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terça-feira, 11 de setembro de 2012

Não é porque não concorda que tem o direito de julgar



Imagem lindinha de http://www.artesanum.com/artesania-pack_3_amigas_diferentes-79204.html

Algumas coisas surgiram no meu post passado bem interessantes, tanto nos comentários aqui no blog como conversas que tive fora dele.
Assim como tenho minha religião e quero ser respeitada, como sigo certo padrão de vestimenta e comportamento por ela, eu tenho o dever de respeitar pessoas que não tem esse mesmo comportamento. Isso não significa que eu ache lindas certas coisas, mas aí já é um problema meu. Eu não faria, mas  isso não me dá o direito de julgar quem faz.
Como ando falando muito sobre o comportamento feminino, o usarei como exemplo: Eu, particularmente, não curto o comportamento chamado “piriguete”. Não faria e nem seria assim. Mas isso é algo meu, isso não me dá direito algum de achar que mulheres que gostam de se vestir de maneira mais provocante ou que tem vários parceiros sejam inferiores a mim. Aliás, em que isso me afeta. Afeta minha vida? Porque eu perderia o meu tempo criticando estas mulheres? Eu vejo de outra forma. Ao contrário do que alguns segmentos feministas dizem (por essas e outras eu não me considero feminista, mas com uma postura feminista), não acho isso o ápice da libertação. A maioria das mulheres que tem esse tipo de comportamento, a meu ver, está sendo escrava de um sistema machista e opressor que as coloca como “tenho que ser desejável a todo custo, nem que para isso eu desrespeite a mim e ao que quero”. Digo desrespeitar não no sentido de “mulher tem que se dar ao respeito”, mas no de se autor espeitar, saber seus limites, saber suas necessidades a atende-las. Se a mulher gosta de se vestir assim (como conheço muitas que realmente gostam) beleza, mas a grande maioria o faz para sentir que estão “no mercado”, pior, se sentem mercadorias. ISSO SIM deve ser combatido. Da mesma forma, há mulheres que se cobrem, se comportam de maneira comedida, usam roupas discretas e obedecem a um padrão de “mulher de valor” por medo de serem julgadas. Isso também é uma tremenda falta de respeito consigo mesma. Mas o que quero dizer é: Eu não defendo a mulher que tem vários parceiros, se veste provocante por ser adepta a isso, mas por achar que ela tem direito a isso, é sua vida.
Eu não gosto de protestos como a Marcha das vadias por isso: acho unilateral. Ela não representa todas as mulheres. A mulher que veste mini saia quer ser respeitada, a mulher que escolhe vestir uma burca também. A mulher que quer fazer sexo com vários, sem amor, sem envolvimento, deve ser respeitada. A que quer se manter virgem até o casamento, ou se relacionar sexualmente apenas com um a vida inteira, também.
 No mais, não acho legal esse romantismo que estão fazendo da promiscuidade feminina e nem da banalização que se tem feito do sexo. Acho muito ABSURDO mulheres que defendem a imagem da Valeska Popozuda como sendo um símbolo feminista. Onde que  uma mulher que se moldou totalmente para corresponder ao padrão sexual vigente, que canta letras dizendo “Mulher burra fica pobre/Mas eu vou te dizer/Se for inteligente pode até enriquecer”  está lutando por algo? Pelo menos a mim, só reforça estereótipos midiáticos agressivos e negativos as mulheres, incita a competição feminina e coloca seu corpo como sendo sua única forma de ganhar algo na vida, claro, sendo sustentada por um homem, moeda de troca. Isso pra mim é um desserviço.  CONTUDO, aí é que está: Não é porque eu não aprovo esse comportamento que eu direi que quem os tem é melhor ou pior do que eu, cada um é cada um. Eu não sou da opinião de que você deve achar tudo lindo e normal, acho que isso muitas vezes cega e corta nosso senso crítico. . Eu já mudei vários pensamentos e comportamentos meus que hoje sinto uma baita vergonha alheia de mim mesma.
Não acho que devemos aceitar tudo. Mas respeitar, isso com certeza. Nem que seja para tentar mudar a opinião de alguém de maneira  respeitosa.
A não ser que a pessoa seja uma escrota, aí você pode usar muita ironia e se divertir um pouco =D!

7 comentários:

  1. Eu nao gosto da marcha das vadias unicamente pelo nome que ela tem.

    Gosto da idéia de liberdade que ela passa, mas nao gosto do nome,

    Eu jamais sairia na rua usando " vadia" como um adjetivo.

    Mas, quer fazer? Que cada uma faca e siga seu coração, ue!!

    Esse= só um entre tantos exemplos,

    Procure um post no meu blog que se chama " dos pre- julgamentos" , escrito em abril deste ano, dai vc vai entender melhor do que to falando,

    ;) bj

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  2. eu acho a valeska super feminista quando ela diz: eu dou pra quem quiser que a p* da buceta é minha :) hê. mas com certeza ela não tinha nada de feminista da cabeça quando pensou nisso.

    acho engraçado criticar o comportamento dos homens, dizendo que eles não valorizam, são violentos, só ligam pra aparência, status, etc, e fazer o mesmo. não querendo generalizar nem nada, mas até onde eu entendo, as piriguetes são exatamente esse homem na versão mulher.

    então eu fico pensando, é isso o que as mulheres querem? poder ser igual aos homens e não serem recriminadas por isso? será que é essa a questão?

    acho que a questão é bem ampla e dá pra ficar falando várias coisas aqui :) mas não vou. vou me guardar pras próximas polêmicas que você levantar por aqui!

    ps: meu blog ta em hiatus mas eu tenho acompanhado aqui! gosto muito!! :)

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    1. Nivelar por baixo não e a resposta as angustias da mulheres, homens e mulheres deveriam se igualar no que tem de melhor, não de pior.

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    2. Nathália, mais um dos problemas; A Valeska é montada, nem as letras das músicas é ela quem faz!Não é elea quem escreve, é seu empresário. Ela apenas representa mais um papel.
      Quanto a isso que vc falou das piriguetes, eu tbm acho. Assim cm acho UÓ um homem que vem falar comigo mostrando os músculos, dizendo que vai pagara a conta, que sou muito gostosa e eu sei muito bem que ele só quer me com*r, tbm acho uó mulheres que agem do mesmo jeito.
      Fábio, concordo.

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  3. Olha, sem querer sem puxa-saco, mas já sendo, eu não só admiro como me identifico com a maneira que você "enxerga" o feminismo. Você colocou nesse texto, tudo que penso em relação ao movimento, A Marcha das Vadias e a tão comentada Valeska Popozuda, mas que não conseguia manifestar, articular argumentativamente. Sou a favor da igualdade, ou respeito mútuo entre os gêneros, a sociedade onde tanto a mulher quanto o homem possam ser tratados como seres humanos e não como mercadorias. E isso é um dos motivos que me fazem discordar desse designado "liberalismo sexual feminino", evidente no estilo "piriguete" e muito explorado na Marcha das Vadias. O mais contraditório é que a questão não é só sexual. Não luto apenas para ter o direito de ter quantos parceiros quiser e de usar roupa curta. Luto pelo direito de ser vista como um ser pensante, tão intelectualmente desenvolvido como um homem e que não deve se sujeitar a padrões estéticos e morais impostos por uma sociedade ainda machista. Luto para mostrar aquelas que mais precisam o direito de não se subordinar a agressões físicas e terrorismo psicológico, mensagem que muitas vezes é embaçada por manifestações como "A Marcha da Vadia", visto que passam a ser envolvidas por uma polêmica teatral e mensagens exibicionistas (ao meu ver) como "DANÇO FUNK SEM CALCINHA. E A B****TA CONTINUA SENDO MINHA" ou "OU MINHA B****TA É PODER". Porra, meu poder não está só na minha B*****TA. Não quero ser vista apenas como "fêmea", quero ser vista como MULHER, um ser com desejos, claro, mas também com ideias e sentimentos que devem ser respeitados.

    Bom, já "filosofei" bastante pra um post só. Esperando ansiosamente pelos próximos. Beijos, boa semana!

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    1. Obrigada pelo elogio Beatriz, adorei e estou com vergonha!rssrsrsrsrs.
      Eu tbm acho importante essa luta pela sexualidade feminina, de falar que a droga da bucet* é dela mesmo. Mas olha cm as coisas são distorcidas: Na letra original dessa música, a garota está falando que NAO QUIS transar com o cara, que se negou e que não tinha obrigação de fazer sexo com ele. Ela não está falando que quer dar pra td mundo, mas é nesse sentido que a música é usada na Marcha. Olha a letra:

      "E aí seu otário
      Só porque não conseguiu f*der comigo
      Agora tu quer ficar me defamando né?
      Então se liga no papo
      No papo que eu mando

      Eu vou te dar um papo
      Vê se para de gracinha
      Eu dô pra quem quiser
      Que a porr* da bucet* é minha

      É minha é minha
      A porr* da bucet* é minha
      É minha é minha
      A porra da...(2V)

      Se liga no papo
      No papo que eu mando
      Só porque não dei pra tu
      Você quer ficar me exclamando
      Agora, meu amigo
      Vai toca uma p*nhetinh*
      Porque eu dô pra quem quiser
      Que a porr* da buc*ta é minha"

      Ela está dizendo que tem o direito de NAO QUERER, de se negar, que ela não é usável. Não está dizendo que "Eu vou sair dando por aí, pra td mundo, pq é minha mesmo ".

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  4. Dayane, como você, eu venho de uma formação religiosa rígida, de igreja tradicional, com recomendações do uso de saia, casamento virgem etc. Há muitos anos estou longe da igreja (e nunca segui as recomendações), porém, ter essa história de vida me deu uma perspectiva crítica da liberalização feminina.
    A questão das burcas e dos véus, por exemplo. Nós, ocidentais, tendemos a dizer que estamos "liberando" as mulheres muçulmanas dessa vestimenta quando, na verdade, nosso discurso está sendo: "Eu, feminista ocidental, esclarecida, sei o que é melhor para as outras mulheres, mas elas não." É o "fardo da mulher branca", que se acha no papel de "colonizar" as mulheres não-ocidentais!
    Na década de 1970, quando as feministas ocidentais pediam na ONU por resoluções de igualdade, de participação das mulheres como soldados em missão de paz etc., as feministas soviéticas pediam para serem vistas de novo como mulheres! Isto é, elas queriam o reconhecimento das diferenças fisiológicas entre homens e mulheres e não terem mais que operar máquinas tão pesadas ou precisarem se submeter a situações de estresse e esforço físico que não suportavam devido a diferenças fisiológicas (ciclo menstrual, tônus muscular etc.). As mulheres soviéticas conseguiram, desde a Revolução de Outubro, um status de igualdade com os homens muito mais avançado do que no resto do mundo (elas não eram recriminadas por se divorciarem, podiam ter filhos de mais de um homem etc.), só que essa igualdade foi também de obrigações. Homens e mulheres eram operários, ambos eram submetidos a jornadas de trabalho desgastante e sofriam as mesmas condições de insalubridade.
    Tudo tem dois lados. As próprias feministas deveriam analisar as propostas do antigo feminismo soviético, do feminismo indiano e de outras vertentes pra compreenderem que a questão é mais complexa do que "provocar" a sociedade com topless (mas quem quiser fazer seu top less, fique à vontade, na minha opinião).
    Nas tribos ianomâmis, quando uma mulher vai dar à luz, ela vai para a mata em companhia de outra mulher e lá elas decidem se o bebê deve ou não ser apresentado à tribo. Os antropólogos tentaram intervir nesse comportamento alegando que as mulheres sofriam uma pressão masculina para decidir se a criança devia sobreviver ou não quando, na verdade, isso era uma decisão da mulher (ou de duas mulheres).
    Em resumo, a maior fraqueza do feminismo é um grupo dominante tentar determinar o que uma mulher deve querer ser e criticar as mulheres que querem ser diferentes porque, se quiserem ser recatadas, ficar em casa etc. isso é porque sofrem pressão masculina. Será pressão masculina mesmo?
    Existem várias formas de ser feminista, mas todas se igualam no seguinte ponto: feminismo é admitir que a pessoa que assume o gênero feminino possui autonomia para tomar as decisões que trarão consequências para sua própria vida. Essa decisão pode ser abortar e dançar funk ou não abortar, casar virgem e vestir burca - desde que seja uma decisão autônoma.

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