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domingo, 24 de fevereiro de 2008



Escutava sua respiração profunda,não sabia distinguir se de satisfação ou preocupação.Era uma respiração pausada,leve,mas minhas neuroses a faziam ter um certo peso.Tentei descobrir se ele sonhava.Observei minuciosamente seu jeito de dormir,assim,espalhado,relaxado,mas com os braços comprimindo o próprio corpo,como se todo o seu ímpeto fosse contido por um medo de se entregar.Notei um leve sorriso em seus lábios entreabertos.Acho que sonhava,mas que tipo de sonho?E com quem?Aonde será que seus devaneios inconscientes o estavam levando?Tentei acordá-lo suavemente.Cheguei bem perto e sussurrei algo em seu ouvido.Ele se mexeu de um jeito engraçado,como se não soubesse que estivesse dormindo.Tem sonhos que são tão reais que quando acordamos,ficamos um tempo sem saber se o que acabamos de sonhar foi real ou não.Ele se mexia como se estivesse tendo um sonhos desses.Um sonho tão real,que nem parece sonho...Um sonho que vc demora para descobrir que está sonhando...E quando vê,acaba abrindo os olhos e se deparando só,em seu quarto,com a mesma vida,os mesmos problemas,os mesmos medos,na mesma realidade da qual vc tentou fugir em seu horário de descanso.Foi assim que despertei,olhei ao redor e me dei conta que tudo não passava de um desses sonhos. E de que ele nem se quer existe.

Um comentário:

  1. Os enganos da realidade e do onírico. Haja sonhos para tantas fugas!

    OBS: vc escreve bem, domina o leitor...

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