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domingo, 16 de novembro de 2008



Cresci crendo piamente que tudo na vida passa,mas só agora sinto o peso de que as coisas não voltam mais.Pensava que ao chegar o verão esqueceríamos do rigor do inverno,mas não sabia que o que o inverno congela fica petrificado.
É estranho,mas hoje ando pelas minhas lembranças e sinto que as perdi.Não são mais parte de mim como antes:são como histórias que alguém me contou e que tento recriar em minha imaginação.Conto a mim mesma minhas próprias aventuras tentando-me convencer de que todas foram reais.
Faço também estudos filosóficos,antropológicos e fabulescos de minhas lembranças,como seu eu fosse um personagem que traz muitas morais em suas entrelinhas.O rosto de criança perdida e assustada é como se fosse uma antiga boneca,dessas que você sabe que não mais te pertence,mas tem pena de desfazer-se.
Se ao menos fossem todas lembranças longínquas...Mas são histórias tão recentes que ainda cheiram frescas.Mas parece que as escrevi em mim mesma,sem correr o rico de ao resgatá-las,vivenciá-las.
Me sinto um livro em branco,um diário novo,melancolicamente vazio,ao lado de um livro de memórias abandonado.Se antes tinha gana em escrever meu próprio destino,agora quero que página por página,ele escreva em mim aquilo que melhor lhe caber.

4 comentários:

  1. Seu texto me fez lembra algo que sempre afirmo pras pessoas. Muitas pessoas que sabem da minha história de vida diz que eu posso enfrentar tudo porque já passei por coisa pior e eu sempre respondo que nós não somos apenas o nosso momento atual, mas sim um somatório de todas as nossas batalhas, derrotas, vitórias, mágoas, alegrias etc e etc. Então alguém que parece vitorioso hoje, pode ter uma alma muito marcada!

    Desculpa se vc achar que não tem a ver com seu texto, mas é que ele me fez lembrar disso!
    Beijocas

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  2. O seu texto, como sempre, lindo...

    Concordo que cada vez que vivemos uma lembrança, parece que foi com outra pessoa.

    Pior é quando a gente acho um "fossil" (entender um mico bem cabeludo) e fica dizendo para si mesmo: "Gente, eu fiz isso mesmo?!"

    Fica com Deus, senhorita Dayane.
    Um abraço.

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  3. Eu tambem me perco nas minhas lembranças, as vezes não consigo diferenciar o real do imaginário!
    Tenho medo de esquecer os rostos, algumas pessoas que foram especiais por momentos curtos, acabam sendo deixadas pra trás junto com os momentos, e não me vem o rosto a cabeça, e se fico com uma imagem que eu criei da pessoa, quando vejo uma foto, é como se não fosse aquela pessoa a mesma pessoa das minahs lembranças!
    Beijosss

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  4. Sempre fui mto nostálgica, não sei o que anda acontecendo comigo, mas tenho me perdido das minhas lembranças tb. E mesmo havendo boas e ruins, sinceramente, acho isso mto bom...

    Adorei ler teu texto, mto bom!

    Bjos!

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