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segunda-feira, 28 de maio de 2012

Parto


Um parto foi feito há milênios. Um parto com dores, desses que descadeiram. Um parto tão difícil que matou a progenitora, a mãe boa de mais. Esta porém, deixou um legado. Deixou um punhado de nada de onde a nascida retiraria tudo. Deixou aquele cheiro de sangue para que nunca esquecesse o quão fora difícil nascer. Uma filha sem mãe, tentando caminhar, dando passos na mata aberta pensado que voltaria o ventre.
Enfim mergulhou em águas cheias de mortos, onde mulheres lhe agarravam os pés, homens só apresentavam-lhe as pútridas mãos.
Notou  que não era cheiro de morte: Ela, a própria, não notara que havia sido parida! Era tudo sujeira de parto, ela e a lama, o sangue e a mulher. Tudo vinha do útero que lhe havia dado a luz. Era um encontro com ela mesma, com sua vida extrauterina. Agora ela está na mundo, em passos largos e longas caminhadas. Parida foi.
A mãe na verdade mora cá dentro. Ela e mãe são a mesma pessoa. A mãe deixou de ser abrigo. Agora, a mãe é intuição.

P.S: Texto feito a partir de um sonho.

Um comentário:

  1. mto bom o texto, adorei!!!
    quando li o relato do seu sonho, eu realmente imaginei uma imagem assim... com essas cores...

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