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sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Preconceito ou senso crítico?


Este ano eu coloquei como meta (na verdade, não coloquei, foi acontecendo) verificar todos os meus preconceitos de perto para, ou destruí-los, ou transformá-los em pós-conceitos.
Um dos meus preconceitos maiores são os preconceitos literários! Algumas amigas minhas dizem que eu não gosto de “tudo o que é popular”, o que é uma grande mentira! As pessoas confundem o que é popular com o que é MASSIFICAÇÃO, SENSO COMUM, PRODUTO INDUSTRIALIZADO, etc. Uma vez li em Mulheres que honram o rolê uma coisa: Cartola é considerado bom pelos intelectuais ,mas os mesmos desprezam o pagode e, isso é elitismo. Eu discordo totalmente! A questão não é elitismo, a meu ver, mas você reconhecer que a maioria desses grupos não tem personalidade, seguem regras para fazer sucesso, cantam letras “aceitáveis” pelo público,mas não porque honram seu público, mas porque querem vender, são um produto! Diferente de Cartola que mesmo pobre compunha, tinha uma estética impecável, suas letras eram poesia pura.
Penso que o mesmo são com os livros e isso é um pós-conceito, não preconceito. Algo que muitas vezes critico são pessoas que dizem ler quase 100 livros (ou mais) ao ano. Isso é possível? Com certeza. Acontece que a maioria desses livros lidos são “enlatados culturais”, “Junkie Food”, livros que falam o que você quer ouvir, livros disfarçados de grandes romances, livros que usam de histórias consagradas para fazer uma história vendável. Eu acho válido por um lado, já que como a leitura é mais simples, se torna mais acessível e desperta a curiosidade de um público que não é habituado a ler. Não acho errado você começar por estes livros, acho louvável até! E com certeza, cada fase da sua vida pede um estilo de literatura diferente. Mas acho muito RASO  pessoas que ficam apenas nesses livros, que leem 50, 70, 100 livros em um ano, mas se você for em sua prateleira (ou Skoob) verá que são livros que não necessitam ser digeridos, não necessitam de compreensão, não necessitam de reflexão e em nada acrescentam. Eu mesma conheço uma pessoa que leu mais de 500 livros e que quando você conversa, é um papo raso, senso comum, ideais enlatadas. Eu particularmente prefiro ler uns 10 por ano ,mas que estes sejam relevantes! Este ano mesmo li só uns 7, mas foram livros que me desafiaram, me fizeram mudar.
Sempre ouvi todo mundo falando muito mal de Paulo Coelho. Haviam três autores que eu tinha muito preconceito por serem aclamados de mais: Clarice Lispector, Fiódor Dostoivesk e Friedrich Nietzsche. Como era de se esperar, minha relutância se transformou em PURA ADMIRAÇÃO! Aí sim eu posso dizer que quebrei preconceitos, que falava sem conhecer.
Pois bem, como o nome Verônika decide morrer sempre me chamou muito a atenção, o encontrei e comprei. Minha conclusão: Paulo Coelho não é um grande escritor, não amarra bem suas histórias, não leva a grandes reflexões. Mas ele também não é o PIOR AUTOR do mundo, como tantos dizem. Achei uma leitura válida (embora tenha desistido quando começou ao papo de cura interior e etc), mas não foi de longe o pior livro que li.
O que penso é que a cultura de massa não é ruim quando usado como um DEGRAU. O certo é sempre nos arriscarmos, nos desafiarmos a evoluir. Começou lendo Paulo Coelho, Stephenie Meyer, Augusto Cury? Ótimo! Agora  que você já pisou nesse degrau, que tal pegar um livro diferente, um livro que fale coisas que você não está acostumado a pensar? 
Eu prefiro dar valor ,em tudo na minha vida, desde relacionamentos, amizades e até ao que consumo pela qualidade e não pela quantidade. Devemos pensar que o que lemos nos nutre por dentro. Se você se ativer APENAS a leitura/cinema/programas enlatados, você nunca saberá o que é saborear uma bela comida caseira, feita com trabalho, com temperos selecionados, tempo de cozimento, atenção para que ficasse no ponto! E pode apostar: Depois que você comer uma bela macarronada da Mama, não conseguirá mais se satisfazer com um miojinho!Ás vezes vai dar vontade de come-lo pela pressa, por querer algo mais leve, mas no dia-dia-, você terá fome de comida de verdade!
Somos o que comemos, tanto fisicamente quanto em todo o resto!

EDITANDO

P.S:  Elitismo seria se a defesa fosse sobre monopolizar Cartola, por exemplo, a uma classe restrita, que seria a A e B. A partir do momento em que se compartilha Cartola, vende em banquinhas, toca nas FMs, vira trilha sonora de novela, vc está o POPULARIZANDO e isso é maravilhoso! Muito diferente de você pegar um cantor alá tantos como vemos hoje em dia e forçar a barra falando que ele é bom. Você pode muito bem, como disse, usá-lo como um degrau, mas não como uma base. O mesmo penso com os livros: Você pode começar lendo Crepúsculo de Stephenie Meyer, mas depois, arrisque-se a ler, sei lá, O Vampiro Lestat de Anne Rice e passe para Drácula de Bram Stoker! Será que me fiz entender melhor =/?

Nesse texto, já meio antigo, eu também falo mais ou menos sobre isso.

P.S.2: Não quis dizer também que tudo na vida tem que ser cabeção! Aliás, no texto eu falo que muitas vezes nós precisamos desse tipo de entretenimento para nos sentirmos mais leves e, fiz um texto a um tempo atrás com uma  crítica a uem pensa que coisas fúteis são para pessoas superficiais!Eu sou muito fútil também, e adooooooro! Mas em questão a livros, eu sou meio preconceituosa mesmo. O texto que escrevi é este.

12 comentários:

  1. Você possui Preconceito da cura interior, deve mudar (se vc acertar quem sou eu vai ganhar um presente) haha

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    1. Nossa, cara!Não tenho a mínima idéia!kkkk

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  2. já discuti muito e igualmente a vc, a chamada "cultura de massa"
    hoje acho tudo ótimo,afinal são seres humanos em pleno desenvolvimento...somos todos parecidos nos desejos e aspirações...
    alguns são mais focados em determinada área e assim vai!
    não há mais tempo para bobagens tipo críticas e julgamentos...
    somos seres egoístas demais e arrogantes e quem puder sair desta sintonia agradeça pela sabedoria recebida!
    saudações colega...

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    1. Eu não acho tudo ótimo não Ricardo, e não é questão de ser apenas "cultura de massa",mas questão de ser ruim mesmo! Acho que temos que passar com certeza pela experiência de conhecer para depois julgar, mas conhecendo e não vendo relevância,não vejo problema em fazer um crítica. Não podemos engolir tudo o que dão pra gente engolir. Agora, com certeza ,gosto é gosto, cada um tem sua preferência. Eu posso achar um livro muito ruim e outra pessoa achar bom.

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    2. dayane,digo que sua reflexão é ótima...
      eu engulo muita coisa por ai,mas sempre lembro que não possuo poder de alterar a vida de ninguém e sendo assim de nada adianta minhas reflexões sobre outrém...
      tenho 46 e procuro entender a minha vida,minhas ações e sentimentos para que assim possa entrar em contato com a energia de outro ser humano de uma maneira correta....
      sempre um prazer em estar por aqui e admiro vc!

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  3. Quebrar preconceitos é um exercício diário. Um dos maiores preconceitos na arte é de que "gosto não se discute". Cada um tem o seu, é verdade, mas isso é discutível sim. Existe coisas muito boas e interessantes na cultura de massa, que não são superficiais. As vezes gosto de ler ou assistir filmes que são puro entretenimento, pq não estou querendo pensar mesmo, apenas me distrair, as vezes faz bem tb. Não sei oq vc tem contra cura interior.. Hoje eu quebrei um preconceito meu. Na estação encontrei um livrinho do Sermão da Montanha, tenho certeza que alguém deixou lá para quem se interessasse.. Eu nunca tive religião e nunca frequentei nenhuma igreja, sempre tive uma resistencia com o cristianismo. Foi uma experiência mto boa.

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    1. Eu não tenho nada contra a cura interior, essa pessoa tá me trollando!rsrsrsrsrs.

      Eu tbm vejo filmes mais "senso comum" pra me distrair e por muito me apaixono! Adoro, por ex, P.S. Eu te amo! Tbm Diário de uma paixão, belíssimo! Não acho que tudo tenha que ser cabeçudo, pelo contrário, até escrevi um texto que fala sobre isso: http://eterea-essencia.blogspot.com.br/2012/02/gente-nao-quer-so-comer-gente-quer.html

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  4. Day, eu tenho preconceito com cultura de massa por causa exatamente dissos que falou, mas preconceito com coisas populares eu não tenho. Também gosto de ler de tudo, já li Julia , Bianca, Sabrina em outra fase da minha vida, mas costumo ler de tudo mesmo até Crepusculo e jogos Vorazes. Mas acho ruim quando vc só consome estas coisas. Quando se deixa levar pelas moda, gostos, bandas, teorias e livros e da moda. Isso se chama alienação . Acredito que começa lendo coisas populares cultua de mas,a mas com o tempo , aumento do nivel de conhecimento e senso critico vc muda para coisas mais profundas e reflexivas. Agora se vc não muda e continua isso ai me poupe.!!

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  5. O brasileiro começa a ser elitista na classe média qdo ler é unicamente jornal e revista sobre fofocas da TV ou assunto sobre futebol; o brasileiro pobre passa a ser elitista qdo sobe na escala social. Sugiro que vc leia os três primeiros romances de Cyro dos Anjos - "O Amanuense Belmiro; Abdias; A Montanha. Através dessa leitura vc poderá ponderar sobre feminismo, sobre marxismo/socialismo/capitalismo e sobre os vários aspectos da vida de todos os tempos... do tempo que foi, do tempo que é, do tempo que virá. O leitor brasileiro auto-considerado acima da média ao lê Cyro dos Anjos.... E se vc se dispuser a ler "Servidao Humana", de Somerset Maugham, escritor inglês, vc vai saber o que ele comenta sobre literatura para as massas. Até mesmo qdo S. Maugham estava com duas ou três peças teatrais fazendo sucesso em Londres e, ao mesmo tempo, um ou dois livros na lista dos mais vendidos, críticos literários elitistas o espicaçavam chamando-o de escritor para as massas, escritor para cultura de massa. O primeiro romance dele, ainda enqto estagiário num hospital londrino, chama-se "Liza of Lambeth/O Pecado de Liza". Émile Zola, francês, tb foi desprestigiado em seu tempo e mais tarde Anatole France, que havia desprezado a literatura de Zola, disse que "por um momento Émile Zola foi a consciência da humanidade", referindo-se ao Caso Dreyfus. Grandes escritores ingleses disseram que foram influenciados por S. Maugham. Ainda hoje há os que consideram Ernest Hemingway escritor para as massas e um escritor ou uma escritora dos EUA disse que qdo lê Ernest Hemingway o leitor nunca precisa de um dicionário, isso pra classificá-lo como um escritor medíocre.

    Você sabe quem eu sou, mas prefiro manter o anonimato pq quero aparecer o menos possível. Enqto estou no anonimato muito do que escrevo tem sido apreciado pelas mesmas pessoas que sabendo quem eu sou, me desconjuram. Nao é seu caso.

    Sobre a Niemi, eu achei que ela permaneceria por pouco tempo a partir de qdo ela comunicou sobre o câncer intestinal. As pessoas insistem em se evadir da realidade pq preferem criar e viver sob a percepçao pessoal (realidade que o indivíduo cria unicamente a partir de suas próprias experiências). Surpreendeu-me ela nao mudar a postura em alguns aspectos a partir do momento que soube da enfermidade, pois geralmente as pessoas passam por uma retomada de consciência diante da circunstância que ela enfrentava. Ela deixou um texto lindo, postado na página de comentários de outro blog que postarei aqui no seu espaço. Tudo tem seu tempo e viva o seu!

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    1. Olâ anônimo!
      Sinta-se a vontade para não ser anônimo aqui, se quiser.
      Há muitos livros bons que são considerados de "massa" mesmo, isso é verdade. Não me refiro a livros que tenham uma leitura acessível. O caso de O mundo de Sofia, por exemplo, é um livro que fala de um tema complexo (a história da filosofia) ,mas de uma maneira lúdica e simples, para todos entenderem! Já vi professores de filosofia o criticarem por ser um livro de massa, mas eu particularmente acho ótima essa iniciativa, pois dá a oportunidade de muitos que não têm muito repertório sobre o assunto o entenderem mesmo assim. E acho que é assim que deveríamos fazer!Simplificar o que é difícil, popularizar o que é elitizado, mas termos crítica ao ver o que é bom e o que é ruim, já que até mesmo coisas elitizadas são pe´ssimas!

      Quanto a Niemi, eu não achei que ela fosse falecer, achei que era algo leve, passageiro...brinquei tanto com ela, conversei tanto...
      Bem, não sei de quais posturas vc está falando, ela sempre me pareceu humana e tolerante, diferente de muitas outras que frequentam o blog da Lola. Obrigada pelo comentário dela aqui, me fez matar um pouquinho de saudade.
      Dayane.

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    2. *Me refiro a livros que tenham uma leitura acessível

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  6. vc vai gostar de visitar
    http://www.sabercultural.com/index.php
    muito a ver com você.
    muito mesmo.

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