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sábado, 20 de setembro de 2008

Na mesma tela se pintou vários quadros,muitos além do que se imagina.A cada minuto,um novo borrão,as vezes até sem querer,era dispensado sobre a paisagem,e essa se tornava um retrato.O mesmo ocorria com os retratos;quando começava-se a definir as feições,o mesmo se tornava uma figura abstrata.E a figura virava um animal,e o animal uma composição de cores indefinidas. No mesmo suporte,surgiram marginais,gueixas,fadas,monstros,adultos e crianças.Chegou a cair,tombar,rachar,mas nunca quebrou na verdade.As águas já quase estragaram suas aquarelas e o que era olho virou boca,o que era sonho virou realidade,o que era desejo se tornou pesadelo.Ninguém distinguia o que ali surgia a cada virada de pincel,só reconheciam que sempre seguia um estilo único,que era o de transformação incessante das formas indefinidas.Mas para onde isso iria e para que era feito,não se sabia,muito menos quem era o pintor daquela tela.Ás vezes chegava-se a pensar que cada pessoa que colocasse os olhos sobre a pintura tinha o poder de modificá-la.Era uma tela feita pelo mundo,e o mundo rejeita o que é feito pelas próprias mãos,com medo de cair na desgraça de Narciso e deixar-se inebriar pela beleza de ser o que se é.Ou então,o medo de ficar preso a sua própria imagem e com isso perder o direito da tão almejada metamorfose ambulante.

2 comentários:

  1. sei que muita gente escreve que as coisas são bonitas na internet só da boca pra fora. mas esse eu achei bonito, e com sinceridade.

    "Era uma tela feita pelo mundo,e o mundo rejeita o que é feito pelas próprias mãos,com medo de cair na desgraça de Narciso e deixar-se inebriar pela beleza de ser o que se é."

    ;)

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