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domingo, 15 de março de 2015

Porque serei a véia dos gatos

A exigência comigo mesma e com as pessoas com quem me importo é uma constante na minha vida. Creio que com a idade, essa minha característica tenha ao mesmo tempo se acentuado e se tornado mais flexível. Acentuado porque procuro cada vez mais fontes fidedignas para meus estudos e relações; flexibilizado pelo fato de me permitir relaxar mais e saber que é impossível alcançar a perfeição. Tudo isso  serviu para que eu sempre buscasse o melhor para mim: Não basta dizer “que gosto de ler” e ler coisas superficiais que em nada me acrescentam, por exemplo. Quando mais nova, até conseguia, mas está cada vez mais impossível me concentrar em uma leitura que apenas repita clichês e nada me ensine.  Acho perda de tempo gastar minutos preciosos do meu dia lendo repetições de historinhas que deram certo, até por essa questão ando mais voltada a literatura acadêmica, mas continuo amando a literatura quando esta não é só um enlatado cultural disfarçado de “cult”. Também não basta ver um filme, tem que conter reflexões  e tramas que me façam sentar e querer ver o que está passando (e olha que amo cinema!).  Do mesmo jeito, não basta ouvir uma música, não basta ter um namoro, não basta ter um trabalho etc, etc, etc. Gostaria de ser uma pessoa mais “leve”, que se permite  ver um filme mais pipoca ou ler uma história mais floreada e sem rodeios, mas enfim, não faz parte de mim. Sofri, mas aceitei minha chatice que muitas vezes, me leva a uma sensação de solidão.

Mas acho que o lado mais ambíguo desse meu defeito/qualidade é o de exigir boas argumentações e brincar de “jogo dos sete erros” em discursos repetidos por aí. Não me deixo convencer por um bom marketing pessoal, sempre tento ler o que há por trás das intenções da mídia, das ideologias e principalmente das pessoas e assim como não sou de  me dar colher de chá, não passo a mão na cabeça de ninguém.

O bom disso é que (como disse minha psicóloga), sou uma pessoa extremamente difícil de ser manipulada,  o que não quer dizer que não possa acontecer, como já aconteceu, mas até mesmo essas vezes em que sofri uma manipulação me serviram para refletir ainda mais sobre  todos estes aspectos. O lado ruim é que é fácil se sentir excluída da rodinha de cerveja, dos clubinhos feministas, dos grupinhos onde todo mundo pensa igual, pois geralmente, ou dou minha opinião sobre determinado assunto e todo mundo me olha com cara de bunda, ou fico calada, apenas acenando e sorrindo. Embates em relacionamentos é o que mais tem também! Homens são ensinados por nossa cultura patriarcal que mulheres gostam de agradar e que a razão lhes pertence  e quando se deparam com a mulher pensando e lhes provocando intelectualmente, voltam ao seu estado de meninos birrentos quando são contrariados.


Ao longo do meu amadurecimento, tenho aprendido a guardar minhas opiniões e concordar para não discutir. Ninguém é obrigado a pensar como eu, e muito menos eu sou obrigada a pensar como os outros. Cada um lê, vê, se porta e acredita no que quiser. Se houver espaço para um diálogo, fico feliz e disposta, mas não curto  “debates” onde o objetivo é obrigar o outro a concordar com suas ideias e prezo muito gente que consiga ouvir um “não concordo com  você”  ou "você está errado" sem achar que está sendo ofendido. Enquanto muitos não aprenderem que “é a minha opinião” não é argumento e nem te dá o direito de falar qualquer bobagem que lhe venha a cabeça, prefiro me manter acenando e sorrindo e preservando minha paz mental.

Um comentário:

  1. Poleeemicaaas :)
    Estão legais seus textos moça.
    Tenho seguido esta linha, de ao mesmo tempo me lembrar que não sou o dono da verdade e também de aprender a não agir como se a verdade do outro fosse fruto apenas de desinformação, mal intenção ou qualquer outra coisa.

    E sobre essa parte dos problemas de buscar sair da linha do mediano em relação a filmes, músicas, livros, etc. Tb sinto esse dilema de as vezes parecer chato por não achar "se eu fosse você" o melhor filme brasileiro. (só um exemplo) ou de parecer o arrogante.
    é preciso muita luva e delicadeza com as palavras para contornar essas situações hahaha, mas a gente vai aprendendo.

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