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quinta-feira, 7 de maio de 2015

Frágil


Alguns cacos meus consegui recuperar e ficaram quase como os originais. Outros estão estilhaçados e fico tendo que os colar diversas vezes. Muitos  fui pegando ao longo do caminho, buscando em outras pessoas, o que elas diziam ser bonito ou aceitável e fui colando em mim. Pedaços que eu achava importantes meus, cheguei a tirar, já que disseram  lembrar outros vasos feios.

Mas o que me falta é a estrutura, o equilíbrio e também, assumir meus próprios pedaços, ainda que muitos estejam tão diferentes de como os conheci.

Estou feliz por ter conseguido reerguer a aparência, mas a estrutura ainda está sendo construída. Qualquer vento me balança, qualquer esbarrão me desmonta. Queria que existisse em mim algo onde pudessem ler  “em construção” ou “peça frágil”  para que parassem de me balançar, esbarrar, vociferar, se apoiar e começassem a perceber que preciso de cuidado, de tempo, de paciência. Hoje mesmo, algumas peças tornaram a cair e me senti impotente em juntar os cacos. Mas vou fazer isso, farei isso até o fim. Só gostaria que me ajudassem em vez de acusarem sempre a forma como sou desajeitada  e que outros vasos em meu lugar, seriam mais fortes.


Por favor, eu já consegui reconstruir aqui fora. Mas ainda está difícil reconstruir aqui dentro.

4 comentários:

  1. http://lounge.obviousmag.org/proparoxitonas/2012/10/kintsugi-ou-a-beleza-da-imperfeicao.html

    Kintsugi, como várias metáforas do Zen, é a metáfora de que as coisas são impermanentes e vão se quebrar, com o tempo: mas ao se quebrarem, as coisas ganham história e personalidade. Assim como um osso se torna mais resistente onde já se partiu uma vez, também nós podemos nos tornar mais fortes pelas nossas feridas, desde que as aceitemos.

    Não é uma crítica ou um louvor - cada um sabe o tamanho do peso que carrega e a força que tem pra levá-lo - mais uma constatação. Parabéns pelo texto, Day. :*

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  2. É aos poucos que a vida vai dando certo, moça.
    Sabe algo que observo? Tenho uma aparência muito forte, não tenho muito medo de dizer o que penso não. Alias, raramente tenho medo...aíiii...me acham forte de mais! Me cobram de mais. E até, por conta disso as vezes me deixam de lado, afinal, sempre dou meu jeito! rs
    Sabemos, não é assim...
    Segue rumo. Só termina quando acaba. E só acaba quando paramos de respirar.
    Vejo flores em voce.
    Ass.: Uma antiga admiradora.

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