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sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Morada boa

Pintura minha
Por todos os lados me fiz podada. Os galhos, antes repletos de folhas, estavam muito bem aparados.

Mas não sou árvore decorativa, ornamental, feita para enfeitar e não causar incômodo. Sou da copa volumosa, das folhas que caem e cobrem todo o chão, da que quebra as paredes, atravessa os tetos, invade as casas.

As circunstâncias me fizeram polida, mas minha natureza ruidosa já começa a fazer com que os galhos sejam maiores e despontem onde não deveriam.

Em compensação, agora aqueles que antes não tinham lugar, me fizeram casa. Casa sem porta, sem tranca, sem regras. Morada que não precisa de permissão pra acontecer. Ela é! Ela acontece!

E não adianta cortar, derrubar, enfraquecer. Vou brotar de novo. E mais uma vez!

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Em meio ao caos, Feliz aniversário

Hoje, eu completo 28 anos.

Há poucos dias atrás, um amigo meu se suicidou.

Eu nunca tinha passado por algo parecido, nunca a morte foi um soco tão forte na minha cara. Nunca! Acredito que grande parte das pessoas já pensou, mesmo que “de brincadeira”, em morrer. E mesmo quem acha que pensa a sério, descobre que era apenas de “mentirinha”  quando vê alguém do seu lado partir dessa forma, porque não há nenhuma dor imaginável que faça você compreender como essa pessoa conseguiu forças para isso! É como se a morte pousasse no seu ombro e te observasse de perto. É como uma bala perdida que poderia ter te acertado e você então, se dá conta que seu corpo ainda tem vida. 

É muito diferente de quando perdemos alguém por causas naturais, ou até mesmo brutais,mas que o levou “na hora certa”: “Era a hora dele”, “ele cumpriu sua missão na terra”. É difícil cair a ficha “ele planejou  sair desse plano”. Fica um vazio horrivelmente desconfortável, uma sensação de violência, de raiva, de inconformidade e desamparo.

É sério que ele não vai mais dobrar a esquina perto da estação de trem, abrir seu sorriso e me dar um forte abraço?

Que dor foi essa tomou esse coração? Que espírito foi esse que levou o meu amigo?

Um dia, pensei que soubesse o que era querer partir desse mundo. Hoje eu sei que isso nunca chegou aos pés da perturbação que meu amigo sentiu.

Nesse aniversário, estou sentindo meu corpo presente. Sentindo como se uma nova chance me fosse dada, como se, de verdade, a vida fosse algo precioso que precisa ser zelado. Porque enquanto eu ainda estou aqui, mil e uma coisas podem acontecer. E quando eu me for, o que mais poderá ser feito? Quem garante que há outro lado? E quem garante que, se houver esse outro lado é bom? Que será melhor do que aqui, por pior que aqui possa ser?

Esse não é um texto moralista, eu não julgo ninguém que sentiu um desespero tão imenso a ponto de tomar tal decisão. Esse texto é para perceber que estou viva, que sou resistente e que quero continuar sendo assim.


Feliz 28 anos de resistência nesse mundo caótico, que engole  sempre os melhores, pra mim!

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Broken Mirror


Sinto que estou me remontando, realocando as peças.
Ou os cacos.
Tanto meu corpo, quanto minha mente, quanto meus olhos.
E tá doendo.
Tá desconfortável ver a realidade de forma mais clara. Não está ruim.
Está DES-CON-FOR-TÁ-VEL.
Tá veramente incômodo ver a mim mesma com o grau mais acertado, assim como ver os que amo com novos olhos.
O mudo é nosso espelho, mas infelizmente, ás vezes ele precisa ser quebrado para que nós não nos deixemos despedaçar.
Mas a melhor parte disso é que você se torna cada vez mais inteira, sem precisar do reflexo do outro para medir sua própria existência.

domingo, 4 de junho de 2017

Por que sou artista

Eu não tive escolha.
Quando me perguntarem o porquê de eu ter me tornado artista, vou responder simplesmente que nunca foi uma opção, mas uma necessidade, como respirar para poder sobreviver.Foi sempre um respiro.
Eu nunca produzi nada pensando em vendas, galerias, nome  ou reconhecimento. Nunca foi uma profissão almejada, nunca foi um sonho. Sempre foi um ato de desespero, de liberdade,  de manutenção de uma vida caótica.
Eu atuei para não me cortar, para não me jogar de um precipício.
Eu escrevi para não forçar meu vômito.
Eu pintei para elaborar os símbolos do meu inconsciente.
Eu cantei para não gritar.
Eu virei noites em telas, livros, escritas, para não morrer.
A dor vinha e eu aliviava como podia, fosse com remédios, fosse com criações. 
“Artista” foi o nome que me deram, mas não o escolhi, contudo, o reconheço.  
Agradeço a Arte por ter me tomado antes mesmo de eu tê-la escolhido de maneira consciente.











Fotos de Edson Spitaletti e Roberta Perônico.
Pinturas minhas.


sábado, 20 de maio de 2017

Autenticidade gera solidão. E porque não?


Minha vida toda eu lidei com controle, tanto meu quanto dos outros sobre mim. Tenho uma grande dificuldade em deixar as coisas apenas fluírem, a ansiedade faz com que eu procure tomar a frente das minhas escolhas, antes mesmo de serem atos concretos. Estou com a cabeça  5, 10, 15 anos à frente do meu próprio tempo, imaginando como irá ser se eu fizer isso ou  aquilo. Não me permito parar nunca, estou sempre em movimento, seja ele externo ou interno (o que é  frequente). Contudo, meu controle é exercido unicamente sobre a minha vida, ele não tenta agir na vida de terceiros. 

É estranho falar isso, já que sou uma cuidadora por vocação e formação, mas cuidar de gente é diferente de cuidar da VIDA de gente. Eu quero saber se posso ajudar de alguma forma, me mostrar presente e prestativa, aberta a ouvir quando necessário. Me preocupo com o bem estar das pessoa, tanto que fiz desse “dom” uma profissão. Porém, acredito que uma forma de cuidar é deixando que cada um tome suas próprias decisões e entendendo que o outro é o outro e não me deve satisfação nenhuma, assim como eu não devo a á ele, há não ser que seja algo que envolva as duas partes.

Esse meu jeito de ser causa um enorme desconforto nos que me cercam. A forma como eu pareço não me preocupar com o que as pessoas possam  pensar sobre minhas atitudes fere bastante egos alheios. Muitos me alertam, sei bem, como uma forma de proteção. Mas proteger do que? Da opinião de quem se quer tenho convívio? Dos pensamentos de pessoas cheias de recalques e projeções?

Além disso, algo que nunca consegui  foi “parecer”.

Principalmente no meio profissional, aprendi que não basta você ser competente, ser dedicado,ser bom no que faz, você tem que “Parecer” e na maioria das vezes isso pesa mais que o “ser”. Tem que parecer ser bom profissional, seja para seu chefe, para seus colegas, você precisa construir uma imagem. O tempo todo,tem que estar se afirmando e “mostrado serviço” para ser reconhecido.

Mas, mesmo minha personalidade sendo maior que essa pressão, a sensação de não me encaixar nas expectativas alheias também me traz algum sofrimento. É como se , sendo quem  sou, estivesse fadada à solidão, como se eu fosse de certa forma, decepcionante .

Esses dias conversei sobre isso com minha psicóloga, como já tentei me enquadrar em modos de vida de outros para não me sentir sozinha, sempre sem sucesso.  Ela me disse algo como: “Todos nós estamos sozinhos, você escolhe se vai ser feliz sendo você mesma ou tentando agradar aos outros.”

É meio dolorido, mas como dona das minhas escolhas, decidi que vou pagar o preço de estar mais só sendo quem sou, que junto sendo quem gostariam que eu fosse. Desisti de querer parecer, me contento em ser.Contento-me em saber o suficiente a respeito de mim mesma , á ponto  de me permitir transparecer ser coisas que não sou á quem nem se quer me interessa!


Ser você mesmo é difícil, traz uma certa solidão. Mas agora sei: Antes só do que mal acompanhada!

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Calejar


Ao mesmo tempo em que denota amadurecimento, é estranho perceber o quanto o “calejamento” se instala na gente. Aquilo que antes doía tanto já não causa a mesma sensação. Aquilo que era tão importante, se torna comum. O que era motivo de extrema felicidade se torna rotina. Aquele tempo dispensado pensando sobre assuntos que te tiravam as paz, agora é gasto com problemas muito mais concretos, como os boletos que vem todo mês. E a vida vai se tornando um compilado de obrigações salpicado de alguns momentos de insensatez - para não perder a sanidade.

E tudo vai ficando monótono, apático...

O positivo é que você não passa mais horas chorando pelos sentimentos que antes te corroíam e nem sente mais tão funda a ferida que sempre esteve ali. Ela já não incomoda tanto, pois foi superada por dores maiores.


Você percebe que nada é mais tão essencial como fora, que outras urgências surgiram e que a vida é muito diferente de poucos meses atrás. O amor é mais brando, o ódio também. Os ciúmes, a inveja, o rancor...nada disso pesa quanto antes. Mas o que dói é ver o amor se aquietar.

domingo, 9 de abril de 2017

Talvez


Nem todas as mudanças são boas de viver. Às vezes, as mudanças doem e é por isso que inconscientemente a evitamos tanto.

É realmente difícil se dar conta de que algo que já te fez feliz talvez não esteja mais dando certo. É doloroso notar que não foram faltas de tentativas, não foram erros. Acontece que certas coisas são como são e não há porque se magoar com isso ou culpar as partes. Chega uma hora que simplesmente temos que aceitar a natureza e seguir em frente. Ainda assim, é uma atitude difícil, é um passo que machuca, mesmo sabendo que é o melhor á ser feito.

Tenho medo das consequências de minhas escolhas, por isso mesmo elas são muito bem pensadas. Gostaria de poder ver meu futuro e saber se acertei ou não.  Então vou adiando minhas decisões, por que sei que quando tomadas, elas são definitivas. Tenho medo do definitivo, tenho medo de errar.


Já se esgotaram as possibilidades, o que poderia ser feito, já foi. Agora é esperar as consequências dos nossos atos.