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sábado, 18 de outubro de 2014

Morte, legado e vida

Profeta Gentileza

Há alguns dias atrás, me peguei pensando sobre a vida e o que realmente ela representa. Será que de fato estamos vivos apenas o tempo em que permanecemos respirando na terra?E será que muitos que estão respirando, de fato vivem? Perguntei-me o que faz com que até hoje discutamos, defendamos e até mesmo odiamos conceitos criados há séculos atrás , pessoas que  já faleceram há décadas e como trazemos essas mesmas pessoas e seus conceitos em nosso convívio. Afinal, seria o fato de viver, apenas o de sobreviver?
Como não acredito em coincid6encia, mas em sincronicidade, na mesma semana em que fui tomada por tais questionamentos, tive o prazer de ter uma série de palestras com Jorge Larrosa, grande filósofo da educação, na qual ele abordou a história do Profeta Gentileza e como este homem que presenciou a morte de sua família em incêndio num circo do Rio de Janeiro, recria deste fim, um novo início para sua trajetória, trajetória que até os dias de hoje é discutida e divulgada. Até hoje falamos sobre seu jardim, falamos sobre seu livro público, feito nas paredes do Rio de Janeiro, sobre suas palavras de amor e gentileza espalhadas pela cidade e sobre um homem que dedicou a vida aos seus ideais.
O ano de 2014 está cheio de mortes mal explicadas, por pessoas que a nosso ver, ainda não deveriam ter partido. Mas será que elas de fato, partiram? E seu legado, como fica? O cinema é um eternizador de almas. Por ele, ainda há pessoas que estão agora conhecendo Chaplin, Bela Lugosi, Marilyn Monroe e muitos outros. Estas pessoas podem ter morrido fisicamente, mas essencialmente, continuam conosco, mais vivas do que nunca, influenciando gerações, sendo influência para arte, moda, estilo de se pensar e viver. Ainda ouvimos as canções de Janis Joplin, Jim Morrison, Kurt Cobain, Raul Seixas, Bezerra da Silva, Clara Nunes. Ainda estudamos e ficamos confusos com as teorias de Focault, Freud, Marx. Ainda choramos com Shakespeare, Jane Austen, Carlos Drummond. Essas pessoas continuam fazendo revolução, continuam vivas em nosso dia-a-dia e em nosso pensamento. E isso que importa.

Me pergunto agora, se muitos de nós apenas sobrevivem em vez de viverem, se fazemos de nossa existência algo que valha a pena ser lembrado, ou então, algo que valha a pena ser vivido, mesmo sem os holofotes do reconhecimento. Tornarmo-nos  eternos? Acrescentaremos algo ao mundo, ou viemos apenas para continuarmos exercendo nosso limitado papel de seres humanos, presos a dogmas, críticas, regras e pequenezas terrenas? Pego-me a pensar que de fato, a vida é curta, e por tão curta ser é que vale a pena tirarmos dela o máximo de proveito, um proveito que poderá ser apreciado até mesmo por outras gerações.

Texto escrito para o site Ilha Cult

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