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domingo, 15 de novembro de 2015

Sobre não se diminuir para ser do tamanho que esperam de você

Última pintura que fiz! Chama-se "Sacerdotisas"

Já tem alguns dias que venho pensando isso, mas graças a uma conversa que tive hoje com meu namorado, deu a coragem de escrever.

Mês passado eu fui demitida do trabalho com crianças especiais. A primeira coisa que senti foi que eu era insuficiente, uma péssima profissional. Me culpei sem ao menos ter recebido um feedback do que tinha acontecido.  Depois de muitas idas e vindas, tive provas o suficiente para perceber que eu estava e um lugar pequeno, com pensamentos pequenos e que o crescimento que construí com os alunos não era o que eles queriam.  

Passei então a refletir sobre momentos em que me senti mal e me considerei errada por não ter o tamanho que as pessoas queriam.

Permaneci em um namoro de 3 anos que minou minha auto-estima de todas a maneiras possíveis. Porque fiquei tanto tempo com uma pessoa tão pequena e que me diminuía a ponto de me deixar menor que ela? Porque no fundo, eu acreditava nisso. Eu acreditava que meu tamanho era inadequado, que não merecia se quer a pessoa que estava comigo.

Por quase 7 anos estive em um lugar que me julgava pelo tamanho da minha roupa, pelo corte do meu cabelo. Que se eu tivesse ideias e as pronunciasse,  era condenada a pedir perdão por ser uma pessoa que ousava pensar de uma maneira diferente da qual eles diziam que era a maneira de Deus. O tamanho de Deus.

Durante anos dei crédito a um familiar que me dizia nojenta, fresca, metida, mal amada, egoísta,  antipática toda vez que eu demonstrava algum amor-próprio ou autoconfiança. Hoje reflito sobre o fato de essa pessoa ter tido uma vida extremamente difícil, na qual foi humilhada e diminuída muitas vezes e que essa é uma maneira dela se sentir um pouco maior. Mas não pensei dessa forma quando adolescente. Eu simplesmente acreditei.

Na faculdade, por eu falar o que pensava e ter um pouco mais de conhecimento que alguns que ali estavam, eu fui alvo de muitas fofocas maldosas e torcidas de nariz por onde eu passava. E eu me sentia mal, me sentia péssima!

Dentre essas situações mais extremas, já passei por muitas outras em que acreditei que para ser aceita e amada, eu deveria sempre ser do tamanho que me idealizavam. Desconstruir isso em mim tem sido uma tarefa de anos e nem sempre eu consigo. Contudo, essa recente experiência foi muito boa para que eu pudesse repensar meu papel dentro de tudo isso e tomar algumas conclusões:

Quantas vezes acreditamos que devemos nos nivelar por baixo! Achamos que merecemos empregos, relacionamentos, amizades medíocres e permanecemos com alguém ou em  algum lugar que nos menospreza, pois no fundo, nós mesmos nos menosprezamos! Somos os primeiros a apontar nossos erros, a nos condenar, a nos julgar. Fomos ensinados que ser humilde é se deixar pisar, é ouvir calado, é se rebaixar e com isso, vamos aceitando tudo e nos sentimos mal se por acaso conseguimos algo melhor, por que aí, não estamos sendo “humildes”. Quantas vezes fui mal vista por declarar que sim, me acho bonita ou inteligente, que gosto do meu trabalho, que gosto de ser como sou? Humildade vem de “húmus”, significa terra. Significa ter o pé no chão, ter noção da realidade! É aprender com os erros e comemorar as conquistas! É conviver com os defeitos e  celebrar as qualidades! É saber impor seus limites e saber se permitir quando for bom para você!

O que pretendo agora é não me manter em uma situação que me humilhe ou diminua por achar que só assim receberei amor, aceitação. Vou passar a, de verdade, acreditar que mereço o melhor! Estou sempre buscando me qualificar profissionalmente, tenho uma ótima experiência, sei do meu potencial, não vou aceitar mais trabalhos que subestimem seus profissionais! Sei das minhas qualidades como ser humano, que não sou nem de longe uma pessoa amargurada e mesquinha, não darei mais ouvidos a quem tenta me diminuir ao seu nível! Não preciso entrar em debates que me fazem mal, lidar com pessoas que me fazem mal, estar em lugares que me fazem mal! Errado está quem (ou o que) é pequeno e tenta encaixotar as pessoas, não quem tenta se expandir!

De hoje em diante, só anda do meu lado quem quiser crescer comigo!


P.S: No amor, já aprendi. É um outro texto que escreverei para vocês em breve.

8 comentários:

  1. Estou passando por algo parecido e cara, é TÃO díficil.Mas suas palavras me fortalecem,sabe?
    A sociedade não ajuda nada também né?Também já passei por várias situações assim( e ainda passo e ainda me questiono), mas com o tempo aprendemos a NOS dar valor e isso realmente é o maior presente que nos damos todos os dias.

    Lindo texto :)


    beeijos
    http://carolhermanas.blogspot.com.br/

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  2. Adorei o texto e penso sempre o quanto somos parecidas. As vezes até nos damos conta disso tudo, mas colocar em prática é complicado. Espero que você consiga melhor que eu e que possa crescer sempre sempre sempre.

    Beijos :*

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  3. Quando vc descobre, se conhece a ponto de saber o tamanho que vc tem, fica bem mais fácil ficar tranquila diante de algumas decepções como ser demitida. Quando fui demitida da primeira escola particular que eu trabalhei, eu nem tive coragem de dizer em casa, me senti um lixo. Eu sabia que apesar da minha inexperiência, eu fui mandada embora injustamente, sem uma conversa, sem nada... a partir daí, minha vida mudou. Hoje quando sou chamada pra entrevistas em escolas, já falo logo quem eu sou, o que eu quero, o que é dar aula pra mim. Foi bom ter sido mandada embora daquela escola. Aprendi mais do que qq coisa. Fique bem e se conheça, se conhecer é o segredo pra tudo.

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  4. Olá, tudo bem?
    Que texto reflexivo. Acredito que temos que manter pessoas que nos querem bem e que venham a entender as nossas mudanças, afinal todo mundo muda é algo extremamente necessário (embora exista um limite que a pessoa mesmo tem que encontrar, não ninguém se intrometer).
    Até mais, http://realidadecaotica.blogspot.com.br/

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  5. Alou Dayane! Cada vez mais, te observo de cara lavada, desnuda e muito madura em seus textos/reflexões. Seus escritos são um convite e chegaram ao delicioso ponto de serem incômodos, diretos. Textos sem bordados, escritos em papel de pão, com urgência. Muita sorte pra ti em tudo o que fizer.

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  6. Oi Day,

    Adorei a reflexão, e te digo o seguinte: Já passei muito por isso, e passo até hoje, mas lendo o teu texto realmente a gente não deve aceitas as metades, viver de meios, temos que ser inteiros.

    Também quero do meu lado só quem quiser crescer, e não me pôr pra baixo.

    Beijo.
    http://www.portiprati.com/

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  7. Ah peguei um trecho da tua postagem pra pôr no meu face, claro que com o créditos. Espero que não se importe.

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