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sábado, 8 de novembro de 2014

Violência psicológica

Há pouco tempo, escrevi um texto aqui sobre Violência Emocional e o deletei. Fiz isso pois, o texto foi escrito em um momento de emoção que estava reprimida, sobre um assunto que há muito tempo  eu queria falar, mas não tinha coragem. Escrevi  e me arrependi por inúmeros fatores, mas agora com a cabeça fria estou disposta a reescrever sobre o assunto.  

Tive um relacionamento de três anos que me destruiu por dentro, tamanhas eram as violências sutis que eu passava todos os dias. Dentre as formas de violência sofridas, estavam: provocar ciúmes de maneiras explícitas e depois me convencer que eu era louca, via coisa onde não tinhar; sumir por dias sem deixar contato, depois aparecer como e nada tivesse acontecido;ignorar meus apelos para ser ouvida e vista, ficar em silêncio sepulcral enquanto eu me debulhava em lágrimas ou rir da situação; provocar em mim ataques de fúria e raiva, fazendo com que eu não me reconhecesse, falasse coisas horríveis e depois chorasse achando que a culpa era minha; ignorar meus problemas pessoais e insinuar que eu tinha uma vida perfeita perto da dele; me ignorar perto de amigos, como se eu não estivesse ali; me comparar direta e indiretamente a outras mulheres do passado ou presente, flertar com outras na minha presença; etc, etc, etc.

Nem preciso dizer o quanto eu me sentia um lixo, não é mesmo? É claro que por eu ter ficado com essa pessoa 3 anos, existiam qualidades e bons momentos, pelos quais eu me prontifiquei a lutar. Mas demorei a notar que apenas gostar de alguém, e essa pessoa jurar de pés juntos que gosta de você, não é o suficiente para continuar em um relacionamento doentio, onde o outro em vez de querer te erguer e te ver progredir junto com ele, mina sua autoestima, rebaixa suas conquistas e disputa com você, quase em um movimento de inveja e competição, para ver “quem é melhor”.

O perfil do agressor para as pessoas de fora é sempre de alguém bonzinho, amável, gente fina. Quando você tenta contar para alguma pessoa o que você está passando, ninguém acredita em você, todos o defendem por ser “um anjo” e tentam te convencer que é você quem está vendo coisas, é você que está sendo incompreensiva. Ainda mais quando vêem você sendo presenteada com ursinhos, flores, cartas, pedidos de perdão  e todos ficam abismados em como você “reclama com a barriga cheia, queria eu ter um marido romântico assim”. Isso se agrava quando a pessoa em questão teve uma vida difícil e tudo é justificado pela família desestruturada, pelo emprego exaustivo, pelo passado triste. Tudo se vira contra você, e você se sente culpada por ter tido uma família estruturada, uma condição de vida que te permitiu estudar sem se preocupar com trabalho até quando pode, por ter tido o privilégio de nunca ter passado fome. Toda a agressão do agressor, passa a ser justificada, e você, tem que entender o lado dele, já que o mesmo teve uma vida sofrida. É um pesadelo, é uma prisão. Você, vítima, se torna a vilã.

Falando da pessoa com quem convivi, sei que a grande maioria das atitudes agressivas foram inconscientes, sem a intenção real de me ferir propositalmente, eram reproduções do que já havia vivido. Mas nunca se deve usar isso como uma forma de se autoconvencer que a pessoa irá mudar com o tempo, porque ela não vai! O que se pode fazer nesse caso é propor um tratamento ao agressor e esperar que este tome consciência de seus próprios fantasmas, mas jamais se submeter a um relacionamento doente acreditando que este irá mudar.

Consegui sair dessa e não desejo mal algum a ninguém, muito pelo contrário, quero mais é que se reerga e consiga levar sua vida em frente sem magoar nem a outra mulher e nem a si mesmo. Ainda vejo em mim muitas marcas desses traumas quando sem querer, acabo refletindo alguns medos e inseguranças no meu novo relacionamento, mas posso dizer que estou muito melhor. A ajuda psicológica que eu já tinha em terapia me ajudou muito a superar, e meu novo relacionamento também.

Tudo é passageiro, basta querer seguir em frente.

4 comentários:

  1. Essas sutilezas doloridas vividas, que só a gente sente e sabe (e acredita) nos relacionamentos, pq via de regra o parceiro/a age diferentemente no mundo social, são de um potencial destruidor ímpar, minam a gente e nos implodem numa demolição às vezes silenciosa. Já passei por isso, e me cobro muito por nunca mais permitir que alguém faça de novo, sim pois muitas vezes no desejo de manter relacionamentos a gente se deixa submeter a isso por um tempo, quando de imediato devemos dizer um "basta". Essas coisas deixam marcas na gente que nao passam, tal qual ferro quente no couro.

    Tudo passa, quando não estamos agarrados a esse "tudo"... ; ) Vida longa e descobertas permanentes

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  2. Olha Day, acho que não só na violência psicologica, mas também na verbal e na física, ainda existe gente que vai vitimizar o agressor ainda mais quando a mulher é quem sofre as agressões, por que ela sempre "merece", ela "gosta de apanhar", de sofrer etc, etc, etc... As pessoa não sabem a história daquela mulher e gostam de julgar... Nada justifica o cara fazer isso.

    Beijo

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  3. O tempo ruim vai passar (no caso, passou). É só uma fase. O sofrimento alimenta mais a sua coragem.

    E assim segue a roda.

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  4. Descreveu em detalhes meu antigo relacionamento!Ainda bem que passou!

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