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terça-feira, 2 de outubro de 2012

Ser livre não é se destruir



O primeiro amor de toda mulher deveria ser o amor próprio.

Há dois temas que gostaria de falar no memento: Um, o livro que acabei de ler e que ainda não digeri muito bem chamado A Casa dos espíritos de Isabell Sllende. Não digeri não pelo fato de ser ruim, muito pelo contário, mas por ainda estar processando em mim todos os personagens, todas as cenas, todas as angústias e paixões que o livro me trouxe. O outro tema que q eu gostaria de falar, mas que ando meio cansada de escrever sobre,  é uma reflexão que fiz andando por uma livraria e ver tantos livros voltados ao público feminino ensinando-as como ser mulher nos dias atuais. Meu pseudo-feminismo muitas vezes me cansa, ás vezes quero parar de ver isso o tempo todo. O que curto em mim, pelo menos, é que sempre olho por uma ótica abrangente e considero tudo: cultura inserida, contexto de época, contexto religioso, vivências pessoais e até que ponto todos nós somos alienados, antes de fazer qualquer julgamento, seja contra um homem ou contra uma mulher. Bem, como ainda não estou madura para escrever sobre A casa dos espíritos, tentarei escrever sobre essas minhas observações na livraria (não só nela).
Eu andei uma época bem “empolgada” com os discursos feministas que ouvia meio deslumbrada, na verdade .Creio que tendo uma postura considerada feminista por muitos desde criança, de repente conhecer toda uma ideologia que reforçava o que  sempre quis dizer, foi um acerto bom e numa época boa, onde eu já estava mais adulta para entender certas coisas sem minha cabeça dar um nó, mas não adulta o suficiente para ter crítica perante o que aprendia. Esse período foi curto e proveitoso, trouxe-me uma série de novos pensamentos, reformulações e entendimento de um todo. O problema é que não podemos ver sempre o TODO, pois esse todo traz vários nuances e detalhes em sua essência que não necessariamente correspondem com a maioria.
Um discurso muito recorrente nesse “neo-feminismo” é a liberdade da mulhe r fazer o que quiser. Sim, concordo que a mulher, sendo adulta, vacinada e consciente, tenha o direito de fazer o que lhe dar na telha, isso é obvio. E ninguém tem nada a ver com isso. Acontece que uma mulher nessas condições citadas é responsável por seus atos e sabe muito bem que ser livre não significa fazer tudo o que tiver vontade, e ela nem tem vontade de fazer qualquer coisa, já que se conhece e se respeita como ser humano. Sabe que suas ações muitas vezes podem refletir no seu futuro e na vida de outras pessoas e sabe que ceder não significa submissão, mas flexibilidade e adaptação. Ou seja: Uma mulher livre deve em primeiro lugar, ter uma mente saudável.
Lembro de uma vez em que em um desses blogs feministas que frequentei e ainda dou uma espiadinha de vez em quando, foi levantada uma questão no sentido “Defendemos que a mulher tem o direito de fazer o que quiser. Se uma mulher decidir ficar com um companheiro violento, que a agrida física ou emocionalmente, vocês a apoiariam?” Grande foi minha surpresa a ouvir da maioria que SIM, que essa mulher seria apoiada, pois esta estaria “exercendo sua liberdade”. Amiga, você não está ajudando mulher alguma fazendo isso! Você não está emponderando  ninguém! Não está ajudando mulher alguma a ser livre! Você está sendo simplesmente conivente com um regime opressor que você mesma diz lutar contra! Pergunto-me se nessa história, a única precisando ser salva é a que escolheu viver com um agressor, ou todas que a apoiaram por achar que isso se chama liberdade. Moças, isso se chama doença, carência, depressão, falta total de autoestima.
Comecei a notar então que a maioria dos discursos não enfatizavam  a autoestima da mulher, a reconstrução do que ela considerava ser mulher para si mesma, mas apenas , de certa forma, uma eterna vitimização. Em histórias onde a mulher era agredida pelo companheiro, não uma ou duas vezes, mas durante vários anos e até mesmo em casos onde esta lutava para fechar os olhos, para se deixar nesse relação doentia acreditando que ele iria mudar, que isso era prova de amor, a única coisa que sempre vi foi o ataque ao agressor, mas nunca a conscientização da mulher que era agredida. Nunca ouvi  “procure ajuda, procure um profissional. Porque você está fazendo isso com você? Porque você acha que não merece algo melhor? Por que está comendo essas migalhas? Porque continua nesta casa com este homem? Nós te ajudamos, venha se reerguer!”. Não: sempre era o homem machista (que obviamente o é, isso não isenta sua culpa) opressor que merecia ser preso, e a mulher vítima de tooooooodo um contexto alheio a sua própria história de vida. Acho que qualquer psicólogo discordaria disso. CLARO que fatores externos e uma pessoa violenta podem muito bem nos fazer diminuir e não ter forças, mas o resgate de nossas forças e autoestima depende somente de nós mesmos! Se você apenas mostrar para essa mulher que ela foi vítima de um violentador, mas não mostrar que ela é uma PRESA desse tipo de homem, ela largará esse cara e se envolverá com outro do mesmo tipo. Ensine também a ter autocrítica, a ter amor próprio! Isso não tem nada a ver com “culpar a vítima”, tem a ver com colocar a responsabilidade de sua própria felicidade nas suas mãos!
Olhando os livros voltados a mulheres , notei mais do que um desejo patriarcal de nos submeter a um sistema de humilhação, engessamento e padrões. Notei outra coisa: Como estamos perdidas! Quantas ideologias antigas do dia para noite foram derrubadas e como outras tão diferentes se posicionam agora: Como a mulher que antes era considerada inteligente, hoje é considerada sonsa. Como a mulher antes considerada vulgar, hoje é considerada empondeirada! Como a mulher que hoje gosta de estar em casa cuidando dos filhos, hoje recebe o título de “prostituta do lar” de maneira pejorativa, claro, sendo que a prostituta do sexo agora é vista como uma mulher dona de sua liberdade. Qual o problema em abraçar aquilo que você acredita? Em ser quem você é? Qual o problema em sentir que você é amorosa, materna, meiga, acolhedora, amiga, e não safada, vadia, super  independente e alheia a qualquer ideal de beleza?
O que é  a liberdade pra você, mulher? O que te faz feliz? Onde você acha que está errando e que pode melhorar? Quais os seus desejos e suas vontades? Quais seus limites? Você está feliz usando burca e sendo casta, esperando seu marido? O SEJA, desde que essa escolha seja consciente e SUA! Você está feliz usando mini saia, fazendo topless em protestos e lutando por uma sexualidade livre? O SEJA, desde que você tenha plena certeza de que faz isso porque quer, e não por que outras dizem que é assim que tem que ser.
Por isso eu digo: Antes de ater-se a qualquer movimento, a qualquer militância, a qualquer ideologia, conheça-se !  Seja saudável! Tete curar suas feridas emocionais, seus complexos  medos. Seja responsável por você! Tenha autoestima! Claro que na maioria dos casos, esses movimentos te mostram alternativas de ser feliz, alternativas de se sentir bem, mas saiba que quem ira´ “se salvar” é você mesma! Ajude-se! E amiga, ajude a outra mulher! Ajude-a também a ver que ela está errada, que sua escolha é incorreta, que seu desejo não deve ser atendido por carência ou desilusão. Liberdade é responsabilidade,  não só prazer. Sejamos livres sim, mas sejamos sábias também!

P.S: A imagem foi mudada, já que algumas pessoas acharam por ela que o assunto do post era aborto ^^!

13 comentários:

  1. day, acho que a gente tem que criar um movimento feminista só nosso, haha, porque eu sempre concordo com você!

    vamos por partes! :)

    meu namorado tem estudado bastante sobre o anarquismo, e ele sempre vem me falar sobre liberdade. e eu sempre falo que acredito e almejo tudo isso que ele tem aprendido, mas que eu não acho possível porque as pessoas não entendem o que é ser livre. e ele sempre diz que esse meu discurso é reacionário e que é o que o sistema quer que eu acredite.

    bom, eu discordo. as pessoas não sabem ser livres porque elas não entendem o que é ser livre. ninguém tem ideia do que é ser livre, porque eu acho que nunca nessa sociedade que a gente vive se viveu livremente. as pessoas acham que ser livres é fazer o que quiser, é comprar o que quiser, é matar, se tiver vontade.

    isso é ser livre?
    se não for, o que é?
    muitos movimentos prezam a liberdade. acho complicado DEMAIS falar de liberdade sem deixar extremamente claro o que se entende por isso. também porque o que me liberta não necessariamente liberta você.

    quanto mais eu tenho me interessado pelo feminismo, e me descoberto feminista, mais eu tenho me afastado do feminismo. eu tenho sido crítica demais para concordar com tudo sem ver o outro lado, e eu sei que muitas vezes eu sou interpretada como sendo reacionária.

    eu acho que a gente tá vivendo um processo de mudança importante, e assim como toda mudança, ela precisa de extremos para serem percebidas. acho que a gente tá nessa fase feminista radical, onde, como você disse, a mulher que QUER ter filhos, cuidar da casa (eu por exemplo, uma das coisas que eu mais gosto de fazer é arrumar a casa. isso me deixa completamente em paz), casar, amar um homem, morar com os pais... é menos porque não luta, não vai contra. acho que nessa de negar a opressão dos homens, as mulheres acabam oprimindo umas as outras.

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  2. ps: quando eu vi a imagem do post, eu pensei que você ia falar sobre aborto. fiquei até com medo, porque hoje em dia, o ápice da liberdade da mulher é ter o direito de abortar.

    eu sempre penso em falar sobre isso no meu blog, mas ainda não estou bem armada pra me defender, rs - eu sou absolutamente contra, mesmo achando o discurso, as estatisticas e o argumento super coerente.

    enfim :)
    eu tenho muitos achismos, e sinceramente, meu mestrado não tem me permitido estudar sobre outras coisas hehe. mas é sempre bom ler opiniões de outras pessoas, ajuda a refletir!

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  3. o mundo om uma unica visão, seja de que ideologia for, seria triste e miupe, mais uma vez parabés, seus textos são um oasis em meio a tanto radicalismo ^^

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    1. Obrigada Carolina ^^!Primeira vez que vc comenta aqui, né?

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  5. Poi é menina, mas sempre leio seus posts e adoro!

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  6. o feminismo se diz um movimento humanista
    mas acho que o discurso de algumas nao respeita aindividualidade de cadea mulher...bem a mulher é livre pra fazer o que quiser desde que depois nao se coloque de vítima e assuma a responsabilidade das ações....


    seu texto teve uma reflexão profunda sinto pelo comentario superficial


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  7. Todo radicalismo e prejudicial.
    Eu, particularmente,, sou contra aquelas mulheres feministas radicais que dizem que mulher nao tem que se depilar, nao pode fazer dieta, nao pode querer emagrecer,nao pode fazer escova nos cabelos, nao pode usar salto alto e tem andar so de moletom e camiseta largada,
    Respeito quem prefere ser assim, mas me dou o direito de me arrumar do jeito que quiser e de nao ser chamada de machista ou de submissa
    Também achei que vc iria falar sobre aborto, quando vi o desenho do seu post,eu particularmente sou a favor a legalização, por N motivos que nao cabe relatar aqui,
    ;))
    Beijos.

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  8. Padrões e imposições sempre, sempre sempre vão existir. O que interessa é o que vamos fazer diante disso. Muitas vezes precisamos traçar caminhos solitários contra a correnteza, e isso é prefeitamente normal. Hoje, o desafio é fazer o que se acha certo, em meio a tantas pessoas que fazem o que acham prazeroso.
    Muito bom texto! Fico mt feliz vendo que alguém ainda acha que as pessoas não são só contexto social, que o mundo precisa de responsabilidade pra ser livre, e que nem "liberdade de decisão" de cada um justifica um erro baseado numa falta de valores e amor próprio.

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  9. Então, Day outro dia estava pensando em fazer um post justamente sobre a questão do que é ser livre. Não sobre o viés feminista, até porque hoje em dia ser livre, especialmente entre estas moleca que ficam brincando feminista e de ideologia é vc ser meio " Valeska Popuzuda" que é tipo de liberdade da nossa sociedade: a de gozar livremente os prazeres da vida. Sem medo, sem culpa, sem regras etc, dai pegar a prostituta e considerá-la como "livre". Estas que pensam estarem questionando, indo contra as regras do sistema, na verdade só estão se adequando a ele. Pois vivemos numa sociedade em que ser feliz e ser livre, é não ter moralismos, religião, parceiro fixo etc. Isso pode trazer benefícios? Sim, porque fez a mulher ser mais dona de si, mas também pode trazer alienação. No caso que citou, acho que quem fez esta pergunta fez uma desserviço, uma vez que uma mulher que não está feliz com um homem e se permite apanhar dele morando na mesma casa é como disse: baixa auto-estimam ela ao menos deve ser orientada para que mesma reflita sobre tal decisão. Mas é como disse uma das comentarista,s vai que é porque não sabemos ainda o que é ser livre.

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    1. Eu tbm fico boba em ver cm as mulheres estão se alienando totalmente ao sistema patriarcal e estão achando queiso é feminismo. O que há de novo em uma mulher que coloca silicone na bunda , no peito, poe lente azul, pinta o cabelo de loiro, fala que vai sair dando por aí e faz uma música com o cara mais machista e podre do funk?????Nossa, nem tenho comentários pra isso.Parece que no fundo é só uma vontade de ser objeto dedesejo mesmo, de pagar de gostosa, cm nos é repetido tds os dias. Isso não é novo.

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  10. Haha! Você completou o que eu falei naquela última postagem minha que você comentou e até citou esse absurdo aí do blog feminista!!
    Não só não concordo com essa visão de liberdade acima de tudo como já to cansando de ver que as mulheres (não só elas, isso pode ser aplicado a outras coisas também) lutam por isso, sendo que tem tanta coisa mais interessante para se pensar/discutir/lutar. Estão forçando a barra demais.

    "Liberdade é responsabilidade, não só prazer." perfeito!

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