Páginas

sábado, 24 de janeiro de 2015

Liberdade, liberdade! (Feminismo)

Quando comecei a me interessar por feminismo, aos 21 anos, em 2011, ainda não existia tanta divulgação sobre o assunto na internet e na mídia.
Eu entendia tudo errado e era muito sensível. Se entrasse em debates onde outras mulheres eram incisivas comigo, eu começava a chorar. Com o tempo fui entendendo melhor o ponto de vista delas e aprendendo que ser incisivo é muito diferente de ser agressivo. Já fui agressiva também, mas não como forma de tentar fazer o outro engolir meu ponto de vista, fui por outros fatores.

Tive várias crises com alguns discursos feministas ao longo desses 5 anos. Não entendia que  “O feminismo” é  na verdade “os feminismos”, e que existem várias leituras sobre ele, mas todas tem o mesmo objetivo, que é o de lutar contra o machismo. Por conta disso, já me disse não feminista várias vezes, por confundir todo um movimento com algumas falas que eu não me identificava. Eu ainda erro muito, falo muita besteira, depois reflito e vejo a bobagem que disse. Ainda vocifero xingamentos misóginos quando menos espero, ainda julgo mulheres pelo seu comportamento sexual quando menos espero, ainda reproduzo o machismo quando menos espero, e ás vezes até esperando, pois não se muda do dia pra noite. Estou há 5 anos tentando me desconstruir, tentando me reeducar e acho que levarei uma vida toda para tal.

Contudo, algumas coisas tem me feito cada vez mais repensar qual o feminismo que defendo. Pra mim, a causa maior sempre foi liberdade: Você ser livre para ser quem é, você ter a liberdade para viver sua vida da maneira que achar melhor e ser respeitado por isso. Sempre acreditei na igualdade entre os sexos, no diálogo, na desconstrução de ideias e até de gêneros, no embate, no estar aberto a ouvir e pronto a se colocar. Na empatia, na convivência. 

O que tenho visto muito hoje em grupos e discursos feministas é uma postura fechada,  muitas vezes retrograda, onde ódio, a raiva não é mais um agente de mudança, mas uma forma de cada vez mais segregar pessoas. Abrem-se grupos secretos, onde são aceitas apenas quem tem a mesma linha de pensamento. Fala-se sobre desconsiderar falas pelo gênero  e não há mais argumento nas discussões, mas agressões e zombarias. Não entendem que há pessoas ainda iniciando, como eu já iniciei , e que estas pessoas repetem o discurso opressor na tentativa de entenderem o porque de estarem erradas. (Obviamente que há uma enorme parcela dos que vão discordar apenas para tumultuar e também os que faltam com respeito, os chamados “Trolls”e estes não devem ser considerados ). Já ouvi que “o oprimido não deve se relacionar com o opressor”, defendendo que negros não devem se relacionar com brancos e mulheres não devem se relacionar com homens. Já ouvi que pra ser mulher, tem que ter útero, e que um transexual é um privilegiado por sua condição física masculina e que portanto, não deve ser considerado pelo feminismo. Já ouvi que ser mãe é se render a sua posição de oprimida. Já ouvi sobre a roupa que você deve usar, a música que deve ouvir, o que você pode falar e principalmente, a forma como você tem obrigação de pensar.



Respeito, claro, todas essas vertentes. Mas continuo acreditando na liberdade, na convivência entre as diferenças, no debate como forma de expandir visões e em um movimento aberto onde qualquer pessoa que queira, de maneira genuína, aprender com ele, possa. A meu ver, o mundo não vai mudar com discussões em grupos secretos, com escolhas de quem é mais ou menos feminista e de quem deve ter o sofrimento mais ou menos considerado. O fato de “eu empoderar duas mulheres’não me impede de dialogar com 30 homens. O fato de haver milhares de mulheres que sofrem , muito infelizmente, por passarem fome e violência não diminui e nem desmerece a dor pessoal de uma garota que não fala com o pai que lhe dá todas as condições para viver bem, mas não lhe dá amor.

Esse texto é ,como tudo aqui no blog, uma leitura pessoal de algo que vivencio, não é uma doutrinação e posso mudar de pensamento com o passar do tempo. Mas por hora, é assim que vejo as coisas. 

3 comentários:

  1. Acho que os rótulos sempre oprimem. Todos eles. Por isso acho interessante a autenticidade e procurar saber, ter empatia por vários pontos de vistas, naturalmente pode haver uma evolução, se a pessoa estiver procurando isso, se não estiver, sempre haverá julgamentos e rótulos. Eu sou um exemplo de alguém que foi a vida toda julgada e rotulada. Também já julguei muito e precisei sair do Brasil e morar fora por ano em um lugar que dá um show em matéria evolução. Depois disso, voltei e hoje estou mais fora do que nunca dos mundos secretos,das panelas, de tudo que me oprime e me mostra o quanto somos como um todo, um país atrasado. Eu fui criada de forma livre e isso me fez não dar tanta importância ao fato de ser mulher, eu sou igual aos meus irmão que são homens e tb não sou lésbica, mas acho que seu eu fosse, seria normal também... Resumindo, o latino americano adora um drama, uma novelinha...rs e eu apesar de ser latina não me encaixo nesse jeito de ser. Bom texto!

    ResponderExcluir
  2. Aqui sempre me sinto à vontade. Você continua mandando bem com as palavras. Adorei seu blog. Ele está lindíssimo. Siga.

    ResponderExcluir
  3. Eu concordo tanto com você, Dai, tanto... e muitas vezes me sinto um peixe fora d'água em matéria de feminismos, porque parece que o nosso é sempre o "errado". Tá na moda ser excludente, tá na moda ser radical, tá na moda ser debochada, tá na moda ser transfóbica, tá na moda ser agressiva (e não incinsiva)... sei lá. São os feminismos da moda. E eu acho que estamos fora de moda...

    Mas quanto mais fora de moda, mais em paz com minha consciência eu fico. Porque o que eu mais vejo nos grupos feministas virtuais (e olha que estou em grupos feministas na internet desde o orkut, desde mais ou menos 2007) é briga de ego, é intolerância (até entre mulheres cis), é violência.... Não quero isso, não! Mesmo!

    Façamos a nossa parte para um mundo livre do machismo e fiquemos com a consciência em paz.

    Beijos, Dai.

    ResponderExcluir

Sinta-se á vontade