram que você é um
branco de alma negra? Que tudo bem você ser branco, porque Deus olha o coração?
Que você é uma “branca muito linda”? A polícia te para na rua pelo fato de você
ser branco? Na farmácia existem muitos produtos para cachear e encrespar os
cabelos? Ensinam formas da maquiagem engrossar o nariz? Existem cremes para
escurecer a pele?
Quando dizem para mim que existe meritocracia e que hoje em
dia, brancos e negros tem as mesmas oportunidades, questiono-os: Quantos
professores negros você tem? Os que já estão na universidade, quantos alunos
negros há em sua sala de aula? Isso
demonstra que negros não tem competência para os estudos? Ou será que não temos
as mesmas oportunidades?
Acho que nem precisaríamos entrar nessas questões ainda tão
atuais, se simplesmente pensássemos sobre o óbvio: Escravizaram seu povo
durante séculos? Te obrigaram a sair de sua terra e te venderam como bois? Estupraram
as mulheres da sua tribo? Te negaram o direito ao estudo, ao salário, a uma
vida humana? Venderam seus filhos para serem escravizados?
Quando dizem que não precisamos de um dia pra consciência
negra, mas para a consciência humana, me pergunto se estas pessoas tiveram
alguma aula de história ao longo de suas vidas. Em toda a nossa história,
humanos escravizaram humanos, humilharam humanos, estupraram humanos,
torturaram humanos, mas os humanos feitores desses atos acham muito fácil
esquecer o que já passou e que repercute até os dias atuais e querem um dia “para
todos, pois todos somos iguais”. É fácil dizer que é igual porque tem uma amiga
negra, um parente negro, difícil é quando
você fecha a porta do seu carro ou troca de rua quando vê um negro se
aproximar, quando diz que a meritocracia é a lei do mais forte sabendo que
negros tem um percentual baixíssimo em grandes postos de trabalho e acadêmicos.
É fácil achar que somos todos iguais quando você já nasceu com todos os
privilégios que te são garantidos pela
sociedade pelo simples fato de você ter nascido branco!
O Dia da consciência negra é muito mais que um dia para
colocarmos turbantes, sambarmos e falarmos que as mulatas são maravilhosas. Ele
é feito para um povo que foi massacrado fisicamente, religiosamente e
culturalmente durante séculos e que pouco a pouco, tenta se recuperar de anos
de danos vividos. A meu ver, apenas um
dia para isso é pouco, muito pouco. Milhares de medidas deveriam ser tomadas
para inserirmos cada vez mais na sociedade uma cultura que é tão marginalizada
pela mesma.
E não são os outros que vêem racismo em tudo, é você que
está tão inserido dentro dele, que passou a acha-lo normal. Mas ainda há tempo
para refletir , e o dia 20 de novembro é uma ótima data para isso.
quinta-feira, 3 de abril de 2014
#EuNãoMereçoSerEstuprada
Como ando muito calada sobre o assunto, resolvi me manifestar:
Creio que pesquisa foi tendenciosa. Ainda não me desce que 65% das pessoas acreditam que uma mulher merece ser estuprada pela roupa que veste, ainda mais sendo 60% dos entrevistados mulheres. Com certeza a pesquisa foi manipulada, levou a indução ao erro, selecionou uma parcela de pessoas com perfil que acreditam nisso e etc.
Sobre a campanha em si, antes, eu achava que ela não traria de fato um resultado muito amplo. Acho complicadíssimo em um país extremamente machista e que usa o corpo da mulher cm mera objetificação, achar que mostrando o corpo mais uma vez (ainda mais que só vi mulheres brancas, magras, no padrão de beleza imposto pela sociedade) alguém entenderá alguma coisa. Mas aí é que está o ponto: As pessoas não entendem, e ver como essas pessoas ainda não entendem que o corpo da mulher é apenas da mulher é que deve ser mudado! Em pouquíssimos minutos, houve muitas declarações sim, de que as mulheres que estavam aderindo a campanha MERECIAM SER ESTUPRADAS, por que elas estavam mostrando seu próprio corpo. Eu denunciei pelo menos 3 páginas contra a campanha , mas não simplesmente por elas serem contra (já que e certa forma, também não concordo exatamente com a metodologia usada pra conscientização), mas por que as páginas usavam os corpos dessas mulheres para proferirem ódio e misoginia. Vi até uma imagem "Ninguém é estuprada em casa lavando a louça". É sim! A maioria dos estupros acontecem dentro de casa, com mulheres menores de 13 anos, por pais, irmãos, tios. No Irã, a culpa pelo aumento dos estupros foi dada ao fato das mulheres que usam burca, estarem usando RÍMEL!
Não tem como dizer que a minha vergonha é do país, por que infelizmente, o machismo e a misoginia é um problema mundial! Ver esse tipo de campanha onde a mulher mostra o corpo porque quer, e não para agradar um homem, e o quanto ela é atacada por isso, só mostra o quanto estamos até o pescoço dentro de uma sociedade doente! Concordando ou não com o posicionamento da garota que tira foto com os peitos para fora, o corpo é DELA, não deixa de ser DELA e ela não merece o ter invadido e violado por ninguém! Precisamos urgentemente de políticas que ajudem não apenas a proteger a mulher, mas a conscientizar a sociedade dobre liberdade de escolha, autonomia sobre o próprio corpo, respeito e colocar de uma vez por todas na cabeça que o culpado é o estuprador, que estupro é crime, que ninguém leva ninguém a cometer um estupro, a não ser o próprio agente do estupro!Sempre haverá uma desculpa: Mostra muito o corpo, se veste muito fechada alimentando a imaginação, usa muita maquiagem, quer dar uma de santa e eu não resisti. Basta de inverter papéis! Basta de culpar a vítima!Basta de dizer que garotas de 4 ,5 anos estão provocando seus malditos pais pedófilos!Basta!Esse tipo de mentalidade tem que acabar!
Creio que pesquisa foi tendenciosa. Ainda não me desce que 65% das pessoas acreditam que uma mulher merece ser estuprada pela roupa que veste, ainda mais sendo 60% dos entrevistados mulheres. Com certeza a pesquisa foi manipulada, levou a indução ao erro, selecionou uma parcela de pessoas com perfil que acreditam nisso e etc.
Sobre a campanha em si, antes, eu achava que ela não traria de fato um resultado muito amplo. Acho complicadíssimo em um país extremamente machista e que usa o corpo da mulher cm mera objetificação, achar que mostrando o corpo mais uma vez (ainda mais que só vi mulheres brancas, magras, no padrão de beleza imposto pela sociedade) alguém entenderá alguma coisa. Mas aí é que está o ponto: As pessoas não entendem, e ver como essas pessoas ainda não entendem que o corpo da mulher é apenas da mulher é que deve ser mudado! Em pouquíssimos minutos, houve muitas declarações sim, de que as mulheres que estavam aderindo a campanha MERECIAM SER ESTUPRADAS, por que elas estavam mostrando seu próprio corpo. Eu denunciei pelo menos 3 páginas contra a campanha , mas não simplesmente por elas serem contra (já que e certa forma, também não concordo exatamente com a metodologia usada pra conscientização), mas por que as páginas usavam os corpos dessas mulheres para proferirem ódio e misoginia. Vi até uma imagem "Ninguém é estuprada em casa lavando a louça". É sim! A maioria dos estupros acontecem dentro de casa, com mulheres menores de 13 anos, por pais, irmãos, tios. No Irã, a culpa pelo aumento dos estupros foi dada ao fato das mulheres que usam burca, estarem usando RÍMEL!
Não tem como dizer que a minha vergonha é do país, por que infelizmente, o machismo e a misoginia é um problema mundial! Ver esse tipo de campanha onde a mulher mostra o corpo porque quer, e não para agradar um homem, e o quanto ela é atacada por isso, só mostra o quanto estamos até o pescoço dentro de uma sociedade doente! Concordando ou não com o posicionamento da garota que tira foto com os peitos para fora, o corpo é DELA, não deixa de ser DELA e ela não merece o ter invadido e violado por ninguém! Precisamos urgentemente de políticas que ajudem não apenas a proteger a mulher, mas a conscientizar a sociedade dobre liberdade de escolha, autonomia sobre o próprio corpo, respeito e colocar de uma vez por todas na cabeça que o culpado é o estuprador, que estupro é crime, que ninguém leva ninguém a cometer um estupro, a não ser o próprio agente do estupro!Sempre haverá uma desculpa: Mostra muito o corpo, se veste muito fechada alimentando a imaginação, usa muita maquiagem, quer dar uma de santa e eu não resisti. Basta de inverter papéis! Basta de culpar a vítima!Basta de dizer que garotas de 4 ,5 anos estão provocando seus malditos pais pedófilos!Basta!Esse tipo de mentalidade tem que acabar!
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
O ativismo de sofá e a voz das redes sociais
Pessoal, eu tenho que acordar super cedo amanhã, mas tive
que escrever esse post, que na verdade já está na minha mente há tempos!
Há um ano , estava na moda no Facebook você copiar e colar
mensagens do tipo “Se você ama a Deus, copie e cole no seu mural”, “Se você é
contra o racismo, copie e cole no seu mural”, “Se você é contra o Bullying,
copie e cole no seu mural!”. Essas mensagens me irritaram a tal ponto que
acabei conseguindo uma discussão por publicar a mensagem “Como coisa que copiar
e colar algo no mural fosse mudar algo”.
De fato não muda NADA e esse tipo de mensagem pra mim, soa pateticamente como auto-afirmação
e auto-falsa-propaganda, já que vi os PEORES (com E mesmo) compartilhando isso.
Enfim, hipocrisia define.
Mas o que eu não sabia é que EU me tornaria, e com muito
orgulho, uma ATIVISTA DE SOFÁ! Vocês sabem o que é isso? Ativistas de sofá são uma
forma pejorativa de chamar pessoas pseudo-revolucionárias, que falam muito e
nada fazem, que querem mudanças, mas não tomam atitudes. Acontece que pessoas
totalmente alheias ao mundo atual classificam nesse balaio também pessoas que
usam as redes sociais para fazer seus protestos, alegando que isso “não
adiantará nada”, já que protestar é sair batendo tambor na rua ou sei lá o que.
PURO ENGANO! E posso dizer isso com grande conhecimento de causa: eu trabalho
em um setor de pesquisa em redes sociais, faça a classificação de menções
positivas e negativas sobre determinadas marcas, tudo o que se fala sobre elas
em twitter, facebook, Orkut, etc. Portanto eu sei muito bem o quanto
esculhambar uma marca nas redes sociais se torna uma bola de neve incontrolável
pelas mesmas. Isso serve também para protestos. A SKOL foi BOICOTADA por
milhares de usuários das redes por patrocinar o festival que trará um show do
grupo de pagode NEW HIT, que são ESTUPRADORES. O boicote a marca de cerveja foi
tão grande que a mesma retirou seu patrocínio do evento, um patrocínio que lhe
renderia muito dinheiro. Mas porque? Porque ela sabia muito bem que isso
mancharia sua imagem e a faria perder muito mais do que ganharia com esse
patrocínio.
O mesmo aconteceu com as camisinhas da marca Prudence, que
fizeram uma campanha de PÉSSIMO GOSTO dizendo que sexo queimava calorias, ainda
mais se você tirasse a roupa da mulher SEM SEU CONSENTIMENTO e tentasse tirá-la
com ELA BATENDO EM VOCÊ! Sabe o que se chama isso? APLOGIA AO ESTUPRO!
Abriram-se petições contra a marca, elas foram denunciadas (tanto elas quanto
muitas outras) no CONAR e, além de ter
que retirar essa campanha da internet, ainda tiveram que fazer um VÍDEO EDUCATIVO explicando o que
é um estupro!
Esse mesmo blog pode servir como uma ferramenta de protesto
e propagação de novas ideias! Já recebi certa vez um comentário dizendo que
alguns dos meus textos estavam sendo levados em um grupo de crianças carentes
para serem lidos! Chorei ou não? Senti-me cumprindo uma missão ou não?Senti que
meu ativismo de sofá fez algo real, ou não?
Há quem diga que escrever não irá adiantar nada, que tem que levantar e fazer algo. Claro, pois isso mostra o quanto ESCREVER em si, é uma tarefa inútil,
não? O quanto Marx com seus manifestos
comunistas, Nietzsche com seus livros revolucionários, Simone de Beauvor com
seus livros feministas não promoveram mudança alguma, certo? O negócio é apenas
sair gritando na rua.Aliás, em uma sociedade onde até mesmos os protestos feitos em vias públicas como Avenidas e logradouros são vistos APENAS E ENTÃO SOMENTE como baderna e como uma forma de atrapalhar trânsito e transeuntes, usar as redes sociais torna-se a melhor alternativa! A mais rápida, a que se espalha com maior rapidez, a que agrega o maior número de pessoas que você nem sonha em conhecer e a que chega certeiro, no destino certo, sem governo para abafar ou mídia para distorcer!
OBVIAMENTE que o ativismo (ou sua postura ética) não deve
estar apenas nas redes sociais, mas em seu dia-a-dia, no seu anonimato, na sua
postura perante tudo na vida. Mas que AS REDES SOCIAIS TEM VOZ, ELAS TEM!
terça-feira, 2 de outubro de 2012
Ser livre não é se destruir
![]() |
| O primeiro amor de toda mulher deveria ser o amor próprio. |
Há dois temas que gostaria de falar no memento: Um, o livro
que acabei de ler e que ainda não digeri muito bem chamado A Casa dos espíritos
de Isabell Sllende. Não digeri não pelo fato de ser ruim, muito pelo contário,
mas por ainda estar processando em mim todos os personagens, todas as cenas,
todas as angústias e paixões que o livro me trouxe. O outro tema que q eu
gostaria de falar, mas que ando meio cansada de escrever sobre, é uma reflexão que fiz andando por uma
livraria e ver tantos livros voltados ao público feminino ensinando-as como ser
mulher nos dias atuais. Meu pseudo-feminismo muitas vezes me cansa, ás vezes
quero parar de ver isso o tempo todo. O que curto em mim, pelo menos, é que
sempre olho por uma ótica abrangente e considero tudo: cultura inserida,
contexto de época, contexto religioso, vivências pessoais e até que ponto todos
nós somos alienados, antes de fazer qualquer julgamento, seja contra um homem
ou contra uma mulher. Bem, como ainda não estou madura para escrever sobre A
casa dos espíritos, tentarei escrever sobre essas minhas observações na
livraria (não só nela).
Eu andei uma época bem “empolgada” com os discursos
feministas que ouvia meio deslumbrada, na verdade .Creio que tendo uma postura
considerada feminista por muitos desde criança, de repente conhecer toda uma
ideologia que reforçava o que sempre
quis dizer, foi um acerto bom e numa época boa, onde eu já estava mais adulta
para entender certas coisas sem minha cabeça dar um nó, mas não adulta o
suficiente para ter crítica perante o que aprendia. Esse período foi curto e proveitoso,
trouxe-me uma série de novos pensamentos, reformulações e entendimento de um
todo. O problema é que não podemos ver sempre o TODO, pois esse todo traz vários
nuances e detalhes em sua essência que não necessariamente correspondem com a
maioria.
Um discurso muito recorrente nesse “neo-feminismo” é a
liberdade da mulhe r fazer o que quiser. Sim, concordo que a mulher, sendo
adulta, vacinada e consciente, tenha o direito de fazer o que lhe dar na telha,
isso é obvio. E ninguém tem nada a ver com isso. Acontece que uma mulher nessas
condições citadas é responsável por seus atos e sabe muito bem que ser livre
não significa fazer tudo o que tiver vontade, e ela nem tem vontade de fazer
qualquer coisa, já que se conhece e se respeita como ser humano. Sabe que suas
ações muitas vezes podem refletir no seu futuro e na vida de outras pessoas e
sabe que ceder não significa submissão, mas flexibilidade e adaptação. Ou seja:
Uma mulher livre deve em primeiro lugar, ter uma mente saudável.
Lembro de uma vez em que em um desses blogs feministas que
frequentei e ainda dou uma espiadinha de vez em quando, foi levantada uma
questão no sentido “Defendemos que a mulher tem o direito de fazer o que
quiser. Se uma mulher decidir ficar com um companheiro violento, que a agrida
física ou emocionalmente, vocês a apoiariam?” Grande foi minha surpresa a ouvir
da maioria que SIM, que essa mulher seria apoiada, pois esta estaria “exercendo
sua liberdade”. Amiga, você não está ajudando mulher alguma fazendo isso! Você
não está emponderando ninguém! Não está
ajudando mulher alguma a ser livre! Você está sendo simplesmente conivente com
um regime opressor que você mesma diz lutar contra! Pergunto-me se nessa
história, a única precisando ser salva é a que escolheu viver com um agressor,
ou todas que a apoiaram por achar que isso se chama liberdade. Moças, isso se
chama doença, carência, depressão, falta total de autoestima.
Comecei a notar então que a maioria dos discursos não
enfatizavam a autoestima da mulher, a
reconstrução do que ela considerava ser mulher para si mesma, mas apenas , de
certa forma, uma eterna vitimização. Em histórias onde a mulher era agredida
pelo companheiro, não uma ou duas vezes, mas durante vários anos e até mesmo em
casos onde esta lutava para fechar os olhos, para se deixar nesse relação
doentia acreditando que ele iria mudar, que isso era prova de amor, a única
coisa que sempre vi foi o ataque ao agressor, mas nunca a conscientização da
mulher que era agredida. Nunca ouvi “procure
ajuda, procure um profissional. Porque você está fazendo isso com você? Porque você
acha que não merece algo melhor? Por que está comendo essas migalhas? Porque
continua nesta casa com este homem? Nós te ajudamos, venha se reerguer!”. Não:
sempre era o homem machista (que obviamente o é, isso não isenta sua culpa)
opressor que merecia ser preso, e a mulher vítima de tooooooodo um contexto
alheio a sua própria história de vida. Acho que qualquer psicólogo discordaria
disso. CLARO que fatores externos e uma pessoa violenta podem muito bem nos
fazer diminuir e não ter forças, mas o resgate de nossas forças e autoestima
depende somente de nós mesmos! Se você apenas mostrar para essa mulher que ela foi
vítima de um violentador, mas não mostrar que ela é uma PRESA desse tipo de homem,
ela largará esse cara e se envolverá com outro do mesmo tipo. Ensine também a
ter autocrítica, a ter amor próprio! Isso não tem nada a ver com “culpar a
vítima”, tem a ver com colocar a responsabilidade de sua própria felicidade nas
suas mãos!
Olhando os livros voltados a mulheres , notei mais do que um
desejo patriarcal de nos submeter a um sistema de humilhação, engessamento e
padrões. Notei outra coisa: Como estamos perdidas! Quantas ideologias antigas
do dia para noite foram derrubadas e como outras tão diferentes se posicionam
agora: Como a mulher que antes era considerada inteligente, hoje é considerada
sonsa. Como a mulher antes considerada vulgar, hoje é considerada empondeirada!
Como a mulher que hoje gosta de estar em casa cuidando dos filhos, hoje recebe
o título de “prostituta do lar” de maneira pejorativa, claro, sendo que a
prostituta do sexo agora é vista como uma mulher dona de sua liberdade. Qual o
problema em abraçar aquilo que você acredita? Em ser quem você é? Qual o
problema em sentir que você é amorosa, materna, meiga, acolhedora, amiga, e não
safada, vadia, super independente e
alheia a qualquer ideal de beleza?
O que é a liberdade pra
você, mulher? O que te faz feliz? Onde você acha que está errando e que pode
melhorar? Quais os seus desejos e suas vontades? Quais seus limites? Você está
feliz usando burca e sendo casta, esperando seu marido? O SEJA, desde que essa
escolha seja consciente e SUA! Você está feliz usando mini saia, fazendo
topless em protestos e lutando por uma sexualidade livre? O SEJA, desde que
você tenha plena certeza de que faz isso porque quer, e não por que outras
dizem que é assim que tem que ser.
Por isso eu digo: Antes de ater-se a qualquer movimento, a
qualquer militância, a qualquer ideologia, conheça-se ! Seja saudável! Tete curar suas feridas
emocionais, seus complexos medos. Seja
responsável por você! Tenha autoestima! Claro que na maioria dos casos, esses
movimentos te mostram alternativas de ser feliz, alternativas de se sentir bem,
mas saiba que quem ira´ “se salvar” é você mesma! Ajude-se! E amiga, ajude a
outra mulher! Ajude-a também a ver que ela está errada, que sua escolha é
incorreta, que seu desejo não deve ser atendido por carência ou desilusão. Liberdade
é responsabilidade, não só prazer. Sejamos
livres sim, mas sejamos sábias também!
P.S: A imagem foi mudada, já que algumas pessoas acharam por ela que o assunto do post era aborto ^^!
P.S: A imagem foi mudada, já que algumas pessoas acharam por ela que o assunto do post era aborto ^^!
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