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domingo, 11 de janeiro de 2015

Minha leitura tardia de O Senhor dos anéis

Em muitas cenas, O Senhor dos anéis me fez lembrar bastante de As Brumas de Avalon, de Marion Zimmer Bradley, que com certeza se inspirou no universo de Tolkien.
Pasmem: Eu nunca havia assistido O Senhor dos anéis! Houve várias tentativas, mas em todas eu fiquei com sono. E não pelo fato de “ter assistido fora da época”, que seria na adolescência, pois foi nessa época que as tentativas ocorreram, mas porque nunca gostei mesmo de Fantasia (que muitos erroneamente confundem com “realismo fantástico”, que não tem absolutamente nada a ver e é um dos meus gêneros favoritos), coisas épicas e achava a história de Tolkien bem...boba. Contudo, conheço tantas pessoas no meu círculo de amizades que idolatram,  choram, brigam por causa dessa história, que mais uma vez, tentei revê-la sem meus inúmeros preconceitos. E me surpreendi.

Assisti os 3 filmes de uma vez ( A sociedade do anel, As duas torres e O retorno do Rei, de longe o meu favorito) e consegui ver alguns aspectos muito interessantes sendo levantados ao longo da triologia. Deixando claro que é uma visão pessoal minha, de acordo com meu repertório e com a forma pela qual fui tocada pelos filmes:
Uma coisa que é sempre retratada em várias outras histórias, mas que O senhor dos anéis retrata de uma forma alegórica e não explícita, nem didática , é como o bem e o mal estão sempre juntos e presentes dentro de  todos!  O anel não apenas continha o mal, como despertava o mal que havia nas pessoas. Ele deixava em evidência as ambições, o egoísmo, a sede de poder, a falta de escrúpulos que todos nós temos. Nenhum personagem que esteve em contato direto com ele sai ileso , todos acabam sucumbindo de alguma forma. Um personagem que gostei muito e que retrata isso muito bem é o Gollon, que é praticamente uma entidade a parte ,onde o bem e o mal coexistem dentro do mesmo ser de maneira explicita, já que ele sofre de uma espécie de esquizofrenia, dupla personalidade, sempre com seu lado bom e seu lado mau brigando entre si. Contudo, acredito que o anel não obriga ninguém a ser mal, ele desperta aquilo que já habita em você, portanto, a maldade será diferente em cada ser tocado por ele. No caso do Gollon, sua única ambição era ter o anel para si. Não era dominar povos, ser rei, rico, era apenas e então somente ser o único portador do anel e isso diz muito sobre sua estrutura de personagem. Diferente dele, outros que nem se quer tiveram um contato direto com o anel, mas conheciam seu poder, arquitetavam planos e exércitos para tê-lo para si, o que mostra qual lado já era aflorado. Muitos que estiveram em contato com o anel e sentiram seu poder lutaram contra sua força, e muitos nem precisaram estar presente dele para deixa-se dominar.

Achei interessante também (mais uma vez, um tema repetido em muitas histórias, mas bem abordado em O senhor dos anéis) a forma como cai por terra a ideia de que o herói é alguém  forte e poderoso, dotado de dons e poderes mágicos. De todos os povos , foram os Hobbits os escolhidos para a saga e o portador do anel foi justamente Frodo, o Hobbit mais frágil , tanto fisicamente quanto mentalmente. Além disso, Frodo não conseguiu nada sozinho, ele teve muita ajuda de seus amigos, em especial de Sam, que mesmo presenciando os momentos de fraqueza e confusão causados pelo anel em seu amigo, o compreende, protege e nunca o abandona.

Eu estava até o segundo filme bem decepcionada pela não representação forte feminina. Arwen e Galadriel tem um papel pouco representativo nos filmes (não sei se isso ocorre nos livros). Elas aparecem apenas como o papel de Anima. Bem compreensível levando em conta que Tolkien era um estudioso da mitologia e vê-se que O Senhor dos anéis é baseado na Jornada do herói, na qual a Anima é apenas coadjuvante em relação ao Animus (Anima é a polaridade feminina na psicologia Junguiana, ligada a contemplação, a intuição, aquela que mostra e guia o caminho. Animus é a polaridade masculina, a força, a batalha, a agilidade, aquele que toma as atitudes práticas. A jornada do herói é uma linha estrutural na qual escritores, cineastas e contadores de histórias costumam se guiar para elaborar seus enredos). Fiquei um pouco mais satisfeita ao ver Éowyn.saindo da condição que mulher apaixonada, que espera seu amado, para guerreira e como ela não toma Arwen como sua rival. Não sei se isso é representado no livro, mas gostei imensamente quando ela diz “Mas eu não sou um homem”, e salva o rei, lutando.

Enfim, todos os personagens demonstram fraquezas, medos, traumas, defeitos e não é de se admirar que tantos adultos se sintam identificados com a história e os personagens. O Senhor dos anéis toca em muitos arquétipos presentes no nosso dia-a-dia e a batalha interna do bem contra o mal é sempre presente em nossas vidas. É confortante pensar que qualquer pode cair, mas que todos temos força para lutar.

Continua não sendo meu gênero favorito e nem a história mais original que já vi, mas é fato que foi muito bem ambientada e que Tolkien era extremamente criterioso e comprometido. Acredito que a leitura dos livros não seja nada fácil. Por isso mesmo, O Hobbit está na minha lista de leitura para 2015.

2 comentários:

  1. Como assim? Você viu os filmes e faz uma resenha dos filmes e coloca o título dizendo "Minha leitura tardia do Senhor dos Anéis". Leia os livros pelo menos... Os filmes são em um tom bem diferente e mude o título para algo como "Assiste os filmes do senhor dos anéis", já que você ainda não leu os livros.

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    1. Não anônimo. Quando eu falo "leitura", não estou me referindo a leitura literal, de ler livros e etc. Me refiro a leitura no sentido da forma como li a história apresentada, como interpretei, como dissequei. Não quer dizer leitura na forma explícita. Quando vemos um filme, uma peça, ouvimos uma música, temos leituras disso, ok? Obrigada pelo comentário.

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