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domingo, 11 de julho de 2010


Eu acho que a poesia não se separa da minha vida, nunca se separou. Só por meio dela consigo me relacionar com o mundo. Estranhamente, ela quase nunca vem de sua maneira habitual, em versos. Ela sempre se dá comigo de maneiras que necessitam de decifrações. Quando pinto, há poesia.Quando desenho, ali está ela. Quando fotografo, a busco, tento enxergá-la. Quando escrevo, mesmo sendo em prosa ,ela surge mais livremente.


Será que é de poesia que estou falando?

Não gosto muito dessa conotação que a palavra poesia ganhou, como se fosse algo unicamente belo. Acho que estou querendo falar sobre o sensível, sobre o que não é racional.

Tenho uma amiga, aliás, minha melhor amiga que me acusa de ser racional de mais. Diz que sou “muito homem”, rs. E eu também já tive essa idéia de mim, pois não achava características tipicamente femininas na minha pessoa. Essa de”mulher gosta de cozinhar, falar sobre moda, chorar com as amigas e se entupir de chocolate”. É, eu nunca fui muito assim não, mas hoje vejo que até mesmo essa minha negação do estereótipo “mulherzinha” foi mais uma repressão do que uma escolha.

Quando paro para pensar nisso, mas claro, em aspectos mais profundos, me dá um grande nó na garganta por pensar o quão melhor eu poderia ser hoje se certas coisas não me fossem negadas. Coisas muito, muito simples, como alguém para conversar as dúvidas da minha adolescência, coisa que eu não tive.E não penso isso apenas comigo,mas como nossas vidas, nossas pessoas poderiam ser diferentes se coisas tão bobas, necessidades tão bestas fossem atendidas. Acho que seria obrigatório toda pessoa ter direito à: Um amigo fiel e leal, alguém que procurasse antes de te julgar,te entender, pais compreensivos, direito a pelo menos uma vez por dia ter um pequeno prazerzinho atendido e respeitado, direito a ser quem se é, sem tantas cobranças do que você deve ser, direito a se sentir bem consigo mesmo, direito a discordar das opiniões dos outros sem que isso causasse atritos, direito de chorar e desabafar quando precisasse, direito de não ser forte o tempo todo... Em vários momentos da minha vida, todos esses direitos me foram negados, e eu sei o quanto tudo isso me fez falta.

Acho que mais do que aprender a ser quem eu realmente sou, aprendi o tipo de pessoa que eu não quero ser. Não quero ser dessas pessoas que, como escrevi no post passado,te julgam e dizem coisas maldosas,sem se preocupar se isso poderá ferir a outra pessoas,mesmo sabendo que inevitavelmente,faço isso muitas vezes.Também não vou querer ser uma mãe que pensa que criar filhos é só dar roupa e comida. Também não vou querer ser uma professora carrasca que não escuta os alunos,e nem uma professora “lesada”,que tenta ser coleguinha deles só para sair da responsabilidade de repreender quando for necessário.

Eu nem sei por que estou escrevendo tudo isso...

3 comentários:

  1. Não acrescenta em nada dizer que me vi em seu texto, mas que se dane. A necessidade de dizer somente coisas "que acrescentem" também é uma racionalidade que não deveria ser obrigatória. Direito à futilidade, à risada despropositada e aos outros dessa linda constituição.

    Saudades MUITO GRANDES, [espaço para palavrões]!!!

    Beijão e se cuida!!!

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  2. Talvez seja uma forma de reacionalizar o que aconteceu na tua vida, mas o que te impede de se conseguir agora o que lhe foi negado antes?

    Talvez não tenha o mesmo resultado, mas penso qyue te ajudaria...

    Fique com Deus, menina Dayane.
    Um abraço.

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  3. A Poesia so é bela, cheirando a lavanda para os incautos, os superficiais.

    Os estilhaços da batalha da vida, desde a infância, vão rasgando nosso coração e deixando cicatrizes. Formando (e deformando) nossa morfologia invisível.

    Não se demore olhando demais para tras. Essas cicatrizes e deformações também dão origem a grandes poesias.

    "Quantos defeitos sanados com o tempo
    Eram o melhor que havia em você?"

    Mas hoje não estou no meus melhores dias, minha acidez está a quase 100%. Garanto que volto para melhor teclar um comment.

    Fica bem.

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