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quinta-feira, 5 de junho de 2008



LIBERDADE DE EXPRESSÃO
Se há algo que gosto em mim é que digo,e digo com todas as letras.Não sou de “dar a entender”.Se vc não entendeu o que eu quis dizer ou passar,certamente foi um erro de comunicação,ou minha ou sua,mas que eu disse,isso eu disse.
Mas quando o assunto é arte,não uso de mensagens óbvias.Na escrita,quase sempre uso de alegorias e isso não é algo proposital.Sou uma pessoa que faz muitas comparações,como por exemplo “Estou tão triste como se dentro de mim houvesse uma grande ferida,que quanto mais panos quentes vc coloca tentando abafar sua dor,mais ela se sufoca,se oprime -mais ela dói’.Nas artes plásticas sou assim também.Sou clara na mensagem que quero passar,apenas não sou clara na forma de passá-la.Aí sim é proposital.Não há algo mais chato que vc ir em uma exposição sobre a natureza e se deparar com vários quadros de vasos com flores,ou em uma exposição sobre o amor e ver várias fotos de casais se beijando.É por isso que a arte que mais gosto é a arte-contemporânea,porque ela diz tudo sem ser óbvia.Muitas vezes vc precisa conhecer a origem da obra,quem a fez,seu contexto histórico para aí sim compreendê-la.Não só a arte contemporânea,mas também a Dada,a surrealista,a moderna,a abstrata,a conceitual.Detesto quando as coisas me vem “mastigadinhas” e faço minhas obras pensando em um público assim também:que tem sede de saber aquilo que não compreende.
Hoje na faculdade apresentamos nossos trabalhos sobre as músicas do Chico Buarque.Minha música escolhida foi Pedaço de mim.Quis retratar o sofrimento de todas as mães que perdem seus filhos de maneira brutal e passam a carregar este stigma.Para passar isso,eu peguei uma camisola azul,bonita até ,e coloquei-a em um cabide.Em volta da camisola havia uma corrente e no fim da corrente havia um boneco que para muitos representava Jesus bebê,desses que se coloca em manjedouras de presépio.Amarrei esse boneco e joguei sobre ele muita tinta vermelha.Sujei de vermelho as bordas da camisola e com a tinta que ficou em minhas mãos,prensei também minhas palmas na camisola.Depois ,na exposição,pendurei o cabide e isso fez com que o boneco ficasse também ficasse pendurado,parecendo estar enforcado.Ficou uma imagem bem forte.Quis passar com isso a mãe que perde o filho e sente como se houvesse perdido um pedaço essencial dela,como se lhe fossem arrancadas as entranhas.Mas mesmo ela sabendo que esse pedaço não lhe pertence mais,ela segue arrastando-o acorrentado,como um grande mártir.Usei o boneco que se parecia Jesus por considerar que sua imagem está associada quase que universalmente como um filho,e a camisola azul por que a imagem da Maria (ou a virgem) é associada como a imagem da mãe que perde seu filho.Ressaltando aqui que não sou católica,por isso não levei essa representação a caráter religioso,apenas expressionista e simbólico.
A professora gostou muito da obra,mas fiquei preocupada com a sala,em ter chocado alguém com essa alegoria de Jesus/Maria que usei.Na hora de comentar sobre a obra,fui me explicando “Gente,usei a imagem de Jesus por considerá-lo um símbolo universal de filho e a camisola azul por representar um símbolo universal de mãe.Não quis de forma alguma chocar ninguém com o quesito “religiosidade”Queria até pedir desculpas se eu feri alguém com essa obra,se feri a fé de alguém,mas...”.Nisso a professora interveio “Mas vc não pode deixar de falar o que pensa,expressar o que pensa sempre que isso for esbarrar na visão moral ou religiosa das pessoas,não é?Por que é isso que o artista faz:Questiona,instiga,choca!Se sempre que formos fazer uma obra formos pensar em fazer tudo bonitinho,de uma forma que não fira ninguém,ficaremos sempre na mediocridade.Muito bom seu trabalho!”.

6 comentários:

  1. Dayane você é ousada e autêntica!
    Duas qualidades importante para uma artista.
    Sou católica, mas compreendi o que você quis passar em seu trabalho.
    Super criativa!
    Beijo
    =)

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  2. nooossa com essa obra voce provou que tem criatividade de sobra eim
    parabéns! =]

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  3. magnificamente concreta!!
    um beijo garnde!!

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  4. a musica é bela...
    Sua arte Maravilhosa...
    curti sua arte ... ficou bem forte mesmo..., mas se vc olha e pensa na musica, fika uma coisa linda, gostei mesmo...
    =]

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  5. Eu sempre costumo falar que não importa o que vc QUIS dizer, mas o que vc disse - mesmo que vc nem tivesse noção de que - também estava falando daquilo.
    A arte é isso, sentir pra deixar os outros sentirem.

    Gostei bastante daqui. E obrigada pelo comentário lá no barsa.
    E ah, o mocinho do texto existe sim, mas eu não apresento não, viu ? ;)

    Beijos.

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  6. Tô inteiramente de acordo com a sua professora! E com a sua obra de arte, claro!
    Bjoooooooooo!!!!!

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