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terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Internet e as pessoas



Tenho blog desde os meus 14 anos e os iniciei com desejo de partilhar o que eu pensava e sentia com relação ao mundo. Além do fato de escrever e expressar minhas emoções, outra coisa muito benéfica  foi começar a ter contato com pessoas que passaram pelo mesmo que eu, pensavam da mesma forma ou até mesmo diferente, mas entravam em contato e comentavam sobre o que eu havia escrito. Então, eu ia até o blog deles , lia o que escreviam e fazia a mesma coisa. Com isso, fomos formando uma grande rede de apoio e amigos virtuais que me ajudaram muito em momentos que precisei.

Porém, nunca fui de fazer amizade com facilidade. Sou receptiva e amigável, mas dificilmente consigo me abrir com pessoas que mal conheço e até mesmo com as que conheço. Esse foi um dos fatores que me levou a depressão, já que eu não tinha com quem dividir o que me afligia. Era muito fechada e pensava que não iriam me entender. Quando entrei no Facebook, comecei a interagir mais por meio de grupos fechados sobre assuntos específicos,  no caso o MBTI, um assunto pelo qual me interessava muito na época. Nesses grupos conheci pessoas fantásticas, com as quais passei a me relacionar e conviver fora da internet e que até hoje, considero como melhores amigas. Eram grupos com pessoas com tantos problemas parecidos, tantas angústias, medos, expectativas, que acabei passando, sem saber, por uma terapia coletiva. Muitos dos meus traumas, medos, dúvidas foram tratadas ali e vi o amadurecimento de vários que também participavam.

Conheci pessoas sem caráter, aproveitadoras, caluniadoras e etc? Conheci sim! Cheguei, inclusive, a criar “inimigos”. O problema da internet é o mesmo que o da vida real, de existirem pessoas que não gostam do seu jeito, da forma como você é e se expressa, da sua personalidade ou até mesmo de atitudes que você tem. Em qualquer lugar, sempre haverá quem não gosta de você. Mas na internet as pessoas podem falar  o que quiserem, então fica muito mais fácil ser mal educado, grosso, rude e até mesmo cruel por aqui. Acompanho alguns vlogs e vejo a quantidade de comentários depreciativos que os vlogueiros recebem por estarem ali, ora falando de assuntos genéricos, e ora falando de suas vidas, opiniões. É muito mais fácil apontar o dedo e ser “hater” quando não se está frente a frente com alguém. Hoje sou muito mais cuidadosa com o que e quem eu exponho, mesmo involuntariamente, pois já passei dessabores por isso e também porque não é nada legal você se expor de mais para quem não está ali para te ajudar, mas para julgar você, muito menos expor pessoas que estão a sua volta. Mas ainda gosto de usar essas redes todas para conhecer pessoas e  falar sobre ideias, e porque não?, sentimentos! Claro que pela internet devemos tomar um maior cuidado com o que escrevemos e com quem partilhamos isso, pois essas mensagens ficam gravadas, não são apenas palavras que depois passam.

Eu considero esses amigos que fiz tão amigos quanto todos os outros, mesmo alguns deles ainda não conhecendo pessoalmente. Acredito que não se conhece alguém só porque o viu cara a cara, isso não é garantia de nada! Posso crer piamente que aquele colega de faculdade que senta do meu lado todos os dias é meu amigo e ele se mostrar um grande de um pilantra, assim como posso conhecer essa pessoa pela internet e idem. Quem garante que aquele cara que conheci num barzinho, aparentemente bonito e bem cuidado, está me dando seu nome real, sua visa real e revelando suas reais intenções?

Hoje sou uma pessoa que em vez de ficar calada, preciso conversar com alguém para me sentir melhor e menos aflita, mas já tenho pessoas com as quais sei que é mais seguro confiar. Contudo, não me arrependo das épocas em que precisei dos grupos para me sentir mais acolhida nessa vida. Agora uso os grupos mais para discussões politicas e artísticas, e continuo achando que essas trocas de ideia valem a pena!

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