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segunda-feira, 18 de maio de 2015

Voltar

É à noite. Pego a xícara que mais gosto e um cobertor, vou em frente ao computador e coloco meu seriado preferido, ou m filme que eu já assisti muitas vezes, mas sempre é bom rever. Espero todos dormirem para curtir esse momento de estar comigo mesma, desfrutando de minha própria companhia, fazendo exatamente o que queria fazer.

Entro no meu quarto. Vejo todos os livros que amo bagunçados. Vejo minhas caixas de música, ambas tão especiais pra mim, meus bonequinhos do Mário, os novos da Hora da aventura, minhas bonecas, minhas bijuterias e penso “tenho que por ordem em tudo isso, é tudo meu,  e está uma bagunça!”

Estou em uma roda de amigos e começamos a falar sobre infância e adolescência. Começo a relembrar de uma maneira muito gostosa coisas que me marcaram. Passo a cantar a abertura da Sakura Card Captors, do Dragon Ball Z e do Tench Muyo. Relembro todos os personagens do Harry Potter, o  HQ O corvo e como esse também era meu filme favorito na infância. Relembro a casa da minha avó , as sementes de girassóis, meu primo apaixonado ouvindo Linger repetidas vezes (essa música que embala tantas coisas boas em minha vida). Lembrei até de algo lindo que havia esquecido, que era meu irmão e eu deitados na rede, eu apontando as estrelas e ele “ Não aponte as estrelas, que nasce um berruga no seu dedinho!” , “Fabinho, em qual estrela será que a Zula mora? Já pensou começar a cair um monte de bolas azuis aqui no quintal?” e procurávamos juntos em qual estrela a Zula morava.

Nada disso eu sentia há pelo menos 5 anos!

É um prazer que só quem passa ou já passou pela depressão vai entender. É voltar a sentir-se viva, sentir-se presente, sentir-se novamente dona do seu corpo e da sua história. Não que eu não visse mais filmes, não lesse mais livros, não arrumasse minhas coisas ou não lembrasse  do que já vivi. Mas é um recordar com sabor, com som, com  vida. É voltar a sentir-se pulsando, fazendo parte do mundo. É ver o mundo em cores. É reconhecer-se, gostar-se, amar-se. Perdoar-se. É  voltar a ser você mesma. E que saudade, que saudades eu tinha de mim!

Cada dia mais, sinto que estou me libertando de pesos, julgamentos, lembranças e crenças que me faziam estar nesse estado de tristeza permanente e começo a valorizar todas as coisas boas que aprendi durante esse período tão difícil. Nos momentos de recaída, aproveito para me aprofundar no que me faz mal e resolver essas questões em mim mesma, diferente de antes, onde parecia não haver saídas.


Hoje comentei com meu namorado como tenho evoluído em tão pouco tempo e ele me disse “Será que é só a terapia, ou você não está mais madura?”. Acho que sim. E diferente do que escrevi anteriormente, não sou frágil pelo contrário, estou cada dia mais forte.


2 comentários:

  1. E lembre-se de não se calar, lembre-se de dizer. Quantas pessoas por aí, ainda sem enxergar saída, lerão várias e várias vezes, sobre esse 'é possível'. A depressão é engolidora.
    Siga sempre! Supere-se sempre, tente e tente e tente.
    Feliz com voce! :)

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