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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

"A gente não quer só comer A gente quer prazer Prá aliviar a dor..."

Andy Warhol


“Luiza já voltou do Canadá e nós já fomos mais inteligentes!”

Quando o repórter fez este comentário, houve uma salva de aplausos uníssona no Facebook. Tudo bem, eu respeito quem gostou do comentário, pois ele tem uma razão lógica para ter ocorrido. Mas o que me incomoda muito nessa colocação do Nascimento (que eu respeito e admiro como jornalista!) foi esse arzinho de “superior”: Oh, como as pessoas são fúteis e alienadas! Sou muito superior a elas, já que estes assuntos me parecem totalmente dispensáveis!
Aí eu me pergunto: O que define se você é ou não é inteligente, se você é ou não é uma pessoa “culta”?
Desculpem, meus queridos amigos, mas uma das coisas que sempre fez com que eu me destacasse é a minha "inteligência". Livros? Li muitos! Mais de 300!  .Parece que estou querendo me exibir, mas não é nada disso. O que quero mostrar é que embora eu tenha um certa quantidade de CONHECIMENTO (que não é o mesmo que INTELIGÊNCIA),  isso não me isenta de rir com a piada da Luiza, isso não me isenta de querer assistir um programa popular, isso não me isenta de um dia, após uma extensa semana acadêmica,querer passear por um shopping apenas para ver bolsas e sapatos! Eu posso muito bem me indignar e lutar por uma causa social com toda a minha verdade, mas posso chegar em  casa e assistir a comédia adolescente apenas para rir um pouco!
Sou formada em Artes visuais. Bonito, não? NÃO! Não é o que muita gente pensa! Para muitos, essa é uma profissão fútil! O próprio Platão, filósofo grego e seguidor Sócrates, definia o artista como a mais baixa das profissões, pois segundo ele, a arte era uma ilusão, ela nos desprendia do que realmente importava: a busca pela essência, pelo verdadeiro.  Na idade Média, ser artista era considerado uma profissão braçal (como se isso invalidasse alguma coisa!), algo de pessoas sem estudos. Era uma profissão passada de pai para filhos, geração a geração. Com o Renascimento, o Antropocentrismo (o homem como centro do universo) e os estudos anatômicos que os artistas passaram a fazer para suas telas, que ficaram cada vez mais realistas, colocou-se aos artistas e artesãos um status quase de semideus, onde aqueles que se dedicavam as artes eram tidos como seres abençoados divinamente! Até hoje temos essa mistificação de que a Arte é algo ligado a insights, inspirações, que artistas são seres etéreos, não pertencentes a este mundo. Puro mito! Descrevi isso apenas para ilustrar: Vocês vêem como a profissão de artífice passou de algo totalmente braçal, para algo quase divino? E como ainda hoje nós, artistas, somos vistos como criaturas sem ambições, envoltos em mundos de sonhos e etc?
Lembro-me uma discussão que tive na faculdade uma vez, onde criou-se a seguinte questão: Qual a função da arte? Eis a resposta: NADA! A arte não tem uma função prática! Ela tem uma função que vai muito, além disso, “a arte é uma mentira que nos permite desvendar a verdade”,  “A arte lava nossa alma da poeira do cotidiano”, parafraseando Pablo Picasso.
Hoje em dia há milhares de blogs no segmento mais voltado a assuntos considerados “nerds”, como videogame, quadrinhos, cinema e as artes visuais. Há também muitas garotas que se dedicam (e ganham muito bem por isso!) a blogs com conteúdo de moda e tutoriais de maquiagem, o que acho corajoso e até altruísta da parte delas, já que compartilham esse conhecimento (por muitos considerados “fúteis”) com milhões de garotas pelo mundo por meio da internet. E aí, pessoas que não passam 24 horas do seu dia pensando nos problemas mundiais são fúteis e menos inteligentes?
Há um livro que adoro chamado Elogio da Loucura, de Erasmo de  Rotterdam.  Neste livro, o autor se personifica como se a própria Loucura o narrasse e claro, se auto-elogiasse, já que ninguém lhe atribuía o mesmo valor que a outros deuses e entidades, proeminentes de sabedoria. Ele faz uma crítica feroz a filósofos, religiosos, políticos, civis, ninguém escapa, e mostra como a loucura, o ópio, a insensatez, a FUTILIDADE  fazem parte de nossas vidas, pois somos o que somos: seres humanos! Necessitamos do útil e do inútil, queremos matar a fome, mas também queremos comer por prazer!
É o mesmo que diz a música:

“A gente não quer só comer
A gente quer comer
E quer fazer amor
A gente não quer só comer
A gente quer prazer
Prá aliviar a dor...
A gente não quer
Só dinheiro
A gente quer dinheiro
E felicidade
A gente não quer
Só dinheiro
A gente quer inteiro
E não pela metade...
Bebida é água!
Comida é pasto!
Você tem sede de que?
Você tem fome de que?...
A gente não quer só comida
A gente quer comida
Diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída
Para qualquer parte...
A gente não quer só comida
A gente quer bebida
Diversão, balé
A gente não quer só comida
A gente quer a vida
Como a vida quer...”
COMIDA- Titãs

Que me desculpe o Nascimento: O fato de eu me ater a certas futilidades não me torna menos inteligente. O fato de alguém ter lido um grande livro, cheio de sábias palavras, mas dele não ter tirado proveito algum, não o torna mais sábio.
Com certeza já fomos mais críticos  (e nisso o apoio totalmente! O que falata é o senso crítico!) quanto aquilo que engolimos, que lemos, que assistimos, que cantamos, que defendemos e que falamos. Mas esse separatismo de “futilidade X utilidade” é um conceito retrógrado e diria mais: PRECONCEITUOSO.

11 comentários:

  1. Tu é muito burra
    Pseudo>pseudo

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    1. kkkkk!Olha, eu nem ia aceitar esse comentário (pq eu já coloquei os comentários cm moderados pra gentinha cm vc não ficas excitada), mas resolvi te dar uns 5 minutinhos de fama! Não vou me delongar em te responder, acho que já te dei atenção de mais. Mas mostra a cara da próxima vez, será mais divertido.Bjoooooooo

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    2. Sai daí idiota, acho que nem leu o post pra tá falando abobrinha!!
      Tô dizendo, chama a pessoa de burra mais o jumento mesmo não mostra a cara, assim fica facil!!

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  2. Day falou mais uma verdade, as vezes as futilidades nos faz rir um pouco, o que ha de mal nisso, eu ri com a Historia da Luiza e chegueia brincar com isso em meu Blog, acho bobagem levar a vida TÃO a serio, eu hein, eu falo com convicção que rir é o melhor remedio pra tudo!!
    E eu não li tudo isso de livro O.o mas a vida me ensinou mais do que eu queria!!
    Beijoooos e agora tô de olho aqui, pra não perder mais postagem!! =D

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  3. Talvez o Nascimento não esteja dizendo "não ligue para as Luizas", talvez ele esteja falando "Não deixe as Luizas serem a bússola do seu dia"

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    1. Também pensei assim depois. Talvez dê uma editada no post ou escreva outro com essa reflexão.Bjo

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  4. e há um outro ponto aí, essa gente da tv, muito principalmente os jornalistas, que se achavam "os Deuses da opinião/informaçao" nao se conformam em ver que hoje com a web qualquer um pode ser formador de opinião, de ditar rumos e modas, com a chegada das redes sociais então... Isso irrita essa gente.

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  5. Todas a formas de preconceito são inaceitáveis. Podemos nos divertir com o fútil, mas não fazemos dele a nossa razão de viver. A futilidade, em algumas dessas colocações, está mais nas mãos de quem as criou do que daqueles que fizeram brincadeiras com ela. Produzir efêmeras passagens pela mídia não é atitude louvável.
    Mas temos a opção de escolher o que nos agrada.

    Bjs.

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  6. Adorei, mesmo. Conhecimento, nos dias de hoje, é mais do que indispensável. Sempre foi, óbvio, mas hoje a maior quantidade de informações acumuladas, compartilhadas e exploradas é bônus, pode te abrir portas, te levantar de cargo e porque não, alcançar um status social. "O nerd de hoje, é o homem rico de amanhã". O que o diga o finado Steven Jobs. Creio, que daqui à alguns anos, a inteligência vai se tornar parâmetro da valorização do ser humano. Poxa, todos nós, temos valor! Mas como há uma força superior que poderíamos chamar de "mídia" que move a sociedade para nivelar indivíduos, podemos dizer que a inteligência definirá quem vale a pena e que não vale, daqui à alguns anos. Acho lindo quem entende de política e consegue se entrosar com o tema, assim como economia. No entanto, não entendo bolhufas nem de uma nem de outra. Seja por minha formação escolar que não foi muito boa por n motivos, seja porque nunca me dediquei ao estudo das duas matérias, ou porque me faltou oportunidades, ou porque não entendo mesmo. Já me senti muito mal com relação a isso, mas percebi que tenho conhecimento e afinidade com muitas outras coisas e que mesmo que me torne uma Dorian Gray e nunca envelheça nunca vou chegar a conhecer tudo. Para defender a causa de "futilidades necessárias", transcrevo aqui, um quote de um livro fútil mas extremamente divertido que tomo a liberdade de te indicar:

    "— Quer saber de uma coisa, cocota, dizer baboseira neste mundo, onde todo mundo tem pensamentos profundos, é a única maneira de provar que a gente tem um pensamento livre e independente.
    "Boris Vian", acrescento.
    Stanislas ignora. Ele prefere mudar de assunto."

    Derek Delano - Livro: Bubble Gum. Lolita Pille.

    O blog continua ótimo, beijos! ;*

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  7. Vou ser sincera e dizer que não sei do que estás falando. Vou deduzir que seu 'Nascimento' seja 'Carlos' (SBT)? Se for isso, está explicado, eu só assisto ao jornal da CNT ou o Bom Dia Brasil.
    De qualquer forma os dois têm razão ao dizer que falta senso crítico, mas se fosse somente isso... e neste ponto eu meio que discordo. Acho que a Inteligência pode muitas vezes ser confundida com Instinto ou Sorte, muito embora, até onde possa ver, seja lá como chamamos isso, é fato que ela não ultrapassa um certo limite, pois lhe falta CONHECIMENTO.
    As pessoas pouco valorizam o Estudo - estou falando de instrução acadêmica mesmo - e tudo que dele se constroe, e como educadora, muito me doí que cada vez mais as pessoas não só desprezem essa mistura maravilhosa de Cultura+Arte+Conhecimento+Aprendizado+Crescimento, mas também sejam tão Ignorantes tendo estes; conhecimento de causa ou não.
    A realidade, minha cara, é que nós (sim, vou me incluir) que amamos o SABER, tendemos a sofrer de um mal que ás vezes não queremos rechonhecer. SOBERBA. Esse é o nome.

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  8. Gostei :D
    Apesar de não ter achado graça nenhuma naquela história da Luiza e não aguentar mais o pessoal falando nisso, achei muito ruim esse "ar superior" que você mencionou aí no post.
    Sabe, eu vivo pensando nisso... Que as pessoas hoje em dia se disfarçam de seres especiais que não têm desejos, necessidades não tão importantes, vontades aleatórias só para dar mais graça à vida. Só que esse disfarce é que nos faz menos inteligentes e mais falsos... De achar que as pessoas não possam achar isso ou aquilo engraçado porque o nível é muito "baixo".

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