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sábado, 2 de fevereiro de 2013

A anima e a mulher (cadê nossa identidade?)


Deusa grega Hestia, representa muito a introspecção e o auto-conhecimento feminino.

Acho que 2012 foi o ano mais político desse bloguinho, com vários posts sobre o tema, feministas em sua maioria.
Alguma pessoas dizem que o fato de você ser contra o machismo já te torna feminista. Eu  não gosto muito dessa associação. Pra mim feminismo é uma escolha consciente. O fato de você ter atitudes cristãs não te faz um cristão, você pode ter essas atitudes, como ser misericordioso e tudo o mais, e se considerar ateu ou qualquer outra coisa. Feminismo pra mim é uma postura política consciente, não é um “você não sabe,mas é feminista”. Nada a ver.
Ah,eu já me declarei feminista várias vezes, mas não sei...Não é nesse feminismo midiático que acredito e nem gosto de fazer disso uma bandeira. Também não concordo com vários discursos que vejo como sendo feministas, para mim, alguns deles não são saudáveis. Não gosto muito dessa ideia de desconstruir totalmente o papel do feminino. Não estou aqui falando sobre papeis de gêneros, até porque o feminino deve estar presente na vida dos homens, assim como o masculino também deve estar presente na vida das mulheres. São duas polaridades que devem andar juntas, casarem-se, uma não deve sobressair a outra. O que infelizmente aconteceu é que o patriarcado veio se sobrepondo ao matriarcado, de maneira a desprezar tudo o que parte do feminino e colocar como “irracional”. Há mulheres que desprezam o que esse ciclo feminino representa. Elas desprezam que tenhamos um apelo maternal muito forte, desprezam que não é apenas com a razão que conseguimos vislumbrar as coisas, mas também com as emoções e a intuição, desprezam que sejamos filhas da natureza e elas mesmas ajudam a bater o martelo patriarcal, dizendo que tudo isso é pobre, irracional, juntando-se a estes valores masculinos que colocam apenas o pensamento, o raciocínio, o trabalho industrial e outros valores que eu particularmente, não vejo empedramento nenhum,  como formas de libertação. Eu gosto de ser mulher, eu gosto desse feminino sagrado, dessa sabedoria que foi devastada e colocada como suja pelo poder patriarcal. As mulheres estão perdendo esse contato com elas mesmas, e isso é triste.Eu penso que só conseguiremos nos sentir livres e empoderadas novamente quando entendermos que sempre tivemos um papel forte e conseguirmos não destruir, mas resgatar isso.  Eu vejo muitas mulheres falando e fazendo “eu não preciso disso pra ser mulher”, “não preciso menstruar pra ser mulher”, “não preciso ter filhos pra ser mulher”, “não preciso ser amorosa pra ser mulher”,”não preciso de respeito com meu corpo pra ser mulher”, “não preciso de intuição pra ser mulher”, “ não preciso  de afetividade pra ser mulher”. Realmente, você não precisa de nada disso para ser mulher, no sentido biológico da palavra. Você ,infelizmente, só está se tornando um projeto do patriarcado  sem notar, já que o que esse sistema fez foi chegar massacrando tudo o que fosse ligado ao feminino ,colocando a maternidade como uma obrigação a ser cumprida, o prazer corporal da mulher (porque a mulher é muitos mais ligada a terra, a sensação, ao corpo que o homem) como pecado, a menstruação como nojenta, a intuição como falta de inteligência, os trabalhos domésticos (que devem ser feitos tanto por mulheres como homens, hein!) como baixos, a emotividade como histeria, o choro como fraqueza,  a sensibilidade como misticismo, o enfeitar-se como vulgaridade, o acolhimento como “passar a mão na cabeça”, etc.
Claro que você não é obrigada a gostar de tudo isso e ser dessa maneira para “ser mulher”, somos seres diferentes. Eu mesma não gosto e nem tenho jeito com trabalhos manuais, nem com cozinhar. Já meu namorado tem. Também não sou muito de ficar “mimando” as pessoas, já meu namorado é mais acolhedor que eu nessa parte. Todos nós temos o nosso Animus (energia psíquica masculina, ligada a agressividade, assertividade, vitalidade) e nossa Anima (energia psíquica feminina, ligada a intuição, a introspecção, ao simbólico,  as emoções). Basta pesquisar sobre e vocês verão que muitos antes de falaram-se de machismo, essas duas polaridades tinham essas mesmas distinções de masculino e feminino . Acontece que antigamente, o masculino e o feminino eram vistos como sendo ambos essenciais, todo ser humano precisava dessas duas polaridades e ambas eram respeitadas. Hoje em dia não, apenas o Animus é visto como algo bom, a Anima é vista como fraqueza, e infelizmente, vista assim por muitas mulheres.
Bah, só sei que quero dar um tempo nesses rompantes femininos. Quiçá, feministas.

P.S: Pessoal, pra quem quiser seguir, esse é meu Tumblr com meus desenhos e pinturas. Queria colocar um atalho aqui no blog, alguém sabe como fazer isso? http://aneeterea.tumblr.com/

3 comentários:

  1. Adorei Day seu texto.Já escrevi isso uma vez , sobre mulheres que parece que tem ódio de ser e mulher. Vê a mulher como uma amaldiçoada. Tudo mulher não pode fazer, tudo é dificil pra ela. A propria Beauvoir disse que a mulher é uma escrava da especie e demostrava empatia por tudo que homem fazia. Parecia que tinha inveja dos homens e raiva de ser mulher. Não gostei dela por causa disso

    Pois gosto der ser mulher, de ter meu lado feminino minha intuição, o que em nenhum momento me faz ser inferior aos homens.

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  2. Eu sou contra o machismo.Sou a favor de vários movimentos feministas, mas em alguns casos acho o feminismo exagerado,Algumas acham que vc nao pode se depilar, nao pode usar salto alto, nao pode se arrumar, etc....isso pra mim, e exagero.
    Quanto a ser mae, pra mim e um assunto mais complicado.Nao quero, porque nao quero e pronto, nao tenho saco pra me dedicar a um filho, quero cuidar inteiramente de mim.Sou egoísta, sim, assumidssima e feliz com minha decisão,
    O que nao gosto de de imposição goela abaixo de valores" voce tem que ficar com o sovaco cabeludo, vc nao pode fazer dieta, nao pode se arrumar, etc" Pera ai, imposição de opinião goela abaixo e ruim, seja de qual lado vem.
    Bacana e o dialogo, a construção,
    Gosto da vertente do feminismo que ensina a mulher a se libertar de obrigações impostas pela sociedade machista, que ensina a gente a se respeitar, a poder ter quantos parceiros sexuais quiser( ou nao quiser) sem ser rotulada, a proteger nossos valores e nossos amigos.
    Imposição, exagero, ditadura, como tenho visto algumas mulheres fazer acho ruim e acaba se voltando contra nos mesmas.bj grande.

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  3. Gostei do post, Day, apesar de discordar de algumas coisas. Existem pessoas, dentro do feminismo, que defendem coisas que não são consenso; existem pessoas que se dizem feministas mas parecem não saber bem do que se trata o feminismo, ou não exibiriam tais posturas. Pra mim, pessoa que acha que a mulher "deve/não deve" qualquer coisa por ser mulher, não sabe o que é o feminismo, de fato. Porque, até onde eu entendo, feminismo é liberdade; "ter" ou "não ter" que qualquer coisa não é ser livre. Existe gente que exagera, existe; existem feministas radicalíssimas, existem. Mas se essas pessoas me dizem que eu tenho que qualquer coisa, não estão falando pelo feminismo, mas por elas mesmas. Se elas querem ser assim, que sejam; o feminismo está aí para dar a elas essa liberdade. Mas não lhes dá o direito de impôr sua visão a ninguém, isso não.

    Fora isso, concordo que o movimento feminista às vezes se concentra "demais" em nos dar direitos iguais aos dos homens e esquece que certas situações e experiências só dizem respeito à mulher, e não há direito masculino a se equiparar. E, muitas vezes, acho que algumas feministas pecam por não pereceberem isso. Um exemplo clássico pra mim é a questão da maternidade. Muitas feministas não percebem, por exemplo, que lutar por um parto natural humanizado DEVE ser uma luta feminista, já que esse é um assunto essencialmente feminino, por não quererem ser mães, ou porque acham que "ser mãe" deve ser menos importante para a mulher do que outras escolhas que ela faça. Não é porque por muito tempo a mulher não teve escolha, e foi obrigada a ter filhos, que as que conscientemente querem ter não mereçam atenção do movimento feminista. Merecem, sim, porque essa é uma demanda feminina! E um parto violento é uma violência de gênero, então deve, sim, fazer parte da luta feminista. Outra coisa que vejo demais e me deixa chateada, ainda nessa questão da maternidade (vc sabe que esse assunto muito me interessa), são mulheres feministas que defendem a terceirização dos filhos. Entendo que muitas famílias precisam de ambos os cônjuges trabalhando, essa é a realidade da imensa maioria das famílias, e entendo também quando o debate pende para o lado do "a responsabilidade é dos dois, pai e mãe", e com isso concordo plenamente. Mas fico triste ao perceber que as demandas da mulher são, mtas vezes, colocadas na frente das demandas da criança, e com isso não concordo. Se um casal resolve ter filhos, existe uma responsabilidade implícita aí. Que é dos dois, obviamente, não defendo nada diferente. Porém, se uma pessoa me diz que a mulher pode escolher deixar o filho de uma semana em casa, tomando fórmula, aos cuidados de uma babá, para voltar ao mercado de trabalho/viver sua vida, que é um direito da mulher... sim é, mas para mim ela está sendo egoísta. Porque a responsabilidade da vida que ela gerou existe e, naquele momento, é mais importante, por essa vida ser totalmente dependente. Se quisesse ter a vida de antes, não tivesse engravidado. (novamente, penso o mesmo em relação aos homens: pais têm que participar e pensar na responsabilidade que têm sobre os filhos, e não tomar decisões à revelia dessa responsabilidade). Vc sabe meu posicionamento.

    Enfim, gostei muito! Obrigada por lembrar de mim. Ah, não conheço o livro que vc me indicou, mas vou procurar, já me interessei!

    Beijo.

    PS: com medo da Paula morrer no final do livro...

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