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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Aos que me dizem mais bonita

Com 14 anos, quando me achava horrível!
Muitas pessoas tem abordado a mim e a conhecidos meus para dizer que mudei muito, que estou aparentemente mais feliz e mais bonita. Minha melhora na depressão é notória e isso me deixa muito orgulhosa de mim mesma! Nunca fiz segredo pra ninguém que tenho essa doença chamada depressão, pelo contrário, gosto de falar sobre isso para ajudar e mostrar a outras pessoas que ela não é uma sentença e nem um limitador na sua vida.  Se torna, com o tratamento adequado, apenas mais um nuance que você precisa aprender a lidar.  Já fui diagnosticada com depressão severa e sei muito bem as dificuldades que ainda enfrento no dia-a-dia por conta dela (inclusive comentários maldosos de gente desinformada –que pensa que depressão é corpo mole- e pra quem eu não devo satisfações) , mas nunca deixei de crescer, conseguir ser competente no que faço, de me relacionar, me divertir, estudar, trabalhar. Já cheguei a, em um momento de muita crise, me demitir de um lugar onde o trabalho em si, naquele momento, estava me fazendo muito mal pelas inúmeras exigências e responsabilidades que eu estava arcando (havia sido promovida e com isso, as responsabilidades cresceram muito, mas foi o lugar em que trabalhei onde fui tratada com mais amor e respeito até hoje), e antes que isso começasse a prejudicar a empresa, resolvi ter um tempo para respirar e rever minhas prioridades. E as revi, e isso me fez um bem enorme!

Com uns 20 anos, época da faculdade.
Comecei a escrever sobre isso porque notei que com a melhora da depressão, algo que antigamente me atingia muito, já não atinge mais: o bullying que passei nos tempos de escola e faculdade. Eu tinha um complexo de inferioridade muito grande (que algumas vezes ainda me pega, devo admitir)  e este com certeza foi alimentado por esses momentos da minha vida. Eram lembranças que volta e meia vinham me fazer mal. Na escola, nunca fui agredida fisicamente por conta de bullying, mas era a mesma história de muitas garotas: alta de mais, magra de mais, espinhas de mais, óculos, cabelo considerado “ruim”(não liso) . Beijei bem tarde por conta de tantos complexos, tive muito ódio dessas pessoas que me rebaixavam e diminuíam, alimentava desejos de vingança, etc. Conforme fui crescendo, enquanto essas lembranças ainda me consumiam, eu não conseguia ver como eu era bonita e muito mais que aquilo tudo. Continuei me comparando, me sentindo feia, esquisita, menor e  fiquei com aquela mania de perseguição, achando que onde eu fosse “Não gostam de mim! Não falam comigo! Excluem-me! Menosprezam-me!”, não notando que era eu que me sentia assim  e isso fazia com que as pessoas não se aproximassem mesmo. No caso da faculdade, eu fui meio perseguida por, na época sendo evangélica, não me encaixar na imagem que as pessoas tinham de como deveria ser um evangélico: submisso, preconceituoso, que não pensa, não questiona, que se esconde do mundo. E eu sempre fui totalmente o contrário disso. Piorou muito quando resolvi que meu TCC seria sobre Arte Tumular. Isso criou milhares de fantasias maldosas e fofocas sobre mim. Terminar a faculdade foi uma libertação. Essas coisas todas, tanto da escola quanto da faculdade, me criou uma ferida muito grande e que eu pensava jamais fechar, até porque eu não queria que fechasse! Aquela coisa de “Nunca vou esquecer o que me fizeram,  blá blá blá”.

Mas quer saber? Passou! Passou totalmente! Comecei a notar que essas coisas todas não aconteceram apenas comigo, mas com milhares de pessoas e que nada disso me definia. Todo mundo quando é adolescente se acha feio, é esquisitão, está em fase de crescimento, normal então ser todo torto, magro ou gordo de mais, alto ou baixo de mais, todos são assim! Quando paro pra lembrar das crianças e adolescentes que faziam isso comigo, noto que eles também eram assim! O fato de escolherem alguns alvos para serem os mais humilhados infelizmente acontece e isso gera muita dor em quem sofre. Mas e aí, vou viver com isso pra sempre?  Todos que agiram dessa forma nem se lembram mais, a vida de todos mudou e com certeza a cabeça deles também. Capaz que eu os encontre na rua e eles fiquem felizes em me ver, como se nada tivesse acontecido. Não estou dizendo que quem sofreu  bullying tem obrigação de esquecer ou perdoar, mas que isso aconteceu comigo conforme fui amadurecendo e vendo que as pessoas mudam, a vida muda, a cabeça de um jovem de 13 anos não é a mesma de uma pessoa de 25 e que eu não posso pautar minha vida por coisas que passei aos 12, 13, 14 anos. Hoje sou diferente, eles são diferentes. A mágoa que eu tinha por conta disso se foi, e isso foi muito bom pra mim. Quanto às pessoas da faculdade, tirando os amigos que fiz, ninguém me faz falta e pelo que eu saiba, ninguém evoluiu muito com o pensamentozinho retrogrado que tinham, isso não fez ninguém superior a mim, ninguém cresceu fazendo fofoca e alimentando disputas. Isso é coisa de gente pequena e mesquinha, só o que posso é lamentar por essas pessoas. E em compensação, na pós graduação (sim, me formei! Agora sou uma Arteterapeuta Junguiana <3)  conheci as pessoas mais acolhedoras e maravilhosas da minha vida, a quem devo muito minha evolução!

Por isso mesmo, como iniciei esse post, fico feliz em ver que estou , de verdade, muito melhor e mais bonita, porque “embonitei” por dentro. Evolui muito, amadureci um bocado, perdoei, me libertei de muito peso, rancor e culpa. Nem acho que por fora estou diferente, a única coisa diferente que fiz foram as tatuagens, mas de resto, tirando uma maquiagem aqui, um brinquinho ali, continuo igual, a mesma magrela espinhenta  de sempre! Mas a beleza de fora se deve unicamente a toda a mudança que ocorreu por dentro, e isso sim, é algo realmente valoroso e pelo qual posso me envaidecer!



Eu, agora!

3 comentários:

  1. Nossa... acabei de conhecer teu blog por esta postagem! Muito bacana, me identifico e estou na faculdade ainda... Espero que depois da faculdade aconteça comigo como aconteceu com você!
    Bonitas palavras, e corajosas também... me emocionou! Você fez psicologia?
    um beijo, muita luz!

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    Respostas
    1. Oi Juliana!Que legal que conheceu meu blog, seja sempre bem vinda!
      Depois da faculdade vc vai se sentir mais madura =).
      Eu fiz um ano de psicologia, mas não me formei! Eu me formei em Artes visuais!

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  2. Em dúvida se meu comentário foi... vou comentar de novo.

    Você sempre foi linda, Day, e continua. Que bom que agora você enxerga o que o mundo já via, isso me deixa muito feliz. :)
    Faz tempo que não passo por aqui, né, tanta coisa aconteceu na minha vida... Eu estou lendo todos os textos e é tão bom te ver mais segura, mais madura, mais feliz consigo mesma. Eu fico feliz de verdade.

    Um beijo e um abraço apertado.

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